As Partilhas da Polônia ou Partições da Polónia (polonês: Rozbiór Polski ou Rozbiory Polski; lituano: Padalijimas) ocorreram ao longo do século XVIII e puseram fim à existência da soberana República das Duas Nações. Elas envolveram o Reino da Prússia, o Império Russo e Monarquia/Império Austríaco, dividindo as terras da república entre elas. Três partilhas ocorreram:
Depois das Guerras Napoleônicas, quando Napoleão Bonaparte restaurou o estado polonês na forma do Ducado de Varsóvia, os três países que dividiram a República das Duas Nações decidiram criar nos territórios anexados algumas regiões autônomas (pelo menos em teoria), que eram:
Reino da Polônia, mais conhecido como Polônia do Congresso.
Em todos os casos foram tomadas medidas no sentido de reconhecer o idioma polonês, o respeito pela cultura e os direitos dos poloneses. Em todos os casos estas promessas foram rapidamente quebradas e as regiões anexadas.
O termo "Quarta Partilha da Polônia" deve referir-se a alguma divisão subseqüente do território polonês, especificamente:
depois da era napoleônica, a divisão do Ducado de Varsóvia no Congresso de Viena em 1815;
a incorporação do Reino da Polônia pelo Império Russo em 1832, e a incorporação da República da Cracóvia pelo Império Austríaco em 1846; e
a divisão da Polônia entre a Alemanha Nazista e a União Soviética em decorrência do Pacto Ribbentrop-Molotov em 1939.
Poder-se-ia definir a República das Duas Nações, antes das partilhas, como um estado já não mais completamente soberano: nos termos modernos, seria um estado-satélite do russo, com imperadores russos que efetivamente escolhiam os reis poloneses. Durante o governo de Ladisłau IV (1632-48), o liberum veto tinha evoluído. Esta política de procedimento parlamentar estava baseada na suposição de igualdade política para todos os "cavalheiros", com o corolário que um consentimento unânime era requerido para todas as medidas tomadas. Uma simples desconfiança que a medida era prejudicial para seu próprio distrito eleitoral (normalmente simplesmente sua própria propriedade), mesmo após o ato já ter sido aprovado, era o suficiente para anular o ato. Isto trouxe uma crescente dificuldade em gerar ações. O liberum veto, desta forma, possibilitou com que diplomatas estrangeiros conseguissem seus objetivos através do suborno dos nobres.
A República manteve-se neutra na Guerra dos Sete Anos, embora simpatizasse com a aliança de França, Áustria e Rússia e permitisse que tropas russas tivessem acesso aos seus territórios do oeste para servirem de bases contra o Reino da Prússia. Frederico II da Prússia retaliou emitindo grande quantidade de moeda corrente polonesa falsificada para afetar severamente a economia do país.
Através da classe dos nobres (szlachta), que a Rússia controlava, e do ministro russo para a Varsóvia, embaixador e príncipe Nicolau Repnin, a imperatriz Catarina, a Grande forçou uma constituição na República, que desfez as reformas de 1764 do rei Estanislau II, em 1767, a então chamada Sejm Repnin, em alusão ao embaixador Repnin, que de fato ditou os termos daquela Sejm (e quem ordenou a prisão e exílio para a Sibéria de alguns opositores a sua política, dentre eles Józef Andrzej Załuski e Wacław Rzewuski). O liberum veto e todos os velhos abusos do último século estavam garantidos como partes inalteráveis desta nova constituição (nas assim chamadas leis cardinais). A república tinha sido forçada a confiar no Império Russo para sua proteção contra a crescente ameaça prussiana, enquanto Brandemburgo-Prússia estava exigindo uma fatia do noroeste a fim de unir suas porções ocidental e oriental e se fazer um território contíguo, embora isto deixasse a república apenas com um pedaço do litoral báltico na Letônia e noroeste da Lituânia.
Repnin exigiu liberdade religiosa para os protestantes e cristãos ortodoxos, e a reação resultante entre as lideranças católicas da República, bem como o profundo ressentimento da Rússia estar se intrometendo nos negócios internos da Polônia, levou à Guerra da Confederação de Bar com a Rússia, de 1768 a 1772. A república nunca seria vencida a menos que sua aliada de longo tempo, a Áustria, o permitisse, e Catarina primeiramente precisou usar da diplomacia para ter a Áustria do seu lado.
