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Oswaldo Cruz

Médico, sanitarista e bacteriólogo brasileiro

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Oswaldo Gonçalves Cruz (São Luiz do Paraitinga, 5 de agosto de 1872 — Petrópolis, 11 de fevereiro de 1917) foi um médico, bacteriologista, epidemiologista e sanitarista brasileiro. Pioneiro no estudo das moléstias tropicais e da microbiologia no Brasil, foi uma figura central na história da saúde pública nacional, conhecido por seu trabalho no combate a epidemias e na promoção da vacinação. Ele é considerado um dos pais da saúde pública brasileira.

Paulista, nascido no interior do estado, mudou-se para o Rio de Janeiro em 1887, quando ingressou na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro aos 15 anos. Em 1900, tornou-se diretor técnico do Instituto Soroterápico Federal, na capital carioca, transformado em Instituto Oswaldo Cruz, hoje a internacionalmente respeitada Fundação Oswaldo Cruz. O diretor geral do Instituto Soroterápico Federal era o barão de Pedro Affonso, e a Oswaldo Cruz cabia, naquele momento, coordenar a produção de soros e vacinas.

Foi eleito o 25.º maior brasileiro de todos os tempos, do programa do SBT, enquanto a Folha de São Paulo o posiciou na 13.ª colocação em sua lista de mesmo nome.

Oswaldo nasceu no dia 5 de agosto de 1872, na cidade paulista de São Luiz do Paraitinga. Era filho do médico Bento Gonçalves Cruz e sua prima esposa Amália Bulhões Cruz. Criou-se em sua cidade natal até 1877, quando seu pai se transferiu para o Rio de Janeiro. Na capital fluminense, estudou no Colégio Laure, no Colégio São Pedro de Alcântara e no Externato Dom Pedro II.

Em 1887, seu pai Bento Gonçalves Cruz, foi nomeado pelo imperador D. Pedro II membro da Junta Central de Higiene Pública. A progressão do pai no serviço público coincidiria com os anos em que Oswaldo frequentou a faculdade de medicina (1887-1892). Em 1890, já sob o regime republicano, Bento tornou-se ajudante do chefe da Inspetoria Geral de Higiene, órgão que sucedera a Junta. Dois anos depois, chegou a inspetor-geral. Porém, Bento ficou no cargo por apenas alguns meses. Afastou-se do trabalho devido a uma nefrite, o que o levaria à morte, com apenas 47 anos, em 8 de novembro de 1892, mesmo dia em que Oswaldo se formou em medicina.

Em 1887, aos 15 anos, ingressou na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, formando-se em 1892, com a tese A vehiculação microbiana pelas aguas. Antes de concluir o curso, já tinha publicado dois artigos sobre microbiologia na revista Brazil-Médico.

Interessado pela microbiologia, Oswaldo montou um pequeno laboratório no porão de sua casa onde começou seus primeiros estudos. Entretanto, seu pai viria a falecer no mesmo dia em que se formava na faculdade de medicina, o que o impediu de se aprofundar nos estudos por um tempo. Dois anos depois, a convite de Egydio Salles Guerra, Oswaldo começou a trabalhar na Policlínica Geral do Rio de Janeiro, onde era responsável pela montagem e a chefia do laboratório de análises clínicas. Aos 20 anos, em janeiro de 1893, casou-se com Emília da Fonseca Cruz, sua namorada desde a adolescência. Juntos eles tiveram seis filhos: Elisa, Bento, Hercília, Oswaldo Filho, Zahra, falecida ainda bebê, e Walter. Os três homens seguiram a trajetória do pai e cursaram medicina. Oswaldo e Walter trabalhariam futuramente no Instituto Oswaldo Cruz. Bento, o mais velho, não exercerá a profissão.

Em 1897 Oswaldo Cruz viajou para Paris, onde permaneceu por dois anos estudando microbiologia, soroterapia e imunologia, no Instituto Pasteur, sendo discípulo do diretor Émile Roux, e medicina legal no Instituto de Toxicologia. De volta ao Brasil, Oswaldo reassumiu seu cargo na Policlínica Geral e juntou-se à comissão de Eduardo Chapot Prévost para estudar a mortandade de ratos que gerou surto de peste bubônica em Santos. Demonstrou que a epidemia era incontrolável sem o emprego do soro adequado. Como a importação era demorada, propôs ao governo a instalação de um instituto para fabricá-lo.

