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Oscar Wilde

Escritor, poeta e dramaturgo irlandês (1854-1900)

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Oscar Fingal O'Flahertie Wills Wilde, ou simplesmente Oscar Wilde (Dublin, Irlanda, 16 de outubro de 1854 – Paris, 30 de novembro de 1900), foi um influente escritor, poeta e dramaturgo irlandês. Conhecido por sua sagacidade mordaz, pelas vestimentas extravagantes de dândi, pela habilidade de conversação e de ditos espirituosos e ricos em sarcasmo, ironia e cinismo, Wilde tornou-se uma das personalidades mais famosas de sua época e um dos dramaturgos mais populares de Londres, em 1890, após escrever de diversas formas na década de 1880.

Enquanto para Max Nordau era um simples degenerado mental cujo único objetivo era causar espanto no público desprevenido, para Fernando Pessoa era antes um individualista forte, com um enorme sentido aristocrático, autor da frase: “Eu sou daqueles que são feitos para ser a excepção, não para seguir a lei”, mas também era um obcecado com a autocomplacência, incapaz de levar a bom fim as suas intenções.

Hoje, Wilde é lembrado por seus epigramas, peças, livros, sobretudo O Retrato de Dorian Gray, seu único romance, e pelas circunstâncias que o levaram durante a sociedade vitoriana a ser preso por atividades homossexuais num dos primeiros julgamentos de celebridades da história moderna.

Os pais de Wilde eram intelectuais anglo-irlandeses em Dublin. Desde jovem, aprendeu a falar francês e alemão fluentemente. Na universidade, teve sólida formação e demonstrou ser um classicista excepcional, primeiro no Trinity College Dublin, depois na Universidade de Oxford. Associou-se à filosofia emergente do esteticismo, liderada por dois de seus tutores, Walter Pater e John Ruskin. Após a universidade, Wilde mudou-se para Londres, tendo destaque em círculos sociais e culturais e trabalhando prolificamente como jornalista. Foram eminentes, à época, suas conferências nos Estados Unidos e no Canadá sobre o Renascimento Inglês e a decoração de interiores.

Na década de 1890, refinou suas ideias sobre a arte em uma série de diálogos e ensaios e incorporou temas de crítica social, decadência, tabus e beleza em O Retrato de Dorian Gray (1890). A oportunidade de construir detalhes estéticos com precisão e combiná-los com temas sociais mais amplos e diretos levou Wilde a escrever para o teatro. Em Paris, escreveu a peça Salomé (1891) em francês, mas a apresentação foi proibida na Inglaterra durante os ensaios por, segundo as autoridades, conter referências bíblicas. No ano seguinte, lançou o ensaio A Alma do Homem sob o Socialismo (1892), seu único texto explicitamente político, de crítica à propriedade privada e em favor do socialismo, servindo de inspiração para revolucionários posteriores. Escreveu ainda quadro comédias teatrais "para gente séria", convertendo-se num dos mais famosos dramaturgos tardios da era vitoriana.

No apogeu de sua fama e sucesso, enquanto sua peça A Importância de Ser Honesto (1895) estava em cartaz, Wilde processou o pai de seu amante Alfred Douglas por difamação após ser acusado por ele de "sodomia", mas acabou sendo condenado de "atentado ao pudor" por relações com outros homens jovens. Mesmo defendendo-se, notavelmente citando no julgamento "o amor que não ousa dizer seu nome", metáfora para o homoerotismo a partir de um poema de Douglas, foi condenado e preso por dois anos, de 1895 a 1897, com trabalhos forçados. Na prisão, escreveu De Profundis, uma longa carta publicada postumamente em 1905 sobre a sua condição e um contraponto à sua filosofia hedonista anterior. Liberto, partiu imediatamente para a França, jamais retornando para a Irlanda ou a Grã-Bretanha, e onde escreveu sua última obra, "A Balada do Cárcere de Reading" (1898), poema em forma proletária em comemoração aos duros ritmos da vida na prisão. Declarado falido, de reputação arruinada e distante de seus dois filhos com Constance Lloyd, tendo apenas a fidelidade de um círculo reduzido de amigos, entre eles Robert Ross, amante e testamenteiro literário, Oscar Wilde morreu em Paris em 1900, prematuramente aos quarenta e seis anos de idade.

Oscar Fingal O'Flahertie Wills Wilde nasceu na cidade de Dublin, em 16 de outubro de 1854, quando a atual República da Irlanda ainda pertencia ao Reino Unido, na forma do Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda. O segundo de três filhos, foi criado numa família protestante (depois convertendo-se à Igreja Católica), estudou na Portora Royal School de Enniskillen e no Trinity College de Dublin, onde se sobressaiu como latinista e helenista. Ganhou depois uma bolsa de estudos para o Magdalen College, de Oxford.

