Oliver Hazard Perry Throck Morton (4 de agosto de 1823 – 1 de novembro de 1877), mais conhecido como Oliver P. Morton, foi um político norte-americano do estado de Indiana. Ele serviu como o 14º governador de Indiana durante a Guerra de Secessão e foi um forte aliado do Presidente Abraham Lincoln. Durante a guerra, Morton reprimiu a Assembleia Geral de Indiana, que era controlada pelo Partido Democrata. Ele excedeu sua autoridade constitucional ao convocar a milícia estadual sem aprovação, e durante o período de supressão legislativa ele financiou o governo através de empréstimos privados e federais. Ele foi criticado por prender e deter inimigos políticos e suspeitos de simpatizar com o sul.
Durante seu segundo mandato como governador, após ser parcialmente paralisado por um acidente vascular cerebral, Morton foi eleito para o Senado dos Estados Unidos. Ele foi o líder dos Republicanos Radicais sobre a reconstrução dos Estados Unidos, e foi a favor de vários projetos de lei criados para punir e reformar os Estados Confederados. Em 1877, durante seu segundo mandato no senado, Morton sofreu um segundo acidente vascular cerebral que rapidamente agravou sua saúde; ele morreu mais tarde no mesmo ano. Sua morte foi lamentada em nível nacional e seu esquife foi visto por milhares de pessoas antes de ser enterrado no Cemitério Crown Hill em Indianápolis.
Morton nasceu perto da pequena vila de Salisbury, Condado de Wayne, Indiana, no dia 4 de agosto de 1823. Seu nome de família, Throckmorton, foi encurtado para Morton por seu avô, porém os homens usavam Throck como nome do meio. Ele foi nomeado em homenagem a Oliver Hazard Perry, um vitorioso comodoro da Batalha do Lago Erie. Desde jovem Morton não gostava de seu nome, e antes de começar sua carreira política ele começou a usar Oliver Perry Morton. Sua mãe morreu quando Morton tinha três anos, e ele foi criado por seus avós maternos. Ele passou a maior parte de sua infância com eles em Ohio.
Morton e seu irmão mais velho não completaram o colégio, porém juntos tornaram-se fabricantes de chapéus. Quando adolescente, ele mudou-se para Centerville, Indiana, para abrir um negócio próprio. Após quatro anos, Morton ficou insatisfeito e decidiu tornar-se advogado. Ele estudou na Universidade de Miami de 1843 a 1844. Depois disso ele brevemente cursou a Universidade de Cincinnati para completar seus estudos. Ele voltou para Centerville em 1845 e entrou para a associação do tribunal. Ele formou um escritório de advocacia com Judge Newman e tornou-se um advogado de sucesso e moderadamente rico. No mesmo ano, ele casou-se com Lucinda Burbank; juntos tiveram cinco filhos, porém apenas dois chegaram a idade adulta.
Em 1842, Morton, a pedido de Newman, fez campanha e foi eleito para servir como juiz da corte do condado, porém renunciou um ano depois; ele percebeu que gostava mais de ser advogado. Morton havia sido um Democrata por toda sua vida adulta, porém, por morar em uma área dominada pelo Partido Whig, ele tinha poucas esperanças de uma carreira política senão trocasse de partido.
Após a revogação do Compromisso do Missouri, o Partido Democrata começou a passar por uma grande divisão, e Morton aliou-se com a ala pró-abolicionista. Com a aprovação do Ato de Kansas-Nebraska, o Partido Democrata de Indiana começou a expulsar seus membros anti-escravagistas, incluindo Morton. Ele, junto com muitos outros, filiou-se em 1854 ao partido Know Nothing, concorrendo a governador contra Ashbel P. Willard, porém ele foi derrotado. Morton trocou de partido novamente após o colapso do Know Knothing, indo para o Partido Republicano. Ele foi um dos fundadores do partido, servindo como representante do estado na Convenção Nacional Republicana de 1856, em Pittsburgh. Seus discursos contra a escravatura lhe tornaram popular entre o partido de Indiana. Ele foi elogiado por sua fala "simples e convincente", e seus contemporâneos disseram que ele não era "eloquente ou espirituoso", mas sim "lógico e sensato". No mesmo ano, Morton foi unanimemente escolhido como o candidato republicano a governador. Apesar da grande campanha, ele foi novamente derrotado por Willard.
