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Nossa Senhora do Brasil

Nossa Senhora do Brasil é um dos títulos atribuído a Maria, mãe de Jesus, cujo nome original foi Nossa Senhora dos Divin

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Nossa Senhora do Brasil é um dos títulos atribuído a Maria, mãe de Jesus, cujo nome original foi Nossa Senhora dos Divinos Corações. No Brasil, passou a ser venerada como padroeira primeiramente em Pernambuco, na Prefeitura Apostólica dos Missionários Capuchinhos, tendo seu altar na Igreja de Nossa Senhora da Penha, em Recife, atualmente conhecida como Basílica de Nossa Senhora da Penha, pertencente à Ordem dos Frades Capuchinhos, a partir daí teve seu culto se disseminado pelo resto do país.

A imagem de Nossa Senhora do Brasil já existia antes de 1597, ano em que Padre José de Anchieta morreu. Há registros que revelam a vontade do grande devoto de Maria, depois que trasladou para o papel o poema De Beata Virgine Dei Matre, foi tomado por um desejo de fazer Maria como padroeira da Colonia e de fazer uma imagem dela para ser padroeira. Na Europa a Igreja estava passando pela Reforma Protestante e o nome de Maria estava sendo profanado. Logo então pensou no nome Nossa Senhora dos Divinos Corações. Entre 1569 e 1579, missionários jesuítas e com ajuda de índios catequizados das aldeias jesuíticas de Iriritiba a mando de Padre José de Anchieta, esculpiram em madeira uma escultura de 1,5 m da Virgem Maria. Como Padre José de Anchieta era Provincial da Companhia de Jesus fundou, na Capitania do Espírito Santo, a primeira capela dedicada ao Sagrado Coração de Jesus. Posteriormente, de visita a Capitania de Pernambuco, onde residiam os colonos mais ricos devido a economia do açúcar e la foram instituídos os primeiros colégios jesuítas, teria deixado a imagem de Nossa Senhora dos Divinos Corações, numa das aldeias jesuíticas de indígenas catequizados, já que nas aldeias de Iriritiba ela era venerada pelos índios. Apos sua morte em 1597, índios já veneravam a imagem de Nossa Senhora dos Divinos Corações, e relatavam acontecimentos sobrenaturais e com isso surgiram lendas e passou a ser conhecida em todo Nordeste Brasileiro, e posteriormente seu culto foi então distribuído pelo resto do país. Permaneceu nessa aldeias até 1630, quando desapareceu por algum tempo, para escapar da sanha iconoclasta dos invasores holandeses calvinistas e franceses protestantes.

Existem registros de que em 1710, quando foi descoberta pelos missionários capuchinhos vindos da Itália, e segundo documentos fidedignos foi escolhida para padroeira de sua prefeitura apostólica, tendo seu altar na Igreja de Nossa Senhora da Penha, em Recife, por eles entronizada em 1725.

Império Brasileiro - sinal da padroeira, orfandade, ascensão e golpe republicano

No tempo Imperial, sempre foi positiva a ligação entre o Império e a religião, tanto que Dom Pedro I entendia que o Brasil precisava ter um padroeiro oficialmente autorizado pelo Papa. Como em 1734, a imagem achada no Rio Paraíba em 1717, Nossa Senhora Aparecida estava operando milagres e a devoção foi crescendo entre o povo da região do Vale do Paraíba, em 20 de abril de 1822, Dom Pedro I e sua comitiva, visitaram a capela dela e conheceram a imagem. Mas mesmo tendo feito a consagração do Brasil a Nossa Senhora Aparecida, em Aparecida (São Paulo), em sua ida de São Paulo para o Rio de Janeiro, logo após o 7 de Setembro, solicitou ao Papa Pio VII que fizesse de São Pedro de Alcântara o Padroeiro do Brasil, tendo o Papa concordado.

Dom Pedro I não queria estrangeiros no país. Em 11 de dezembro de 1826, morre a primeira imperatriz brasileira. No mesmo ano começam as profanações de templos, e a Igreja de Nossa Senhora da Penha também foi profanada, Frei Joaquim de Afrágola, capuchinho e devoto da milagrosa imagem de Nossa Senhora dos Divinos Corações, a retirou antes que fosse destruída e junto de seus companheiros para proteger a imagem por eles venerada decidiram enviá-la em 1828, secretamente, com todos os seus adornos para o convento capuchinho em Nápoles, Itália.

Na Itália, por não terem o dinheiro do imposto alfandegário, os frades capuchinhos não puderam retirar a desconhecida encomenda encarada pelos guardas. A imagem tinha chegado sem aviso específico, em meio a outros objetos que tornavam a caixa muito pesada. Os guardas aduaneiros, então, milagrosamente curiosos, romperam a cinta que envolvia a caixa e ficaram admirados ao descobrir uma bela estátua da Virgem Maria, e enviaram prontamente ao seu destino, o Convento de Santo Efrém, o Novo. Impressionados com a notável perfeição da estátua, os religiosos resolveram expô-la à veneração dos fiéis, na própria Igreja de Santo Efrém, o Novo.

