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Pinacoteca de São Paulo

Museu de arte em São Paulo, Brasil

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Pinacoteca de São Paulo é um dos mais importantes museus de arte do Brasil e o mais antigo do estado de São Paulo, fundado em 1905 e regulamentado como museu público estadual desde 1911. A instituição está localizada na cidade de São Paulo e é voltada para a produção brasileira entre o século XIX e a contemporaneidade.

A Pinacoteca abriga um dos maiores e mais representativos acervos de arte brasileira, com mais de 12 mil peças abrangendo majoritariamente a história da pintura brasileira dos séculos XIX e XX. Destacam-se também a Coleção Brasiliana, integrada por trabalhos de artistas estrangeiros atuantes no Brasil ou inspirados pela iconografia do país; a Coleção Nemirovsky, com um expressivo conjunto de obras-primas do modernismo brasileiro; e a Coleção Roger Wright, recebida em comodato no mês de janeiro de 2015.

Atualmente, ocupa três edifícios. O espaço sede é chamado de Pinacoteca Luz, ou Pina Luz, e foi construído em 1900, no Jardim da Luz, projetado por Ramos de Azevedo e Domiziano Rossi para ser a sede do Liceu de Artes e Ofícios. O edifício passou por uma reforma conduzida por Paulo Mendes da Rocha, na década de 1990.

O segundo espaço incorporado à instituição é denominado Pinacoteca Estação, ou Pina Estação, instalado no antigo edifício do antigo DOPS, no Bom Retiro, onde mantém exposições temporárias de arte contemporânea, a Biblioteca Walter Wey e o Centro de Documentação e Memória da instituição. O espaço mais recente chama-se Pinacoteca Contemporânea, ou Pina Contemporânea, e foi inaugurado em março de 2023, no conjunto de prédios que abrigou a Escola Estadual Prudente de Moraes até 2015 e se localizam em terreno contíguo ao Parque da Luz.

Desde janeiro de 2016, a Pinacoteca usa um logo apresentando somente o "apelido" Pina. Segundo o então diretor de relações institucionais do museu, Paulo Vicelli, a mudança oficializa o nome que os frequentadores do museu já utilizavam. A Estação Pinacoteca passou a ser designada por “Pina Estação”, e o museu do Jardim da Luz por “Pina Luz”. A nova identidade visual foi criada pela agência de publicidade F/Nazca Saatchi & Saatchi. Os elementos marcantes da arquitetura do museu, como as colunas, os tijolos e a escadaria, fazem parte do sistema de identidade visual.

As origens da Pinacoteca de São Paulo remetem à criação do Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo. Este, por sua vez, é fruto de um contexto de profundas modificações sociais, políticas e econômicas que operavam em São Paulo na segunda metade do século XIX. A então província, que se mantivera de pouca expressão até a década 1870, metamorfoseava-se, alavancada pela expansão cafeeira e pela consolidação da rede ferroviária. Recebia um grande fluxo de imigrantes (intensificado após a abolição da escravatura), que conferiam transformações significativas, abarcando desde a cultura material e hábitos alimentares até as novas formas de sociabilização. Os núcleos urbanos adensavam-se e modernizavam-se. Na cidade de São Paulo, os capitais acumulados pelos cafeicultores eram reinvestidos na incipiente indústria, realimentando o ciclo de prosperidade. Novos edifícios eram construídos e a técnica da taipa cedia espaço à alvenaria de tijolos. Bairros nobres eram construídos para abrigar os solares e palacetes dos barões do café, sempre seguindo os padrões arquitetônicos europeus, marcados pelo ecletismo. Ainda mais numerosos eram os bairros operários que surgiam, expandindo de forma acelerada o núcleo urbano.

As transformações urbanas decorrentes deste progresso material demandavam cada vez mais profissionais habilitados a trabalhar com os métodos construtivos surgidos após a Revolução Industrial. Os imigrantes europeus supriam em parte essa necessidade, mas tornava-se imprescindível qualificar a mão-de-obra nativa para atender à obsessão de renovar a capital paulista. Visando minorar esta premência, em 1873, o conselheiro Carlos Leôncio da Silva Carvalho instituiu, com o auxílio de 131 sócios beneméritos, a Sociedade Propagadora da Instrução Popular, uma organização privada sem fins lucrativos. A princípio, a sociedade ministrava gratuitamente cursos noturnos de primeiras letras em sua sede na então chamada Rua São José (atual Libero Badaró) — caligrafia, aritmética, sistema métrico e gramática, além de prover cuidados médicos e remédios aos alunos, adultos em sua grande maioria. Na primeira década de atividades, foram habilitados mais de 800 alunos. Em 1882, uma reforma ampliou o rol de disciplinas, que passou a incluir também línguas estrangeiras. Neste mesmo ano foi criado, sob tutela da sociedade, o Liceu de Artes e Ofícios, destinado a "ministrar gratuitamente ao povo os conhecimentos necessários às artes e ofícios, ao comércio, à lavoura e às indústrias", seguindo uma orientação semelhante à do contemporâneo movimento Arts & crafts da Inglaterra.

