Óscar González-Quevedo Bruzón, S.J., mais conhecido como Padre Quevedo (Madrid, 15 de dezembro de 1930 — Belo Horizonte, 9 de janeiro de 2019), foi um parapsicólogo e padre jesuíta de origem espanhola naturalizado brasileiro desde 1960. Foi professor universitário de Parapsicologia no Centro Universitário Salesiano de São Paulo (UNISAL) e do Centro Latino-Americano de Parapsicologia (CLAP) até o ano de 2012, quando se aposentou.
No CLAP, onde era diretor, realizou estudos, difusão e pesquisa no campo da Parapsicologia e da Psicologia. É considerado um dos maiores expoentes do mundo nessa área, tendo 5 carreiras acadêmicas: Humanidades Clássicas, Filosofia e Psicologia na Universidade Pontifícia de Comillas na Espanha; doutor em Teologia formado na Faculdade de Nossa Senhora de Assunção em São Paulo, além de ter pós-graduação e doutorado em Parapsicologia. Por seus trabalhos foi distinguido com Diploma de Gratidão e Medalha de Ouro da cidade de São Paulo, outorgado pela Câmara Municipal. Bem como, recebeu Diploma de Honra do IX Congresso Internacional de Parapsicologia de Milão, além de ser distinguido especialmente com um voto expresso e unânime de agradecimento e reconhecimento pelo seu trabalho, pelos participantes no I Congresso Internacional de Psicotrônica (Parapsicologia aplicada) realizado em Praga, na República Checa.
Autor de 17 livros, muitos dos quais traduzidos para outras línguas, sendo os mais famosos: A Face Oculta da Mente, As Forças Físicas da Mente (1964) e Antes que os Demônios Voltem (1989). Seus livros já foram considerados por membros da Society for Psychical Research de Londres e a International Foundation of Parapsychology de Nova York, como a melhor coleção de obras de Parapsicologia do mundo.
Foi também membro de honra do Instituto de Investigações Parapsicológicas de Córdoba, bem como membro de honra de diversas instituições em países como EUA, Espanha, Portugal, Japão, México, Argentina, Chile, Paraguai, Uruguai, Bolívia, Peru, entre outros. Também deteve o título de "Master Magician" (Metamágico), que lhe fez ser um dos cinco mestres em ilusionismo e mágica do mundo.
Além do espanhol e português, lia e falava fluentemente latim, grego, hebraico, inglês, francês, aramaico e italiano, podendo recitar de cor toda a bíblia em latim.
Com um sotaque carregado e sempre polêmico, ficou famoso pelo bordão: "Isso non ecziste!", renegando posicionamentos supersticiosos de religiosos e ditos paranormais que afirmavam que podiam controlar ou realizar milagres através de intervenção do além. Tais práticas eram consideradas e demonstradas pelo padre Quevedo como ilusionismo, charlatanismo e/ou curandeirismo. Para Quevedo uma intervenção supranatural do além para o aquém são raríssimas e só podem ser realizadas exclusivamente por Deus.
Suas ações de expor fenômenos muitas vezes tidos como inexplicáveis e desmascarar farsantes lhe renderam fama, a qual o levou a inúmeros programas de televisão como o Fantástico, Programa do Jô, Programa do Ratinho, Agora é Tarde, SuperPop, Tribuna Independente, Sem Censura, Programa Livre, De Frente com Gabi, O Estranho Mundo de Zé do Caixão, Programa Silvia Poppovic, QG Podcast, entre diversos outros. Também participou de programas de televisão na Argentina, Chile, Espanha e Portugal, onde explicava cientificamente a origem de diversos fenômenos tidos como sobrenaturais. Demonstrava que na maioria dos casos, os mesmos se tratavam de truques de ilusionismo ou raramente eventos parapsicológicos que podiam ser explicados à luz da ciência. Seu sucesso lhe garantiu uma série na Rede Globo, em horário nobre dentro do programa Fantástico, chamado de "Padre Quevedo — O Caçador de Enigmas" que foi ao ar aos domingos entre 02 de janeiro e 05 de maio de 2000, no qual desvendava truques e fenômenos paranormais, refutando o que era falso e esclarecendo o que era verdadeiro. O sucesso do programa era tão alto que a audiência atingia picos de 42 pontos.
Óscar González-Quevedo Bruzón era filho do espanhol Manuel González-Quevedo Monfort, deputado tradicionalista de Madrid, – ligado à corte do rei Alfonso XIII – e de Ángeles Bruzón, de Gibraltar. Quando tinha três anos de idade viu o seu pai ser preso pela Frente Popular Espanhola por criticar o regime vigente no país, o qual vinha perseguindo o catolicismo, queimando conventos e matando padres e freiras, sendo assim levado para um campo de trabalhos forçados.
