Omar ibne Abedalazize (em árabe: عمر بن عبد العزيز; romaniz.: ʿUmar ibn ʿAbd al-ʿAzīz; Medina, c. 680 – Dair Simã, fevereiro de 720), também conhecido como Omar II, foi o oitavo califa do Califado Omíada, governando de 717 até sua morte, em 720. Membro da dinastia omíada, pertencia ao ramo maruânida por parte de pai e era bisneto materno do segundo califa ortodoxo, Omar (r. 634–644). Distinguiu-se dos demais governantes omíadas por sua reputação de piedade, justiça e austeridade, sendo frequentemente apresentado pela tradição muçulmana como um modelo de governante islâmico.
Filho de Abedalazize ibne Maruane, governador do Egito, Omar passou parte da infância naquela província e recebeu sua formação religiosa em Medina. Em 706, foi nomeado governador do Hejaz pelo califa Alualide I, cargo que exerceu até 712. Durante seu governo, promoveu a ampliação da Mesquita do Profeta, favoreceu os estudiosos religiosos e adotou uma administração considerada moderada pelas fontes tradicionais. Após sua destituição, permaneceu próximo à corte omíada e tornou-se um dos principais conselheiros de Solimão ibne Abalmaleque, que o designou como sucessor pouco antes de morrer, em setembro de 717. Sua ascensão contrariou a expectativa de que o califado continuasse exclusivamente entre os descendentes diretos de Abalmaleque ibne Maruane.
Durante seu breve reinado, Omar procurou reformar a administração provincial, combater os abusos dos governadores e promover maior igualdade entre os muçulmanos árabes e os não árabes, conhecidos como maulas. Suas reformas fiscais incluíram a isenção da jizia para os convertidos ao Islão, acompanhada de medidas destinadas a preservar a arrecadação do caraje, imposto territorial. Também procurou impedir a apropriação privada de terras públicas, promoveu a preservação dos hádices e encerrou a prática oficial de amaldiçoar Ali durante os sermões religiosos. Na política militar, ordenou a retirada das tropas omíadas do malsucedido cerco de Constantinopla, embora tenha mantido operações defensivas e incursões nas fronteiras do califado.
Omar morreu em fevereiro de 720, após menos de três anos de governo, e foi sucedido por Iázide II. Sua reputação de governante justo e piedoso foi preservada tanto por autores muçulmanos posteriores quanto por adversários da dinastia omíada. Em determinados círculos religiosos, especialmente em Medina, chegou a ser identificado com o Mádi, figura associada à restauração da justiça. Embora a curta duração de seu reinado dificulte a avaliação dos resultados de suas reformas, sua imagem ocupa uma posição singular na tradição historiográfica islâmica, que frequentemente o distingue dos demais califas omíadas.
Omar provavelmente nasceu em Medina por volta de 680. Seu pai, Abedalazize ibne Maruane, pertencia à família reinante da dinastia omíada, estabelecida na cidade, enquanto sua mãe, Laila binte Ácime, pertencia ao clã dos aditas, da tribo dos coraixitas, e era neta do segundo califa ortodoxo, Omar (r. 634–644). Assim como seu bisavô, Omar possuía a cúnia (tecnônimo) Abu Háfece. Sua descendência do segundo califa seria posteriormente bastante enfatizada pelos historiadores, que procuravam distinguir seu caráter e governo daqueles dos demais califas omíadas.
Na época de seu nascimento, outro ramo dos omíadas, os sufiânidas, governava a partir de sua capital, Damasco. Após as mortes sucessivas do califa Iázide I (r. 680–683) e de seu filho e sucessor, Moáuia II (r. 683–684), em 683 e 684, a autoridade omíada entrou em colapso em grande parte do califado. Os omíadas do Hejaz, incluindo os de Medina, foram expulsos pelos partidários do califa rival Abedalá ibne Azobair (r. 683–692), estabelecido em Meca. Os exilados omíadas refugiaram-se na Síria, onde tribos árabes leais apoiavam a dinastia. O avô de Omar, Maruane I (r. 684–685), foi reconhecido como califa por essas tribos e, com seu apoio, restabeleceu o domínio omíada sobre a Síria.
Em 685, Maruane expulsou do Egito o governador de Ibne Azobair e nomeou o pai de Omar para governar a província. Omar passou parte da infância no Egito, particularmente em Heluã, que se tornou a sede do governo de seu pai entre 686 e sua morte, em 705. Recebeu sua educação em Medina, reconquistada pelos omíadas em 692, durante o reinado de seu tio paterno, o califa Abalmaleque ibne Maruane (r. 685–705). Como passou grande parte da juventude em Medina, Omar desenvolveu vínculos com os homens piedosos da cidade e com os transmissores de hádices. Após a morte de seu pai, Abalmaleque convocou Omar a Damasco.
