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Oscar Pereira da Silva

Pintor, desenhista, decorador e professor brasileiro

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Oscar Pereira da Silva (São Fidélis, 29 de agosto de 1867 — São Paulo, 17 de janeiro de 1939) foi um pintor, desenhista, decorador e professor brasileiro da passagem do século XIX para o século XX.

A maior parte de sua obra é composta por paisagens e retratos, painéis decorativos em importantes espaços da cidade de São Paulo (como o Theatro Municipal), pinturas históricas para o Museu Paulista e sacras para diversas igrejas da cidade.

Pai da também pintora Helena Pereira da Silva Ohashi.

Desde menino revelou gosto pelo desenho e pela pintura. Assim, em 1882, matriculou-se na Academia Imperial de Belas Artes onde teve como contemporâneos Eliseu Visconti, Eduardo Sá e João Batista da Costa. Aluno de Zeferino da Costa, Victor Meirelles, Chaves Pinheiro e José Maria de Medeiros, em 1887, tornou-se ajudante de Zeferino da Costa na decoração da Igreja da Candelária, no Rio de Janeiro. Tal experiência gerou frutos em São Paulo, tendo a oportunidade de decorar a Igreja de Santa Cecília.

No início do século XX, em São Paulo, diversas capelas coloniais foram substituídas por edifícios neogóticos ou neocoloniais. Essa mudança deu oportunidade de trabalho para artistas decoradores como Oscar Pereira da Silva e Benedito Calixto. Além da Igreja de Santa Cecília, ambos atuaram nas igrejas de Santa Ifigênia, da Consolação e do Rosário. Pereira da Silva realizou também trabalhos decorativos para a Igreja de Nossa Senhora da Conceição.

Em Paris, em 1895 e 1895, Oscar foi pensionista do ateliê de dois dos maiores conservadores, Léon Bonnat e Jean-Léon Gérôme, que atendia aos pedidos de oficiais do regime governamental da época. O artista vivia na disciplina do ensino da École des Beaux Arts e negava-se a admitir o interesse por movimentos artísticos renovadores, com o realismo de Delacroix e menos ainda ao impressionismo, já fora das artes direcionadas aos oficiais. Na convicção de que era inadmissível um artista deformar para melhor expressar-se, essa visão era uma premissa até mesmo respeitada pelos críticos reacionários aos novos movimentos. Ou seja, nessa perspectiva, um artista poderia somente criar obras belas e assuntos nobres com exatidão, até mesmo embelezar a cruel realidade da vida.No período em que permaneceu na França, produziu diversos estudos e telas. Em 1896 retornou ao Brasil. Na cidade do Rio de Janeiro, realizou uma exposição individual no salão da Escola Nacional de Belas Artes (Enba), onde foram apresentados 33 trabalhos feitos na Europa. No mesmo ano, transferiu-se para São Paulo e lecionou no Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo (Laosp) e no Ginásio do Estado. Além disso, ministrava aulas particulares em seu ateliê. Em 1897, fundou o Núcleo Artístico, que, mais tarde, se transformaria na Escola de Belas Artes, onde deu aulas. Entre 1903 e 1911, trabalhou na decoração do Theatro Municipal de São Paulo, elaborando três murais: O Teatro na Grécia Antiga, A Dança e A Música.

Na cidade de São Paulo estão os principais trabalhos do artista, entre os quais se destacam "Escrava Romana" (1894), "Infância de Giotto" (1895), "Fundação de São Paulo" (1909) e "Desembarque de Cabral em Porto Seguro" (1900), entre outros preservados pela Pinacoteca de São Paulo e pelo Museu Paulista da Universidade de São Paulo.

Sua pintura era fechada e detalhista, muito próximo ao real. Em sua carreira prosseguiu com tal posicionamento até o final da década de 1930, enquanto se desencadeava o movimento da Semana de Arte Moderna, que em 1922 mudava o semblante da arte. Na autobiografia da filha do pintor, a também artista Helena Pereira da Silva Ohashi, após o pintor retornar de Paris em novembro de 1930, ela observa modificações na produção artística do pai.

As telas de Oscar Pereira da Silva foram compostas por telas mais despreocupadas com o acabamento e utilizando paleta mais claras. Contudo, a importância do desenho como estrutura básica e fundamental de suas composições nunca o deixou de existir na execução de suas telas. Portanto, ainda na década de 30, Pereira da Silva chegou a inclinar suas obras á mudanças estilísticas, observadas, sobretudo, na comparação entre as obras Mulher com Turbante (1903) e Menina vestida de japonesa (1904). No final desta década, em 1939 o pintor faleceu em seu ateliê enquanto trabalhava, por ataque cardíaco.

