Pedro de Orleães e Bragança (Petrópolis, 15 de outubro de 1875 – Petrópolis, 29 de janeiro de 1940), foi o filho mais velho da Princesa Isabel e do príncipe Gastão de Orléans, Conde d'Eu, e portanto, membro da família imperial brasileira. Como primogênito da herdeira presuntiva do trono brasileiro, recebeu o título de Príncipe do Grão-Pará, e ocupou o segundo lugar na linha de sucessão ao trono imperial do Brasil, durante o reinado de seu avô, o imperador D. Pedro II, que acabou com a abolição da monarquia e a Proclamação da República. É o patriarca do chamado Ramo de Petrópolis da Casa de Orléans e Bragança.
A dificuldade de sua mãe em conseguir engravidar a levou a Caxambu, na província de Minas Gerais, onde submeteu-se a um tratamento com as águas minerais daquela cidade. Em contato com religiosos, a princesa imperial fez a promessa de levantar um santuário no local caso conseguisse conceber um filho. Foi o que aconteceu, e até hoje existe na cidade a Igreja de Santa Isabel da Hungria, erguida por esta razão.
Em 1908, Pedro renunciou por si e por sua futura descendência a quaisquer direitos que possuía sobre o abolido trono brasileiro, para poder se casar com a condessa Elisabeth Dobrzensky de Dobrzenicz. É avô de Henrique de Orléans, Conde de Paris, pretendente ao trono francês, e do atual Duque de Bragança e pretendente ao trono português, Duarte Pio de Bragança.
Pedro nasceu às 04h50min do dia 15 de outubro de 1875 em no Palácio Isabel em Petrópolis, após treze horas de parto. Era filho da Princesa Isabel, herdeira presuntiva do Império do Brasil, como filha mais velha do imperador D. Pedro II. Seu pai era o príncipe Gastão de Orléans, Conde d'Eu, neto do rei francês Luís Filipe I.
Embora tenha nascido sufocado, a enfermeira Soyer conseguiu reanima-lo; porém, por conta do parto trabalhoso, sofreu uma lesão no plexo braquial esquerdo, na altura da 7ª e 8ª raízes dos nervos cervicais do pescoço, que resultou na paralisia de uma das mãos e dos dedos (Paralisia de Klumpke).
Pedro recebeu desde seu nascimento o título de Príncipe do Grão-Pará, reservado ao segundo na linha de sucessão e primogênito dos Principes Imperiais.
Ele foi educado por preceptores, chefiados por Benjamim Franklin Ramiz Galvão, e viveu no Paço Isabel (atual Palácio Guanabara), no Rio de Janeiro, junto com seus irmãos mais novos Luís e Antônio.
Quando tinha catorze anos de idade, um golpe militar proclamou a república em 15 de novembro de 1889. Sua família seguiu então para o exílio, e durante a viagem, deve-se a ele um dos gestos mais pungentes quando sugeriu ao avô D. Pedro II a ideia de soltar-se uma pomba branca, em alto mar, a fim de que levasse as últimas saudades da Família Imperial para o Brasil. A pomba foi solta à altura da ilha de Fernando de Noronha, com uma mensagem assinada por todos da família, mas acabou caindo ao mar sem cumprir com seu propósito.
Estabeleceu-se no exílio com sua família no Castelo d'Eu, na Normandia, França, tendo estudado no Império Áustro-Húngaro, onde fez seu curso militar e serviu no exército imperial e real daquele país.
Com a deposição de seu avô, D. Pedro II, e a partida da família imperial para o exílio, vez por outra surgiam boatos e até iniciativas pela restauração.
Em 1893, a república cambaleava com a segunda Revolta da Armada e a Revolução Federalista no sul do país. O líder deste último movimento, Gaspar Silveira Martins, declaradamente monarquista, engajava-se em conspirações para restaurar a monarquia parlamentarista no Brasil. Já insistira em vão para que Pedro II retornasse ao país, após o marechal Deodoro ter fechado o Congresso Nacional. Com o avanço da revolução, propôs à Princesa Isabel que permitisse aos militares ligados à Revolta da Armada levarem seu filho mais velho, Pedro, para ser aclamado como imperador no Brasil. Ouviu da princesa que "antes de tudo sou católica, e, como tal, não poderia deixar aos brasileiros a educação do filho, cuja alma tinha de salvar". Indignado, Silveira Martins respondeu: "Então, senhora, seu destino é o convento".
A família imperial não se dispôs aos riscos de uma aventura sangrenta no sul do Brasil. Se, por um lado, o então príncipe imperial teria dado a uma revolução que tinha homens e armas uma alma, por outro lado, poupou-se do triste fim de Custódio de Melo, Gumercindo Saraiva e tantos outros que mediram forças com a república.
Em 1896, Pedro que até então servia no Exército Austríaco, passou a visitar a casa de dois amigos soldados. Em uma dessas visitas ele conheceu a irmã deles, a jovem condessa Elisabeth Dobrzensky de Dobrzenicz.
Embora a constituição do Império Brasileiro não exigisse que um membro de uma dinastia casasse com alguém de posição igualitária, vez que o Art. 120 da Constituição de 1824 estipulava apenas que a Princesa Herdeira necessitava de autorização para contrair casamento, sua mãe decidiu que o matrimônio não seria válido dinásticamente para a sucessão brasileira, e, como resultado, ele renunciou aos seus direitos ao trono do Brasil em 30 de outubro de 1908. Com a renúncia de Pedro, os direitos dinásticos ao extinto trono brasileiro passaram a seu irmão Luís.
Um instrumento de renúncia foi emitido em três vias, todos assinados por Pedro diante de sua mãe, chefe da Casa imperial do Brasil, a qual enviou uma das vias ao Diretório Monárquico do Brasil, então localizado no Rio de Janeiro, aos 9 de novembro de 1908.
Após a renuncia do filho, o Conde d'Eu apresentou uma proposta ao Duque de Orléans para que este concedesse aos seus descendentes o direito de sucessão no trono francês, perdidos por ele quando de seu casamento com a Princesa Isabel em 1864. Essa propsta era provocado, especialmente, pelo desejo do Conde d'Eu em deixar, entre seus filhos, uma descendência principesca puramente francesa. Ademais, como Pedro havia renunciado, sua esposa e seus descendentes não teriam títulos principescos, e não conseguiriam contrair casamentos dentro de outras casas reais. Tais propostas foram aceitas pelo Duque de Orléans em 24 de abril de 1909, onde foi feito uma declaração que reconhecia o Conde d'Eu e seus descendentes como pertencente a uma casa distinta da Casa Real da França, e a criação do título de Príncipes e Princesas de Orléans e Bragança. Assim, Pedro manteve-se como príncipe, garantindo que tanto ele quanto seus descendentes se casassem com membros de casas reais sem ter o casamento considerado morganático. Prova do cumprimento do acordo por parte da família Orléans foi o fato da aceitação, em 1931, do casamento da filha mais velha de Pedro, Isabel, com o Conde de Paris.
Pedro e Elisabeth se casaram em 14 de novembro de 1908, na Igreja de Versalhes. Elisabeth era filha do barão Johann-Wenzel II Dobrzensky de Dobrzenicz, proveniente de uma antiga família nobre da Boêmia (àquela época a Boêmia encontrava-se sob a soberania do Império Áustro-Húngaro), e da baronesa Isabel Kottulin de Krzischkowitz e Kottulinsky.
A Princesa Isabel pediu ao imperador Francisco José da Áustria que elevasse a condição nobiliárquica da família de Elisabeth, que foi elevada ao título nobiliárquico de conde em 1906. Até então seus antepassados haviam sido barões.