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Paços de Ferreira

Município de Portugal

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Paços de Ferreira é uma cidade portuguesa localizada na sub-região do Tâmega e Sousa, pertencendo à região do Norte e ao distrito do Porto.

É sede do município de Paços de Ferreira que tem uma área total de 70,99 km2, 55.595 habitantes em 2021 e uma densidade populacional de 783 habitantes por km2, subdividido em 16 freguesias. O município é limitado a leste pelo município de Lousada, a sul por Paredes, a sudoeste por Valongo e a oeste e norte por Santo Tirso.

É conhecida como Capital do Móvel por ser o mais importante centro de produção de mobiliário de Portugal, contando com cerca de 5000 empresas que constituem a maior área de exposição e venda de móveis na Europa, estimada em 2,5 milhões de metros quadrados.

O território do atual município é povoado desde o Neolítico. Desse período resta o Dólmen da Leira Longa, em Lamoso. Palco de intensos e prolongados conflitos, a Colina e a Chã de Ferreira foram zona de fronteiras religiosas, militares, políticas e administrativas. Da Idade do Ferro, partindo do alto da colina, Citânia, temos, para um lado e para o outro, um notável conjunto de outros castros. Do período suévico temos topónimos que persistem, como Freamunde, Eiriz. Do período do domínio dos Árabes temos topónimos como Aldozinde, em Carvalhosa.

O primeiro documento, em papel, sobre este território, refere-se a uma doação de bens ao Mosteiro de Santa Maria de Cacães (Eiriz) de Ferreira, datado de 0976. "Villa Colina" e "Villa Cova" são referências fundamentais do Livro de Mumadona Dias, quando a Condessa de Portugal no século X, elenca os seus bens e igrejas em Ferreira. No período da fundação da Nacionalidade, os Ferreira e a sua Quinta e Honra _Casa do Paço, na freguesia de Eiriz_ foram cavaleiros de grande importância no seu serviço ao Reino. É à volta deste Termo de Ferreira (até meados do século XIII) que se afirmam as famílias nobiliárquicas dos Sousa e dos Ferreira. O cavaleiro Mem Viegas de Sousa foi senhor e cavaleiro de honrarias em Carvalhosa, Eiriz, Sanfins de Ferreira, como se vê em Gonçalo Mendes de Sousa.

Ferreira: o Termo, os coutos, os mosteiros, as dioceses, os forais e as comendas

No período da reconquista, foi restaurada a Diocese de Braga e a Chã de Ferreira ficou a pertencer-lhe. Há registos que afirmam que, no ano de 1111, o cavaleiro Soeiro Viegas é senhor do “Couto de Fins de Ferreira” e que aqui fundou um mosteiro. Inicia-se a construção do Mosteiro de Ferreira e logo se divide este território. A diocese do Porto pretende recuperar os antigos limites e entra em conflito, com a Diocese de Braga, pela posse do território de Ferreira. Os século XII e XIII foram de grandes conflitos religiosos; o que obrigou a intervenção papal. Na prática, a diocese Braga ficou com as paróquias do norte do atual concelho, com o seu Mosteiro de "Sam Fins de Ferreira" e igreja de S. Pedro Fins de Ferreira. A diocese do Porto ficou com as paróquias a sul do atual concelho, com o seu Mosteiro de "S. Pedro de Ferreira" e igreja de São Pedro de Ferreira. O título nobiliárquico de “senhor do Couto de Fins de Ferreira” é referido ainda ao longo do século XII I e foi esta Igreja/Mosteiro que foi transformada em Comenda, cujo primeiro comendatário foi o humanista D. Miguel da Silva (cardeal).

A restauração das Dioceses provocou disputas entre Braga e Porto que se prolongaram até 1882, data em que a Diocese de Braga devolveu à Diocese do Porto as igrejas dos medieovos Termo de Ferreira e Terra de Ferreira.

No Foral da Terra de Ferreira apenas constam as freguesias da Diocese de Braga e a norte do atual concelho de Paços de Ferreira: Raimonda, Codessos, Lamoso, Figueiró e Sanfins de Ferreira. Sanguinhedo, junto à nascente do Rio Ferreira mais distante da foz, já em Lustosa (no concelho de Lousada. Alguns territórios destas freguesias integravam também o Foral de Sobrosa.

