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Olivia de Havilland

Atriz britânica (1916-2020)

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Olivia Mary de Havilland DBE • ONLH (Tóquio, 1 de julho de 1916 – Paris, 26 de julho de 2020) foi uma atriz britânico-américo-francesa nascida no Japão. Uma das mais respeitáveis estrelas da chamada era de ouro do cinema americano, era uma dentre as poucas que foram contempladas em mais de uma ocasião com o Oscar de melhor atriz. Sua irmã mais nova era a também atriz Joan Fontaine, que fora igualmente uma vencedora do Oscar de melhor atriz (ambas são, até os dias de hoje, as únicas atrizes irmãs a serem recompensadas com o prêmio).

De Havilland ficou conhecida pela parceria com o astro Errol Flynn, co-estrelando oito filmes ao seu lado, sendo o mais notório "The Adventures of Robin Hood" (1938), tido como um dos maiores clássicos dentre os filmes de aventura. Seu papel mais conhecido, entretanto, talvez seja o da caridosa Melanie Hamilton em "Gone with the Wind" (1939), pelo qual recebeu a primeira de suas cinco indicações ao Oscar - a única na categoria melhor atriz coadjuvante. Dois anos mais tarde ela receberia uma outra indicação ao prêmio, porém como melhor atriz, ao interpretar uma ingênua professora no filme "Hold Back the Dawn" (1941). A Warner Bros., estúdio do qual Olivia era contratada em seus primeiros anos, criou para Olivia o estereótipo da moça ingênua, o que com o passar do tempo a deixou frustrada, pois ela buscava provar que sua capacidade artística a permitia ir além - o que foi comprovado, após anos de lutas pela quebra desse estereótipo, através de suas performances em filmes como "To Each His Own" (1946), "The Snake Pit" (1948), e "The Heiress" (1949); tais filmes marcaram uma fase de ouro em sua brilhante carreira, que conheceu uma sucessão indicações ao Oscar de melhor atriz - e duas vitórias, por "To Each His Own" e "The Heiress", este último o que lhe rendeu a fama de "Rainha do Drama nas Telas". Ela também foi bem sucedida nos palcos e na televisão. De Havilland morou em Paris a partir da década de 1950 e foi condecorada com a Medalha Nacional das Artes em 2008 e a Ordem Nacional da Legião de Honra em 2010, além de ter recebido o título de Dama Comandante da Ordem do Império Britânico em 2017, aos 101 anos, pela Rainha Elizabeth II por serviços prestados à arte, tornando-se, então, a mulher mais velha a receber esta condecoração.

Além de sua carreira no cinema, de Havilland continuou seu trabalho no teatro, aparecendo três vezes na Broadway em "Romeu e Julieta" (1951), "Candida" (1952), e "A Gift of Time" (1962). Também trabalhou na televisão, aparecendo na minissérie de sucesso "Raízes: Próximas Gerações" (1979) e em "Anastasia: The Mystery of Anna" (1986), pelo qual ela recebeu uma indicação ao Prêmio Emmy e ganhou o Globo de Ouro de melhor atriz coadjuvante em televisão. Durante sua carreira no cinema, de Havilland também recebeu dois Prêmios New York Film Critics Circle de melhor atriz e a Coppa Volpi do Festival de Cinema de Veneza.

De Havilland recebeu uma estrela na Calçada da Fama de Hollywood quando a mesma fora inaugurada em 1960. Ela também tornou-se uma defensora pioneira dos direitos de atores e atrizes, sendo criada, graças aos seus esforços, uma lei que passou a levar o seu nome, validada com o objetivo de assegurar à classe artística mais autonomia e liberdade criativa. Em 1999, ela foi nomeada uma das 500 grandes lendas do cinema pelo Instituto Americano de Cinema.

Olivia Mary de Havilland nasceu em 1 de julho de 1916, em Tóquio, no Japão, filha de pais naturais do Reino Unido. Seu pai, Walter Augustus de Havilland (31 de agosto de 1872 — 23 de maio de 1968), era filho do Reverendo Charles Richard de Havilland, que viera de uma família de Guernsey, nas Ilhas do Canal. Walter graduou-se na Universidade de Cambridge e trabalhou como professor de inglês e francês da Universidade Imperial de Tóquio, antes de se tornar um advogado de patentes com prática no Japão. A mãe de Olivia, Lilian Augusta de Havilland (nascida Lilian Augusta Ruse; 11 de junho de 1886 — 20 de fevereiro de 1975), estudou na Academia Real de Artes Dramáticas, em Londres, e se tornou atriz de teatro, deixando a carreira após ir para Tóquio com o marido. Sua mãe voltaria a trabalhar com o nome artístico de Lillian Fontaine na década de 1940. Por nascimento, a família de Havilland pertencia a uma pequena nobreza originária da Normandia continental.