Pouco depois de sua ascensão, Alualide I (r. 705–715), filho e sucessor de Abalmaleque, nomeou Omar governador de Medina, cargo que exerceu de 706 a 712. Segundo Julius Wellhausen, Alualide pretendia utilizar Omar para reconciliar os habitantes de Medina com o domínio omíada e apagar as lembranças negativas dos governadores anteriores, especialmente Hixame ibne Ismail Almaquezumi, cujo governo havia sido severo com a população. Omar assumiu o cargo em fevereiro ou março de 706, e sua jurisdição foi posteriormente ampliada para incluir Meca e Taife. As informações sobre seu governo são escassas, mas a maioria dos relatos tradicionais descreve-o como um governador justo, segundo o historiador Paul M. Cobb. Frequentemente dirigia a peregrinação anual do haje em Meca e favorecia os estudiosos da jurisprudência islâmica de Medina, especialmente Saíde ibne Almuçaíbe. Omar tolerava as críticas abertas que muitos desses estudiosos dirigiam à conduta do governo omíada. Outros relatos, entretanto, apresentam-no como materialista durante o início de sua carreira. Por ordem de Alualide, Omar iniciou em 707 a reconstrução e ampliação da Mesquita do Profeta, em Medina. Sob seu governo geralmente moderado, o Hejaz tornou-se um refúgio para exilados políticos e religiosos iraquianos que fugiam das perseguições de Alhajaje ibne Iúçufe, poderoso vice-rei de Alualide sobre a metade oriental do califado. Segundo Cobb, essa circunstância acabou provocando sua destituição, pois Alhajaje pressionou o califa a afastá-lo em maio ou junho de 712. Por influência de Alhajaje, Alualide convocou Omar de volta e dividiu o Hejaz em províncias separadas, nomeando Otomão ibne Haiane Almurri governador de Medina e Calide ibne Abedalá ibne Calide ibne Acide governador de Meca.
Cortesão de Alualide e Solimão
Apesar de sua destituição, Omar permaneceu nas boas graças de Alualide, pois era irmão da primeira esposa do califa, Ume Albanine binte Abedalazize. Permaneceu na corte de Alualide, em Damasco, até a morte do califa, em 715, e, segundo o historiador do século IX Aliacubi, dirigiu suas orações fúnebres. O irmão e sucessor de Alualide, Solimão ibne Abalmaleque (r. 715–717), tinha Omar em elevada consideração. Ao lado de Rajá ibne Haiua, influente figura religiosa da corte omíada, Omar atuou como um dos principais conselheiros de Solimão. Acompanhou-o quando dirigiu a peregrinação do haje a Meca, em 716, e no retorno a Jerusalém. Também esteve ao lado do califa no acampamento de mobilização muçulmano em Dabique, no norte da Síria, de onde Solimão dirigia o enorme esforço militar destinado à conquista de Constantinopla, capital do Império Bizantino, em 717.
Segundo as fontes tradicionais muçulmanas, quando Solimão se encontrava em seu leito de morte, em Dabique, Rajá convenceu-o a designar Omar como sucessor. O filho de Solimão, Aiube ibne Solimão, havia sido inicialmente escolhido como herdeiro, mas morreu antes do pai, enquanto seus outros filhos eram demasiado jovens ou estavam ausentes, combatendo na fronteira bizantina. A nomeação de Omar contrariava os desejos de Abalmaleque, que pretendia restringir o califado a seus descendentes diretos. A escolha de Omar, integrante de um ramo secundário da dinastia, em detrimento dos numerosos descendentes de Abalmaleque, surpreendeu esses príncipes. Segundo Wellhausen, ninguém esperava essa decisão, nem mesmo Omar. Rajá conduziu os preparativos sucessórios, convocando os príncipes omíadas à mesquita de Dabique e exigindo que reconhecessem o testamento de Solimão, cujo conteúdo mantivera em segredo. Somente depois de os omíadas aceitarem revelou que Omar era o sucessor escolhido pelo califa. Hixame ibne Abalmaleque manifestou oposição, mas cedeu após ser ameaçado com o uso da força. Um possível conflito dinástico foi evitado mediante a designação de outro filho de Abalmaleque, Iázide II, como sucessor de Omar. Segundo o historiador Reinhard Eisener, o papel de Rajá nesses acontecimentos provavelmente foi exagerado. Para ele, uma explicação mais plausível seria que a sucessão de Omar resultou de padrões tradicionais de senioridade e de direitos sucessórios fundamentados, derivados da designação original de seu pai, Abedalazize, por Maruane I como sucessor de Abalmaleque. Essa sucessão não se concretizara porque Abedalazize morreu antes de Abalmaleque. Omar assumiu o califado sem oposição significativa em 22 de setembro de 717.