A Operação Contenção foi iniciada em 28 de outubro de 2025 pelo Governo do Estado do Rio de Janeiro para conter o avanço do Comando Vermelho (CV). Aproximadamente 2 500 agentes policiais participaram e executaram 100 mandados de prisão para deter integrantes da facção criminosa em 26 comunidades da Zona Norte do Rio de Janeiro, principalmente nos complexos da Penha e do Alemão.
Confrontos intensos ocorreram durante todo o dia. Organizações criminosas incendiaram barricadas e usaram bombas lançadas por drones contra as equipes das forças especiais. A operação apreendeu mais de uma tonelada de drogas e 118 armas, incluindo 93 fuzis, e houve 121 mortes. O governador do estado, Cláudio Castro, declarou sem provas e ainda antes da identificação dos 117 corpos, que todos os mortos eram criminosos e classificou a operação como "um sucesso." Destes, embora dois não tenham sido identificados, 108 tiveram comprovada sua ligação à facção Comando Vermelho, com 97 tendo histórico criminal relevante e 59 com mandados de prisão. Apesar da avaliação oficial, a ação não resultou na prisão de Doca, apontado como um dos principais líderes do Comando Vermelho e considerado o alvo central da megaoperação.
O número de mortos na operação ultrapassou o do massacre do Carandiru, tornando-a a mais letal da história do Brasil.
Organização criminosa mais antiga em atividade no Brasil, o Comando Vermelho (CV), surgiu na década de 1970 no Instituto Penal Cândido Mendes, em Ilha Grande, quando presos políticos de esquerda foram encarcerados junto a presos comuns, influenciando-os com táticas de guerrilha urbana. Inicialmente chamada Falange Vermelha, a facção expandiu-se nas décadas seguintes e consolidou redes em diferentes estados brasileiros. Os complexos do Alemão e da Penha tornaram-se áreas estratégicas para o CV por concentrarem circulação, logística e pontos de arrecadação, com histórico de presença de lideranças e armamento pesado. Investigações da Polícia Federal aponta o fornecimento de armas por um empresário dono de clube de tiro em Americana, SP.
Em 2024–2025, relatórios e coberturas indicaram intensificação do tráfico e maior profissionalização de quadrilhas, inclusive com rotas interestaduais e internacionais, elevando a pressão por ações de grande porte contra o CV. Autoridades estaduais vinham apontando a presença de foragidos e quadros do CV nas áreas-alvo, além da chegada de integrantes de outras regiões do país, o que reforçou a leitura de “santuários” para a facção no Rio.
Às vésperas de eventos ligados à Grupo C40 de Grandes Cidades para a Liderança Climática (como o C40 e o Premio Earthshot), o contexto de segurança pública ganhou centralidade na agenda estadual e federal, com sinalização de reforço operacional e de coordenação entre órgãos. Esta operação ocorreu uma semana antes a cidade sediar a cúpula destes eventos.
Investigações da Polícia Federal apontam que parte dos fuzis da facção foram confeccionados em duas fábricas clandestinas na cidade de Santa Bárbara d'Oeste, em São Paulo e Belo Horizonte, em Minas Gerais.
A operação foi lançada durante a madrugada para o cumprimento de cerca de cem mandados de prisão. As equipes policiais que chegaram aos locais ainda no fim da madrugada do dia 28 encontraram traficantes fortemente armados e enfrentaram uma forte resistência por parte dos traficantes, que rapidamente ergueram barreiras e barricadas, algumas em chamas, em diversas áreas dos dois complexos. Em retaliação, os criminosos também utilizaram drones e bombas contra os policiais.
Um total de 123 pessoas foram presas, sendo 113 adultos e 10 adolescentes (estes, apreendidos). Destes, 17 foram presos por mandados de prisão prévios, 82 por prisões em flagrante; 61 tinham antecedentes criminais e 30 eram egressos dos sistema, isto é, já haviam sido presos anteriormente. 29 presos eram de outros estados, sendo: 17 da Bahia, 5 do Pará, 3 de Pernambuco, 1 do Espírito Santo, 1 do Maranhão, 1 da Paraíba e 1 de Santa Catarina.
Foram apreendidas 122 armas, sendo 96 fuzis, 25 pistolas, 1 revólver, 260 carregadores e aproximadamente 5 600 munições, além de 12 artefatos explosivos e 15 veículos. O prejuízo estimado da facção criminosa somente com os fuzis foi de 5 milhões de reais. Dentre as armas apreendidas, duas tinham a inscrição "CV AM" (Comando Vermelho do Amazonas), e uma "Tropa de Manaus". Alguns dos fuzis foram desviados das forças armadas brasileiras, argentinas, peruanas e venezuelanas.
Também foram apreendidas 2 toneladas de maconha e aproximadamente 22 kgs de cocaína.
O líder da facção, Edgard Alves de Andrade, vulgo Doca, conseguiu escapar, tendo contado com a ajuda de 70 criminosos. O governo do estado ofereceu uma recompensa de cem mil reais por informações que levem à sua captura.
Em retaliação, criminosos aliados atearam fogo em veículos, espalharam caçambas de lixo e posicionaram atravessados nas vias um total de 71 ônibus, com o objetivo de bloquear importantes vias da cidade do Rio de Janeiro, como a Avenida Brasil, Linha Amarela, Linha Vermelha, Autoestrada Grajaú-Jacarepaguá, Centro, Rio Comprido, Tijuca, Vila Isabel, Engenho Novo, Méier, Cascadura, Engenho da Rainha, Freguesia, Taquara, Cidade de Deus, Anchieta, Guadalupe, Chapadão, Complexo do Alemão e Complexo da Penha, além da BR-101, em São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio.
Os trens, metrô, VLT e barcas seguiram funcionando normalmente — com eventuais filas nos acessos devido ao alto número de passageiros que tentavam embarcar simultaneamente na volta antecipada para casa — mas como eles não abrangem todas as áreas da cidade, muitas pessoas tiveram de transitar para suas casas a pé, em especial na Zona Sudoeste. O sindicato das empresas de ônibus determinou que as empresas recolhessem os ônibus, fato até então inédito.
A Polícia Militar também informou a ocorrência de tiroteios provenientes de criminosos do Morro do Dezoito, em Água Santa, que dispararam contra a Linha Amarela.
No dia seguinte da operação policial, com a retirada do efetivo do território, o clima de medo de uma grande reação se instaurou e muitos comerciantes preferiram fechar as lojas e a população ficar em casa, já que o Estado não ocupou as comunidades para garantir a segurança de seus moradores e dos bairros do entorno após o evento, diferente da operação de implantação das Unidades de Polícia Pacificadores onde as forças policiais entraram e ficaram nas comunidades.
Três policiais civis e dois policiais militares foram mortos. Outros quinze policiais ficaram feridos, dois em estado grave. Um dos feridos, o delegado-adjunto da Delegacia de Repressão a Entorpecentes, Eduardo Leal, precisou ter uma perna amputada após ser baleado na coxa.
Os policiais que morreram foram: Rodrigo Velloso Cabral (34 anos, inspetor da Polícia Civil); Marcus Vinícius Cardoso de Carvalho (51 anos, policial civil); Rodrigo Vasconcellos Nascimento (policial civil); sargento do BOPE Cleiton Serafim Gonçalves (42 anos) e o também sargento do BOPE Heber Carvalho da Fonseca (39 anos). Alguns deles deixaram filhos e esposas. Os policiais foram homenageados em cerimônias na Praia de Copacabana e no Distrito Federal.