Ocara é um município brasileiro do estado do Ceará, localizado na mesorregião Norte cearense e na Microrregião de Chorozinho. A população estimada em 2015 era de 25.123 habitantes. É um dos municípios mais novos do Ceará, tendo se emancipado politicamente em 1987.
O topônimo Ocara vem do tupi e significa palco, terreiro ou terraço de aldeia ou taba. Sua denominação original era Jurema e, desde 1943, Ocara.
Chamou-se primitivamente Jurema, denominação que caracteriza certa espécie arbórea e própria de solos empobrecidos, rasos e impermeáveis. Suas origens estão vinculadas à família de João Correia dos Santos, fazendeiro e comerciante no local, porém se data que possa identificar as relações do tempo.
A região entre os rios Choró e Piranji e a Serra do Cantagalo era habitada por índios como os Jenipapo, Kanyndé, Choró, Jaguaribana e Quesito. Com a catequização realizadas pelos jesuítas junto aos índios da região, e a introdução da pecuária na época da carne seca e charque; e depois a implantação do café e algodão no final século XVIII, surgiram fazendas e núcleos urbanos, e Ocara foi um destes.
Na região são conhecidas várias ocorrências de minério de manganês dentre as quais, a principal está localizada no distrito de Serragem. Ocorrem na forma de blocos angulosos maciços, com predominância de pirolusita. Essas ocorrências estão no domínio das rochas do Complexo Canindé do Ceará.
Distrito criado com a denominação de Jurema, pelo decreto estadual nº 448, de 20 de dezembro de 1938, criados com terras do território dos distritos de São Sebastião e Vazantes, subordinado ao município de Aracoiaba. No quadro fixado para vigorar no período de 1939-1943, o distrito de Jurema figura no município de Aracoiaba. Pelo decreto-lei estadual nº 1114, de 30 de dezembro de 1943, o distrito de Jurema passou a denominar-se Ocara. Em divisão territorial datada de 1-VII-1950, o distrito de Ocara permanece no município de Aracoiaba. Assim permanecendo em divisão territorial datada de 1-VII-1960. Elevado à categoria de município com a denominação de Ocara, pela lei estadual nº 6832, de 6 de dezembro de 1963, desmembrado de Aracoiaba. Sede no antigo distrito de Ocara.
Constituído do distrito sede. Em divisão territorial datada de 31-XII-1963, o município é constituído do distrito sede. Pela lei estadual nº 8339, de 14 de dezembro de 1965, é extinto o município de Ocara, sendo seu território anexado ao município de Aracoiaba, como simples distrito. Em divisão territorial datada de 31-XII-1968, o distrito de Ocara figura no município de Aracoiaba. Assim permanecendo em divisão territorial datada de 1988. Elevado novamente à categoria de município com a denominação de Ocara, pela lei estadual nº 11415, de 28 de dezembro de 1987, desmembrado de Aracoiaba. Sede no antigo distrito de Ocara. Constituído de 2 distritos: Ocara e Curupira. Instalado em 1 de janeiro de 1989. Pela lei municipal nº 39, de 26 de janeiro de 1990, é criado o distrito de Serragem e anexado ao município de Ocara. Pela lei municipal nº 42, de 26 de janeiro de 1990, foram criados os distritos de Arisco dos Marianos, Novo Horizonte e Sereno de Cima e anexados ao município Ocara. Em divisão territorial datada de 1991, o município é constituído de 6 distritos: Ocara, Arisco dos Marianos, Curupira, Novo Horizonte, Sereno de Cima e Serragem. Assim permanecendo em divisão territorial datada 2007.
Segundo dados do IBGE 2015, a população ocarense era de 25.123 habitantes, sendo assim o 78º município mais populoso do Ceará e apresentando uma densidade populacional de 32,82 hab/km². Em 2010 era de 24.007 habitantes, significando um aumento de 4,65% numa taxa de 0,93% ao ano (Ver tabela - Crescimento populacional).
Desse total (Ver tabela - população Rural/Urbana), 7.605 habitantes viviam na zona urbana (31,68%) e 16.402 na zona rural (68,32%). Ao mesmo tempo,12.317 eram do sexo masculino (51,31%) e 11.690 do sexo feminino (48,69%), tendo uma razão de sexo de 105,36. Em relação a composição racial, 16.931 se declararam pardos (70,52%), 5.690 brancos (23,70%), 1.234 pretos (5,14%), 133 amarelos (0,56%) e 19 indígenas (0,08%).
