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Peter Schmeichel

Futebolista dinamarquês

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Peter Bolesław Schmeichel MBE (Gladsaxe, 18 de novembro de 1963) é um ex-futebolista dinamarquês que atuava como goleiro (guarda-redes). Jogando como goleiro participou duas vezes da lista dos melhores goleiros do mundo pela IFFHS. É pai do também goleiro/guarda-redes Kasper Schmeichel.

Schmeichel celebrizou-se como o grande goleiro do Manchester United na dourada década de 1990, em que a equipe, após mais de duas décadas de decadência, se reergueu e se tornou uma das mais vitoriosas do planeta. Jogou também no rival Manchester City, saindo com uma marca excepcional dos dérbis de Manchester: com nove anos de United e um de City, jamais saiu derrotado. Nos Red Devils, ajudou a construir um tabu de catorze anos sem derrotas nos clássicos em que ele, defendendo os Citizens, estaria presente na quebra. Ele, que na Inglaterra defendeu também o Aston Villa, detém o recorde de não levar gols em 42% dos jogos que atuou na liga inglesa.

Ao lado dos irmãos Brian e Michael Laudrup, é também considerado como um dos três maiores jogadores de futebol da história da Dinamarca. O trio não foi esquecido por Pelé quando este elaborou sua lista dos 125 maiores futebolistas ainda vivos, em 2004. Schmeichel foi o goleiro titular da conquista mais expressiva da Seleção Dinamarquesa, a Eurocopa 1992. Além disso, marcou dez gols na carreira, um deles por seu país.

É filho de uma dinamarquesa e de um polonês (daí seu sobrenome Bolesław). Nos tempos de Manchester United recebeu o apelido de The Great Dane, literalmente "O Grande Dinamarquês". A expressão, na língua inglesa, equivale também à raça de cachorro conhecida em português como dogue alemão. Sua jogada característica era o "salto estrela", abrindo braços e pernas para obter o máximo alcance possível para uma defesa. Outras características peculiares eram seus ruidosos gritos e os longos lançamentos com a mão, sendo comum ser ele o primeiro a lançar contra-ataques de suas equipes.

Como jogador, destacava-se ainda pela sua imensa presença, excelentes reflexos e intimidatória compleição física. O ex-futebolista português Paulo Futre resumiu bem a imponência de Schmeichel, ao eleger seu elenco ideal à revista FourFourTwo:

Atualmente aposentado, chegou a apresentar um programa de televisão no canal Discovery Channel, chamado Dirty Jobs (Trabalho Sujo). Seu filho Kasper Schmeichel seguiu seus caminhos e também é goleiro.

Nascido próximo de Copenhaga, cresceu e iniciou a carreira na capital dinamarquesa. A vida no futebol começou ainda aos oito anos, nas divisões inferiores do Høje-Gladsaxe, mudando-se para as do Gladsaxe-Hero quatro anos depois. Pouco antes dos dezoito anos, realizou sua primeira partida como profissional, ganhando a primeira oportunidade nas últimas partidas da terceira divisão dinamarquesa, quando a equipe já estava rebaixada. O técnico que o lançou tornaria-se mais tarde seu sogro.

Embora a estreia tenha sido uma derrota por 1–0, Peter, desde já, teria recebido críticas positivas. O promissor goleiro rumou para outra equipe pequena, o Hvidovre. Como o futebol não era um esporte profissionalizado na Dinamarca, ele teve de arranjar outros empregos na época. Em 1987, suas atuações e inclusive gols chamaram a atenção de uma das grandes equipes do país, o Brøndby.

Ali, convivendo com outras celebridades do futebol dinamarquês, como John Jensen, Lars Olsen, Kim Vilfort e Brian Laudrup, ganhou quatro vezes o campeonato nacional nos cinco anos seguintes, o primeiro logo no seu ano de estreia como profissional. Schmeichel não tardou também para chegar à Seleção Dinamarquesa, figurando no grupo que foi à Eurocopa 1988.

Ainda assim, só angariou prestígio fora da Escandinávia durante a Copa da UEFA de 1990–91. O Brøndby esteve bem perto de ir à final: depois de empatar sem gols em casa, arrancava um 1–1 da Roma fora, até Rudi Völler marcar nos descontos para a equipe italiana e eliminar os nórdicos, que só chegaram nas semifinais após seu goleiro defender fora de casa duas penalidades na decisão por pénaltis contra os soviéticos do Torpedo Moscou, nas quartas-de-final. Se a campanha na competição terminou de certa forma amarga, por outro lado significou a Schmeichel uma transferência para o Manchester United.