Aos 7 anos de idade, quando visitou seu pai pela última vez, o viu recomendar que sua mãe, juntamente com o irmão dela, se passassem por um casal e fugissem do país para garantir a seguranças das crianças, pois para ele o seu destino como mártir cristão já tinha sido definido. Posteriormente, sua mãe, que tinha sofrido um atentado de assassinato e perdido três irmãos devido a perseguição governamental, comunicou a Quevedo logo quando este fez a primeira comunhão no norte da Espanha que seu pai teria sido fuzilado durante a Guerra Civil Espanhola, sendo suas últimas palavras: "Viva Cristo Rei!". O papa João Paulo II o teria beatificado juntamente com mais 497 mártires.
Vivendo um exílio forçado em seu próprio país, foi morar clandestinamente em Gibraltar. Passou a viver com seus tios, sendo um deles, Horácio, chefe espírita em Gilbraltar e outro chefe teósofo em Tânger. O primeiro recomendou a Quevedo a leitura de diversos livros de espiritismo, esoterismo, teosofismo e ocultismo, o que segundo o próprio Quevedo, teria enchido sua "cabeça de minhocas". Sua prima, Tereza González-Quevedo, mas conhecida como "Teresita" – que foi proclamada venerável pelo papa São João Paulo II lhe ensinou os primeiros "truques de mágica" com cartas, o que fez Quevedo se admirar ainda mais pelo ilusionismo. Tempos depois, após ter entrado na faculdade e ter feito longos estudos de livros de Parapsicologia, abandonou os ensinos espíritas, teosóficos, esotéricos e ocultistas e criou uma verdadeira paixão pelas explicações racionais para os fenômenos através da Parapsicologia, sendo que todos os seus trabalhos, seminários para licenciaturas, mestrado e doutorado sempre foram voltadas para a área. Posteriormente, ele passou a explicar o que aprendera através da Parapsicologia ao seu tio Horácio, contribuindo assim para sua conversão ao catolicismo.
Ao estudar Humanidades Clássicas na Universidade Pontifícia de Comillas na Espanha, descobriu sua vocação religiosa, formando-se, posteriormente, em Filosofia e Psicologia na Universidade de Santander e decidiu ir para um seminário jesuíta. Enquanto esteve estudando, aprofundou-se nos estudos sobre o “além”, particularmente sobre magia e ilusionismo e acabou se tornando conhecido no campus da faculdade.
O então reitor da Faculdade de Filosofia, Padre Vicente González, conhecendo o interesse de Quevedo pelo ocultismo, recomendou que o mesmo viajasse para o Brasil, um campo fértil para pesquisadores do sobrenatural, visto a forte superstição da cultura popular. Quevedo desembarcou no Rio de Janeiro e foi para um seminário em São Leopoldo, no Rio Grande do Sul, onde residiu por 3 anos e em 1961 foi ordenado padre após estudar Teologia no Colégio. Naturalizado brasileiro, passou a afirmar de maneira orgulhosa que se considerava mais brasileiro do que os próprios brasileiros nascidos no Brasil, porque estes últimos não tiveram a opção de nascer ou não no Brasil, mas ele teria optado em querer ser brasileiro, e brincava dizendo que por não ser perfeito ainda tinha tido 29 anos como espanhol.
Quando chegou ao Brasil, Quevedo dedicou ao estudos da parapsicologia e escreveu em 1964, o renomado "A Face oculta da Mente" e muitos outros ao longo da década de 1970, tendo inclusive participado de uma matéria do Fantástico em 1979, onde questionava o poder dos curandeiros. Contudo, em 1981, surgiram dificuldades e mal entendidos, e sofreu pressões por oito anos. Um de seus superiores da Companhia de Jesus achou que a Parapsicologia era herética e mandou-o ficar em silêncio, proibindo, mesmo sem ler, a divulgação e venda de sua tese doutoral, a obra “Antes que os Demônios Voltem”. Quevedo pelo voto de obediência, ficou em silêncio por seis anos até que Dom Luciano Mendes de Almeida buscou tomar medidas referentes ao caso. Dom Paulo Evaristo Arns foi a Roma esclarecer o caso perante a Igreja, a qual desconhecia os eventos. Os membros da Santa Sé ao lerem o livro se maravilharam com o conteúdo, sendo a partir de então recomendado em diversas universidades. As incompreensões foram superadas, o seu superior foi substituído, Quevedo saiu do silêncio e o CLAP foi reaberto, e desde então Quevedo passou a ter o apoio dos Jesuítas e também dos bispos. A CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) solicitou-lhe durante muitos anos que ministrasse anualmente curso de Parapsicologia para sacerdotes e agentes de pastoral até o dia que o mesmo se aposentou.