Os Republicanos indicaram Morton para vice-governador em 1860 na chapa que tinha o mais popular Henry Smith Lane para governador. Os dois homens eram muito populares no partido, e nenhum queria concorrer contra o outro em uma convenção e danificar suas chances de vitória na eleição. Os líderes do partido tinham arranjado que caso a chapa fosse vitoriosa, a Assembleia Geral de Indiana elegeria Lane para o Senado dos Estados Unidos e Morton tornaria-se governador, também assumindo que os Republicanos ficassem com o controle da assembleia. A campanha foi longa e focou-se principalmente nas questões da nação e na possibilidade de guerra civil. Eles venceram a eleição, e um dia após a posse Lane foi escolhido para o senado. Ele renunciou imediatamente e Morton o sucedeu como governador.
Morton foi governador de Indiana durante seis anos e fortemente apoiou a União durante a Guerra de Secessão. Ele reuniu homens e dinheiro para o Exército da União, e suprimiu com sucesso os simpatizantes da Confederação dentro do estado. Ele era o líder do Partido Republicano de Indiana e confrontou os Democratas, especialmente a ala pacífica (os "Copperheads").
Durante o início de seu mandato, Morton achava que a guerra era algo inevitável e começou a preparar seu estado. Ele nomeou homens conhecidos por serem contra os estados do sul para posições no gabinete. Ele estabeleceu um arsenal estadual e empregou setecentos homens para produzir munição e armas sem permissão legislativa para isso, fazendo também outras preparações. Quando a guerra finalmente começou em 12 de abril de 1861, ele enviou um telegrama ao Presidente Abraham Lincoln três dias depois para informar que ele já tinha dez mil soldados preparados para suprimir a rebelião.
Lincoln e Morton mantiveram uma aliança durante a guerra, apesar do presidente ter sido cauteloso em relação a impiedade do governador. Lincoln disse certa vez que Morton era "às vezes a pessoa mais astuta que conheço". Morton foi as últimas consequências para garantir que Indiana contribuísse o máximo possível para o esforço de guerra. Morton escreveu para Lincoln afirmando que "nenhum outro estado livre é tão povoado por sulistas", e que eles o impediram de ser tão vigoroso quanto desejava contra a secessão. Em 1862, ele compareceu a Conferência dos Governadores de Guerra em Altoona, Pensilvânia, organizada pelo governador Andrew Gregg Curtin, que deu a Lincoln o apoio que ele precisava para a Proclamação de Emancipação.
Conflito com a Assembleia Geral
Morton conseguiu manter o estado unido durante a primeira fase da guerra, mas quando a emancipação tornou-se uma questão em 1862 os Republicanos sofreram uma grande derrota nas eleições, e ele acabou perdendo o apoio da maioria Democrata da assembleia legislativa. Por os novos legisladores discordarem dele, Morton começou a circular rumores de que eles estavam querendo separar Indiana da União e juntar-se a Confederação, instigar revoltas e abrigar espiões do sul. A atmosfera criada pelas acusações piorou as tensões entre os dois partidos e criou um confrontamento, que provavelmente já era inevitável.
Ele já havia feito várias ações inconstitucionais, e os Democratas tentaram controlá-lo. Quando os legisladores tentaram tirar a milícia estadual de seu comando e transferi-la para o conselho de comissários Democratas, Morton imediatamente rompeu com a Assembleia Geral. Ele temia que se os Democratas assumissem o comando da milícia eles iriam depô-lo como governador e se separarem da União. Ele enviou instruções secretas para os legisladores Republicanos, pedindo para eles não comparecerem ao capitólio estadual para impedir que a Assembleia Geral conseguisse o quórum necessário para aprovar alguma legislação. Com ajuda de Morton, os Republicanos fugiram para Madison onde poderiam rapidamente entrar no Kentucky se os Democratas tentassem trazê-los de volta a força para o capitólio.