Pierre Loti (Rochefort, 14 de janeiro de 1850 — Hendaye, 10 de junho de 1923) foi um escritor e oficial da marinha francês. O seu nome de batismo era Louis Marie Julien Viaud. Foi membro da Academia Francesa desde 1891. Foi sepultado, com um funeral com honras de estado, na Ilha de Oléron. A sua casa em Rochefort foi transformada num museu.
Uma grande parte da sua obra literária de Loti é autobiográfica e os seus romances foram inspirados nas suas viagens de marinheiro, como por exemplo ao Taiti para Le Mariage de Loti (Rarahu), de 1882, ao Senegal para Roman d’un spahi, de 1881, ou ao Japão para Madame Chrysanthème (1887). Durante toda a sua vida foi fortemente atraído pela Turquia, onde o fascinava sobretudo a importância dada à sensualidade, principalmente à sensualidade feminina, algo que é ilustrado notavelmente no seu primeiro romance, Aziyadé, de 1879, e na sua sequela de 1892 Fantôme d’Orient.
Pierre Loti explorou igualmente o exotismo regional em algumas das suas obras mais conhecidas, como a Bretanha em Mon frère Yves (1883) ou Pêcheur d'Islande (1886), e o País Basco em Ramuntcho (1897).
Julien Viaud (o futuro Pierre Loti) era o terceiro filho de Nadine Texier-Viaud e de Théodore Viaud, cobrador de impostos municipal no município de Rochefort. A sua família era protestante e praticante. Quando nasceu, a sua irmã Marie tinha 19 anos e o seu irmão Gustave tinha 12 anos. Até aos 10 anos são os pais que lhe ministram a instrução.
Em 1860 entra para o liceu de Rochefort, onde faz todos os seus estudos secundários. De 1862 a 1864 passa parte das féria de verão em casa de um primo em Bretenoux, no departamento de Lot, onde descobre os vestígios do passado no castelo feudal de Castelnau. É de Bretenoux que escreve no verão de 1863 ao seu irmão Gustave, médico da Marinha, transmitindo-lhe a sua determinação de se tornar um oficial da Marinha. As suas memórias desses tempos são evocadas nas suas últimas obras: Le Roman d'un enfant, Prime jeunesse e Journal intime.
Deixou Rochefort para ir viver para a casa em Saint-Porchaire onde vivia a sua irmão Marie Bon, desenhadora e pintora amadora de talento e esposa do precetor da comuna. Como não gostava do nome do seu cunhado, este aparece com o nome Fontbruant nas suas obras. Perto de Saint-Porchaire situa-se a propriedade "La Roche-Courbon", e o seu "Castelo da Bela Adormecida", que dá título a um dos seus livros. O jovem Loti fica maravilhado com o castelo, então desabitado, a sua floresta e as suas célebres grutas, onde descobriria o prazer carnal nos braços de uma jovem boémia.
A 10 de março de 1865 o seu irmão Gustave morre no Estreito de Malaca. Em outubro desse ano entra na classe preparatória do Liceu Napoleão (atual Liceu Henrique IV) de Paris. Em setembro de 1867 figura na lista de candidatos à École navale publicada pelo jornal Le Moniteur Universel.
Em outubro de 1867 entra na Escola Naval de Brest e passe o primeiro ano a bordo do Borda. No fim de 1869, conhece Argel a bordo do Jean-Bart e depois a América do Sul. Em 1870, ano da morte do seu pai, embarca como aspirante de primeira classe e participa na Guerra franco-prussiana a bordo da corveta Decrès. Serve depois numa campanha na América do Sul a bordo do Vaudreuil.
No final do ano de 1871 embarca em Valparaíso no navio-almirante La Flore rumo ao Taiti. Nessa viagem faz escala na Ilha de Páscoa. Desembarcado no Taiti, a rainha Pomare IV dá-lhe o sobrenome Loti, o nome de uma flor tropical. Devido à sua qualidade de oficial da marinha, só usaria aquele nome como pseudónimo a partir de 1876. Durante a estadia no Taiti, escreve o seu primeiro romance, Le Mariage de Loti, obra que seriviu de base ao libreto da ópera L'Île du rêve, uma das primeiras de Reynaldo Hahn, estreada na Opéra-Comique de Paris em 1898.
