Paulo Alexandrovich Romanov (em russo:Павел Александрович), (3 de outubro de 1860 - 24 de janeiro de 1919) foi o oitavo filho do Czar Alexandre II da Rússia e da sua primeira esposa Maria Alexandrovna.
O seu nascimento foi comemorado com a criação da cidade de Pavlodar no Cazaquistão. Entrou no exército russo e subiu na carreira até ser nomeado general, mas era conhecido pela sua gentileza, fervor religioso e acessibilidade em falar com as pessoas.
A família imperial russa mantinha ligações familiares fortes com a família real grega. Em 1866, o irmão mais velho de Paulo, o futuro czar Alexandre III da Rússia, casou-se com a princesa Dagmar da Dinamarca, irmã do rei da Grécia e, em 1867, a prima directa de Paulo, a grã-duquesa Olga Constantinovna, tornou-se rainha da Grécia ao casar-se com o mesmo. Paulo, na altura com 7 anos de idade, começou a ser levado ocasionalmente pelo seu irmão mais velho às reuniões de família que ocorriam todos os anos na Dinamarca e onde participavam todos os irmãos da sua cunhada Maria e os seus filhos.
Assim, Paulo conheceu a sua futura esposa, a princesa Alexandra da Grécia praticamente desde o momento em que ela nasceu, encontrando-se com ela várias vezes tanto na Dinamarca como na Rússia onde ela passava longos períodos a visitar os seus parentes Romanov. Posteriormente Paulo começou a apaixonar-se pela sua energética prima.
Durante o resto do ano Paulo vivia em aposentos particulares no Palácio de Inverno, perto do seu irmão Alexandre, onde mantinha uma vida calma e simples. O seu círculo de amigos era bastante restrito devido à sua timidez natural e ele raramente deixava o palácio devido aos seus problemas de saúde. Os médicos chegaram mesmo a temer que ele estivesse a mostrar os primeiros sintomas de tuberculose (uma doença que já tinha afectado o seu irmão Nicolau) por volta de 1887, mas ele conseguiu recuperar-se rapidamente.
Paulo era muito chegado ao seu irmão, o grão-duque Sérgio Alexandrovich da Rússia e à cunhada, a grã-duquesa Isabel Feodorovna. A antiga princesa de Hesse já conhecia os dois irmãos desde a sua infância devido às visitas frequentes que eles realizavam a Darmstadt na companhia da mãe, a imperatriz Maria Alexandrovna, ela própria uma antiga princesa do pequeno grão-ducado alemão. Após iniciar a sua educação militar, Paulo passou longos anos sem ver a sua futura cunhada e, quando ela chegou a São Petersburgo para se casar, ele ficou surpreendido com a sua beleza e gentileza. Por toda a cidade correram rumores de que o grão-duque mais novo se tinha apaixonado pela noiva do irmão e estes seriam mais tarde cimentados devido ao casamento supostamente infeliz que os dois viveram. Verdade ou não, Paulo e Isabel mantiveram uma amizade forte até ao segundo casamento dele.
Em 1888, Paulo realizou uma viagem a Atenas na companhia do seu irmão Sérgio e da esposa dele. Com o apoio de ambas as famílias e o incentivo da sua cunhada, Paulo finalmente pediu a princesa Alexandra da Grécia em casamento e ela aceitou imediatamente.
O casamento realizou-se no dia 17 de junho de 1889 na capela do Palácio de Inverno. Após a união o jovem casal mudou-se para um palácio no cais do rio Neva, atrás da Igreja da Anunciação e em frente do quartel-geral da marinha.
Depois do casamento a princesa Alexandra iniciou uma amizade profunda com Isabel Feodorovna e os dois casais passavam longos períodos juntos tanto em São Petersburgo como em Moscovo. Os rumores de que Paulo mantinha um romance com a sua cunhada utilizando Alexandra como uma fachada continuaram, mas eles pouco ou nada afectaram a relação entre eles.
A primeira filha, Maria Pavlovna nasceu 10 meses depois do casamento. Recebeu o nome em honra da tia de Alexandra, a czarina Maria Feodorovna e, devido ao elevado número de Marias na família, era chamada pelos familiares de Masha. Tanto Alexandra como Paulo ficaram encantados com a bebé e escolheram criá-la quase sem amas ou governantas.
