Poços de Caldas é um município brasileiro do estado de Minas Gerais, na Região Sudeste do país. Está localizado na Região Imediata de Poços de Caldas e na Região Geográfica Intermediária de Pouso Alegre. Segundo a estimativa do IBGE para 2024, possui 171 533 habitantes, sendo o 15º município mais populoso do estado e o mais populoso do Sul de Minas.
A região onde hoje está o município de Poços de Caldas era originalmente habitada pelos indígenas cataguases.
O primeiro registro mencionando a região é datado de 1765, quando lá alcançaram Manuel Velho e Pedro Franco Quaresma, conforme foi relatado pelo sargento Jerônimo Dias Ribeiro ao então Governador da Capitania de São Paulo, o Morgado de Mateus. Na década de 1780, uma carta do Capitão João de Almeida da Fonseca para o então governador da Capitania de Minas Gerais, Luís da Cunha Meneses, relata a descoberta de águas termais na região, com cheiro de ovo podre, mas com propriedades terapêuticas para tratar doenças de pele.
Com o fim do ciclo do ouro, no final do século XVIII e início do XIX muitos garimpeiros vindos das antigas vilas mineradoras de Minas Gerais se fixaram na região de Poços de Caldas, atraídos pelas águas termais. Dentre eles, estavam os membros da família Junqueira. Em 1819, o Major Joaquim Bernardes da Costa Junqueira recebeu uma sesmaria, onde hoje está a cidade.
Em 1826, o juiz de fora de Campanha, Dr. Agostinho de Souza Lourenço, ordenou abrir dois poços do tamanho de pequenas banheiras, para uso dos viajantes que buscavam naquelas águas a cura de moléstias.
Em 1832, o planalto de Poços foi descrito outra vez em um relato memorialístico Dr. Manuel da Silveira Rodrigues, médico do Império, relatando ter tomado banhos nas águas termais da fazenda do capitão Joaquim Bernardes, em cujas terras, aos poucos, foi se formando um povoado. Trinta e três anos depois, em 1865, foi construído o primeiro balneário verdadeiro, com duchas e banheiros de primeira classe.
Em 6 de novembro de 1872, dia considerado o da fundação de Poços de Caldas, após ordem do presidente da província, Joaquim Floriano de Godói, para desapropriar as terras das fontes de águas termais sulfurosas na região para torná-las de interesse público, o Capitão Joaquim Bernardes doou um patrimônio de 96 hectares de sua fazenda, nos quais havia se formado o povoado, que em seguida foi urbanizado segundo os padrões da época pelo Engenheiro Honório Rodrigues Soares do Couto.
O povoado foi elevado à categoria de freguesia, com o nome de Nossa Senhora da Saúde das Águas de Caldas, pela lei Provincial nº 2.542, de 6 de dezembro de 1879, sendo vinculada à vila de Caldas. Em 1° de setembro de 1888, a Lei Provincial n° 3.659 elevou a freguesia à categoria de vila, com o nome de Poços de Caldas, sendo esse nome uma alusão à cidade termal portuguesa de Caldas da Rainha e pelo fato de as fontes serem usadas como poços por animais. Sua instalação se deu em 31 de maio de 1890.Em outubro de 1886, o imperador D. Pedro II e sua esposa imperatriz Da. Teresa Cristina visitaram Poços de Caldas, para a inauguração do ramal da Estrada de Ferro Mogiana que chegava ao local. Eles ficaram hospedados no Hotel da Empresa, localizado na Fonte Pedro Botelho, onde hoje está o Thermas Antônio Carlos.
Com a inauguração da ferrovia, o desenvolvimento de Poços de Caldas foi alavancado. Imigrantes italianos vieram para a região, para trabalhar nas lavouras de café.
Em 18 de setembro de 1915, a Lei Estadual n° 663 concede a Poços o título de cidade.
A prosperidade e o luxo tiveram seu grande momento em Poços de Caldas enquanto o jogo esteve liberado no Brasil. Pelos salões do Palace Casino e do Palace Hotel desfilava a nata da elite brasileira e até de outros países. O presidente Getúlio Vargas tinha uma suíte especial no hotel, com a mesma decoração da que ele usava no Palácio do Catete, no Rio de Janeiro, então capital federal. O quarto ainda hoje preserva os móveis e o estilo da época, mas uma das maiores atrações do hotel continua sendo sua piscina térmica, construída num suntuoso salão sustentado por colunas de mármore de carrara.
Dentre as celebridades que estiveram em Poços de Caldas estavam os cantores Sílvio Caldas, Carmen Miranda, Orlando Silva e Carlos Galhardo, o pai da aviação Santos Dumont, os escritores Olavo Bilac e João do Rio e grandes personalidades políticas estaduais e nacionais, como Ruy Barbosa, Benedito Valadares e Juscelino Kubitschek, além de Ruy Barbosa.
A proibição do cassino, em 1946, e a invenção do antibiótico tiveram forte impacto para o turismo no município. O termalismo deixou de ser a maneira mais eficaz de tratar as doenças para as quais era indicado e os cassinos foram fechados. A economia local teve um forte abalo, mas foi se recuperando nas décadas seguintes com a mineração, indústrias e uma mudança no foco do turismo. A cidade e suas atrações passaram a ser frequentadas não apenas pela elite, mas também pela classe média. Muitos dos turistas se fixaram na cidade.
A partir de 1997, Poços de Caldas começa a se firmar como um polo universitário, com a fixação de universidades como a PUC Minas, UEMG, Unifal e o IF Sul de Minas.
Em 2017, o município passou a pertencer à Associação Europeia Termal e Histórica, após assinar um termo de adesão em Caldas da Rainha, da qual a cidade mineira leva o nome.
A bandeira municipal de Poços de Caldas foi criada por José Raphael Santos Netto, que também é o autor do hino oficial do município e idealizador do Cristo Redentor da cidade. A bandeira tem a forma retangular, oitavada de verde, com retângulo branco central, onde é aplicado o Brasão de Armas do município e de onde partem oito faixas iguais nas cores branco, amarelo e azul que servem de separação das oitavas dispostas duas a duas no sentido horizontal, vertical, em banda e em barra.
O brasão ao centro representa o Governo Municipal, cuja influência e poder são irradiados a todos os quadrantes do território municipal, simbolizados pelas faixas que partem o retângulo central; as oitavas, assim constituídas representam as propriedades rurais existentes nesse território. A grande incidência da agricultura no município é retratada pela cor verde da bandeira.[carece de fontes?]
Sua população em julho de 2017 foi estimada em 166 085 habitantes. O município fica situado em uma região vulcânica já extinta, no sopé da Serra de São Domingos.