Simão Pedro, São Pedro ou São Pedro Apóstolo (em hebraico: שמעון בר יונה, "Shimon Bar Yonah", em grego koiné: Πέτρος, Petros, em copta: Ⲡⲉⲧⲣⲟⲥ, Petros, em latim: Petrus); (Betsaida, 1 a.C., — Roma, c. 29 de junho de 67) foi um dos doze apóstolos de Jesus Cristo, segundo o Novo Testamento e, mais especificamente, os quatro Evangelhos.
Historiadores e as Igrejas Católica e Ortodoxa consideram Pedro como o primeiro bispo de Roma e, por isso, o primeiro Papa, e também como o primeiro bispo e patriarca da Igreja de Antioquia, tendo sido seu fundador.
Ele seria, até hoje, segundo o Catolicismo, o primeiro Papa e o detentor do mais longo pontificado da história: quase trinta e sete anos.
É dito na Tradição Católica a partir de um Livro apócrifo chamado Atos de Pedro, datado como do ano de 200 Depois de Cristo, que Pedro fora crucificado de cabeça para baixo, pois não se achava digno de morrer como Jesus.
Segundo a Bíblia, seu nome original não era Pedro, mas Simão. Aparece ainda uma variante do seu nome original, Simão Pedro, no livro dos Atos dos Apóstolos (Atos 10:18) e na II Epístola de Pedro (II Pedro 1:1).
No Evangelho segundo João (João 1:42), Cristo muda seu nome para כיפא, Kepha (Cefas em português), que em aramaico significa "pedra" ou "rocha", nome este que foi traduzido para o grego como Πέτρος, (Petros), que significa "rocha" segundo a interpretação católica, ou "pedra" segundo a interpretação de alguns protestantes. A palavra grega πέτρα (petra) significa "rocha" ou "pedra"; Petros é uma forma masculina derivada da mesma raiz que Πέτρα (Petra), adaptada para servir como um nome próprio masculino.
Ocorre que o aramaico de “fragmento de pedra” ou “pedrinha” é a palavra evna e não kepha, sendo esta última a mencionada nas escrituras e traduzida para o grego Petros, que realmente significa “Rocha”.
Na interpretação da Igreja Católica, a razão para Jesus ter mudado o nome do apóstolo, bem como seu significado na citação bíblica «Também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja; e as portas do Hades não prevalecerão contra ela.» (Mateus 16:18), a chamada Confissão de Pedro, Jesus estava comparando Simão a uma rocha. Desta forma, Cristo seria o fundador da Igreja Católica, do grego “katholikos” que significa para todos ou universal, sendo-lhe concedido, por este motivo, o título de “Príncipe dos Apóstolos” pela Igreja Católica. Esse título é um tanto tardio, visto que tal designação só começaria a ser usada após a sua morte cerca de um século mais tarde, suplementando o de Patriarca.
Em contrapartida, todos os escritos dos Pais da Igreja Primitiva sobre o tema, bem como aqueles dos eruditos católicos, entre os quais se destacam o sacerdote jesuíta Leonel Franca e o teólogo Scott Hahn, asseguram que, em grego koiné do século I, as palavras petros e petra seriam sinônimos, referindo-se assim, ao vocábulo rocha. Em suma, a Confissão de Pedro e sua mudança de nome por Jesus Cristo lhe concediam um papel proeminente na Igreja, principalmente em sua missão de "fortalecer os irmãos" (Lucas 22:32). Estes autores sustentam ainda que, embora a língua difundida no Império Romano nos tempos de Jesus e dos apóstolos fosse o grego koiné, devido à influência helênica na região desde mais de dois séculos antes de Cristo, os judeus do século I falavam principalmente o aramaico, mesma língua em que teria sido escrito originalmente o próprio Evangelho segundo Mateus. Em aramaico a palavra para fragmento (de pedra) "ou pedrinha" seria a palavra evna e não kepha. Logo, o mais provável é que o a palavra Kephas ou "Cefas", que é transcrita cerca de oito vezes no Novo Testamento ou se encontra traduzida para o grego Petros nos Evangelhos, Atos dos Apóstolos e escritos paulinos, realmente signifique rocha e diga respeito à pessoa de Pedro.
Observe-se que a confissão de fé de Pedro e a fala de Jesus são dois momentos distintos da mesma leitura. Em um primeiro momento a pergunta de Jesus aos discípulos é a seguinte: «Quem diz o povo ser o filho do homem?» (Mateus 16:13), ao que estes lhe respondem: «Uns dizem: João Batista; outros: Elias; e outros: Jeremias, ou algum dos profetas.» (Mateus 16:14) e Jesus novamente pergunta: «Mas vós, quem dizeis que sou eu?» (Mateus 16:15), «Respondeu Simão Pedro: Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo» (Mateus 16:16), e como resposta Jesus diz a Pedro: «Bem-aventurado és, Simão, Filho de Jonas, porque não foi a carne nem o sangue quem to revelou, mas meu Pai que está nos céus.» (Mateus 16:17-18), e acrescenta: «Também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja; e as portas do Hades não prevalecerão contra ela.» (Mateus 16:18). Esse é o diálogo exaustivo do que a própria Bíblia apresenta em diversas traduções, como a católica Ave-Maria, o novo testamento dos gideões internacionais e a própria tradução brasileira do Wikisource.
