Phabullo Rodrigues da Silva, mais conhecido como Pabllo Vittar (São Luís, 1 de novembro de 1993), é um cantor, compositor, drag queen e personalidade de televisão brasileiro. Além da carreira artística, é um forte ativista em prol dos direitos das pessoas LGBT e foi considerado a drag mais popular da era digital pela revista americana Out. Por causa de seu sucesso sem precedentes, Vittar tem sido creditado por influenciar o interesse do público sobre outros artistas drag queens, além de artistas trans e travestis. Em 2019, a revista Time o incluiu em sua lista dos Líderes da Próxima Geração e também foi citado pela Forbes como "a drag queen mais popular do mundo".
Nascido em São Luís e criado em cidades do interior do Maranhão e do Pará, Vittar teve seu gosto pela música influenciado pela mãe e passou a se interessar pela arte das drag queens na adolescência. Suas primeiras apresentações profissionais aconteceram numa casa noturna de Uberlândia, Minas Gerais. Ele ganhou atenção na internet com a canção "Open Bar", em parceria com o DJ Mulú lançada em outubro de 2015 e incluída em seu primeiro extended play (EP), também intitulado Open Bar. No ano seguinte, passou a integrar o elenco do programa Amor & Sexo, da TV Globo, fazendo números musicais na atração durante duas temporadas. Em 2017, Vittar conseguiu maior reconhecimento ao lançar seu álbum de estreia, Vai Passar Mal, que foi certificado com platina pela Pro-Música Brasil (PMB) e gerou singles como "Todo Dia", "K.O." e "Corpo Sensual". Seu segundo e terceiro álbuns de estúdio, Não Para Não (2018) e 111 (2020) foram certificados com platina pela PMB.
Em 10 de julho de 2024, Pabllo se tornou a primeira drag queen a entrar na parada global das 50 músicas mais ouvidas no Spotify com a faixa "Alibi", estreando na posição #47 e atingindo a posição #12". Também, ficando atrás apenas de RuPaul, Vittar foi a segunda drag do mundo a entrar na Hot 100 da Billboard, em #95.
Referido como um "emblema de fluidez de gênero", Vittar faz aparições públicas com e sem a sua caracterização artística e expressou sua preferência pelo tratamento no pronome feminino quando está "de drag", mas também demonstrou indiferença em relação aos pronomes específicos de gênero usados para se dirigir a ele. Sua música é geralmente uma mistura de pop com gêneros regionalistas variados, incluindo forró eletrônico e eletrobrega.
Phabullo Rodrigues da Silva nasceu em 1 de novembro de 1993 em São Luís, Maranhão. Ele é filho da técnica de enfermagem Verônica Rodrigues e tem duas irmãs, sendo que uma delas, Phamella, é sua gêmea. Vittar nunca conheceu seu pai biológico, que abandonou Verônica ainda grávida. Ele passou parte da infância vivendo em cidades do interior do Maranhão, como Santa Inês, depois passou a infância toda em Santa Izabel do Pará, no Pará. Vittar frequentou aulas de balé clássico e jazz durante a infância. Ele disse ter sido vítima de bullying em seus anos escolares, por causa de sua voz aguda e gestos delicados. Ao relembrar sua infância, Vittar disse que sempre teve a "noção de que era diferente e que não ia seguir os caminhos que um homem que nasceu com genitália masculina tinha que seguir: casar, ter filhos [...] Sabia que ia fazer alguma coisa no mundo para deixar minha marca."
No início da adolescência, Vittar voltou para o Maranhão, vivendo na cidade de Caxias. Na época, começou a cantar em festas e junto ao coral de uma Igreja Presbiteriana, além de se apresentar no Pop, um programa regional de Caxias, onde fez covers de canções de diversos artistas. Com 16 anos de idade, mudou-se para Indaiatuba, São Paulo, para tentar começar uma carreira artística. Vittar, no entanto, não obteve sucesso e acabou trabalhando em lanchonetes de fast food, salões de beleza e como operador de telemarketing. Foi com essa idade que ele se assumiu gay para sua mãe, e "nem surpresa ela ficou. Sempre me apoiou – aliás, a família inteira, minhas irmãs também", relatou o cantor em entrevista à Marie Claire. Dois anos depois, mudou-se com sua família para Uberlândia, Minas Gerais. Lá, Vittar foi aprovado para o curso de Design de Interiores da Universidade Federal de Uberlândia, que posteriormente descontinuou, devido a sua agenda de shows, que havia aumentado. No final de 2011, ele começou a publicar covers em um canal pessoal no YouTube. À época, usava como nome artístico "Pabllo Knowles", em homenagem à sua maior ídolo, Beyoncé (cujo sobrenome é Knowles).
