Nossa Senhora da Conceição Aparecida, popularmente chamada Nossa Senhora Aparecida, é uma das mais famosas invocações da Virgem Maria, mãe de Jesus Cristo. É reconhecida oficialmente como a Padroeira do Brasil, título que simboliza a maternal proteção de Maria sobre o povo brasileiro, e celebrada em 12 de outubro.
O título “Conceição Aparecida” está intimamente ligado ao dogma da Imaculada Conceição, segundo o qual Maria foi preservada do pecado original desde o primeiro instante de sua concepção, em virtude dos méritos de Cristo. A Igreja Católica celebra solenemente essa verdade de fé no dia 8 de dezembro, festa instituída antes de sua proclamação dogmática feita pelo Papa Pio IX, em 1854, através da bula Ineffabilis Deus. Essa devoção possui fortes raízes em Portugal, país que, desde 1147, consagrou-se à Imaculada Conceição — herança espiritual trazida ao Brasil pelos colonizadores e aqui florescida sob o título de “Aparecida”.
A imagem de Nossa Senhora Aparecida é uma pequena escultura de terracota, de cor negra, representando a Virgem da Imaculada Conceição. Foi encontrada por três pescadores nas águas do Rio Paraíba do Sul, por volta de outubro de 1717, um acontecimento interpretado como um sinal da presença e da intercessão de Maria junto de seus filhos mais simples e necessitados. A cor escura da imagem é fruto do tempo e da ação das águas, mas adquiriu também um significado simbólico profundo, sendo vista como expressão da maternidade universal de Maria, que acolhe em seu coração todos os povos e raças.
Atualmente, a sagrada imagem é venerada na Catedral Basílica de Nossa Senhora Aparecida, situada na cidade de Aparecida, no estado de São Paulo, considerada o maior santuário mariano das Américas e o quarto mais visitado do mundo, com capacidade para acolher até 30 mil fiéis. O Papa João Paulo II, em sua visita apostólica ao Brasil em 1980, consagrou solenemente a Basílica e declarou 12 de outubro como o dia da Festa Litúrgica de Nossa Senhora Aparecida, que se tornou feriado nacional no mesmo ano, fortalecendo a religiosidade popular brasileira.
Há duas fontes sobre o achado da imagem, que se encontram no Arquivo da Cúria Metropolitana de Aparecida (anterior a 1743) e no Arquivo da Companhia de Jesus, em Roma: a história registrada pelos padres José Alves Vilela, em 1743, e João de Morais e Aguiar, em 1757, cujos documentos se encontram no Primeiro Livro de Tombo da Paróquia de Santo Antônio de Guaratinguetá.
Segundo os relatos, a aparição da imagem ocorreu na segunda quinzena de outubro de 1717, quando Pedro Miguel de Almeida Portugal e Vasconcelos, conde de Assumar e governante da capitania de São Paulo e Minas de Ouro, estava de passagem pela cidade de Guaratinguetá, no vale do Paraíba,[carece de fontes?] durante uma viagem até Vila Rica.
O povo de Guaratinguetá decidiu fazer uma festa em homenagem à presença de Dom Pedro de Almeida e, apesar de não ser temporada de pesca, os pescadores lançaram seus barcos no rio Paraíba do Sul, com a intenção de oferecerem peixes ao conde. Domingos Garcia, João Alves e Filipe Pedroso rezaram para a Virgem Maria e pediram a ajuda de Deus. Após várias tentativas infrutíferas, desceram o curso do rio até chegarem ao Porto Itaguaçu. Eles já estavam para desistir da pescaria quando João Alves jogou sua rede novamente, em vez de peixes, apanhou o corpo de uma imagem da Virgem Maria, sem a cabeça. Ao lançar a rede novamente, apanhou a cabeça da imagem, que foi envolvida em um lenço. Após terem recuperado as duas partes, a figura da Virgem Aparecida teria ficado tão pesada que eles não conseguiam mais movê-la. A partir daquele momento, os três pescadores apanharam tantos peixes que se viram forçados a retornar ao porto, uma vez que o volume da pesca ameaçava afundar as embarcações.[carece de fontes?] Esta foi a primeira intercessão atribuída à santa.
