Neste Dia

Pedro Henrique de Orléans e Bragança

Herdeiro brasileiro

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Pedro Henrique de Orléans e Bragança (Boulogne-Billancourt, 13 de setembro de 1909 — Vassouras, 5 de julho de 1981) foi um membro da família imperial brasileira, filho de Luís de Orléans e Bragança e de Maria Pia de Bourbon-Duas Sicílias, e neto da princesa Isabel do Brasil. Após a morte de sua avó, em 1921, passou a ser considerado por parte dos monarquistas como chefe da Casa Imperial do Brasil, posição que não possui reconhecimento oficial no ordenamento jurídico brasileiro republicano.

Nascido durante o exílio da família na França, passou a infância entre propriedades familiares naquele país. Sua formação incluiu estudos em ciências políticas e sociais na Sorbonne.

Em 1937, casou-se com a princesa Maria Isabel da Baviera, com quem teve doze filhos. Após o fim da Segunda Guerra Mundial, transferiu-se para o Brasil, estabelecendo-se inicialmente em Petrópolis e, posteriormente, no interior do Paraná, onde passou a se dedicar à vida rural.

Pedro Henrique nasceu em 13 de setembro de 1909 no Palácio de Boulogne-sur-Seine, na França, onde sua família estava exilada desde a Proclamação da República, que aboliu a monarquia no Brasil em 1889. Era o primeiro filho do príncipe Luís de Orléans e Bragança e de sua esposa, a princesa Maria Pia das Duas Sicílias, que eram primos um do outro varias vezes. Seu pai era o segundo filho da princesa Isabel do Brasil e do príncipe Gastão de Orléans, Conde d'Eu, e a sua mãe a terceira filha do príncipe Afonso, Conde de Caserta e da princesa Maria Antonieta das Duas Sicílias. Pedro Henrique era ainda bisneto de dois monarcas: o imperador Pedro II do Brasil e o rei Fernando II das Duas Sicílias.

Dois dias após nascer, foi batizado na Capela do Palácio de Boulogne-sur-Seine, com água levada do Brasil, do Chafariz do Largo da Carioca, após ter sido registrado no Consulado Brasileiro. Os padrinhos foram a avó paterna e o avô materno. Como seu tio, Pedro de Alcântara, havia renunciado aos seus supostos direitos ao trono do Brasil em 1908, seu pai, Luís, tornou-se pretendente ao título de Príncipe Imperial do Brasil e, como seu primogênito, o jovem Pedro Henrique tornou-se pretendente ao título de Príncipe do Grão-Pará logo que nasceu.

Sofreu grandes perdas familiares ainda jovem: Perdera o pai, Luís, em 1920, a avó, Isabel, em 1921 e o avô, Gastão, em 1922. Em vista o falecimento do pai, herdou a pretensão ao título de Príncipe Imperial do Brasil. Pedro Henrique realizou uma viagem para o Brasil, junto da mãe e do avô, no ano de 1922, de modo a comparecer às comemorações do centenário da independência, à luz da revogação da Lei do Banimento. Esse foi, então, o primeiro contato do jovem herdeiro com o Brasil e os brasileiros, tendo sido apresentado ao Brasil pela mãe, dado o falecimento do avô Gastão a bordo do navio Massilia. Em terras brasileiras, Pedro e Maria foram recebidos por uma multidão no hotel no qual se instalaram, o Hotel Glória; o povo tanto prestava homenagens pelo falecimento do Conde d'Eu, quanto aclamava aquele que futuramente poderia ocupar o vago trono brasileiro.

Sua educação e formação passaram a depender, a partir daquele momento, exclusivamente da mãe, Maria Pia. Segundo os relatos constatados nos documentos de memórias da irmã, Pia Maria, a mãe desejava que os três filhos fossem educados em casa. Para realizar esta formação, Dona Maria Pia procurou, dentre tutores e mestres, um preceptor que fosse capaz de fornecer a educação que o Chefe da Casa Imperial necessitava na sua transição da infância para a adolescência.

Pedro Henrique, assim como o pai e os parentes da Casa de Orléans, tentou a carreira militar, enviando um pedido às Forças Armadas Brasileiras aos 16 anos, em 1925. A República Brasileira indeferira seu pedido, negando-lhe a participação nas Forças Armadas nacionais, por temer a popularização da monarquia entre as tropas diante da presença dele. Tendo seu pedido negado, voltou a residir na Europa após breve estadia no Brasil, visando complementar sua formação com o curso superior. Ingressou na renomada e prestigiada Universidade de Sorbonne, em Paris. Por lá, cursou Ciências Políticas e Sociais, curso no qual se formara em meados da década de 1930.