Sua irmã mais nova, Joan de Beauvoir de Havilland (22 de outubro de 1917 — 15 de dezembro de 2013), conhecida pelo nome artístico de Joan Fontaine, se tornaria, tal como a própria Olivia, uma das mais admiradas estrelas do cinema. Joan foi musa do diretor Alfred Hitchcock, estrelando filmes como "Rebecca" (1940) e "Suspeita" (1941). Olivia de Havilland e Joan Fontaine são, até hoje, as únicas atrizes a serem irmãs a terem vencido o Oscar de melhor atriz pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas. Elas também eram primas de Sir Geoffrey de Havilland (27 de julho de 1882 — 21 de maio de 1965), que era filho de um meio-irmão de seu pai. Geoffrey tornou-se pioneiro da aviação britânica e projetista de aeronaves, e foi responsável pela criação do avião De Havilland Mosquito, e também fundador da empresa de aviões que levava seu nome.

Sua mãe saíra da Inglaterra para o Japão a fim de visitar um irmão que trabalhava como professor na Universidade de Tóquio; foi quando acabou conhecendo seu pai, então professor na Universidade, com quem se casou em 1914. Mas essa não foi uma união feliz devido às infidelidades de Walter. Em fevereiro de 1919, Lilian convenceu o marido a levar a família de volta à Inglaterra, pois lá encontrariam um clima mais adequado para a saúde das filhas. A família parou na Califórnia, nos Estados Unidos, para tratar Olivia, com saúde fragilizada devido a uma bronquite. Quando Joan contraiu pneumonia, Lilian decidiu permanecer com as filhas na Califórnia, onde se estabeleceram na cidade de Saratoga, a cerca de 80 km ao sul de São Francisco. Seu pai abandonou a família e voltou para a amante japonesa, que se tornaria sua segunda esposa. O divórcio de seus pais não foi finalizado até fevereiro de 1925.

Embora tivesse abandonado a carreira de atriz, Lilian ensinava as filhas a apreciarem as artes, sempre lendo Shakespeare para as crianças (o próprio nome de Olivia fora escolhido por causa da personagem Lady Olivia, da peça "Twelfth Night"), e também ensinando-lhes música e declamação. Por isso, Olivia apreciava a arte, chegando a ter aulas de balé desde os quatro anos e aulas de piano um ano depois. Ela aprendeu a ler antes dos seis anos, e sua mãe, que ocasionalmente ensinava teatro, música e elocução, a fez recitar passagens de Shakespeare para fortalecer sua dicção. Durante este período, sua irmã mais nova Joan começou a chamá-la de "Livvie", um apelido que duraria por toda a vida. De Havilland entrou na Escola de Gramática de Saratoga em 1922 e se saiu bem em seus estudos. Ela gostava de ler, escrever poesia e desenhar, e uma vez representou sua escola primária em um concurso de ortografia do condado, ficando em segundo lugar. Em abril de 1925, depois do divórcio com Walter ter sido finalizado, Lilian casou-se novamente, desta vez com um proprietário de uma loja de departamentos chamado George Milan Fontaine, um bom provedor e um homem de negócios respeitável, embora seu estilo parental rígido gerava animosidade e, mais tarde, rebelião em ambas as novas enteadas. O sobrenome deste, que fora adotado por Lilian em razão de seu segundo casamento, seria usado por Joan quando, ao virar atriz, decidira criar um nome artístico. A infância de Joan e Olivia seria marcada por desentendimentos, brigas que, por sua vez, gerariam uma rivalidade entre as irmãs que se estenderia ao longo de suas vidas.

De Havilland frequentou a Escola de Gramática de Saratoga, o Convento de Garotas Católicas de Notre-Dame, em Belmont, e a Los Gatos High School, em Los Gatos; hoje a escola de Los Gatos oferece um prêmio com o nome de Olivia para jovens atores. No colégio, ela se destacou na oratória e no hóquei em campo, além de ter participado do clube de teatro e drama da escola. Em 1933, de Havilland fez sua estreia teatral amadora interpretando Alice em "Alice in Wonderland", uma produção dos Intérpretes da Comunidade de Saratoga, inspirada na obra homônima de Lewis Carroll. De Havilland relembrou, anos mais tarde, a sua primeira experiência ao atuar:

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