Sem evidenciar impulsos vigorosos ao poder emotivo, Oscar Pereira da Silva soube transcorrer seus 57 anos de produção intensa e permanente desde que retornou ao país. Todo cuidado de um desenho severamente elaborado, rigoroso voltou-se para o novo que a pintura adquiria nesse deslocamento do tempo.

Capitais, como as latino-americanas que alcançavam lugares de destaque econômico, político e cultural, necessitavam, bem como era fundamental, construírem-se como capitais simbólicas. São Paulo, por exemplo, continha elites ligadas a cafeicultura, as quais assumiam cada vez mais um papel de destaque no canário político, devido a instauração da República no país, o qual dominava o sistema político. Desse modo, firmou-se a identidade regional e a visão nacional. Assim, rivalizava as narrativas nacionais geradas na capital do país, sobretudo aquelas que frisava o papel da cidade do Rio de Janeiro e da antiga monarquia na constituição da nação.

Por meio do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo, os intelectuais, neste novo contexto, empenhavam-se na tarefa de criar uma historiografia que destacasse os feitos paulistas. A construção da imagem da história da cidade foi acompanhada e elaborada de imagens capazes de fixar no imaginário social as narrativas que os historiadores paulistas desejaram criar. O novo contexto político brasileiro, onde as elites dos estados disputavam a hegemonia, domínio político nacional e o crescente poder dos paulistas, gerou a produção de iconografias locais, destinadas à decoração, por exemplo, dos palácios governamentais dos estados brasileiros. Foi por esse motivo que, o governo paulista passou a encomendar e adquirir pinturas históricas, a fim de construir uma narrativa ilustrada da nação, que colocasse em destaque o estado que então liderava a República.

Oscar Pereira da Silva, ciente da importância desse gênero artístico para as elites políticas de São Paulo, na época buscou estabelecer-se como pintor de história, gênero mais importante do sistema acadêmico. Isso iria trazer-lhe maior prestígio e lhe garantia contratos públicos. Sua primeira tentativa neste sentido foi a produção do quadro Desembarque de Pedro Álvares Cabral em Porto Seguro, realizado em 1900, e vendido ao governo paulista em 1902.

Sabe-se que Oscar Pereira da Silva produziu algumas pinturas ao mesmo tempo em que Benedito Calixto executava as suas na igreja de Santa Cecília. Assim, a decoração é compreendida por um pequeno conjunto de pinturas, sendo duas para as abóbadas laterais do transepto e os quatro Evangelistas. Nas capelas, Oscar pintou a Imaculada Conceição e os Esponsais de São José e, para completar o conjunto, figuraram em friso ao redor da nave diversos retratos de clérigos.

Apesar da pequena quantidade de obras, o conjunto possui qualidades e está perfeitamente vinculado à produção calixtiana e aos anseios de Dom Duarte. Sua pintura religiosa apresenta uma leveza que distancia o sofrimento das cenas de martírio e do sofrimento de Cristo. Assim, Oscar se diferencia de Calixto, uma vez que este vincula sua produção religiosa à correção histórica, a fim de desenvolver um discurso de piedade visual. Pereira da Silva executa os dois painéis laterais da Igreja que, por terem o formato abobadado causam a impressão de acolhimento, de abençoar o fiel que ali está em busca de conforto espiritual. Embora, a produção de Oscar Pereira da Silva se diferencia do caráter histórico, científico e arqueológico de Calixto, nessa produção propõe-se uma quase alegoria em sua pintura edulcorada, que de maneira firme ainda consegue conservar sua suavidade.

Um de seus primeiros quadros a destacar é Sansão e Dalila. Sua composição é exemplar, autêntica e de composição extremamente expressiva e realista. Das séries realizada pelo pintor nos dez primeiros anos de atividade, já em São Paulo, o pintor começa a se dedicar a temas locais, tanto históricos como de gênero. Filia-se, portanto, a linha de Almeida Júnior, da qual a obra serviu de estímulo de muitos pintores que atuaram na cidade de São Paulo no início deste século. Semelhantemente, sucede Benedito Calixto, que soma a Almeida júnior e formam um trio marcante na temática paulista na pintura brasileira.

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