Cneu Pompeu Magno (106–48 a.C.; em latim: Gnaeus Pompeius Magnus), conhecido simplesmente como Pompeu ou Pompeu Magno, foi um político da gens Pompeia da República Romana, eleito cônsul por três vezes, em 70, 55 e 52 a.C., com Marco Licínio Crasso nas duas primeiras vezes e Quinto Cecílio Metelo Pio Cipião Násica na última, com um período de um mês no qual não teve parceiro com poderes extraordinários. Pompeu era oriundo de uma rica família provincial e seu pai, Cneu Pompeu Estrabão, cônsul em 89 a.C., foi o primeiro de sua família a alcançar a posição consular. Seu imenso sucesso como general ainda muito jovem abriu caminho para que ocupasse seu primeiro consulado sem seguir o caminho normal do cursus honorum, a carreira esperada de um magistrado. Foi também um vitorioso comandante durante a Segunda Guerra Civil de Sula, que conferiu-lhe o cognome "Magno" ("o Grande"). Celebrou três triunfos por conta de suas vitórias.
Em meados da década de 60 a.C., Pompeu se juntou a Crasso e a Júlio César na aliança político-militar extra-oficial conhecida como Primeiro Triunvirato, selado com o casamento de Pompeu com a filha de César, Júlia. Depois das mortes de Júlia e Crasso, Pompeu se aliou ao partido dos optimates, a facção conservadora do senado romano. Pompeu e César lutaram então pela liderança do Estado Romano, o que levou à guerra civil entre os dois. Quando Pompeu foi derrotado na Batalha de Farsalos (48 a.C.), ele tentou se refugiar no Egito, mas foi assassinado ao chegar. Sua carreira e sua derrocada final foram eventos importantes na transformação da República Romana no Principado, a fase inicial do Império Romano.
Primeiros anos e início da carreira política
A família de Pompeu alcançou a posição consular em 89 a.C.. O pai de Pompeu, Cneu Pompeu Estrabão, era um rico cidadão romano proprietário de terras na região de Piceno. Seguindo o tradicional cursus honorum, tornou-se questor em 104 a.C., pretor em 92 a.C. e cônsul em 89 a.C.. Durante sua vida política conseguiu uma reputação de ganância, pelo jogo duplo na política e pela crueldade militar. Ele apoiou o grupo tradicionalista dos optimates liderado por Sula contra o grupo dos populares de Caio Mário na guerra civil entre os dois.
Estrabão morreu durante o cerco de Mário contra Roma em 87 a.C., seja por causa de uma epidemia, ou atingido por um raio ou ainda por uma combinação dos dois efeitos. No relato de Plutarco, seu corpo foi arrastado de seu esquife pela multidão. Pompeu, com vinte e um anos na época, herdou suas propriedades, sua afiliação política e, principalmente, a lealdade das legiões comandadas por Estrabão.
Pompeu havia servido dois anos sob o comando do pai e participou dos movimentos finais da Guerra Social contra as tribos itálicas. Ele voltou a Roma e foi processado por ter sido acusado de apropriação indébita dos saques, mas seu noivado com uma das filhas do juiz do caso, Antístia, assegurou sua rápida absolvição.
Nos anos seguintes, os marianos tomaram posse da Itália. Quando Sula retornou de sua campanha contra Mitrídates VI, em 83 a.C., Pompeu arregimentou três legiões em Piceno para apoiá-lo contra o regime mariano comandado por Cneu Papírio Carbão.
Sula e seus aliados expulsaram os marianos da Itália em Roma e Sula, já ditador (o primeiro em mais de um século), ficou impressionado com o desempenho e auto-confiança do jovem Pompeu. Sula chamou-o de imperator e ofereceu-lhe sua enteada, Emília Escaura, em casamento. Emília — já casada e grávida — divorciou-se de seu marido e Pompeu, de Antístia, sua primeira esposa. Embora Emília tenha morrido no parto logo em seguida, o casamento confirmou a lealdade de Pompeu e ajudou muito na sua carreira.
Com a guerra na Itália encerrada, Sula enviou Pompeu para enfrentar os marianos na Sicília e na África. Em 82 a.C., Pompeu conquistou a Sicília, o que garantia os suprimentos de cereais da cidade de Roma, executando imediatamente Cneu Papírio Carbão e seus aliados, o que provavelmente lhe garantiu a alcunha de "adulescens carnifex" ("açougueiro adolescente"). Em 81 a.C., Pompeu seguiu para a África e derrotou Cneu Domício Enobarbo, genro de Cina, e o rei númida Hiarbas depois de uma dura batalha.
