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Piauí

Unidade federativa do Brasil

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Piauí é uma das 27 unidades federativas do Brasil. Localiza-se no noroeste da Região Nordeste, englobando as sub-regiões do Meio-Norte e Sertão. Limita-se com cinco estados: Ceará e Pernambuco a leste, Bahia a sul e sudeste, Tocantins a sudoeste e Maranhão a oeste. Delimitado pelo Oceano Atlântico ao norte, o Piauí tem o menor litoral do Brasil, com 66 km. Sua área é de 251 577,738 km², sendo pouco maior que o Reino Unido, e tem uma população de 3 271 199 habitantes, segundo o censo de 2022.

Seu território é dividido em 224 municípios, sendo Teresina, a única capital nordestina que não se localiza no litoral, o mais populoso deles. Parnaíba, no litoral, e Picos, no interior, são outros municípios com população igual ou superior a cem mil habitantes. Tem um relevo moderado e a regularidade da topografia é superior a 53% inferiores aos 300m. Parnaíba, Poti, Canindé, Piauí e São Nicolau são os rios mais importantes e todos eles pertencem à bacia do rio Parnaíba. Possui clima tropical e semiárido. As principais atividades econômicas do estado são a indústria (química, têxtil, de bebidas), a agricultura (algodão, arroz, cana-de-açúcar, mandioca) e a pecuária.

O território piauiense começou a ser povoado na segunda metade do século XVII, quando vaqueiros vindos do Vale do São Francisco, na Bahia, chegaram à procura de pastos. Em 1715, a região, até então pertencente à Bahia e a Pernambuco, passou a fazer parte do Maranhão. Em 1758, foi desmembrada do Maranhão a Capitania do Piauí, a qual foi desligada da administração portuguesa no Maranhão em 1811, pelo príncipe Dom João.

Depois que o Brasil tornou-se independente, em 1822, as tropas com fidelidade a Portugal ocuparam a cidade de Parnaíba; as adesões foram recebidas pelo grupo, mas os piauienses acabaram por derrotar os portugueses em 1823 na Batalha do Jenipapo. Alguns anos após a batalha, por movimentos revoltosos, como a Confederação do Equador e a Balaiada, o Piauí também foi atingido. Em 1852, o governo provincial transferiu a capital de Oeiras para Teresina, desde então o estado começou a crescer economicamente. Desde a Proclamação da República no Brasil, o estado apresentou um terreno político tranquilo, mas muitas dificuldades para que se desenvolvesse social e economicamente, cenário social e econômico que tem mudado nas últimas décadas.

Inicialmente, as terras do Piauí receberam a denominação de Piagüí, nome dado pelos seus indígenas. Mais tarde, chamaram-nas Piagoí. Somente depois é que ficaram conhecidas por Piauí. O topônimo "Piauí" vem da língua tupi, na qual significa "rio das piabas" (também chamadas de piava ou piau).

Também existe a teoria que a palavra Piauí significa "terra dos piagas", ou seja, terra de pajés e povos indígenas.

Pré-história e povos indígenas

Um importante sítio arqueológico brasileiro é a Serra da Capivara, no sudeste do Piauí, na qual há diversas pinturas rupestres e foram encontrados, desde a década de 1970, diversos artefatos, como carvões e ferramentas de pedra, que podem ter sido produzidos por humanos, o que indica, segundo a arqueóloga Niède Guidon, que a presença humana na região remonta a, pelo menos, 50 mil anos, o que implicaria uma ocupação humana nas Américas muito anterior ao pensado. Entretanto, essa hipótese é bastante polêmica entre os cientistas, o que se deve a diversos fatores, como a grande antiguidade em comparação com outros sítios arqueológicos mais antigos no continente americano, a ausência de fósseis humanos que corroborem uma presença humana tão antiga e a teoria de que os carvões seriam de origem natural e as ferramentas, fabricadas por símios.

Em vários pontos do território piauiense, foram encontradas pinturas rupestres, como na Serra da Capivara, Sete Cidades e Serra das Confusões, muitas das quais com mais de 10 mil anos de idade.

Quando da chegada dos europeus, o território do Piauí era habitado por diversos povos indígenas, dentre os quais se destacam os tremembés, acroás, gueguês, tarairiús, jaicós e timbiras, do tronco linguístico macro-jê; os tabajaras, do tronco linguístico tupi; e os pimenteiras, do tronco caribe.

O território piauiense começou a ser desbravado provavelmente no início do século XVII, destacando-se, nessa época, a expedição de Martim Soares Moreno, que alcançou a foz do Rio Parnaíba, e a de jesuítas que, ao se dirigirem de Pernambuco ao Maranhão, passaram pelo Piauí.

Na segunda metade do século XVII, a região do Piauí foi desbravado por bandeirantes paulistas, os quais caçavam indígenas para escravizar. Destaca-se o nome de Domingos Jorge Velho, que batizou o Rio Parnaíba em homenagem à sua vila natal, Parnaíba (atual Santana de Parnaíba).

A colonização do Piauí, a qual ocorreu do interior para o litoral, começou na década de 1670, quando vaqueiros vindos da parte baiana do Vale do São Francisco penetraram em seu território pelo sudeste. Esses colonos receberam sesmarias e combateram grupos indígenas hostis. Ao longo dos rios piauienses, como o Gurgueia, Piauí, Parnaíba e Canindé, formaram-se fazendas de gado. O capitão português Domingos Afonso Mafrense, ou capitão Domingos Sertão, como era conhecido, foi um dos sesmeiros que ocuparam essas terras; possuía trinta fazendas de gado e foi o mais alto colonizador da região, doando suas fazendas, após sua morte, em 1711, aos padres jesuítas.

Em 1715, o território, até então sob a jurisdição da Bahia e de Pernambuco, passou para a do Maranhão.

À medida que cresciam a pecuária e as fazendas de gado no Piauí, cresciam também os mercados consumidores, abastecendo os mercados não apenas do Nordeste, mas também do Pará, Minas Gerais e Rio de Janeiro.

A contribuição dos padres jesuítas foi decisiva na colonização do Piauí, principalmente no desenvolvimento da pecuária, que, em meados do século XVIII, atingiu seu auge. Com a expulsão dos jesuítas do Império Português (1759) pelo Marquês de Pombal, as fazendas foram incorporadas à Coroa portuguesa e entraram em declínio.

Durante o processo de colonização do Piauí, muitos portugueses migraram para esse território e muitos africanos escravizados foram trazidos para terras piauienses para trabalhar na pecuária e na lavoura algodoeira.

Em 1758, foi criada a Capitania do Piauí, desmembrada da do Maranhão, tendo como capital a Vila da Mocha, o primeiro núcleo demográfico piauiense, e como primeiro governador João Pereira Caldas, em cuja administração (1758-1769) a Vila da Mocha foi elevada à categoria de cidade, com o nome de Oeiras, e receberam o título de vila as localidades de Jerumenha, Valença (atual Valença do Piauí), Marvão (atual Castelo do Piauí), Parnaguá, Campo Maior e Parnaíba. Em 1811, essa Capitania foi desligada do Estado do Maranhão e passou a pertencer ao Estado do Brasil.

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