Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães (Alemão: - abreviado NSDAP), mais conhecido como Partido Nazista (português brasileiro) ou Nazi (português europeu), foi um partido político de extrema-direita cujo programa e ideologia (Nacional Socialismo) ficou marcado pelo antissemitismo radical, nacionalismo e rejeição a democracia e ao marxismo. O líder do partido de 1921 a 1945 foi Adolf Hitler, que foi nomeado Chanceler da Alemanha pelo presidente Paul von Hindenburg em 1933. Hitler rapidamente estabeleceu um regime totalitário e unipartidário conhecido como o Terceiro Reich.
O partido surgiu a partir do nacionalismo alemão combinado à cultura paramilitar racista e populista dos Freikorps, que lutaram contra os levantes comunistas na Alemanha após a Primeira Guerra Mundial. O partido foi criado como um meio de chamar os trabalhadores para longe do comunismo e reaquecer seu nacionalismo völkisch. Inicialmente, a estratégia política nazista focou em antigrandes empresas, antiburguês, e a retórica anticapitalista, embora esses aspectos foram posteriormente minimizados a fim de ganhar o apoio das grandes entidades industriais, e em 1930 o foco do partido mudou para antissemita e antimarxistas.
Para manter a suposta pureza e força de uma "raça superior a raça ariana", os nazistas tentaram exterminar ou impor segregação excludente sobre os "degenerados" e grupos "antissociais", que incluía: judeus, homossexuais, ciganos, negros, a deficientes físicos e mentais, as Testemunhas de Jeová e os adversários políticos. A perseguição atingiu o seu auge quando o Estado alemão controlado pelo partido organizou o assassinato sistemático de cerca de seis milhões de judeus e cinco milhões de pessoas dos outros grupos-alvo, no que se tornou conhecido como o Holocausto.
Após a derrota do Terceiro Reich no final da Segunda Guerra Mundial na Europa, o partido foi "completamente e finalmente abolido e declarado ilegal" pelas potências aliadas de ocupação.
O termo Nazi deriva das duas primeiras sílabas de Nationalsozialistische Deutsche Arbeiterpartei (NSDAP, Partido Nazista). O termo alemão Nazi é paralelo ao termo Sozi, uma abreviação de Sozialdemokratische Partei Deutschlands (Partido Social-Democrata da Alemanha). Membros do partido se referiram como Nationalsozialisten (Nacional-Socialistas), raramente como Nazis. O termo Parteigenossen (membro do partido) era comumente usado entre os nazistas, com a forma feminina Parteigenossinnen acrescentado quando era apropriado. Em 1933, quando Adolf Hitler assumiu o poder do governo alemão, o uso do termo Nazi diminuiu na Alemanha, embora os antinazistas austríacos continuaram a usar o termo como um insulto.
O termo "Terceiro Reich" não foi cunhado pelos nazistas, mas sim por Arthur Moeller van den Bruck do Movimento Revolucionário Conservador, cujos membros defendiam uma ideologia que combinava o nacionalismo com as políticas socialistas. A concepção de um "socialismo prussiano" criada por Oswald Spengler, um proeminente membro do Movimento Revolucionário Conservador influenciou a plataforma política nazista, muito embora os revolucionários conservadores não fossem necessariamente seus aliados. A partir da ascensão de Hitler, em 1933, alguns dos defensores do Movimento Revolucionário Conservador foram perseguidos pelos nazistas da SS de Heinrich Himmler, que desejavam evitar qualquer dissenso sob o comando de Adolf Hitler. Sendo assim, diversos membros deste movimento perderam suas vidas na "Noite das Facas Longas", fazendo com que os revolucionários conservadores chegassem à conclusão de que o regime nazista representava qualquer coisa exceto a tão almejada "revolução alemã".