Depois desta série de vitórias, Pompeu foi proclamado imperator por suas tropas no campo de batalha africana. De volta a Roma, recebeu uma entusiástica recepção popular e foi chamado de "Magno" ("o Grande") — provavelmente como reconhecimento de suas inquestionáveis vitórias e à sua popularidade. Porém, parece evidente a relutância de Sula ao fazê-lo. O jovem general era, oficialmente, ainda um mero "privatus" ("cidadão privado") e não havia ocupado ainda nenhum cargo oficial no cursus honorum. O título pode também ter sido uma forma de reduzir o sucesso de Pompeu, que o utilizou apenas mais para frente em sua carreira.
Quando Pompeu exigiu um triunfo por suas vitórias africanas, Sula recusou, pois seria um ato sem precedentes e até ilegal homenagear um jovem privatus — legalmente, Pompeu sequer poderia ter legiões privadas. Pompeu se recusou a aceitar esse desfecho e apareceu nos portões de Roma esperando a homenagem, obrigando Sula a ceder e conceder-lhe a homenagem. Porém, Sula também realizou seu próprio triunfo primeiro, depois permitiu que Quinto Cecílio Metelo Pio realizasse o dele e deixou o triunfo extralegal de Pompeu em terceiro lugar na sucessão de triunfos.
No dia da realização do triunfo, Pompeu tentou brilhar mais que seus companheiros mais seniores desfilando numa carruagem triunfal puxada por um elefante, representando suas vitórias na exótica África. Os elefantes, porém, não passavam pelo portão e algum replanejamento de momento foi necessário, o que acabou embaraçando Pompeu e divertindo a plateia. Os historiadores acreditam que sua recusa em ceder aos pedidos quase amotinados de suas tropas por recompensas em dinheiro teriam impressionado Sula e os conservadores em Roma, o que ajudou ainda mais a sua ascensão na hierarquia política e militar romana.
A carreira de Pompeu parece ter sido orientada pelo desejo de glória militar e pelo seu desprezo pelas tradições políticas vigentes. Num ato político muito comum na época, Pompeu casou-se com a enteada de Sula, Múcia Tércia. Porém, nas eleições consulares de 78 a.C., Pompeu apoiou Marco Emílio Lépido contra a vontade de Sula, que o removeu de seu testamento. Sula morreu no mesmo ano e, quando Lépido se revoltou, foi Pompeu que sufocou sua rebelião a pedido do Senado. Logo depois, Pompeu pediu ao senado um governo proconsular na Hispânia para lidar com o último general popular, Quinto Sertório, que vinha resistindo já havia três anos às investidas de Quinto Cecílio Metelo Pio, um dos mais habilidosos generais sulanos.
A aristocracia romana o rejeitou, pois passou a temer o jovem, popular e vitorioso general, que se mostrou ser também ambicioso. Pompeu resolveu resistir e se recusou a desmobilizar suas legiões até que seu pedido fosse atendido. O senado relutantemente concordou, concedendo-lhe o título e poderes de procônsul, iguais aos de Metelo, e enviou-o a Hispânia. No caminho, Pompeu passou um ano subjugando tribos rebeldes no sul da Gália e organizando a província.
Pompeu ficou na Hispânia entre 76 e 71 a.C. e, por um longo tempo, não conseguiu encerrar a Guerra Sertoriana por conta das táticas de guerrilha de Sertório. Apesar de não ter conseguido derrotar decisivamente o general rebelde, Pompeu venceu várias campanhas contra seus oficiais subordinados e gradualmente assumiu a vantagem sobre ele numa dura guerra de atrito. Sertório foi se enfraquecendo cada vez mais e, por volta de 74 a.C., Metelo e Pompeu estavam conquistando cidade após cidade numa sequência de vitórias. Em 72 a.C., os sertorianos controlavam pouco mais do que a Lusitânia e muitos de seus soldados estavam desertando.
Pompeu conseguiu finalmente esmagar os populares depois que Sertório foi assassinado por um de seus próprios oficiais, Marco Perperna Ventão, que foi derrotado por Pompeu em sua primeira batalha. No início de 71 a.C., todo o exército da Hispânia se rendeu. Pompeu revelou então seu talento para a organização eficiente e administração justa da província conquistada, estendendo seu patrocínio por toda a Hispânia e no sul da Gália. Em algum momento do mesmo ano, partiu para a Itália com seu exército.