Durante os quinze anos seguintes, a imagem permaneceu na residência de Filipe Pedroso, onde as pessoas da vizinhança se reuniam para orar. A devoção foi crescendo entre o povo da região e houve relatos de milagres por aqueles que oravam diante da santa. A fama de seus poderes foi se espalhando por todas as regiões do Brasil. Diversas vezes as pessoas que à noite faziam diante dela as suas orações, diziam que viam luzes de repente apagadas e depois de um pouco reacendidas sem nenhuma intervenção humana. Logo, já não eram somente os pescadores os que vinham rezar, mas também muitas outras pessoas das vizinhanças. A família construiu um oratório no Porto de Itaguaçu, que logo tornou-se pequeno para abrigar tantos fiéis.
Assim, por volta de 1734, o vigário de Guaratinguetá construiu uma capela no alto do morro dos Coqueiros, aberta à visitação pública em 26 de julho de 1745. A capela foi erguida com a ajuda do filho de Filipe Pedroso, que não aprovava o local escolhido, pois considerava mais cômodo para os fiéis uma região próxima ao povoado.
No dia 20 de abril de 1822, em viagem pelo Vale do Paraíba, o então Príncipe Regente do Brasil, Dom Pedro I e sua comitiva, visitaram a capela e conheceram a imagem de Nossa Senhora Aparecida. Dom Pedro tinha novo compromisso público: visitar a então capela de Nossa Senhora Aparecida, hoje no município de Aparecida. Tratava-se de um importante ponto de peregrinação católica, pois o pequeno templo havia sido erguido justamente para abrigar a imagem da santa, encontrada ali na região em 1717 e, depois, proclamada padroeira do Brasil. Rezzutti conta que antigos relatos afirmam que Dom Pedro teria rezado na igrejinha e feito uma promessa: se tudo corresse bem, ele faria de Nossa Senhora Aparecida a padroeira do Brasil independente. Na realidade, depois de se tornar imperador, Pedro I escolheu São Pedro de Alcântara como padroeiro. O número de fiéis não parava de aumentar e, em 1834, foi iniciada a construção de um templo maior, hoje Basílica Velha, sendo solenemente inaugurado e benzido em 8 de dezembro de 1888.
Em 6 de novembro de 1888, a princesa Isabel visitou pela segunda vez a basílica e ofertou à santa, em pagamento de uma promessa feita em sua primeira visita, em 8 de dezembro de 1868, uma coroa de ouro cravejada de diamantes e rubis, juntamente com um manto azul, ricamente ornado.
Chegada dos missionários redentoristas
Em 28 de outubro de 1894, chegou a Aparecida um grupo de padres e irmãos da Congregação dos Missionários Redentoristas, para trabalhar no atendimento aos romeiros que acorriam aos pés da imagem para rezar com a Senhora "Aparecida" das águas.
A 8 de setembro de 1904, a imagem foi coroada com a coroa doada pela Princesa Isabel e portando o manto anil bordado em ouro e pedrarias, símbolos de sua realeza e patrono. A celebração solene foi dirigida por D. José Camargo Barros, com a presença do núncio apostólico, muitos bispos, o presidente da República Rodrigues Alves e numeroso povo. Depois da coroação o papa concedeu ao santuário de Aparecida mais outros favores: ofício e missa própria de Nossa Senhora Aparecida e indulgências para os romeiros que vão em peregrinação ao Santuário.
No dia 29 de abril de 1908, a igreja recebeu o título de Basílica Menor, sagrada a 5 de setembro de 1909 recebeu a relíquia de São Vicente Mártir, trazidos de Roma com permissão do Papa.
Emancipação político-administrativa
Em 17 de dezembro de 1928, o arraial que se formara ao redor da igreja no alto do Morro dos Coqueiros emancipou-se politicamente de Guaratinguetá e se tornou um município, vindo a se chamar Aparecida, em homenagem à Nossa Senhora, cuja devoção fora responsável por sua criação.
Nossa Senhora da Conceição Aparecida foi proclamada Rainha do Brasil e sua Padroeira Principal em 16 de julho de 1930, por decreto do Papa Pio XI. A imagem já havia sido coroada anteriormente, em nome do Papa Pio X, por decreto da Santa Sé, em 1904.