Origens e a existência no início: 1918-1923
O partido cresceu fora dos grupos políticos menores com uma orientação nacionalista que se formou nos últimos anos da Primeira Guerra Mundial. Em 1918, uma liga chamada de Freien Arbeiterausschuss für einen guten Frieden (Comissão de Trabalhadores Livres para uma boa Paz) foi criada em Bremen, Alemanha. Em 7 de março de 1918, Anton Drexler, um nacionalista alemão ávido, formou uma filial desta liga em Munique chamada "Comitê de Trabalhadores Independentes". Drexler foi um serralheiro local em Munique que tinha sido um membro do Partido da Pátria Alemã durante a Primeira Guerra Mundial, e foi amargamente contrário ao armistício de novembro de 1918 e os levantes revolucionários que se seguiram. Drexler seguiu as visões típicas dos militantes nacionalistas da época, como a oposição ao Tratado de Versalhes, sendo antissemita, antimonarquista e pontos de vista antimarxistas, assim como acreditar na superioridade dos alemães no qual nacionalistas afirmavam ser parte da "raça superior" a "raça ariana", mas ele também acusou o capitalismo internacional de ser um movimento judaico-dominante e denunciou capitalistas por lucros na guerra na Primeira Guerra Mundial. Drexler viu a situação de violência e instabilidade política na Alemanha como resultado da nova República de Weimar estar fora de contato com as massas, especialmente as classes mais baixas. Drexler enfatizou a necessidade de uma síntese do nacionalismo völkisch com uma forma de socialismo econômico, a fim de criar um movimento nacionalista orientado popularmente, os trabalhadores que poderiam desafiar a ascensão do comunismo e da política internacionalista. Estes foram todos os temas bem conhecidos popularmente com vários grupos paramilitares em Weimar como os Freikorps.
Embora muito pequeno, o movimento de Drexler recebeu atenção e apoio de algumas figuras influentes. Defensor de Drexler Dietrich Eckart trouxe o militar Felix Graf von Bothmer, um proeminente defensor do conceito de "nacional-socialismo", para tratar do movimento. Mais tarde, em 1918, Karl Harrer (jornalista e membro da Sociedade Thule), juntamente com Drexler e vários outros formaram a Politischer Arbeiterzirkel (Círculo dos Trabalhadores Políticos). Os membros se reuniram periodicamente para discussões com temas do nacionalismo e do racismo dirigido contra os judeus. Em dezembro de 1918, Drexler decidiu que um novo partido político deve ser formado com base nos princípios políticos endossados pela combinação de sua Comissão dos Trabalhadores Independentes com o Círculo dos Trabalhadores Políticos.
Em 5 de janeiro de 1919, Drexler criou um novo partido político chamado de "Partido Socialista dos Trabalhadores da Alemanha", mas Harrer se opôs ao termo "socialista"; o problema foi resolvido através da remoção do termo e o partido recebeu o nome de Partido dos Trabalhadores Alemães (Deutsche Arbeiterpartei, DAP). Para aliviar as preocupações entre os potenciais apoiadores da classe média, Drexler deixou claro ser contrário aos marxistas, o partido apoiou a classe média, e que a política socialista do partido pretendia dar bem-estar social para os cidadãos alemães considerados parte da raça ariana. Eles se tornaram um dos muitos movimentos völkisch que existiam na Alemanha na época. Assim como outros grupos völkisch, o DAP defendeu a crença de que através da socialização, a Alemanha deve se tornar uma "comunidade nacional" (Volksgemeinschaft) unificada ao invés de uma sociedade dividida ao longo da classe e do partido. Esta ideologia foi explicitamente antissemita. Já em 1920, o partido estava levantando dinheiro com a venda de tabaco chamado Anti-Semit.
Desde o início, o DAP foi contrário aos movimentos políticos não nacionalistas, especialmente à esquerda, incluindo o Partido Social-Democrata da Alemanha (SPD) e o recém-formado Partido Comunista da Alemanha (KPD). Os membros do DAP se consideravam em combate contra o "bolchevismo" e qualquer pessoa considerada membro ou estava auxiliando era assim chamado "judaísmo internacional". O DAP era profundamente contrário ao Tratado de Versalhes. O DAP não tentou se tornar público em si, e as reuniões foram mantidas em sigilo relativo, com palestrantes discutindo o que eles pensavam ser a atual situação da Alemanha, ou escrevendo o que as sociedades no norte da Alemanha pensavam.