No final de 1872 regressa a França com o La Flore com a patente de enseigne de vaisseau (equivalente a subtenente ou segundo-tenente). Em julho de 1873 serve no Pétrel percorrendo as costas da África Ocidental francesa. No início de 1874 é destacado para o aviso Espadon a bordo do qual volta a França em agosto de 1874. A seu pedido, passe o último trimestre desse ano e o primeiro trimestre de 1875 na escola de ginástica de Joinville. Na primavera de 1875 é nomeado para o cruzador Couronne.
Em 1877, durante uma estadia na Turquia, conhece Hatice (pronúncia: Hatidjê), uma bela e taciturna odalisca de olhas verdes com quem viverá uma grande paixão. Hatice era uma jovem circassiana que pertencia ao Harém de um dignitário otomano. Antes da partida de Loti, Hatice confecciona um colar com as suas próprias joias e oferece-o ao seu amante. Com base no seu diário, Loti escreve o romance Aziyadé, onde altera certos detalhes; o livro termina com a morte dos dois amantes. Mais tarde, quando consegue voltar a Constantinopla, Loti procura a sua amada, mas descobre que ela tinha morrido devido à sua tristeza e ao ostracismo provocado pelo seu adultério. Em 1892, escreve Fantôme d'Orient com base no diário dessa segunda estadia, que dedica a Hatice.
Segundo a sua biógrafa Lesley Blanch, as joias de Aziyadé foram transformadas num anel, com o nome dela gravado no interior em escrita otomana. Esse anel foi usado por Loti até ao último dia de sua vida e está atualmente num cofre de um banco, juntamente com as suas condecorações e objetos de valor.
Certos críticos (como Roland Barthes) referem a possível homossexualidade de Pierre Loti,[carece de fontes?] explicando que a personagem de Aziyadé seria na realidade um jovem, à semelhança das descrições das jovens de Marcel Proust que na realidade eram homens camuflados por pseudónimos femininos. Em todo o caso, Loti procurava, através das mulheres exóticas, uma certa pureza primitiva capaz de regenerar o mundo ocidental. A sua biógrafa Lesley Blanch nega esse facto, pois ela era esposa de um turco, que mandou construir um túmulo para ela. Esse túmulo pode ser visitado ainda hoje.
Em 1881 é promovido a lieutenant de vaisseau (tenente) e publica o seu primeiro romance com o pseudónimo Pierre Loti, Le Roman d’un spahi. em 1883 embarca no Atalante para participar na campanha do Tonkin da Guerra Sino-Francesa e escreve uma narração pormenorizada da tomada de Hué na obra Trois Journées de guerre en Annam, a qual é publicada pelo Le Figaro. Loti é então posto na disponibilidade pelo governo de Jules Ferry, que o criticam por denunciar a ferocidade e crueldade dos soldados franceses. A 28 de abril Julien Viaud embarca no Château-Yquem rumo às Ilhas Pescadores, de onde sairia a 5 de julho.
A 9 de julho de 1885 Loti encontra-se em Nagasáqui e aí desposa uma jovem japonesa de 18 anos chamada Okané-San. O casamento é oficializado mediante um contrato de um mês renovável arranjado por um agente com o assentimento dos pais da noiva e registado na polícia local. Dura apenas o tempo da estadia de Pierre Loti no Japão. Esta prática curiosa de casamentos temporários, dispendiosa para os estrangeiros, era então corrente no Japão, permitia à esposa voltar a casar com um japonês. A alcunha da jovem japonesa, Kikou-San (Senhora Crisântemo), deu título ao romance Madame Chrysanthème de 1887.
Pierre Loti abandonou Nagasáqui a 12 de agosto de 1885 e a 7 de dezembro regressa a França a bordo do Triomphante. Em 1886 é publicado o segundo grande sucesso de Loti, Pêcheur d'Islande.
A 21 de outubro de 1886 casa-se com Jeanne Amélie Blanche Franc de Ferrière, duma família notável de Bordéus. Em 1887 Jeanne dá à luz um menino nado-morto e fica parcialmente surda devido a um forte acesso de febre. A 17 de março de 1889 nasce o único filho legítimo de Pierre Loti, Samuel Loti-Viaud, conhecido como Sam Viaud.
A 21 de maio de 1891, com 42 anos, é eleito membro da Academia Francesa, onde fica com a cadeira 13, anteriormente pertencente a Octave Feuillet. A votação teve seis voltas e Émile Zola saiu derrotado por 18 votos contra 35. Loti foi dispensado das visitas à Academia devido aos seus deveres militares; foi recebido por Alfred Mézières a 7 de abril de 1892.