Os três vizinhos da Polônia, Reino da Prússia, Monarquia de Habsburgo e Império Russo, assinaram um acordo secreto com o objetivo de manter o status quo: especificamente, assegurar que as leis polonesas não mudariam. Esta aliança, mais tarde, ficou conhecida na república como a Tratado das Três Águias Negras, devido aos três estados usarem uma águia negra como símbolo estatal (em contraste com a águia branca, símbolo da Polônia).
Os poloneses tentaram expulsar as forças estrangeiras em uma revolta (a Confederação de Bar, 1768–1772), mas seus exércitos despreparados e mal comandados não tiveram nenhuma chance contra o bem preparado exército russo e sofreram uma derrota esmagadora.
Em 19 de fevereiro de 1772, o acordo da partilha foi assinado em Viena. Um acordo prévio entre o Reino da Prússia e o Império Russo já tinha sido feito em São Petersburgo em 6 de fevereiro de 1772. No começo de agosto, as tropas russas, prussianas e austríacas, simultaneamente, entraram na República e ocuparam as províncias acertadas entre eles. Em 5 de agosto de 1772, o manifesto de ocupação foi emitido.
Os regimentos da república, cuja junta executiva foi forçada a deixar a Áustria depois que o país se uniu à aliança prusso-russa, não depôs suas armas. Cada fortificação sob seu comando resistiu o maior tempo possível. Famosa foi a defesa de Tyniec, que durou até o fim de março de 1773, bem como a de Częstochowa comandada por Pulaski. Cracóvia caiu em 28 de abril, capturada pelo general russo Suvorov que exilou a guarnição na Sibéria. Nem França, nem Inglaterra, em quem as esperanças foram depositadas, auxiliaram o suficiente ou protestaram quando a partição foi realizada. Desse modo se encerrou a organização débil da República para tentar se defender da agressão estrangeira. Custou a vida de cerca de cem mil homens e uma vez mais deixou o país arrasado, embora tenha sido a primeira demonstração consciente do renascimento nacional.
O tratado da partilha foi ratificado por seus signatários em 22 de setembro de 1772. Frederico II da Prússia estava entusiasmado com seu sucesso, e zelava pelo bem-estar de seus novos assuntos poloneses, importando grande número de professores católicos (especialmente jesuítas cuja ordem foi suprimida por aqueles tempos) e tornando obrigatório para os príncipes da coroa prussiana o aprendizado da polonês; Kaunitz da Áustria estava orgulhoso de ter conseguido a posse das ricas minas de sal de Bochnia e Wieliczka; e Catarina da Rússia estava também muito satisfeita. Por este “documento diplomático” a Rússia ficava com a parte da Livônia que ainda permanecera nas mãos dos poloneses, e da Bielorrússia que abrangia as voivodias de Witebsk, Połock e Miecislau; a Prússia ficou com Vármia e a Prússia Real (que mais tarde tornou-se uma nova província chamada Prússia Ocidental) até o rio Netze e mais ainda o condado da Pomerânia, sem a cidade de Danzig (Gdańsk), os condados de Marienburg (Malbork), Kulm (Chełmno), sem a cidade de Thorn (Toruń), e alguns distritos na Polônia Maior; e para a Áustria caiu Zator e Auschwitz (Oswiecim), parte da Pequena Polônia incluindo partes dos condados de Cracóvia e Sandomir e toda a Galícia, menos a Cidade da Cracóvia. Por esta partição a República das Duas Nações perdeu cerca de 30% de seu território, correspondendo naquele tempo a 484 mil milhas quadradas, com cerca de quatro milhões de pessoas. A maioria do espólio, com relação à população e rendas, foi para a Áustria.
Após terem ocupado seus respectivos territórios, as três forças da partilha exigiram que o rei Estanislau e a Sejm aprovassem suas ações. O rei apelou para as nações da Europa Ocidental que o ajudassem e atrasou a convocação da Sejm. Quando nenhuma ajuda mais era esperada e os exércitos das nações combinadas ocuparam Varsóvia para impor por meio da força das armas a convocação da assembleia, nenhuma outra alternativa restou a não ser a passiva submissão a suas vontades.