Wilde saiu de Oxford em 1878, pouco antes de ter ganhado o prêmio "Newdigate" com o poema "Ravenna".

Passou a morar em Londres e começou a ter uma vida social bastante agitada, sendo logo caracterizado pelas atitudes extravagantes.

Conferências nos Estados Unidos e Canadá

Foi convidado a realizar uma extensa turnê de conferências nos Estados Unidos e no Canadá em 1882, abordando o esteticismo e a decoração doméstica em palestras como “House Decoration” e “The Decorative Arts”, nas quais defendia a presença do belo na vida cotidiana.

Em 1883, vai para Paris e entra para o mundo literário local, o que o leva a abandonar seu movimento estético. O melhor período intelectual de Oscar Wilde é o que vai de 1887 a 1895.

Matrimônio, filhos e descendentes

Depois de se formar no Magdalen College, Oscar Wilde retornou a Dublin, onde conheceu Florence Balcombe, por quem se interessou. Pouco depois, ela iniciou um relacionamento com o escritor Bram Stoker, futuro autor de Drácula, com quem se casou em 1878. Ao saber do noivado, Wilde escreveu a Balcombe anunciando sua decisão de deixar a Irlanda definitivamente. No mesmo ano, partiu para a Inglaterra, regressando ao país natal apenas duas vezes, e sempre por motivos profissionais.

Nos anos seguintes, viveu entre Londres, Paris e os Estados Unidos, para onde viajou em 1882 para realizar uma série de conferências sobre arte e estética. De volta à Inglaterra, conheceu Constance Lloyd, filha do advogado irlandês Horace Lloyd, conselheiro da Rainha Vitória. Durante uma visita de Constance a Dublin, coincidindo com uma palestra de Wilde no Teatro Gaiety, ele aproveitou a ocasião para pedi-la em casamento. O matrimônio ocorreu em 29 de maio de 1884, em Paddington, Londres. O casal instalou-se em Chelsea, bairro londrino associado a artistas e intelectuais. Como ambos haviam escrito e lecionado sobre decoração, esperava-se que a casa na Rua Tite, número 16 (atual 34), se tornasse um exemplo de bom gosto e estilo vitoriano.

Com Constance, Oscar Wilde teve dois filhos, Cyril Holland, nascido em junho de 1885, e Vyvyan Holland, em novembro 1886. Desde o nascimento do segundo filho, tornaram-se sexualmente afastados, e Wilde passou a viver mais tempo em hotéis, como o Avondale Hotel, do que na casa dos dois. Segundo o irmão de Constance, Otho Holland (Lloyd), a relação sexual entre ambos cessou e ela suspeitou da "reorientação" (o termo é do biógrafo de Wilde, Richard Ellmann) do marido apenas uma vez, e não foi até 1895, quando ela voltou para casa inesperadamente.

Eles se separaram, ainda que sem divórcio formal, com o resultado do escândalo do julgamento e condenação de Wilde por suas atividades homossexuais em 1895 (ler a seção Julgamentos). Após a prisão de Wilde, Constance mudou seu sobrenome e o de seus filhos para Holland a fim de se dissociar do escândalo e livrá-los da arruinada reputação social de Wilde, que foi obrigado a renunciar aos direitos parentais sobre os filhos. Ela o visitaria na prisão para lhe contar da morte de sua mãe, Jane Wilde, em 1896. Solto, Wilde deixaria o Reino Unido no mesmo dia e jamais retornaria, e Constance mudou-se com seus filhos para a Suíça, matriculando-os em um internato de língua inglesa na Alemanha. Por causa da recidiva do relacionamento de Wilde com Bosie (Alfred Douglas) após o ocorrido, ambos vivendo juntos em Nápoles, Constance cortou a única fonte regular de renda de Wilde, um estipêndio de £ 3 por semana, e os amantes separaram-se por dificuldades financeiras e questões pessoais. De acordo com o The Guardian, "as teorias [sobre a morte de Constance] variam de lesões na coluna após uma queda de escadas à sífilis contraída pelo marido". Ainda de acordo com o The Guardian, cartas familiares na posse de Merlin Holland, neto de Wilde, revelam sintomas da esclerose múltipla, diagnosticada de maneira errada por seus dois médicos, já que essa doença neurológica era pouco conhecida à época. Ela ficaria paralisada após uma queda na escada na casa que dividia com Wilde e morreu em 7 de abril de 1898, após cirurgia na coluna. Foi enterrada em Gênova, Itália.

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