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Papa Pio XI

259.º Papa da Igreja Católica (1922–1939)

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Pio XI (em italiano: Pio XI; em latim: Pius XI), O.F.S., nascido Ambrogio Damiano Achille Ratti; (Desio, 31 de maio de 1857 – Vaticano, 10 de fevereiro de 1939) foi o 259.º Papa da Igreja Católica e Bispo de Roma de 6 de fevereiro de 1922 até a data de sua morte.

Ao longo de seu Pontificado, guiou a Igreja por um período de profundas transformações políticas e sociais, marcado pela ascensão de regimes totalitários e pelo turbulento entreguerras. Sua ação se manifestou em iniciativas doutrinais, pastorais e diplomáticas que buscavam defender a dignidade humana, assegurar a liberdade da Igreja e promover a paz entre as nações.

Em 1929, com a assinatura do Tratado de Latrão, Pio XI tornou-se o primeiro Soberano do Estado da Cidade do Vaticano, restaurando a independência territorial e política da Santa Sé após a Questão Romana. Tal realização garantiu à Igreja um fundamento jurídico e diplomático estável para a continuidade de sua missão.

Pio XI também se notabilizou por suas encíclicas, nas quais tratou de temas como a ação social católica, o matrimônio, o perigo dos totalitarismos e o papel da Igreja na ordem internacional. Seu Pontificado é lembrado pela coragem moral, vigor doutrinal e lucidez com que discerniu os desafios espirituais e históricos de seu tempo.

Nascido em 31 de maio de 1857 em Desio, na casa que é atualmente sede do Museo Casa Natale Pio XI e do Centro Internacional de Estudo e Documentação Pio XI (no nº 4 da rua Pio XI; à época, rua Lampugnani). Quarto dentre cinco filhos, foi batizado um dia depois de ter nascido, na reitora dos Santos Siro e Materno com o nome de Achille Ambrogio Damiano Ratti (o nome Ambrogio em homenagem ao avô paterno, seu padrinho de batismo). Seu pai, Francesco, era — com não muito sucesso como evidenciado pelas transferências contínuas — diretor em várias fábricas de seda, enquanto sua mãe, Teresa Galli, originária de Saronno, era filha de um hoteleiro.

Iniciado na carreira eclesiástica, Achille estudou a partir de 1867 no seminário de Seveso, em seguida, no de Monza, atualmente sede do Colégio Estadual Bartolomeu Zucchi. Desde 1874, fez parte da ordem franciscana terciária. Em 1875, inicia seus estudos teológicos; os primeiros três anos no Seminário Maior de Milão e o último no seminário de Seveso. Em 1879 foi para o Collegio Lombardo, em Roma. Onde foi ordenado padre em 20 de dezembro de 1879.

Frequentou bibliotecas e arquivos pela Itália e o exterior. Foi doutor da Biblioteca Ambrosiana e desde 8 de março de 1907, prefeito desta biblioteca.

Estudos abrangentes realizados: o Acta Ecclesiae Mediolanensis, a coleção completa dos atos da Arquidiocese de Milão, da qual publicou os volumes II, III e IV, respectivamente, em 1890, em 1892 e em 1897, e da Liber diurnus Romanorum Pontificum, uma coleção de fórmulas usadas em documentos eclesiásticos. Ele também descobriu a mais antiga biografia de Santa Inês de Praga e para estudar ficou em Praga, e em Savona, aliás, descobriu os atos de um concílio provincial em Milão de 1311, que tinha sido esquecido há muito tempo.

Ratti era um homem de vasta erudição, na verdade, graduou-se três vezes durante seus anos de estudos em Roma: em filosofia na Academia de São Tomás de Aquino, em Roma, em direito canônico na Universidade Gregoriana e teologia na Universidade La Sapienza. Também tinha uma paixão forte tanto pelos estudos literários, sendo Dante e Manzoni seus preferidos, quanto para estudos científicos, de modo que estava em dúvida se faria matemática ou não; a este propósito, foi um grande amigo e, por um determinado período, colaborador de Dom Giuseppe Mercalli, conhecido geólogo e fundador da escala homônima de terremotos, quem ele conheceu quando era professor no seminário de Milão.

Ratti também era um bom educador, e não apenas nas escolas. A partir de 1878, foi professor de matemática no seminário menor.

Monsenhor Ratti, que estudou hebraico no decorrer do seminário arquidiocesano e teve estudos aprofundados com o rabino-chefe de Milão Alessandro Da Fano, tornou-se professor de hebraico no seminário em 1907 e ocupou o cargo por três anos. Como professor, levou seus alunos na sinagoga de Milão para familiariza-los com a fala hebraica, iniciativa ousada que era incomum nos seminários.

