Pará é uma das 27 unidades federativas do Brasil. Está situado na Região Norte e tem por limites os estados de Amapá a norte, Maranhão a nordeste, Tocantins a sudeste, Mato Grosso a sul, Amazonas a oeste e Roraima a noroeste, além das regiões guianenses de Berbice Oriental–Corentine e Alto Tacutu–Alto Essequibo e do distrito surinamense de Sipaliwini a noroeste. É dividido em 144 municípios e sua área total é de 1 245 828,829 km², o que equivale a 14,64% da superfície do Brasil, tornando o estado o segundo maior do país e a 13ª maior subdivisão do mundo em extensão territorial. Sua capital é o município de Belém e sua atual governadora é Hana Ghassan.
Com 8,1 milhões de habitantes, é o estado mais populoso da Região Norte e o nono mais populoso do Brasil. Dois de seus municípios possuem população acima de 500 mil habitantes: Belém, a capital e sua maior cidade com 1,4 milhão de habitantes em 2018 e Ananindeua, com 525,5 mil habitantes.
A região que hoje forma o estado do Pará foi explorada, inicialmente, pelo espanhol Francisco de Orellana. Orellana iniciou sua viagem partindo da foz do rio Amazonas, percorrendo todo o Vale Amazônico, enquanto descrevia em cartas as belezas e possíveis riquezas do local (como as drogas do sertão), com os fatos mais prováveis de chamar a atenção da coroa espanhola. A partir do século XVII, a região foi denominada Conquista do Pará, passando a integrar a então Capitania do Maranhão da América Portuguesa. Em 1616, foi criada a Capitania do Grão-Pará e a cidade de Belém do Pará, quando os portugueses decidiram expandir seus domínios para o oeste. Posteriormente, foi criando o Estado do Grão-Pará e Rio Negro, que englobava tanto o atual estado do Pará como a Capitania de São José do Rio Negro (atual estado do Amazonas).
O território paraense é coberto pela maior floresta tropical do mundo, a Amazônia. O relevo é baixo e plano; 58% do território se encontram abaixo dos 200 metros. As altitudes superiores a 500 metros estão nas seguintes serras: Serra dos Carajás, Serra do Cachimbo e Serra do Acari. Nos últimos anos, o estado experimentou um notável crescimento econômico, registrando um Produto interno bruto (PIB) considerado alto e uma urbanização maciça em suas maiores cidades. No entanto, o Pará ainda registra vários problemas sociais e ambientais, especialmente em seu interior. Vem do Pará o maior índice de desmatamento no Brasil, mesmo em áreas de preservação ambiental, alinhado a outras anomalias sociais. Problemas como a pobreza e criminalidade são encontrados demasiadamente e o estado possui a segunda pior educação pública do Brasil, conforme o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD-Brasil), a capital mais favelizada do país, com mais da metade da população vivendo em favelas; o estado fica na terceira colocação, além do quarto menor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) da nação, com 0,754 (2024) e o município com a pior qualidade de vida em todo o país, Melgaço, situado na Ilha de Marajó.
O topônimo Pará vem do nome do rio Pará, derivado do termo pa’ra, que na língua tupi-guaraní significa "rio-mar" ou "rio do tamanho do mar".
O termo rio-mar era como os índios denominavam o Rio Pará, uma bifurcação fluvial que serve como braço esquerdo do rio Tocantins, correndo ao sul da ilha de Marajó, que se une com as águas do rio Amazonas. Há partes do seu percurso tão largas ao ponto de não avistar a outra margem, mais parecendo um mar do que um rio.
Cujo gentílico é paraense, e também amazonida parauara; um tupinismo derivado do termo para'wara que representa "o que nasceu no rio-mar".
A região da bacia amazônica já era habitada por grupos caçadores-coletores desde aproximadamente 12 mil a.C.
Por volta do ano 1000 a.C. a 1000 d.C. floresceram sociedades complexas, como as que habitavam a região de Santarém (inicialmente aldeia de Tapajós) e do Arquipélago do Marajó (inicialmente região Marinatambal). Estas sociedades se destacavam pelo alto nível de hierarquia social, produção de cerâmica, e a agricultura (particularmente a plantação de mandioca).
A sociedade marajoara (termo global) subdividia-se em fases distintas de acordo com níveis de ocupação e desenvolvimento social: Ananatuba, Mangueiras, Formiga, Acauã, Alta Marajoara e, Aruã. Nas duas últimas, desenvolveu-se o que chama-se de civilização (caracterizada basicamente por construção de comunidades fixas), chamada de Cacicados Amazônidas, que ia desde o Tapajós até a foz do rio Amazonas. No período de 400 a 1400 d.C., principalmente na ilha do Marajó, essas sociedades indígenas levantavam suas casas sobre morros artificiais, estrutura elevada que protegia das inundações, chamados de teso.
Em fevereiro de 1500, a foz do Rio Amazonas foi alcançada pelo navegador espanhol Vicente Yañez Pinzón. Seu primo, Diego de Lepe, também alcançou a foz do rio Amazonas, em abril do mesmo ano.
Em 1541, Gonzalo Pizarro e Francisco de Orellana, também espanhóis, partiram de Quito, no atual Equador, e atravessaram a cordilheira dos Andes, explorando o curso do rio até o Oceano Atlântico, onde atualmente encontra-se a Ilha de Marajó. A viagem durou de 1540 a 1542 e seus relatos foram concebidos pelo frei dominicano Gaspar de Carvajal.
No século XVI, neerlandeses, ingleses e franceses fizeram incursões no atual Pará, ignorada por Portugal e Espanha, em busca do urucum, guaraná e pimenta. Os portugueses só começaram a se interessar pela região no final do século XVI, por ser a entrada da Amazônia e ter riquezas naturais, além do interesse de outros Estados europeus na região.
Em 1616, um grupo de portugueses, liderados por Francisco Caldeira Castelo Branco, ergueu o Forte do Presépio, marco inicial da cidade de Belém, ponto de partida para a conquista portuguesa da Amazônia. Em 1621, foi criada a Capitania do Grão-Pará, subordinada ao Estado do Grão-Pará e Maranhão, criado no mesmo ano.
Ao longo do século XVII, a colonização portuguesa no Pará avançou pelo Vale Amazônico e Portugal enviou colonos para a região. Nesse século e na primeira metade do século XVIII, a economia paraense era baseada na extração das "drogas do sertão", nome dados a especiarias amazônicas como o guaraná, castanha-do-pará, fumo e tintas. Essas especiarias eram extraídas em missões religiosas ou feitorias, usando-se da mão-de-obra indígena, muitas vezes escravizada.
Em 1751, o Marquês do Pombal, então primeiro-ministro de Portugal, transferiu a capital do Estado do Grão-Pará de São Luís para Belém. Em 1755, para dinamizar a economia paraense, o governo metropolitano e da Capitania tomou decisões como a extinção da escravidão indígena, fim da influência jesuítica e a criação da Companhia de Comércio do Grão-Pará e Maranhão. Foi introduzida a mão-de-obra africana escravizada na região.
A Era Pombalina (1750-77) foi um período de prosperidade para o Pará, sobretudo por causa do cultivo de cacau, principal produto da região. No entanto, após a demissão de Pombal, em 1777, a região entrou em um período de longa decadência.
Revolução Constitucionalista do Porto e Cabanagem