Neste Dia

Paco Bandeira

Artista musical português, cantor

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Francisco Veredas Bandeiras (Alcáçova, Elvas, 2 de maio de 1945), de pseudónimo Paco Bandeira, é um cantor e compositor português.

Com mais de quarenta anos de carreira musical, é reconhecido como um dos representantes da música popular portuguesa.

Aprendeu a tocar guitarra com a ajuda de um tio e aos 14 anos torna-se guitarrista e vocalista do grupo Cuban Boys, com o qual deu vários concertos em Portugal e Espanha. As características da sua região natal, tais como as planícies e as searas, a interioridade da província portuguesa, a fronteira com a Estremadura, de Espanha, acabaram por marcar indelevelmente a sua música.

Durante cinco anos foi locutor da estação regional Radio Extremadura (de Badajoz) da espanhola Cadena SER. Adotou o nome artístico Paco Bandeira em Badajoz, onde tocava na orquestra Montecarlo. A sua primeira banda foi Os 5 do Alentejo. Fundou com quatro amigos espanhóis uma banda de rock, os Play Boys. Enquanto locutor, no dia seguinte ao julgamento, em Espanha, do processo do assassínio de Humberto Delgado, alega ter divulgado os nomes dos acusados do crime e ter sido agredido pela PIDE no regresso a Portugal, só não tendo sido transferido para as instalações da PIDE em Lisboa por alegada intervenção do delegado de saúde de Elvas, que seria amigo da família. Contudo, dos arquivos da PIDE e da Legião Portuguesa não consta qualquer referência a Francisco Veredas Bandeiras.

Durante bastante tempo viveu na Alemanha e em Espanha, onde, por influência de Armando Oréfiche, homossexual assumido e líder dos Havana Cuban Boys, que atuavam com os Play Boys, fez parte do elenco artístico de um paquete de luxo que efectuava cruzeiros por todo o mundo, incluindo Japão e Austrália.

Em 1966 grava um disco no Porto pela editora Rapsódia, onde apresentava várias influências brasileiras. No âmbito do serviço militar, que durou três anos, fez a recruta em Beja e a especialidade no Porto, onde não tinha de pernoitar no quartel e podia vestir à civil na rua, por ser músico e por influência de um coronel amigo. Esteve destacado em Angola durante dois anos e quatro meses, como radiotelegrafista, e continuou a tocar e a cantar para os soldados, com guitarras fornecidas pelo Movimento Nacional Feminino.

Em 1969, após o serviço militar, ao regressar a Portugal, e apesar de vários problemas de saúde, começa a compor os seus próprios temas, e só então passa a cantar em português. Atuou no Solar da Hermínia, de Hermínia Silva, no Bairro Alto, em Lisboa. Actua na RTP, BBC (Inglaterra) e televisão francesa. Durante quatro meses, viveu na Alemanha, onde trabalhou na ZDF e atuava em bodegas de flamenco, em Frankfurt.

Vence o 1º Festival da Canção da Guarda, realizado entre 21 e 24 de Julho de 1971, com a canção "Sigo Cantando".

A partir de 1972, como solista, pela mão de Hermínia Silva, recomeça a cantar no Solar daquela famosa artista, onde Paco tinha começado por trabalhar quando veio para Lisboa.

Paco Bandeira interpreta "Vamos Cantar De Pé", de Pedro Osório e letra de Fernando Grave, no Festival RTP da Canção de 1972, onde fica em 2.º lugar.

Em 1973 participa no II Festival Ibero-Americano (OTI) com "Poema De Mim" e, novamente, no Festival RTP da Canção, com É Por Isso Que Eu Vivo, ficando novamente em segundo lugar.

O primeiro dos seus sucessos foi "A Minha Cidade" (mais conhecida por "Ó Elvas, Ó Elvas"), seguindo-se outros tantos êxitos, tais como "É Por Isso Que Eu Vivo", "Chula da livração" ou "Ceifeira Bonita". Em consequência destes êxitos, inicia uma intensa carreira internacional junto das comunidades portuguesas no estrangeiro, atuando em palcos e televisões de Espanha, Itália, EUA, Austrália ou Canadá.

Esteve num Festival realizado na Bulgária onde apresentou a canção "É por isso que eu vivo". Ganhou o prémio do melhor poema e de interpretação.

Em 1980 é editado o álbum "Malhas, Malhões e Outras Canções", com arranjos de Pedro Osório, cujo repertório foi registado no programa "A Vez e a Voz" da RTP. O disco, com temas como "Tempo de Valsa" ou "Flor da Esperança", foi gravado em Madrid nos estúdios Eurosonic. No disco participa o músico e produtor Johnny Galvão.

Os maiores sucessos desta fase são "Minha Quinta Sinfonia" e "A Ternura dos Quarenta".

Em 1987, as relações entre Paco Bandeira e a RTP deterioram-se, instalando-se uma polémica entre este e o diretor da estação de televisão pública. No Natal desse ano, Paco Bandeira edita o seu vigésimo disco LP, intitulado "Com Sequências", com letras de Pedro Bandeira Freire. Enquanto isto, despoletava nova polémica, desta feita entre si e o Presidente da Sociedade Portuguesa de Autores, de cuja direção Paco se demitiu sob protesto pelo chumbo da sua moção, que visava a adoção de "Oh Elvas Oh Elvas" como Hino Nacional.

Bandeira foi também membro e tesoureiro da UPAV (União Portuguesa de Artistas de Variedades), funções que desempenhou com assinalável sucesso, tendo conseguido cobrar quotas que se encontravam em atraso há décadas. Em 1991, apresenta-se no Teatro Rivoli, no Porto, para um espetáculo onde o conjunto de António Mafra foi o convidado especial. Na mesma altura, Paco era reconhecido como "um cantor que soube acompanhar o seu público".

Na sua carreira, conta ainda com participações em programas de televisão no Brasil, Turquia, Bulgária ou Israel, algumas das vezes com difusão pelas redes da Eurovisão, da OTI e da Intervisão.

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