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Porta-aviões

Navio de guerra concebido essencialmente para transportar, apoiar, lançar e recuperar aeronaves navais no mar

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Um porta-aviões é um navio de guerra cujo papel principal é servir de base aérea móvel. Permite, portanto, que uma força naval possa projetar o seu poderio aéreo a grandes distâncias, sem a necessidade de depender de aeroportos (fixos) para os seus aviões.

Algumas das principais Marinhas modernas, que operam estes navios, consideram os porta-aviões como a belonave central da frota; papel que era desempenhado anteriormente pelo couraçado (até a Primeira Guerra Mundial). Esta mudança, parcialmente atribuída à intensificação da guerra aérea, iniciou-se na Primeira Guerra Mundial e se consolidou definitivamente na Segunda Guerra Mundial. Entretanto, a partir da Guerra Fria algumas das Marinhas de Guerra das Grandes Potências passaram a ter esquadras navais que tinham como belonave principal um submarino nuclear lançador de mísseis balísticos, ao invés de um porta-aviões.

Os porta-aviões são, geralmente, os maiores navios operados pelas Marinhas de Guerra. Os maiores superporta-aviões da atualidade são os navios da Marinha Americana, com mais de 90 mil toneladas de deslocamento. Um porta-aviões da Classe Nimitz, com dois reatores nucleares e quatro turbinas de vapor, mede cerca de 333 m (1 092 ft) de comprimento, tem 95 mil toneladas de deslocamento e custa cerca de US$ 4,5 bilhões. Os Estados Unidos constituem o país com o maior número de porta-aviões, com onze em serviço neste momento, representando um símbolo da capacidade de projeção de força do país e de seu status enquanto grande potência militar.

Dentre as maiores marinhas do mundo, a Marinha Russa, que a despeito de possuir grande capacidade militar, nunca centrou esforços na construção desse tipo de embarcação, por julgar que seu valor militar era questionável mesmo para projeção de forças, em função de sua grande vulnerabilidade perante mísseis antinavio de grande porte. Durante a época da União Soviética, o alto comando da marinha soviética considerava os porta-aviões como gigantescos "alvos flutuantes" que poderiam ser facilmente danificados por mísseis antinavio, com ataques que poderiam ser feitos inclusive de longas distâncias, com mísseis de cruzeiro. Assim, somente um único exemplar de navio híbrido de cruzador lançador de mísseis e navio aeródromo, o Admiral Flota Sovetskogo Soyuza Kuznetsov, chegou a tornar-se plenamente operacional, embora existissem outros projetos para novos navios. Mesmo assim, a URSS, e posteriormente a Rússia, prefeririam adotar soluções de menor custo, como o desenvolvimento de aviões de longo alcance baseados em terra, ou grandes submarinos nucleares lançadores de mísseis, como os da classe Akula (Typhoon), de 24,5 mil toneladas (48 mil toneladas submerso).

Atualmente há quarenta e quatro porta-aviões e variantes operacionais pelo mundo, sendo utilizados por treze países: Estados Unidos, Reino Unido, França, Índia, Rússia, sendo que Espanha, Itália e Tailândia possuem porta-aviões de médio ou pequeno porte, que podem ser utilizados como navios porta-helicópteros ou STOL. A Marinha da República Popular da China (Marinha das Forças Armadas de Salvação Popular) é a mais nova integrante deste seleto grupo de países pois passou a dispor a partir do dia 25 de setembro 2012 do reformulado porta-aviões Liaoning, antigo Varyag da URSS. O Japão possui porta-helicópteros que podem operar aviões de pouso e decolagem vertical (V/STOL), funcionando como se fossem porta-aviões de pequeno porte. Outros países que operam porta-helicópteros são: Austrália (2), Egito (2), França (3), Coreia do Sul (1) e Tailândia (1).

Eugene Ely foi o primeiro piloto a decolar de um navio estacionado em 14 de novembro de 1910. O navio era o cruzador USS Birmingham, estacionado em Hampton Roads na Virginia, e a aterragem deu-se em Willoughby Spit após um voo de 5 minutos. A 18 de Janeiro de 1911 tornou-se o primeiro piloto a aterrar num navio estacionado. Decolou da pista de corridas de Tanforan e aterrou no USS Pennsylvania ancorado em São Francisco (Califórnia).