Quando Alexandra estava grávida de sete meses do seu segundo filho, Isabel e Sérgio convidaram o casal para passar uma temporada em Ilinskoe, a casa de campo que eles tinham nos arredores de Moscovo. Foi lá que a tragédia atingiu a jovem família. A 18 de setembro de 1891 depois de um dia de actividade intensa, Alexandra saltou da margem para um barco em movimento no rio, acabando por cair. A princípio nada de grave parecia ter acontecido, por isso, mesmo apesar dos avisos do marido para o contrário, Alexandra decidiu participar num baile organizado em honra do casal nessa noite. Durante o baile, depois de novamente se esforçar mais do que o recomendado, a grã-duquesa desmaiou com fortes contracções de um parto prematuro. O bebé, grão-duque Demétrio Pavlovich (um dos futuros assassinos de Rasputine) nasceu. No entanto, pouco depois, Alexandra entrou em coma e nunca mais acordou.
Paulo ficou extremamente afectado com a morte inesperada da sua jovem esposa. Alexei Volklov, o seu criado de quarto, recordou:
No dia do funeral, Paulo tentou atirar-se para a sua sepultura, sendo impedido pelo seu irmão Sérgio e por outros familiares. Devido ao seu grave estado psicológico, os seus dois filhos foram entregues a Sérgio e à sua esposa Isabel Feodorovna enquanto Paulo seguiu para a Crimeia para um longo período de recuperação.
Depois de alguns meses de descanso na Crimeia, Paulo regressou a Moscovo para reaver os seus dois filhos. A família regressou ao seu palácio em Czarskoe Selo onde mantiveram uma vida calma longe dos eventos da corte que se desenrolavam em São Petersburgo. Paulo era um pai dedicado. Devido à falta da sua esposa, contratou amas e governantas para os filhos, mas tentava vê-los em todas as refeições e antes de os enviar para a cama. A sua filha mais velha, Maria Pavlovna, recordou com especial carinho os Natais que passou com o seu pai. Nas suas memórias, Maria descreveu como o pai a mantinha a ela e ao irmão longe da sala de jantar durante o dia inteiro enquanto os empregados faziam os preparativos. Depois ele segurava-lhes a mão e dois empregados abriam as portas duplas, revelando inúmeras mesas cobertas de presentes.
No entanto esta calma familiar veria o seu fim por volta de 1895. Durante uma visita que fez ao seu irmão mais velho, Vladimir, Paulo conheceu o ajudante-de-campo dele, Erich Gerhard von Pistohlkors. Mais tarde, durante uma parada militar em São Petersburgo, o ajudante-de-campo reconheceu o grão-duque e foi cumprimentá-lo, apresentando-lhe a sua esposa e mãe dos seus três filhos, Olga Valerianovna von Pistohlkors. Os dois apaixonaram-se rapidamente e iniciaram um caso extra-conjugal discreto.
O segredo acabou quando em 1897, Olga ficou grávida do filho de Paulo. O grão-duque não queria deixá-la sozinha ou ver o marido dela criar o seu filho, por isso pediu uma reunião com o seu sobrinho, o czar Nicolau II, onde o informou do caso que mantinha com Olga, do filho que ela esperava e, principalmente, das suas intenções para casar com ela. O czar mostrou-se abismado e recusou veementemente conceder quer o divórcio a Olga, quer o casamento a Paulo. A princípio ele aceitou a decisão, mas trouxe Olga para o seu palácio. Em pouco tempo toda a cidade sabia do romance entre o grão-duque e a plebeia casada e o escândalo rebentou.
Numa tentativa de diminuir os rumores, Nicolau chamou o tio ao palácio e disse-lhe que concederia o divórcio a Olga se Paulo prometesse não se casar com ela. Ele concordou, mas tinha todas as intenções de não cumprir a sua palavra. Assim que Olga ficou legalmente divorciada, os dois fugiram da Rússia. Os filhos de Paulo ficaram com o czar e a czarina durante algum tempo e depois foram levados para Moscovo para casa dos tios. Os filhos de Olga ficaram com o primeiro marido dela.
Durante quase dois anos, Olga e Paulo não tiveram uma residência fixa e percorreram a França e a Itália de lés a lés com o filho Vladimir, passando as suas noites em hotéis de luxo. No entanto, em 1902, Olga ficou grávida novamente e o casal decidiu que não poderia continuar a sua vida de nómada. Paulo tinha adiado o casamento na esperança de que o seu sobrinho mudasse de ideias devido ao escândalo provocado pela sua fuga da Rússia, mas a posição de Nicolau permaneceu firme principalmente devido à influência da sua esposa Alexandra Feodorovna. Durante uma estadia em Livorno, na Itália, o grão-duque decidiu arriscar e casou-se oficialmente com a sua amante de sete anos no dia 10 de outubro de 1902. A. A. Mossolov, um membro da corte, recordou mais tarde nas suas memórias: