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Paulo Leminski

Escritor e poeta brasileiro

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Paulo Leminski Filho (Curitiba, 24 de agosto de 1944 — Curitiba, 7 de junho de 1989) foi um escritor, poeta, músico, crítico literário, jornalista, publicitário, tradutor e professor brasileiro. Tinha uma poesia marcante, pois inventou um jeito próprio de escrever, com trocadilhos, brincadeiras com ditados populares e influência do haicai, além de usar gírias e palavrões. Foi influenciado pela cultura japonesa, principalmente pela poesia curta e objetiva dos haicais de Matsuo Bashō, autor sobre o qual Leminski escreveu uma biografia. Além da influência japonesa em sua poesia, Leminski também era faixa preta de judô.

Foi o poeta homenageado na Festa Literária Internacional de Paraty, 2025.

Filho do também chamado Paulo Leminski e de Áurea Pereira Mendes, seu pai era de origem polonesa e sua mãe filha de pai português e mãe brasileira de origem negra e indígena. Paulo Leminski foi um filho que sempre chamou a atenção por sua intelectualidade, cultura e genialidade. Estava sempre à beira de uma explosão e assim produziu muito, o que o fez ser dono de uma extensa e relevante obra. Leminski inventou um jeito próprio de escrever poesia, preferindo poemas breves, muitas vezes fazendo haicais, trocadilhos, ou brincando com ditados populares.

Leminski estudou no Colégio Estadual Dr. Caetano Munhoz da Rocha e no Colégio Paranaense. Em 1958, aos treze anos, foi para o Mosteiro de São Bento em São Paulo e lá ficou um pouco mais de um ano. Lá adquire conhecimentos de latim, teologia, filosofia e literatura clássica. Leminski queria ser monge, contrariando o desejo de seu pai, que queria que ele seguisse sua carreira militar. Leminski abandonou suas vocações religiosas posteriormente. Em Curitiba, volta ao Colégio Paranaense e depois estuda no Colégio Estadual do Paraná. Continuou consumindo literatura, principalmente as literaturas grega, latina, francesa e até hebraica, pelas Sagradas Escrituras.

Leminski casou-se em 9 de fevereiro de 1963 com a desenhista e artista plástica Nevair "Neiva" Maria de Sousa, de quem veio a divorciar-se em 1968. Ingressou também nas faculdades de Direito e de Letras, mas não as concluiu. Ainda em 1963, viajou para Belo Horizonte, participando da Semana Nacional de Poesia de Vanguarda, onde conheceu Haroldo de Campos, amigo e parceiro em várias obras, Augusto de Campos e Décio Pignatari, criadores do movimento poesia concreta. Estreou em 1964 com quatro poemas na revista Invenção, dirigida por Décio Pignatari, em São Paulo, porta-voz da poesia concreta paulista. Em 1965 tornou-se professor de literatura, história e de redação em cursos pré-vestibulares, após ter abandonado a faculdade. Foi em uma dessas aulas que teve a ideia de escrever seu primeiro romance, Catatau, que demorou 8 anos para ser concluído. Em 1966, ficou em primeiro lugar no II Concurso Popular de Poesia Moderna promovido pelo jornal O Estado do Paraná, desembolsando a quantia de 80 mil cruzeiros. Durante essa época começou a praticar judô, conseguindo a faixa preta 4 anos depois. Além de praticante, Leminski também foi professor de judô. Em 1967, fundou o Grupo Áporo, que em seu manifesto se propunha a combater o "provincianismo cultural de Curitiba". No mesmo ano, começa a escrever Catatau. Em 1968, participou do I Concurso Nacional de Contos do Paraná, com um conto intitulado Descartes com lentes. Finalista do concurso, não venceu, o motivando a expandir o texto, que acabaria se tornando Catatau. Casou-se em 1968 com a também poeta Alice Ruiz. Leminski e Alice foram morar em uma espécie de comunidade hippie. Ficaram lá por mais de um ano, e só saíram com a chegada do primeiro de seus três filhos, Miguel Angelo. De 1969 a 1970 decidiu morar no Rio de Janeiro, trabalhando para jornais e revistas, e retornando a Curitiba para se tornar diretor de criação e redator publicitário.

Na década de 1970, teve poemas e textos publicados em diversas revistas - como Qorpo Estranho, Muda Código e Raposa. Em 1975, lançou o seu ousado Catatau, que chamou de "prosa experimental". Em 1976, publica Quarenta clics em Curitiba em conjunto com Jack Pires. Sendo uma espécie de fotolivro, possui 40 poemas escritos por Leminski e 40 fotos em preto e branco tiradas por Pires. No final da década de 1970, na editora Grafipar de Curitiba, o casal Paulo Leminski e Alice Ruiz roteirizou histórias em quadrinhos eróticas, desenhadas por artistas como Claudio Seto, Júlio Shimamoto, Flávio Colin e Itamar Gonçalves.