A sociedade criada por Leôncio Carvalho era em parte subsidiada por particulares, mas dependia sobretudo de verbas concedidas por entidades governamentais. Com a Proclamação da República em 1889, o apoio governamental minguou, envolvendo a instituição em uma grave crise financeira que quase a obrigou a encerrar as atividades. Em 1895, numa tentativa de salvar o Liceu, a sociedade indica o influente arquiteto Francisco de Paula Ramos de Azevedo para assumir sua direção. Ao passo que Leôncio Carvalho tinha fortes ligações com o Império, Ramos de Azevedo era um republicano convicto, participou dos movimentos de renovação do quadro político após a queda da monarquia e possuía relações estreitas com relevantes nomes do novo regime, incluindo Francisco Glicério, ministro do governo do marechal Deodoro da Fonseca. Outra conveniência da indicação era o fato de que Ramos de Azevedo já era então um dos principais encarregados das obras de renovação urbana na cidade de São Paulo, autor de inúmeros projetos de edifícios públicos e privados, tinha amizades influentes na sociedade e nos meios empresariais e era um importante agente cultural e respeitado formador de opiniões. O arquiteto comungava, como os titulares do novo regime, dos ideais positivistas e contava com o apoio dos seus colegas da maçonaria. Ramos de Azevedo era também membro do Landmanscraft, uma sociedade secreta presidida por Paula Sousa, instalada na Escola Politécnica, que por sua vez tinha vínculos com a Burschenschaft, a chamada "Bucha" da Faculdade de Direito do Largo São Francisco, à qual foram filiados diversos nomes de relevo, na política, no governo e no judiciário, que institucionalizaram entre si uma rede de apadrinhamentos e trocas de favores.

Dessa forma, o novo diretor não teve dificuldades em cooptar o apoio do Presidente do Estado, Bernardino de Campos, e de seus secretários, Alfredo Pujol e Cesário Mota Júnior, ao seu ambicioso plano de reformulação do Liceu, visando transformá-lo em uma espécie de órgão complementar da Escola Politécnica, de cuja fundação participara. Tendo assegurado os recursos necessários para manter a instituição operante, Ramos de Azevedo tratou de reformular o currículo dos cursos ofertados, eliminando as matérias alheias ao ensino técnico-profissional. Ao mesmo tempo, tratou de incluir disciplinas relacionadas às artes visuais, em consonância com seu projeto de criar as bases para uma "futura Escola de Belas Artes de São Paulo". O Liceu assumiria, portanto, a tarefa de preencher também essa lacuna e, extrapolando seu objetivo original de habilitar artesãos, passou a atuar no âmbito do ensino artístico, formando nomes como Hugo Adami, Mário Zanini e Odetto Guersoni. Por fim, como julgava que a instituição não era dotada de um espaço condigno, conseguiu do Governo do Estado, em 1897, a doação de um amplo terreno, desmembrado do Jardim da Luz, para construir a nova sede do Liceu. Também obteve do poder público a importante verba de cem contos de réis, votada pelo Congresso Legislativo do Estado de São Paulo e destinada à construção do edifício.

O projeto do edifício ficou a cargo do escritório do próprio Ramos de Azevedo, que o concebeu em colaboração com Domiziano Rossi. Foi idealizado em estilo neorrenascentista, tipologia adequada aos edifícios oficiais, conforme a caracterologia dos acadêmicos atrelados à tradição arquitetônica da Beaux-Arts parisiense, e imaginado com monumentalidade. O edifício seria dotado de um grande pórtico de entrada provido de larga escadaria e uma imensa cúpula (que jamais foi construída) sobre o grande salão central, alta o suficiente para que pudesse ser vista pelos transeuntes próximos do prédio, na calçada da Avenida Tiradentes. Na construção, utilizou-se grande quantia de material importado, boa parte obtida por meio de doações dos fornecedores — indício adicional do prestígio e influência de Ramos de Azevedo. O edifício, ainda inacabado, foi inaugurado em 1900, passando a receber os alunos de "instrução primária e artística". Logo se percebeu, entretanto, que o prédio havia sido superdimensionado para a pequena quantidade de alunos destes cursos. O governo então tratou de transferir para o edifício também o Ginásio do Estado, a primeira escola de ensino secundário de São Paulo (que dividiria o espaço com o Liceu até 1924). Por outro lado, as oficinas para os cursos de habilitação técnica, que deveriam ser o tema principal do projeto, uma vez que congregavam mais de 800 alunos, foram alojadas em um porão subdimensionado, de pé-direito baixo, e logo estavam saturadas.

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