Na interpretação protestante, protestantismo histórico ou ainda pentencostais e neopentecostais, afirma-se que a palavra para rocha é petra, que significa uma "rocha grande e maciça", a palavra usada como nome para Simão, por sua vez, é Petros, que significa "pedra" ou "rocha".
Segundo essa interpretação, o próprio Pedro, em Atos dos Apóstolos 4:10-12, teria afirmado que a declaração de Jesus se refere a si próprio, e não ao apóstolo:
«Seja notório a todos vós e a todo o povo de Israel que em o nome de Jesus Cristo o Nazareno, a quem vós crucificastes, e a quem Deus ressuscitou dentre os mortos, neste nome está este enfermo aqui são diante de vós. Ele é a pedra, desprezada por vós, edificadores, a qual foi posta como a pedra angular. Não há salvação em nenhum outro; porque abaixo do céu não há outro nome dado entre os homens, em que devamos ser salvos.» (Atos 4:10-12)
No entanto, de acordo com a apologética católica, tem-se em contrário o seguinte argumento: que a referência de Pedro à "pedra angular" citada em Atos 4:10-12 diz respeito necessariamente à referência buscada pelo próprio Pedro em Isaías 28:16, para defender a posição de Jesus como o verdadeiro e único Cristo (messias), que diz o seguinte:
«portanto assim diz o Senhor Jeová: Eis que ponho em Sião como alicerce uma pedra, pedra provada, pedra preciosa do ângulo de firme fundamento; aquele que crer, não se apressará.» (Isaías 28:16)
Não oferecendo portanto conformidade à voz do Mestre no que se diz em Mateus 16:13, mas sim conformidade com esse versículo do Profeta Isaías, que atuou como o principal precursor da vinda do Cristo, desta forma a fala de Jesus em Mateus 16:13 permanece com seu sentido intacto, direcionando-se Jesus a Pedro e não a "si mesmo" conforme a lógica protestante.
Outros estudiosos protestantes de relevo corroboram tal entendimento tradicional da Doutrina Católica, como Nicolaas Ridderbos [en], afirmando que a frase "sobre esta pedra" se refira realmente a Pedro pois, partindo da análise contextual e gramatical, "somente Pedro é mencionado neste verso e o trocadilho realmente se refere a ele". Segundo ele, as palavras "sobre esta pedra [petra]" se referem a Pedro. Por causa da revelação que recebeu e da confissão de fé que ele fez, Pedro foi nomeado por Jesus para estabelecer as bases da futura Igreja. Somente Pedro é mencionado neste verso, e o trocadilho com seu nome se aplicou somente a ele. Outra interpretação baseada nas escrituras e ensinos de Jesus Cristo pelos registros dos evangelhos Jesus estava profetizando espiritualmente pois o próprio Jesus afirmou que seu reino não é terreno mas sim espiritual, sendo assim Jesus afirmava que através de suas palavras que repousaria o Espírito Santo sobre Pedro fazendo dele morada de Deus assim como todos os seguidores de Cristo como está escrito: "O Espírito de verdade, que o mundo não pode receber, porque não o vê nem o conhece; mas vós o conheceis, porque habita convosco, e estará em vós. Não vos deixarei órfãos; voltarei para vós. Ainda um pouco, e o mundo não me verá mais, mas vós me vereis; porque eu vivo, e vós vivereis." João 14:17-19. E ainda em João 18:36 "Respondeu Jesus: O meu reino não é deste mundo; se o meu reino fosse deste mundo, pelejariam os meus servos, para que eu não fosse entregue aos judeus; mas agora o meu reino não é daqui." e também o Apóstolo Paulo no meio do Areópago, disse: "O Deus que fez o mundo e tudo que nele há, sendo Senhor do céu e da terra, não habita em templos feitos por mãos de homens; Nem tampouco é servido por mãos de homens, como que necessitando de alguma coisa; pois ele mesmo é quem dá a todos a vida, e a respiração, e todas as coisas;" Atos 17:24,25. Tal interpretação é refutada por outros teólogos protestantes, como Donald Arthur Carson [en], para quem Cristo teria sido enfático em sublinhar a profissão de fé de Pedro e seu papel singular na Igreja, e não dos fiéis como um todo.