Consolidada a sua educação, seria o momento para encontrar uma pretendente. Após ser apresentado a princesa Maria Isabel da Baviera, por seu tio Fernando, que era casado com uma das tias de Maria Isabel, os jovens logo ficaram noivos. O casamento civil teve lugar em 17 de agosto, no Palácio Leutstetten, e o religioso em 19 de agosto de 1937, na Capela do Palácio de Nymphenbourg, em Munique. A noiva era a filha mais velha do príncipe Francisco da Baviera e da princesa Isabel de Croÿ, e neta de Luís III, último rei da Baviera. No casamento estiveram presentes vários representantes de casas reais europeias, entre eles: o rei Afonso XIII de Espanha, a Grã-Duquesa Carlota de Luxemburgo, o Czar Fernando I da Bulgária e a rainha Amélia de Portugal.

O casamento repercutira intensamente nos meios monárquicos de vários países europeus, sendo igualmente comemorado pelos monarquistas brasileiros. Em Recife, capital do Estado de Pernambuco, os monarquistas gozavam de grande influência cultural e social, e resolveram comemorar o casamento sugerindo que fosse dado o nome “Dom Pedro Henrique” a uma rua. O pedido foi recebido favoravelmente pelas autoridades municipais, de modo que, “usando das atribuições que lhe são conferidas por lei, o Sr. Prefeito desta Cidade resolveu, pelo Decreto nº 400, de 4 de novembro de 1937, denominar a rua recentemente aberta, transversal do lado esquerdo à Av. Visconde de Suassuna, no flanco da casa 747, de RUA DOM PEDRO HENRIQUE”. Ainda hoje, a rua permanece com esse nome.

O casal passara a viver na França, numa comuna francesa vizinha de Cannes, chamada Mandelieu, onde Pedro Henrique nascera e fora criado. Maria Isabel da Baviera, passou a adaptar-se à Pátria da qual agora fazia parte – Aprendeu o português, estudou a história do Brasil e procurou familiarizar-se com os costumes e tradições do povo brasileiro. O casal vivera na Europa até o término da Segunda Guerra, impedidos de se realocarem para o Brasil em virtude dos desdobramentos do conflito em 1945. O casal teve doze filhos.

Pedro Henrique regressara ao Brasil junto da família em 1945, alojando-se inicialmente no Palácio do Grão-Pará, em Petrópolis, Rio de Janeiro, até que em 1951 fixou-se no interior do Paraná, onde adquiriu uma fazenda em Jacarezinho, a Fazenda Santa Maria, onde dedicou-se à criação dos filhos.

Em 1965, retornou ao estado do Rio de Janeiro, junto de parte da família, e passara a viver em Vassouras. Durante sua estadia em Vassouras, dedicou-se a outras atividades como a leitura e a pintura de aquarelas. Pedro Henrique residiu no chamado Sítio Santa Maria, até o final de sua vida.

Em fevereiro de 1956, durante a Revolta de Jacareacanga, rebelião de militares da Aeronáutica contrários à posse de Juscelino Kubitschek, um grupo de militares de alto escalão, foram até a Fazenda São José em Jacarezinho, residência de Pedro Henrique, para oferecer a restauração da monarquia, por meio de um golpe de estado. Sem hesitar, Pedro Henrique respondeu: "Não utilizarei de artimanhas republicanas para retornar ao poder. A Monarquia só volta pela vontade popular, pois, só assim, será legítima."

Na virada para a década de 1980, a saúde de Pedro Henrique declinara bastante. Chegando aos 70 anos, sofria de problemas respiratórios crescentes, semelhantes aos que outrora atingiram seu avô, o Conde d'Eu, décadas antes. Em fins de junho de 1981, recuperava-se bem de uma crise de hepatite, quando, de repente, fora acometido por uma infecção pulmonar, tendo sido internado no Hospital Eufrásia Teixeira Leite. A despeito de ter aparentado reagir bem sob efeito de antibióticos, o Chefe da Casa Imperial seria subitamente vitimado por uma crise aguda de enfisema pulmonar, à qual não resistira, falecendo no dia 5 de julho de 1981, aos 71 anos de idade.

Na ocasião do velório, realizado em Vassouras, seu caixão foi coberto com a bandeira imperial. A notícia de que havia falecido o Chefe da Casa Imperial do Brasil comoveu o público, inclusive os que desconheciam sua pessoa. O prefeito do município, Pedro Ivo da Costa, decretara luto oficial de 3 dias em homenagem ao legado que Pedro Henrique representava para o Brasil. Na sequência de sua missa fúnebre, foi sepultado no Jazigo da Família Imperial, no Cemitério da Irmandade de Nossa Senhora da Conceição. O outrora presidente da República, o General João Baptista Figueiredo, escrevera uma carta de pesar para sua viúva.

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