Novamente as manifestações sobrenaturais da prodigiosa imagem de Nossa Senhora dos Divinos Corações tiveram seu início logo após sua chegada. O atendimento às preces diárias dos napolitanos que frequentavam a Igreja de Santo Efrém, o Novo, levou-os a dirigir orações, render ações de graça e dedicar cada vez mais, especial devoção à virgem originária do Brasil. O título de Madonna del Brasile e Virgem Mãe de Deus Brasileira afirmaram-se em Nápoles como reconhecimento aos muitos milagres atribuídos à Santa que procedia do Brasil. A nova devoção difundiu-se em pouco tempo, tornando-se patentes numerosas graças obtidas através da artística imagem sacra. Por exemplo, a cessação de uma epidemia de "cholera morbus" e numerosas curas.

Em 7 de Abril de 1831 Dom Pedro I abdica do trono imperial e Pedro II o menino rei com 5 anos de idade estava triste e órfão, sem os braços da mãe e do pai e começam as rebeliões regionais entre facções locais pela falta de liderança.

Em Nápoles, na noite do dia 21 para 22 de fevereiro de 1840, um violento incêndio destruiu a maior parte da Igreja de Santo Efrém, o Novo, inclusive o riquíssimo altar onde estava a imagem da Madonna del Brasile. No entanto, ela, com seu leve vestido branco e seu manto azul todo bordado em relevo, escapou ilesa do violento fogo, que deixou apenas algumas marcas chamuscadas no rosto do Santo Menino, enquanto destroçava tudo à sua volta. O prodígio espalhou-se pela cidade. Foi providenciada a imediata reconstrução da Igreja, e, durante todo o período das obras, a imagem continuou a ser visitada por peregrinos. Devido aos inúmeros milagres que se multiplicavam a cada dia, o Papa Gregório XVI recomendou à Diocese de Nápoles que a coroasse com o título oficial de Nossa Senhora do Brasil, passando a ser assim oficialmente conhecida na Europa.

No Brasil, Dom Pedro II, com 15 anos completados, em 18 de julho de 1841 é coroado herdando um Império no limiar da desintegração e transformando o Brasil numa potência emergente na área internacional.

Em Nápoles, ano de 1865, Capuchinhos foram forçados a abandonar o Convento de Santo Efrém, o Novo após o confisco dos mosteiros, o convento maior tornou-se um quartel, o adjacente foi comprado pelas freiras clarissas. A imagem de Nossa Senhora do Brasil foi conduzida para a Igreja de Santo Efrém, o Velho, onde venerada pelos napolitanos mas não realizava tantos milagres. Em 1868, os franciscanos tinham tentado, em vão, manter ate mesmo a Igreja.

No Brasil, em 8 de dezembro de 1868, princesa Isabel visita pela primeira vez a atual Basílica Velha de Nossa Senhora Aparecida até então pertencente a cidade de Guaratinguetá e faz uma promessa.

Em 1870, o Império entra em conflito com a Igreja Católica, a Maçonaria estava inserida nas Igrejas brasileiras porque a Santa Sé estabelecia para as monarquias e impérios o regime de padroado onde o rei "padroeiro", arrecadava os dízimos eclesiásticos e deveria construir e prover as Igrejas Locais, com todo o necessário para o culto, nomear os párocos por concursos e propor nomes de bispos, sendo estes depois formalmente confirmados pelo Papa.

Pouca gente no Brasil desta época pré-Republicana era de fato católica, embora assim se declarasse e a religião oficial do Império sendo católica. Até a massa do povo continuava com suas práticas religiosas tintas de folclore e sincretismo, e, inculta, ficava em muito à margem do pensamento de vanguarda da época, as elites mergulhavam em um mar de novos conceitos, doutrinas e ideologias, tais como o iluminismo, a maçonaria, o cientificismo, e outras que marcaram a transição do século XVIII para o XIX e ainda permaneciam influentes, enfeixadas na denominação abrangente de liberalismo. Este liberalismo se caracterizava, no conjunto, por um espírito de progresso, e expressava um profundo desejo de renovação social, política, religiosa e humanística, onde se prezava acima de tudo a liberdade de consciência. Mesmo grande parte do clero se via imbuído dessas doutrinas, sem que percebessem qualquer contradição com os ditames do catolicismo nem protestassem contra a orientação regalista do sistema institucional. As discrepâncias em relação a Roma chegavam ao ponto de clérigos influentes como o Padre Feijó, um dos regentes durante a menoridade de Dom Pedro II, pregassem o fim do celibato eclesiástico, abraçassem abertamente o ideário liberal e ingressassem na maçonaria, que fora expressamente condenada por inúmeras constituições apostólicas com a pena da excomunhão.

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