Parnamirim é um município brasileiro do estado do Rio Grande do Norte, distante 17 km ao sul da capital estadual. Integrante da Região Metropolitana de Natal, ocupa uma área de 124 km² e possuía, no censo demográfico de 2022, uma população de 252 716 habitantes, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), sendo então o terceiro município mais populoso do estado, depois de Natal e Mossoró, e o 115° do Brasil. Conurbada à capital, com quem se limita a norte, Parnamirim vive um intenso crescimento econômico, especialmente no setor imobiliário.
Emancipado de Natal no ano de 1958, Parnamirim é reconhecido internacionalmente como Trampolim da Vitória, tendo fortes ligações históricas com a Segunda Guerra Mundial quando se tornou sede da base aérea americana Parnamirim Field, devido à sua localização estratégica global, servindo de ponto da partida de muitas aeronaves americanas, de todos os tipos, para levar tropas para o front da África. A grande movimentação de soldados americanos influenciou a população local, introduzindo sua cultura e movimentando, de certa forma, a economia da cidade e até mesmo participando da vida social dos habitantes à época.
Possui o maior Índice de Desenvolvimento Humano (IDH-M) dentre os municípios potiguares, com valor igual a 0,766. Abriga o Centro de Lançamento de Foguetes da Barreira do Inferno, a primeira base de lançamento de foguetes do Brasil e da América do Sul. Pontos turísticos como o Cajueiro de Pirangi e as praias de Cotovelo e Pirangi do Norte, somando por abrigar eventos e shows musicais durante a alta estação, fazem da cidade um dos principais destinos turísticos do Rio Grande do Norte.
A origem do nome Parnamirim vem da expressão “Paranã-mirim” da língua tupi, que significa "rio pequeno", de paranã "rio volumoso; mar" + mirĩ "pequeno". Apesar de ainda hoje existirem vários rios e riachos na área que corresponde ao município de Parnamirim, acredita-se que o “Paranã-mirim” conhecido pelos índios potiguares, habitantes da capitania do Rio Grande na época da colonização (século XVII), tenha sido algum curso d’água já desaparecido.
Os primeiros donatários das terras que hoje pertencem ao município de Parnamirim datam do século XVII, porém, ainda antes do século XX, a maior desses terrenos eram inabitados e cobertos por uma mata densa. A exceção era o vale do Rio Pium, que já era habitada desde a primeira metade do século XVIII. A partir de 1881, começa a operar a Estrada de Ferro Natal-Nova Cruz, cujos trilhos da linha férrea passavam pela área do atual município que, na época pertenciam a Natal. Ainda assim as terras permaneceram quase inabitadas.
No século XX, o português Manuel Duarte Machado, que residia em Natal desde 1903, adquiriu boa parte da área do atual município. Tais terras se estendiam desde o engenho Guarapes, em Macaíba, até o engenho de Cajupiranga, que deu origem ao atual bairro de mesmo nome, englobando também o engenho Pitimbu, cortado pelo rio homônimo. Este último foi comprado do senhor João Duarte da Silva e sua esposa Joanna Leopoldina Duarte da Silva, enquanto o engenho Cajupiranga era de propriedade do casal Francisco Pereira de Brito e Maria Honorina de Cerqueira Brito.
Em 1927, o piloto francês Paul Vachet esteve em Natal para definir uma área em que seria instalado um aeródromos, a ser construído pela empresa de aviação francesa Compagnie Generale Aéropostale (CGA). O terreno, com cerca de mil metros quadrados de área, situava-se no Engenho Pitimbu e foi doado por Manuel Machado a Vachet e este, por meio de escritura, transferiu a propriedade da área para a CGA. A construção do referido aeródromo ocorreu numa época em que o Brasil passava a contar com o transporte aeroviário e levou cerca de três meses, conforme previsto em contrato, tendo início em 21 de julho de 1927. O primeiro pouso ocorreu às 23h45min do dia 14 de outubro seguinte, pelo avião Nungesser-et-Coli, partindo de São Luís, no atual Senegal (à época colônia francesa), com destino a Natal. A viagem, que durou mais de dezenove horas e atravessou todo o Oceano Atlântico, foi conduzida pelos pilotos Dieudonné Costes e Joseph Le Brix.