Como capelão do Cenáculo de Milão, uma comunidade religiosa dedicada à educação de meninas (cargo ocupado de 1892 a 1914), foi capaz de exercer uma atividade pastoral e educativa eficaz, entrando em contato com meninas e moças de cada estado e condição, mas especialmente com a boa sociedade milanesa: os Gonzaga, os Castiglione, os Borromeo, os Della Somaglia, os Belgioioso, os Greppi, os Thaon di Revel, os Jacini, os Osio, os Gallarati Scotti.

Este ambiente era atravessado por diferentes opiniões: algumas famílias estavam mais próximas da monarquia e do catolicismo liberal, outras eram intransigentes, em acordo com o "Osservatore Cattolico" de Dom Davide Albertario. Apesar de não expressar uma simpatia explícita a qualquer uma das duas correntes, o jovem Dom Ratti tinha uma estreita relação com os Gallarati Scotti, que eram intransigentes. Foi catequista e tutor do jovem Tomasso, filho de Gian Carlo, príncipe de Molfetta, e Maria Luisa Melzi d'Eril, que mais tarde se tornou um diplomata bem conhecido e escritor.

As tensões entre os católicos liberais e intransigentes eram comuns no ambiente católico da época, basta lembrar que Achille Ratti tinha recebido a tonsura e o diaconato pelo arcebispo Luigi Nazari de Calabiana, o protagonista da crise que leva seu nome. Entre seus professores estavam Dom Francesco Sala, que manteve o curso de teologia sistemática sobre a base de um tomismo rigoroso, e Dom Ernesto Fontana, que ensinava teologia moral com posições anti-rosminiana. Neste ambiente, Dom Ratti desenvolveu uma tendência antiliberal, que expressa, por exemplo, em 1891, durante uma conversa informal com o cardeal Gruscha, arcebispo de Viena: "o seu país tem a sorte de não ser dominado por um liberalismo anticlerical ou por um Estado que tenta vincular a Igreja com correntes de ferro".

Depois de 1904, Tomasso Gallarati Scotti se tornou representante do modernismo teológico, a doutrina de que seria necessária uma "adaptação do Evangelho à condição mutável da humanidade", e, em 1907, fundou a revista "Il Rinnovamento". Enquanto o Papa Pio X publicava a encíclica Pascendi Dominici gregis condenando o modernismo, mons. Ratti tentou avisar o amigo, agindo como um mediador e correndo o risco de incorrer as suspeitas do intransigente anti-modernista. Gallarati Scotti já havia decidido demitir-se da revista, quando foi excomungado. A Santa Sé investigou a responsabilidade do arcebispo Carlo Andrea Ferrari sobre a propagação de ideias modernistas em sua arquidiocese e mons. Ratti tinha de defendê-lo perante o papa e o cardeal De Lai.

Ratti também era um alpinista ávido, escalou vários picos dos Alpes e foi o primeiro, no dia 31 de julho de 1889, a chegar ao topo do Monte Rosa da parede leste. A 7 de agosto de 1889, escala o Matterhorn e no final de julho de 1890, o Monte Branco, abrindo a trilha mais tarde chamada de "Trilha Ratti-Grasselli". Monsenhor Ratti foi um apaixonado frequentador do grupo de Grigne e por muitos anos, no começo do século, foi hóspede da paróquia de Esino Lario, base logística de suas excursões. A última escalada do futuro papa data de 1913. Durante todo o período, Ratti foi membro, colaborador e editor de artigos do Clube Alpino Italiano. O mesmo Ratti disse do alpinismo que "não era algo para temer, mas, pelo contrário, era tudo apenas uma questão de prudência, e um pouco de coragem, força e perseverança, o sentimento da natureza e seus lugares mais bonitos". Recém-eleito Papa, o Clube Alpino de Londres cooptou Pio XI como seu sócio, justificando o convite com três escaladas aos picos mais altos (o convite foi recusado, apesar do agradecimento do Papa).

Ratti, em 1899, teve uma conversa com o famoso explorador Louis d'Aosta, Duque de Abruzzi, que o chamou para participar da expedição ao Polo Norte, que o Duque estava organizando. Ratti não foi, diz ele, porque um sacerdote, no entanto excelente alpinista, teria intimidado os outros companheiros de viagem, homens rudes do mar e das montanhas.

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