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Poções

Município do Estado da Bahia, Brasil

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Poções é um município brasileiro no Sudoeste do estado da Bahia, região Nordeste do país. Localiza-se na mesorregião do Centro Sul Baiano. O município integra o Território de Identidade Sudoeste Baiano proposto pela Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia. Tem a sua história ligada ao povoamento do chamado Sertão da Ressaca que era uma área no sudoeste da Bahia, entre o Rio Pardo e o Rio das Contas, onde se encontra a região do Planalto da Conquista.

Segundo o estimativa de 2024 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a população do município era de 50 642 habitantes.

De acordo com os registros históricos, as explorações no território iniciaram-se por bandeirantes em busca de metais preciosos por volta 1732, a ocupação do território foi resultado do início de incursões bandeirantes pelo interior da então colônia portuguesa. Um dos principais nomes dessa missão foi o coronel André da Rocha Pinto, considerado o pioneiro na exploração da região. A instalação das fazendas propiciou o surgimento de outras atividades como a pecuária, principalmente a bovina, a agricultura de subsistência e a cultura do algodão, a cultura do algodão também começou a ser praticada como forma de aproveitamento do solo e das condições propícias da região. Essas atividades de exploração se estenderam por cerca de cem anos. A atuação das incursões aumentava o controle da coroa portuguesa na região ao mesmo tempo em que fazia surgir povoações ao longo do caminho percorrido pelos bandeirantes. Os núcleos habitacionais ali formados começaram, paulatinamente, a adquirir ares de urbanização, já que vilas e cidades tiveram suas origens em grandes pedaços de terra formados pela casa do fundador ou desbravador e o centro da religiosidade, a igreja dedicada ao santo padroeiro. A gradual concentração de pessoas em volta das fazendas e nos pontos de desembarque ao longo das estradas formaram diversos centros urbanos na colônia portuguesa no século XVIII devido à descoberta do ouro e à difusão da criação extensiva do gado.

A população original da região eram os índios, e quando houve a chegada dos primeiros bandeirantes em busca de ouro, a região já era ocupada por algumas tribos de índios mongoiós. Tais índios eram uma ramificação dos Camacãs do grupo Gê. Os mongoiós eram agricultores, cultivando banana, milho e mandioca. Os trabalhos eram divididos por sexo, mas os bens advindos do trabalho eram distribuídos coletivamente.

Em relação às origens do Arraial dos Poções, são duas as versões disponíveis. A primeira, que data a ocupação do território a partir do ano de 1732, diz respeito a bandeira chefiada pelo coronel André da Rocha Pinto, que foi designado por Pedro Leolino Mariz para conhecimento do local, sendo a primeira tentativa de desbravamento do Sertão da Ressaca. Corroborando com essa afirmativa, o texto publicado em 1953 destaca: “Confere-se, pois, ao coronel André da Rocha Pinto a primazia da penetração inicial na região que hoje integra o município de Poções, que fazia parte do antigo e bravio sertão da Ressaca, da comarca de Jacobina” (IBGE, 1956). Todavia, de acordo com Sousa e Alves (2004, p. 140) devido “[...] a ausência de fontes documentais sobre o assunto, até o momento, não nos permite tecer maiores considerações sobre a passagem da bandeira comandada por André da Rocha Pinto”. Assim, registra-se essa versão, que consta em textos acerca de Poções, com a ressalva da ausência de fontes primárias.

A segunda versão sobre a ocupação do território e documentalmente referenciada, se faz sob a influência das entradas chefiadas por João Gonçalves da Costa na região circunscrita aos arredores da área onde, posteriormente, foi edificado o Arraial dos Poções. Essa entrada ocorreu na segunda metade do século XVIII com abertura da Estrada das Boiadas que ligava o Sertão da Ressaca a Nazaré. A estrada foi de fato construída pelos bandeirantes, naquele tempo o caminho das tropas passava defronte a casa de João Caetano, esse caminho ligava a estrada Real que vinha do norte de Minas com destino a Nazaré no recôncavo baiano. A estrada Real passava em Conquista, Poções, Maracás, Areias e Nazaré.