O comandante Charles Samson, RN, tornou-se o primeiro piloto a decolar de um navio em movimento a 2 de maio de 1912. Decolou do couraçado HMS Hibernia num Shorts S27, com o navio a uma velocidade de 10,5 nós (19 km/h) durante a Inspecção da Frota Real, em Weymouth.

O primeiro ataque conduzido a partir de um porta-aviões contra um alvo terrestre teve lugar a 19 de Julho de 1918. Sete Sopwith Camel lançados a partir do HMS Furious atacaram a base alemã de Zeppelin em Tondern. Vários aviões e balões foram destruídos.

O primeiro porta-aviões de deque plano

O Tratado Naval de Washington de 1922 impôs limites rígidos acerca dos pesos e carga dos navios de guerra e cruzeiros de guerra para a maioria das potências navais a seguir à Primeira Guerra Mundial. Consequentemente, muitos navios em construção (ou em serviço) foram convertidos em porta-aviões. O primeiro deles a ter um deque plano completo foi o HMS Argus, cuja conversão foi completada em setembro de 1918.

O primeiro navio concebido especificamente como um porta-aviões foi o Hōshō japonês, que entrou ao serviço em dezembro de 1922, seguido do HMS Hermes que entrou ao serviço em julho de 1923. De facto, a construção do Hermes iniciou-se anteriormente, mas a entrega foi atrasada devido a numerosos testes e experiências.

No final da década de 1930 os porta-aviões de todo o mundo suportavam três tipos de aviões: torpedeiros, também usados para bombardeamentos convencionais e reconhecimento; bombardeiros de mergulho, também usados para reconhecimento (na Marinha dos Estados Unidos estes eram conhecidos como "bombardeiros-batedores"); e os caças para defesa aérea da frota e escolta dos bombardeiros. Devido às restrições de espaço nos porta-aviões, todos estes aviões seriam pequenos, do tipo motor único, tipicamente com asas flexíveis para optimizar o espaço do estacionamento.

Os porta-aviões tiveram um papel importante durante a Segunda Guerra Mundial. O Japão começou a guerra com 10 (dez) porta-aviões - a maior e mais moderna frota de porta-aviões do mundo, naquela altura. No início da guerra só existiam 6 porta-aviões estadunidenses, com apenas 3 a operar no Pacífico, e 3 porta-aviões britânicos, dos quais apenas um operava no oceano Índico.

As principais batalhas no Pacífico envolveram porta-aviões. A mais notável, e que provocou a entrada dos EUA na guerra, foi o ataque japonês a Pearl Harbor. A batalha de Midway - onde quatro porta-aviões japoneses foram afundados num ataque surpresa por aviões de três porta-aviões estadunidenses - costuma ser considerada como o ponto de viragem da guerra no Pacífico. A partir deste momento, o porta-aviões substituiu o navio de guerra como a embarcação naval dominante no Pacífico.

Além do ataque a Pearl Harbor, o porta-aviões foi também utilizado em ataques-surpresa. Um deles, e o único a usar os porta-aviões britânicos, foi o ataque-surpresa contra os navios de guerra italianos, eliminando assim grande parte da frota italiana. Outra operação foi o ataque Doolittle, um ataque inovador e único que lançou bombardeiros em direção a Tóquio em pleno alto mar.

Durante a Segunda Guerra Mundial, os aviões podiam aterrar no deque paralelo ao eixo longo do navio. Uma vez aterrado, o avião seria estacionado no deque, na extremidade anterior do navio. Uma barreira de choque era erguida atrás para evitar que algum avião que falhasse a zona de aterragem, em caso de insucesso no engatilhamento do gancho de travagem, o que provocaria sérios prejuízos (físicos e materiais). Se a barreira não fosse forte o suficiente poderia ocorrer também a destruição dos aviões estacionados. Uma importante inovação na década de 1940, pelo Reino Unido, foi o deque inclinado, em que a pista ficava inclinada num ângulo de poucos graus ao longo do navio.

Devido a esta inclinação do deque, que conduz ao mar, se o piloto falhar os cabos de travagem, terá que aumentar a potência do motor para o máximo, de modo a ser içado novamente para o ar, por forma a não atingir os aviões estacionados. A imagem do USS John C. Stennis no início deste artigo mostra um deque de aterragem inclinado.

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