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Olavo Setúbal

Engenheiro, industrial, banqueiro, e político brasileiro, ex prefeito de São Paulo

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Olavo Egídio de Souza Aranha Setúbal (São Paulo, 16 de abril de 1923 — São Paulo, 27 de agosto de 2008) foi um engenheiro, industrial, banqueiro e político brasileiro. Fundador da Deca e figura central na transformação do Banco Itaú em uma das maiores instituições financeiras do país, ocupou também a chefia da Itaúsa, holding do grupo. Na vida pública, governou a cidade de São Paulo como prefeito nomeado (1975–1979) e chefiou a diplomacia brasileira como Ministro das Relações Exteriores no início do Governo Sarney (1985–1986).

Filho do advogado, político, poeta e escritor Paulo Setúbal e de Francisca Egídio de Sousa Aranha, pertencia a uma das mais tradicionais famílias da elite paulista. Era neto do deputado federal e vice-presidente da província de São Paulo Olavo Egídio de Sousa Aranha, trineto da viscondessa de Campinas, do visconde de Indaiatuba e do barão de Sousa Queirós, sobrinho-neto de Osvaldo Aranha, sobrinho-bisneto do marquês de Três Rios, da baronesa de Itapura e da baronesa de Anhumas, sobrinho-trineto do visconde de Vergueiro, do barão de Limeira e da marquesa de Valença, e tetraneto do senador Vergueiro, um dos mais influentes políticos do Império do Brasil.

Pelo ramo paterno, contava com parentes na vida pública e associativa: um tio, Laerte Setúbal, representou São Paulo na Câmara dos Deputados entre 1935 e 1937, e um primo homônimo, Laerte Setúbal Filho, ocupou postos de liderança na FIESP e na Associação dos Exportadores Brasileiros. Órfão de pai aos catorze anos, foi criado sob a tutela do tio materno Alfredo Egydio de Souza Aranha, que viria a criar o Banco Federal de Crédito — ponto de partida da futura trajetória de Setúbal no setor financeiro.

Após passar pelo Ginásio do Carmo e pelo Colégio Universitário, obteve em 1945 o diploma de engenheiro mecânico e eletricista na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo. A Politécnica o absorveu como auxiliar de ensino na área de eletrotécnica, ao mesmo tempo em que o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) o contratava para trabalhos de engenharia — uma dupla atividade que manteve até 1947.

Naquele ano, abandonou a vida acadêmica para fundar a Artefatos de Metal Deca, voltada à produção de metais sanitários. A empresa, que ele presidiu desde o início, viria a se tornar a Deca S.A. Indústria e Comércio.

Da indústria ao setor financeiro

A partir de 1957, Setúbal ampliou sua atuação no mundo corporativo: passou a dirigir a Duratex — na função de diretor-superintendente — e a Companhia Seguradora Brasileira. A entrada no mundo bancário veio em 1959, quando seu tio Alfredo o chamou para compor a direção do Banco Federal de Crédito. Três anos depois, acrescentou a esse papel um posto no Banco do Estado de São Paulo, onde chefiou a Carteira de Crédito Geral.

O passo decisivo na construção do conglomerado ocorreu em 1964, quando o Banco Federal de Crédito absorveu o Banco Itaú e adotou o nome Banco Federal Itaú. Depois de se afastar da presidência da Deca em 1965, concentrou-se nessa estratégia de crescimento por aquisições, que a partir de 1966 converteu o Itaú num dos maiores conglomerados bancários privados do Brasil. Nesse período, acumulou posições consultivas: na ANBID (Associação Nacional dos Bancos de Investimento e Desenvolvimento), onde chegou a vice-presidente, e no conselho do Banco de Desenvolvimento do Estado de São Paulo.

Duas incorporações de porte — as do Banco Aliança (Rio de Janeiro) e do Banco Português do Brasil — levaram-no à presidência do Itaú em 1974. A projeção internacional veio no ano seguinte, quando ocupou uma cadeira no conselho do Libra Bank Limited, consórcio com sede em Londres que tinha como principais sócios o Chase Manhattan Bank e o National Westminster; a fatia do Itaú no capital do consórcio era de dez por cento.

Também em 1975, duas nomeações reforçaram seus vínculos com o governo Geisel: uma vaga no Conselho Monetário Nacional e um assento na diretoria da Investimentos Brasil, ligada ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDE).

Outras posições institucionais

Fora do circuito financeiro, Setúbal também marcou presença em órgãos de natureza diversa. Quando Paulo Egydio Martins chefiava o Ministério da Indústria e Comércio (1966–1967), convidou-o a integrar o Conselho Nacional de Seguros Privados. Mais tarde, vinculou-se à área de comunicação pública — como vice-presidente da Fundação Padre Anchieta, a partir de 1969 — e retornou ao universo da pesquisa tecnológica ao juntar-se, em 1971, ao conselho do IPT, onde já trabalhara na juventude.

Prefeitura de São Paulo (1975–1979)

Nomeado prefeito da capital paulista pelo governador Paulo Egydio Martins, licenciou-se da presidência do Itaú e assumiu o cargo em abril de 1975, substituindo Miguel Colasuonno.

Sua administração priorizou a infraestrutura viária nas periferias, em especial na Zona Leste, e investiu em habitação popular — foram erguidas aproximadamente trinta mil moradias — e em transporte coletivo, com financiamento do BNDE para a compra de trólebus. Saúde, educação, iluminação pública e ampliação de áreas verdes também figuraram entre as metas da gestão.

Entre as intervenções de maior visibilidade, a administração concluiu a abertura das avenidas Sumaré e Juscelino Kubitschek e remodelou a Praça da Sé, dando-lhe o desenho que mantém até hoje. O centro da cidade recebeu um programa de requalificação com a criação de calçadões nos centros velho e novo, e o Edifício Martinelli foi desapropriado, restaurado e convertido em sede de secretarias municipais. Também data desse período a criação da Empresa Municipal de Urbanização (EMURB).

A boa repercussão da gestão municipal colocou Setúbal entre os nomes mais fortes para suceder Paulo Egídio Martins no Palácio dos Bandeirantes. Embora contasse com o endosso do governador, esbarrou na resistência de Brasília: o general João Batista Figueiredo, que se preparava para assumir a presidência, favorecia Laudo Natel, ex-governador do estado (1971–1975) e tido como aliado mais confiável. A disputa, no entanto, tomou rumo inesperado quando a convenção da ARENA, em julho de 1978, escolheu Paulo Maluf como candidato oficial — e Maluf venceu a eleição indireta dois meses depois.

Com a posse de Maluf no governo estadual em março de 1979, instalou-se um impasse: a Assembleia Legislativa, controlada pela oposição, negou-se a confirmar o nome indicado pelo novo governador para a prefeitura. Diante do vácuo, Setúbal permaneceu no cargo em vez de transmiti-lo ao presidente da Câmara Municipal, o emedebista Eurípedes Sales, que seria o sucessor legal; a situação só se resolveu três meses adiante, com a nomeação de um novo prefeito.

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