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Padre João Ribeiro

Político brasileiro

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João Ribeiro Pessoa de Mello Montenegro, o Padre João Ribeiro (Capitania de Pernambuco, 28 de janeiro de 1776 — Paulista, 19 de maio de 1817), foi um religioso e revolucionário brasileiro.

Foi líder e mártir da Revolução Pernambucana de 1817, e o criador da bandeira de Pernambuco.

João Ribeiro Pessoa de Mello Montenegro nasceu em Tracunhaém, na Capitania de Pernambuco, em 28 de janeiro de 1776. Era o filho primogênito de Manuel de Mello Montenegro e de Genebra Francisca de Vasconcelos Pessoa, nobres pernambucanos que constam na Nobiliarquia Pernambucana de Borges da Fonseca. Neto paterno de Domingos de Melo Montenegro, capitão de ordenanças, e de Teresa Maria de Sá de Melo. Neto materno do Capitão-Mor João Ribeiro Pessoa, Juiz Ordinário e Juiz de Órfãos de Igarassu, e de Genebra de Vasconcelos e Castro.

Passou a infância em Sobral, na Capitania do Ceará. Ainda jovem, foi enviado a Pernambuco para dar início à formação eclesiástica, conforme o costume da época entre famílias de sua condição social. Em Olinda, dedicou-se ao estudo das artes e das humanidades, entrando em contato precoce com ideias ilustradas que circulavam no final do século XVIII.

Durante esse período, ingressou no Convento do Carmo, no Recife, onde conheceu o monsenhor Manuel Arruda Câmara, naturalista de grande prestígio intelectual. Reconhecendo o talento de João Ribeiro para o desenho, Arruda Câmara passou a utilizá-lo como auxiliar científico em suas expedições, nas quais o jovem seminarista documentava, por meio de ilustrações detalhadas, a fauna e a flora da região, em um tempo anterior à difusão da fotografia. Essa convivência teve papel decisivo em sua formação intelectual, aproximando-o do pensamento científico moderno e dos princípios iluministas. Arruda Câmara, fundador do Areópago de Itambé e implicado na Conspiração dos Suassunas, exerceu influência direta sobre João Ribeiro, que passou a compartilhar de seus ideais libertários.

Posteriormente, o jovem seminarista afastou-se dessas excursões científicas para dedicar-se integralmente aos estudos eclesiásticos. Prosseguiu sua formação primeiro no Convento do Carmo e, em seguida, no Seminário de Olinda, onde foi ordenado padre aos 20 anos de idade, chegando a exercer o cargo de vigário de Itamaracá.

Dotado de talento artístico e desejando aperfeiçoar-se nas Belas Artes, decidiu então seguir para Portugal. Em Lisboa, matriculou-se no Colégio dos Nobres, onde concluiu sua formação acadêmica e obteve o doutorado. Durante sua permanência na Europa, conviveu com estudantes universitários entusiastas das ideias difundidas pela recente Revolução Francesa, aprofundando seu contato com o pensamento político liberal e republicano.

Regressando a Pernambuco após sua formação europeia, assumiu a cadeira de desenho no Seminário de Olinda, acumulando também outras regências, na ausência dos respectivos lentes. Imbuído das ideias assimiladas no exterior, passou a desenvolver intensa atividade doutrinária de caráter separatista e republicano. Sua eloquência e carisma conquistaram adeptos entre jovens e adultos de diversas camadas sociais, tendo inicialmente o Seminário como principal centro de difusão de suas ideias. Posteriormente, essa atuação estendeu-se a espaços considerados mais adequados e seguros, como o Areópago de Itambé, a Academia dos Suassuna e a do Paraíso.

João Ribeiro era amado e respeitado por ricos e pobres. O comerciante francês Louis-François de Tollenare, discorrendo sobre seu amigo, disse que o religioso era “um homem pobre, mas bastante filósofo para desprezar a riqueza”, e que "ninguém na Europa imaginaria haver aqui alguém tão sábio". Tollenare, porém, o achava bondoso demais, desprovido da malícia necessária para atuar na política, e inferiu: "se sacrificaria pela sua pátria, mas seria incapaz de salvá-la…".

Simpatizante de Napoleão Bonaparte e seguidor das ideias bonapartistas, foi considerado o líder moral e religioso da Revolução Pernambucana. Atuou como um dos principais chefes do governo provisório instaurado durante o movimento, ao lado de seu primo, o General Domingos Teotônio Jorge Martins Pessoa, líder militar da revolução e designado "Ditador de Pernambuco".

Percebendo o fracasso militar do movimento que liderava e a aproximação das tropas portuguesas, João Ribeiro Pessoa cometeu suicídio em 19 de maio de 1817, primeiro tomando veneno, e como este não surtiu o efeito desejado, o Padre João enforcou-se na capela do Engenho Paulista, em Olinda — atual município de Paulista — após a derrota dos revoltosos na batalha do Engenho Trapiche. Mas, por ordem do vice-almirante português Rodrigo Lobo, seu corpo foi desenterrado, desnudado, esquartejado e sua cabeça exposta na ponta de uma vara no centro do Recife, onde ficou por dois anos.

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