A partir de 27 de setembro de 1928, o aeródromo também passaria a receber voos nacionais, quando o avião Laté-25, vindo de São Paulo, pousou em Natal ao anoitecer. Para facilitar o acesso ao campo de pouso, o governo do Rio Grande do Norte construiu, no mesmo ano, uma estrada de terra, com início no engenho Guarapes, passando pela Estrada de Ferro Natal-Nova Cruz. O campo de pouso seria ampliado a partir de 1933, quando Manuel Machado vendeu uma área adjacente ao aeródromo à Air France, empresa estatal francesa que adquiriu a CGA. A empresa operou no campo de pouso até junho de 1940, quando a França se rendeu à Alemanha Nazista na Segunda Guerra Mundial e o aeródromo foi desativado.
Em julho de 1941, o presidente brasileiro Getúlio Vargas assinou um acordo de defesa mútua que permitiu aos Estados Unidos a instalação de bases aéreas no Nordeste, sendo uma delas em Natal e, em 2 de março de 1942, Vargas sancionou o decreto-lei 4 142, que transformou o antigo campo de pouso da CGA na Base Aérea de Natal (BANT). A leste da BANT foi construída a base aérea dos Estados Unidos, chamada de Parnamirim Field, a um custo de US$ 9,5 milhões.
Cerca de seis mil operários trabalharam na construção da nova base, a maioria migrantes vindos do interior do Rio Grande do Norte. Tais operários descansavam em barracas de lonas, erguidas a oeste das bases, sendo o embrião de um povoado onde hoje está a cidade, pois os trabalhadores passariam a fixar moradia ali de forma definitiva. Outra contribuição dos Estados Unidos, além da base, foi a construção de uma estrada asfaltada de vinte quilômetros, que ligava tanto a BANT quanto a Parnamirim Field ao Porto de Natal, substituindo a antiga estrada de terra. Durante a Segunda Guerra, os norte-americanos consideraram sua base como vértice de um triângulo, chamado Trampoline of Victory (em português "Trampolim da Vitória"), cujas demais pontas eram o norte da África e o sul da Europa.
Em outubro de 1946, pouco mais de um ano após o fim da Segunda Guerra, os EUA entregaram a Parnamirim Field à Força Aérea Brasileira (FAB) e a Base Aérea de Natal passou a contar com um terminal de passageiros. Enquanto isso, o povoado a sul de Natal continuaria crescendo e, em 1948, ganharia seu primeiro posto de saúde e sua primeira escola. Assim, em 23 de dezembro de 1948, a área foi elevada à condição de distrito pela lei estadual n° 146, de autoria do deputado Antônio Soares Filho e sancionada pelo governador José Augusto Varela, com o apoio do prefeito da capital, Sylvio Pedroza. Ainda em 1948, começaram-se as obras para a construção de uma capela, que seria paralisada em 1949 por falta de recursos e retomada somente em 1950. A padroeira escolhida foi Nossa Senhora de Fátima.
Em 9 de fevereiro de 1949, o novo distrito, de nome "Parnamirim", foi instalado oficialmente, com a abertura de um cartório judiciário e a posse do seu primeiro tabelião, Otávio Gomes de Castro, fundador do tempo local da Assembleia de Deus, inaugurado em 12 de maio de 1946. Em 24 de novembro de 1951, a estação de passageiros da BANT tornou-se o Aeroporto Internacional Augusto Severo, através da lei federal 1 473-A, promulgada pelo presidente do Senado, o natalense Café Filho. Já em 1° de abril de 1952, a capela de Nossa Senhora de Fátima foi elevada à categoria de matriz, quando o bispo de Natal, Dom Marcolino Esmeraldo de Souza Dantas, criou a paróquia do distrito. A instalação da paróquia se deu na manhã de 26 de abril, com missa presidida pelo capelão da BANT, o padre João Correia de Aquino, que se tornou o primeiro vigário paroquial.
Ao longo da década de 1950, o distrito de Parnamirim continuaria a se desenvolver e, em 1958, o deputado estadual Gastão Mariz de Faria apresentou, na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte (ALRN), um projeto da lei que elevava o distrito à condição de município. O projeto foi aprovado pelos deputados e se transformou na lei estadual 2 325 de 17 de dezembro de 1958, sancionada pelo governador Dinarte Mariz (tio de Gastão), criando efetivamente o município, desmembrado da capital.