O goleiro chegou a Old Trafford pela quantia módica de 600 mil euros, em valores atuais o que seria definido pelo técnico Alex Ferguson como o "negócio do século" para o time inglês. O United não era das equipes mais poderosas: amargava uma decadência desde o início dos anos 1970 e não ganhava o campeonato inglês desde 1967, ainda nos áureos tempos de George Best, Bobby Charlton e Denis Law.

Schmeichel não demorou para se tornar um dos favoritos dos torcedores. O título inglês não veio - por quatro pontos, ficou com o rival Leeds United. Como consolação, participou da primeira conquista do United na Copa da Liga Inglesa. Após uma exuberante Eurocopa 1992, realizada ao final daquela temporada, os títulos no United lhe viriam em série. A temporada 1992–93 marcou a primeira edição da Premier League como divisão de elite inglesa. O United, quebrando um jejum de mais de 25 anos, finalmente reconquistou o campeonato com decisiva participação do goleiro, que não sofreu gols em 22 partidas. A segunda no clube foi ainda melhor: o time conseguiu sua primeira double, títulos no campeonato e na FA Cup na mesma temporada. Paralelamente, todavia, Schmeichel experimentou uma dolorosa eliminação da Dinamarca, que perdeu a vaga para a Copa do Mundo de 1994.

A temporada 1994–95 para o clube foi um oposto da anterior: o United perdeu, por um ponto, o título da Premier League para o Blackburn Rovers, e a decisão da FA Cup para o Everton. 1995–96 viu Schmeichel e o United recuperarem os troféus perdidos: o inglês, revertendo vantagem de 12 pontos do Newcastle United, e a FA Cup, batendo na decisão o arquirrival Liverpool. Nela Peter marcou seu único gol pelo United, em partida da Copa da UEFA contra os russos do Rotor Volgogrado, empatando a partida em 2–2 no Old Trafford. Embora o resultado tenha desclassificado os mancunianos (que empataram em 0 –0 na Rússia), o lance entrou para o folclore do clube.

1996–97 terminou com o quarto título do United em cinco edições de Premier League. A conquista fez do clube a segunda equipe isoladamente mais vencedora do campeonato inglês, superando os novos rivais do Arsenal, que, todavia, volta a empatar o títulos já em 1997–98, quando termina a tabela com um ponto de diferença sobre os diabos. Em compensação, veio finalmente a classificação para a Copa do Mundo.

1998–99 terminaria como a mais especial de Schmeichel. O Manchester United tornou-se o único clube inglês a faturar a treble: conquista do campeonato e copa nacionais e do mais importante torneio continental. A Premier League veio com um troco sobre o Arsenal, desta vez o superado por um ponto - e novamente deixado para trás na escala dos maiores campeões ingleses. O mesmo rival foi batido nas semifinais da FA Cup com atuação dramática de Schmeichel, que defendeu no final da partida um pênalti do cerebral Dennis Bergkamp. A partida seguiu empatada para a prorrogação, vencida com um gol redentor de Ryan Giggs. Na decisão, o título veio com um 2–0 sobre o Newcastle.

Após tantos troféus nacionais, faltava a Schmeichel um título europeu pelo United, e ele veio de forma ainda mais dramática. O Bayern de Munique sagrava-se campeão com um 1–0 até o fim do tempo regulamentar. Nos dois minutos de desconto, todavia, os ingleses conseguiram uma incrível reviravolta. Primeiro com Teddy Sheringham, que contou com a presença de Schmeichel no ataque para empatar. O goleiro logo voltou ao campo de defesa após o empate, pois muito provavelmente nem ele acreditaria que Ole Gunnar Solskjær pudesse aproveitar o que restava dos descontos para desempatar ainda no tempo normal. O vitória épica marcou a despedida de Schmeichel, que já havia acertado sua transferência para o Sporting Clube de Portugal.

A trajetória vitoriosa de Schmeichel continuou: em sua primeira temporada no José Alvalade, ele faturou o campeonato português, que os Leões não conseguiam havia dezoito anos. Na segunda temporada, o Sporting ficou em terceiro. O que seria uma colocação até boa significou, curiosamente, uma marca negativa para o vencedor goleiro: pela primeira vez em quatorze anos, ele experimentava a sensação de ficar abaixo do segundo lugar em um campeonato nacional.

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