A Terra de Frazão , Honra desde o século XIII, também recebeu Foral de D. Manuel, em 1514. A sede da Honra encontrava-se em Santa Maria Alta, hoje o S. Brás da Poupa. Com o Liberalismo obteve o estatuto de Concelho, sendo que a 20 de novembro de 1836, na Igreja Matriz de S. Martinho, se registou o último ato de vulto da autonomia administrativa, que se estendia pela Seroa e tinha marca histórica na Torre dos Alcoforados, na atual freguesia de Lordelo (Paredes). Em 1742, no Catálogo dos bispos do Porto, a sede do atual concelho de Paços de Ferreira é referida como Santa Eulália de Paços; dando a perceber o tardio determinativo de Ferreira.

Guerras da Restauração, Liberais e seus alinhamentos, os concelhos.

O território do concelho de Paços de Ferreira nunca viveu a mesma identidade. Espartilhadas entre as Dioceses, os Nobres/Fidalgos, o Rei e a Casa do Infantado, as gentes defendiam os seus interesses. Neste quadro tiveram grande importância as Guerras, nomeadamente as da Prestação (1640-1668). Uns apoiavam D. João IV e outros continuavam a apoiar os Nobres fiéis ao Filipes (reis de Espanha). Os conflitos por cá duraram bastantes anos e os apoiantes de Castela viram os seus bens serem afetados aos vencedores nacionalistas, ou passando para a Casa do Infantado (como o caso da Honra de Sobrosa) ou para nobres nacionalistas (caso o caso da Comenda de Sanfins de Ferreira). Destes alinhamentos restam as referências a “espanhóis” com que gentes do sul do concelho alcunham as de Freamunde.

Até ao liberalismo estes territórios do atual concelho de Paços de Ferreira, integravam: Honra de Sobrosa, o couto de S. Pedro de Ferreira, a Honra e a Comenda de Frazão; a Comenda de S. Pedro Fins de Ferreira, a Comenda de Penamaior , a Casa do Infantado, a Honra de Paços de Ferreira. Com a reforma administrativa de 1836, com a diferença de uma ou outra freguesia, o concelho de Paços de Ferreira foi a única unidade administrativa que sobreviveu. A 6 de novembro de 1836, afirma-se a vitória dos liberais pacenses e dissolvem-se os poderes dos nobres conservadores (Sobrosa e Frazão) e da Igreja (S. Pedro de Ferreira e S. Pedro Fins de Ferreira). Os conflitos deixaram as suas marcas e, neste contexto, Freamunde, que pertencera à Casa do Infantado/Honra (Sobrosa) e Couto (Ferreira), mesmo sendo a freguesia mais desenvolvida e com maior vitalidade desta região, foi preterida.

O atual concelho de Paços de Ferreira corresponde à bacia hidrográfica das nascentes do rio Ferreira e integra os extintos concelhos de Frazão e de Ferreira, algumas freguesias do extinto concelho de Sobrosa e uma freguesia (Penamaior) que, até 1855, pertencia ao extinto concelho de Negrelos. Paços de Ferreira deixou, por breves tempos, de ser concelho e os seus territórios chegaram a estar distribuídos por Paredes e por Barrosas.

A unidade administrativa deste território nunca foi pacífica. A vitória dos Liberais impuseram Paços de Ferreira como a única sede concelhia mas as vontades das gentes nem sempre se vergam aos Decretos. Anda em 1998, o desejo de Freamunde se assumir como sede de concelho, com as antigas freguesias da Terra de Ferreira (Raimonda, Figueiró, Codessos, Lamoso e Sanfins de Ferreira) voltou a afirmar-se e fez chegar a sua proposta a votação na Assembleia da República, como se pode ver em publicação, 5 de março, no Diário da República

Da criação do concelho aos nossos dias

Nos séculos XIX e XX, o município registou um crescimento notável, tendo sextuplicado a sua população desde a sua criação. Para tal contribuiu a elevada natalidade, a proximidade à cidade do Porto, a melhoria dos acessos e a boa rentabilidade agrícola do solo, que permitiram que a população continuasse a crescer mesmo durante a onda migratória que teve lugar em Portugal durante as décadas de 1950 e 60.

No princípio do século XX, um professor local, Albino de Matos, inventou um conjunto de instrumentos que revolucionaram o ensino da geometria nas escolas primárias portuguesas. A fábrica que abriu para produzir estes instrumentos cresceu rapidamente, tendo sido a semente da indústria de mobiliário do concelho, que, na segunda metade do século XX, com o desenvolvimento económico do país, se reconverteu, começando a produzir móveis domésticos.

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