Quanto a faixa etária, 6.366 tinham menos de 15 anos (26,52%), 6.658 tinham de 15 a 29 anos (27,73%), 4.681 de 30 a 44 anos (19,50%), 3.292 de 45 a 59 anos (13,71%) e 3.010 com idade superior a 60 anos (12,54%). Levando em conta a população potencialmente ativa (de 15 a 64 anos), eram 15.433 habitantes (64,33%), com uma razão de dependência de 55,46%. O índice de envelhecimento é de 9,16. Abaixo a comparação com os censos anteriores:
Considerando a nacionalidade da população, todos os ocarenses são brasileiros natos. Em relação à região de nascimento, 23.875 eram nascidos na Região Nordeste (99,45%), 34 no Sudeste (0,14%), 70 no Norte (0,29%), além de 28 sem especificação (0,12%). 16.785 habitantes são nascidos em Ocara (70,71%). No mesmo ano, ainda 8,9% das crianças de até 1 ano de idade não tinham registro de nascimento em cartório.
O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH-M) do município é considerado baixo, de acordo com dados do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). Segundo dados do relatório de 2010, divulgado em 2013, seu valor era de 0,594, sendo o 145° maior do Ceará e o 4284° do Brasil. Considerando-se o índice de renda, seu valor era de 0,524, o valor do índice de longevidade era de 0,771 e o de educação era de 0,519. De 2000 a 2010, a renda per capita de Ocara cresceu 6,94%, passando de R$ 111,36 para R$ 208,77. Entre 2000 e 2010, a proporção de pessoas pobres, ou seja, com renda domiciliar inferior a R$ 140,00, passou de 76,11% para 49,99% e o índice de Gini passou de 0,58 para 0,53 (Ver tabela: Renda, pobreza e desigualdade - Ocara). No mesmo ano, 49,4% viviam acima da linha de pobreza, 32,7% abaixo da linha de indigência e 17,9% entre as linhas de indigência e de pobreza. Em relação a distribuição de renda, os 20% mais ricos concentram 54,5% das riquezas, valor 28,1 vezes maior que os 20% mais pobres, que era de apenas 1,9%.
Segundo dados do IBGE 2010, majoritariamente os ocarenses são católicos romanos com 21.438 fiéis ou 89,30% dos habitantes. Conforme divisão oficial da Igreja Católica, a Paróquia Sagrada Família de Ocara está inserida na Arquidiocese de Fortaleza, região episcopal Serra - Nossa Senhora da Palma. A paróquia foi criada em 01 de novembro de 1999 por Dom José Antonio Aparecido Tosi Marques e é constituída por 41 comunidades organizadas em 6 setores de pastorais. Teve como primeiro pároco Pe. Francisco Rodrigues de Sousa com providência até 2008. De 2009-2017 esteve como pároco Pe. Francisco Maurício Lopes da Silva. Após Pe. Aurênio Nonato Azevedo (2018-2019). O pároco atual é Pe. Francisco Daniel de Freitas Muniz.
A devoção a Santo Antônio de Lisboa, iniciada em 1914, reúne todos os anos muitos fiéis de todas as localidades do município para a Trezena de Santo Antônio (1º a 13 de junho). No dia de São Francisco de Assis, é realizada uma missa na capela dedicada ao santo construída no topo do serrote de Ocara. Em dezembro, na época do Natal, os católicos se reúnem para festejar a Sagrada Família, padroeira da paróquia da cidade. A tradicional Festa das Almas surgiu com propósito religioso do Dia dos Fiéis Defuntos e do Dia de Todos-os-Santos, mas sucumbiu a secularização
O protestantismo se iniciou em Ocara a partir do final da década de 1980 com uma missão evangélica holandesa da qual se originou a Igreja Evangélica Filadélfia de Ocara. Em 2010, 2.167 habitantes se declararam evangélicos (9,03%), sendo que 128 pertenciam às evangélicas de missão (0,53%), 1.515 às evangélicas de origem pentecostal (6,31%) e 524 a igrejas evangélicas não determinadas (2,18%). Das igrejas evangélicas pentecostais, 1.060 pertenciam à Assembleia de Deus (4,41%), 164 à Igreja Universal do Reino de Deus (0,68%) e 291 a outras igrejas de origem pentecostal (1,21%). Em relação às evangélicas de missão, 100 eram batistas (0,41%), 20 presbiterianos (0,08%) e 8 da Igreja Evangélica Congregacional (0,03%). Além do catolicismo e do protestantismo, também existiam 6 testemunhas de Jeová (0,03%), 13 ortodoxos da Igreja Sirian Ortodoxa de Antioquia - Paróquia São José (0,06%) e 10 espíritas (0,04%). Outros 374 não tinham religião (1,56%), entre os quais 360 ateus (1,50%) e 14 agnósticos (0,06%).