Em 1980, com a iniciativa de amigos, publica Não fosse isso e era menos não fosse tanto e era quase. No mesmo ano, publica Polonaises. Todos os livros publicados por Leminski até esse ponto foram publicados de forma independente. Serão esses dois livros em conjunto com outras poesias escritas mais tarde que formarão a obra Caprichos e relaxos, publicada em 1983 pela editora Brasiliense por iniciativa do editor Luiz Schwarcz. Paulo Leminski foi um estudioso da língua e cultura japonesas (como o zen-budismo) e publicou em 1983 uma biografia de Matsuo Bashō (Matsuó Bashô: a lágrima do peixe), autor que o influenciou em seus haicais e do qual traduziu vários textos. Além da biografia de Bashō, escreveu também durante a década de 1980 biografias de Cruz e Sousa (Cruz e Sousa: o negro branco), Leon Trótski (Leon Trotski: a paixão segundo a revolução) e Jesus Cristo (Jesus: a.C.), todos personagens no qual influenciaram Leminski de certa maneira. Das quatro biografias, duas são baseadas em traduções feitas por Leminski: Jesus possui várias traduções dos evangelhos, e Matsuó Bashô possui mais de 30 traduções de seus haicais, além de trechos de seus diários e outros breves poemas de autores orientais e ocidentais. Publicadas individualmente, as biografias posteriormente foram publicadas em volume único, intitulado Vida. Em 1984, publica seu segundo romance, Agora é que são elas. Entre 1984 e 1986, foi tradutor de Petrônio, Alfred Jarry, James Joyce, John Fante, John Lennon, Samuel Beckett e Yukio Mishima. Leminski falava 6 línguas estrangeiras: inglês, francês, latim, grego, japonês e espanhol. Quase metade das obras publicadas de Leminski são trabalhos de tradução. Em 1985, publicou Hai tropikai, em parceria com Alice Ruiz. Em 1987, publica sua última biografia, Trotski, seu último trabalho de tradução, Fogo e água na terra dos deuses, e Anseios crípticos. Logo depois publica seu último trabalho poético em vida, Distraídos venceremos. Ainda publicou o livro infanto-juvenil Guerra dentro da gente, em São Paulo. Entre 1988 e 1989, foi colunista do Jornal de Vanguarda que era apresentado por Doris Giesse na Rede Bandeirantes.

Dentre suas atividades, criou habilidade de letrista e compositor. Ele aprendeu seus primeiros acordes com seu irmão, Pedro Leminski Neto, e seguiu criando e compondo de maneira autodidata. Leminski teve diversos parceiros musicais em vida como Moraes Moreira, Itamar Assumpção, Zé Miguel Wisnik, Ivo Rodrigues, Fortuna, Edvaldo Santana, Guilherme Arantes, Marinho Galera, Celso Loch, entre outros. Suas composições foram gravadas por nomes como Caetano Veloso, Ney Matogrosso, o grupo A Cor do Som, Paulinho Boca de Cantor, Zizi Possi, Zélia Duncan, Gilberto Gil, Ângela Maria, Ná Ozzetti, Arnaldo Antunes e Vítor Ramil. Como músico tinha projetos de mostra autoral em Curitiba e abriu diversos shows do músico Jorge Mautner. A música estava ligada às obras de Paulo Leminski, uma de suas paixões, proporcionando uma discografia rica e variada. Gilberto Gil compôs a canção Estrela por ocasião do nascimento da filha do poeta.

Teve influência da poesia de Augusto de Campos, Décio Pignatari e Haroldo de Campos. Em muitas ocasiões declarou sua admiração por Torquato Neto, que antecipou muito da estética da década de 1970, sendo poeta do tropicalismo, movimento que influenciou Leminski. Leminski fez parte da geração mimeógrafo, um movimento surgido logo após o tropicalismo em que os intelectuais tentavam escapar da repressão do regime militar com meios alternativos, principalmente através do mimeógrafo. Leminski teve convivência com Régis Bonvicino, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Moraes Moreira, Itamar Assumpção, José Miguel Wisnik, Arnaldo Antunes, Wally Salomão, Antônio Cícero, Antonio Risério, Julio Plaza, Reinaldo Jardim, Regina Silveira, Helena Kolody, Turiba e Ivo Rodrigues. Sua casa, no bairro Pilarzinho, em Curitiba, era uma espécie de reduto da intelectualidade na capital paranaense, onde diversos artistas que estavam de passagem pela cidade aproveitavam a ocasião para trocarem informações, e realizar parcerias em composições musicais e poesias. Moraes Moreira, Gal Costa, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Ademir Assumpção e Itamar Assumpção foram alguns dos artistas que o visitaram.

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