Vittar disse que sempre foi fascinado pelo "universo feminino" e passou a se interessar pela arte das drag queens quando foi apresentado ao reality show RuPaul's Drag Race por um namorado. Quando assistiu ao programa, Vittar aprendeu que os artistas drag poderiam ser mais versáteis do que pensava: "Foi uma surpresa, não conhecia esse lado da arte drag. Fiquei apaixonada! Falei: eu posso ser isso aí. Foi uma libertação. Quando estou estressada, me monto e externalizo coisas que não consigo falar, mas que posso transmitir por meio da maquiagem e da produção." Ele se "montou" pela primeira vez aos 17 anos para divulgar a festa de uma amiga, entregando panfletos na porta de uma boate em Uberlândia; "...fui na farmácia, comprei um lápis, um batom e umas extensões tão baratas que acabaram virando um dread só". Vittar aprendeu a se maquiar assistindo a tutoriais no YouTube e participou de concursos de beleza antes de iniciar sua carreira musical. Vittar costumava cantar nas festas das quais participava na Universidade Federal de Uberlândia e começou a atuar profissionalmente como drag queen e cantor na casa noturna Belgrano, dos produtores Ian Hayashi e Leocádio Rezende, localizada em Uberlândia.
2015–17: Open Bar, Amor & Sexo e Vai Passar Mal
Vittar estava mantendo contato através das redes sociais com Pedro D'Eyrot, um dos integrantes do Bonde do Rolê, que apresentou seus vídeos ao produtor Rodrigo Gorky, também integrante do grupo. Em uma visita à Belgrano, Gorky pediu a Hayashi e Rezende para que o apresentassem a Vittar, que conhecia apenas pela internet. Gorky sugeriu a Vittar que gravassem uma releitura em português da canção "Lean On", do grupo Major Lazer, que foi intitulada "Open Bar" e lançada em outubro de 2015. O videoclipe da canção, gravado na casa de um amigo de Vittar com um orçamento de 600 reais, atingiu a marca de um milhão de visualizações no YouTube em menos de quatro meses. Em dezembro de 2015, ele lançou o extended play (EP) Open Bar. Além da faixa-título, o EP apresenta outras quatro faixas que são versões em português de canções gravadas por artistas como Beyoncé e Rihanna. Com exceção de "Open Bar", que foi autorizada por um dos autores de "Lean On", Diplo, todas as canções do EP e seus videoclipes foram posteriormente retirados das plataformas digitais por questões de direitos autorais. Um remix de "Open Bar" foi posteriormente incluído em seu álbum Vai Passar Mal: Remixes (2017). Logo após o lançamento do EP, Vittar deu início à sua primeira série de shows, Open Bar Tour, que se estendeu por 2016 e totalizou 120 apresentações. Vittar acabou chamando a atenção dos produtores do programa Amor & Sexo, da TV Globo, que o convidaram para integrar a banda do programa em 2016. Ele esteve no elenco da atração durante a nona e décima temporadas e deixou o programa para se dedicar a seus projetos musicais.
Em janeiro de 2017, Vittar lançou seu álbum de estreia, Vai Passar Mal. O disco possui uma sonoridade diversificada, incorporando elementos de música pop, eletrônica e gêneros brasileiros, como tecnomelody, forró, arrocha e funk carioca. Luccas Oliveira, do jornal O Globo, escreveu sobre o álbum: "...em geral, suas faixas curtas e bem produzidas, com letras que exalam a autoestima e a afirmação de Pabllo, fazem do disco de estreia da drag queen um belo cartão de visitas — feito sob medida para o público que ela atinge." Em 2019, Vai Passar Mal foi certificado com platina pela Pro-Música Brasil (PMB). "Nêga" foi lançada como carro-chefe do disco, seguida por "Todo Dia", uma colaboração com o rapper Rico Dalasam lançada em 20 de janeiro de 2017. A última ganhou atenção durante o Carnaval daquele ano, o que levou Vittar a se apresentar no Carnaval de Salvador. Seis meses após o lançamento, "Todo Dia" e seu videoclipe foram retirados das plataformas digitais devido a uma notificação extrajudicial de Dalasam para questionar acordo de direitos autorais.