No Rio de Janeiro, assumiu a direção técnica do "Instituto Soroterápico Federal", construído na Fazenda Manguinhos. A instituição, sob o comando do barão de Pedro Affonso, proprietário do Instituto Vacínico Municipal, foi fundada em 1900. Dois anos depois (1902) assumiria a direção técnica do instituto, onde trabalhou para ampliar suas atividades para além da fabricação de soro antipestoso, incluindo a pesquisa básica aplicada e a formação de recursos humanos. No ano seguinte, 1903, chegou ao comando da Diretoria-Geral de Saúde Pública (DGSP).

O Brasil era assolado por diversas moléstias infecciosas na época. Oswaldo Cruz decidiu empreender campanhas sanitárias para enfrentar as principais doenças que assolavam a capital federal, como febre amarela, peste bubônica e varíola. Para isso, adotou métodos tidos como drásticos por outros médicos, como o isolamento dos doentes, a notificação compulsória dos casos positivos, a captura dos vetores, como mosquitos e ratos, e a desinfecção das moradias em áreas endêmicas. Sua base era o Instituto Soroterápico Federal, de onde deflagrou campanhas de saneamento e, em poucos meses, a incidência de peste bubônica diminuiu com o extermínio dos ratos, cujas pulgas transmitiam a doença.

O combate à febre amarela foi difícil, já que grande parte dos médicos e da população acreditava que a doença se transmitia pelo contato com as roupas, suor, sangue e secreções de doentes. Oswaldo Cruz, porém, acreditava que o transmissor da febre amarela era um mosquito. O método tradicional de combate à febre amarela na época era através da desinfecção, suspensa por Oswaldo Cruz, onde ele implantou no lugar medidas sanitárias com brigadas que percorriam as casas, eliminando focos de insetos. Tal medida provocou uma forte reação da população.

A irritação da população com suas medidas sanitárias explodiram quando ele tentou promover a vacinação em massa da população contra a varíola, em 1904. Vários jornais da época lançaram editoriais contra a medida. O Congresso se manifestou contra e até uma liga anti-vacinação foi organizada. Em 13 de novembro estourou uma rebelião popular, conhecida como Revolta da Vacina, e no dia 14, a Escola Militar da Praia Vermelha se levantou. A rebelião foi derrotada pelo governo, que também suspendeu a vacinação obrigatória. Mas em 1907, a febre amarela foi erradicada no Rio de Janeiro e em 1908, quando eclodiu um novo surto de varíola, as pessoas procuraram os postos de vacinação mais próximos.

A crise não o impediu de partir em uma expedição a 30 portos marítimos e fluviais de Norte a Sul do país para estabelecer um código sanitário com regras internacionais entre 1905 e 1906. Sua postura de enfrentamento às doenças ganhou reconhecimento internacional em 1907, quando Oswaldo Cruz recebeu a medalha de ouro no 14º Congresso Internacional de Higiene e Demografia de Berlim, na Alemanha, pelo trabalho de saneamento do Rio de Janeiro. Ele ainda reformou o Código Sanitário e reestruturou todos os órgãos de saúde e higiene do país.

Em seu retorno ao Brasil, em 1908, Oswaldo foi recebido como um herói nacional e em 1909, o Instituto Soroterápico Federal levaria seu nome, passando a se chamar Instituto Oswaldo Cruz. Em 1910 combateu a malária durante a construção da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré (viajou a Rondônia com Belisário Penna), e a febre amarela, a convite do governo do Pará.

Para poder se dedicar inteiramente ao seu trabalho no instituto em Manguinhos, Oswaldo deixou a Diretoria Geral de Saúde Pública em 1909. Em 1913, foi eleito para a Academia Brasileira de Letras. Em 1915, devido a problemas de saúde, abandonou a direção do Instituto Oswaldo Cruz e mudou-se para Petrópolis, onde foi eleito prefeito em 1916, mesmo ano em que ajudou a fundar a Academia Brasileira de Ciências. Chegou a traçar um vasto plano de urbanização da cidade, que acabou não sendo construído.

Em 1907, Oswaldo notara a presença de albumina em sua urina, um sinal de nefrite, a mesma doença que matara seu pai. No final de 1908, teve uma crise renal aguda, o que tornou mais difícil esconder a doença. Assim, Oswaldo adotaria uma dieta rigorosa, que suprimiu quase que totalmente o sal de sua alimentação. Sua paixão por doces, porém, não foi afetada pela nova dieta e ele sempre mantinha uma bombonière cheia de doces sobre a mesa.

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