Além do índio, há relatos da presença de negros na região de Poções. Em carta à Coroa Portuguesa, datada de 12 de agosto de 1780, Manuel da Cunha Menezes, ex-governador da Capitania da Bahia, afirma que João Gonçalves vivia em harmonia num rancho com 60 pessoas, entre elas seus agregados e escravos. Os escravos foram adquiridos a fim de poder praticar a pecuária. Outros documentos, incluindo inventários, relatam a origem dos escravos africanos que foram levados para a região, predominavam os de Angola e Moçambique.

O início da colonização da região não foi tarefa fácil para os bandeirantes, no século XVIII, toda a região que incluía Vitória da Conquista, poções e as localidades que seriam futuramente desmembradas de ambas, pertenciam à Vila do Príncipe, que hoje é a cidade de Caetité. O então governador da Capitania da Bahia, D. Afonso Miguel de Portugal e Castro (1748-1802), o Marquês de Valença, ordenou que fosse aberta uma estrada ligando Rio de Contas ao litoral, na época denominada de Vila Nova de Nossa Senhora do Livramento das Minas do Rio de Contas, importante centro de mineração do interior da capitania, essa estrada deveria levar principalmente ouro da vila do Rio de Contas ao litoral, dado a dificuldades em transportar os minérios explorados na região para serem levados ao portos de Salvador, de Ilhéus ou de Porto Seguro. Soma-se a essa questão, a necessidade, por parte da Coroa Portuguesa de adentrar o sertão com a finalidade de estabelecer a ocupação de terras e, posteriormente, núcleos urbanos que dessem apoio ao trânsito de mercadorias produzidas no interior, sobretudo, na Capitania de Ilhéus, entendendo que os espaços coloniais se estabeleciam essencialmente como “bacias de drenagem”. Foi nessa empreitada que o bandeirante João Gonçalves da Costa foi incumbido de abrir caminho para a estrada, foi então que o Capitão-Mor partindo do litoral chegou à região do planalto da conquista, ele e seus homens combateram os índios Imborés, Mongoiós e Pataxós que habitavam a região.

A conquista da região não foi fácil, existiam populações indígenas numerosas e eles lutaram firmemente contra os planos dos lusitanos de abrir uma estrada que passasse por seus territórios. As maiores batalhas ocorreram na região próxima da sede da atual cidade de Vitória da Conquista. Em 1752, partiu do litoral o sertanista João Gonçalves da Costa, natural de Chaves (Portugal), acompanhado de seu sogro João da Silva Guimarães, do filho Raimundo Gonçalves da Costa e Antônio Dias de Miranda. Eles seguiram o curso do Rio Pardo e alcançaram a região em que hoje está Vitória da Conquista e demais localidades adjacentes. Depois de esforços inúteis para conquistar pacificamente os indígenas locais, João da Silva Guimarães obteve do Rei de Portugal a permissão de guerreá-los, para evitar os constantes ataques às novas povoações que se desenvolviam nas margens dos rios Paraguaçu e Pardo.

Em 1752, ocorreu uma das batalhas mais notáveis da história de Vitória da Conquista, entre os soldados luso-brasileiros, liderados por João Gonçalves da Costa e os indígenas. Foi somente a vitória dos colonos portugueses que toda a região de Vitória da Conquista e seus arredores ficaram sob às mãos de João Gonçalves, incluindo aí, a região de Poções. Desse ponto, partindo da fazenda Ressaca, nas proximidades do que é hoje a cidade de Vitória da Conquista, por volta de 1760, João Gonçalves da Costa ocupou as terras do entorno da referida fazenda, seguindo pelo riacho da Ressaca em direção ao Planalto da Conquista, passando pela borda da Serra do Caititu, em direção leste ocupa terras do entorno da nascente do Riacho da Vereda (atual Belo Campo), desse ponto segue em direção nordeste, pela borda da serra do Caititu. Daí segue em direção norte nordeste, alcança a serra do Peri-Peri, no entorno dessa Serra, as margens do Rio Verruga, demarca as terras das quais viria se tornar o Arraial da Conquista, e desse ponto, segue em direção norte-nordeste, passando pelo riacho do Choça, dai segue em direção à Serra do Taquaral até chegar as margens do Rio São José, demarcando terras que mais tarde deu origem ao Arraial dos Poções.[carece de fontes?]

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