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Nildo Viana

Nildo Silva Viana (Goiânia, 6 de maio de 1965) é um sociólogo e filósofo brasileiro. Graduado em Ciências Sociais pela U

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Nildo Silva Viana (Goiânia, 6 de maio de 1965) é um sociólogo e filósofo brasileiro. Graduado em Ciências Sociais pela Universidade Federal de Goiás (1992), é mestre em Filosofia pela Universidade Federal de Goiás (1995), Sociologia pela Universidade de Brasília (1999) e doutor em Sociologia pela Universidade de Brasília (2003). Atualmente é professor da Universidade Federal de Goiás.

Sua obra abrange alguns temas básicos, tais como a sociologia, filosofia, marxismo, sociedade contemporânea, epistemologia, violência, neoliberalismo, valores, arte, psicologia, representações cotidianas, psicanálise e autogestão. Representante de uma corrente crítica da sociologia, das ciências humanas, filosofia e pensamento político contemporâneo, de orientação marxista, numa versão libertária de marxismo. Karl Marx e Karl Korsch são as principais influências em seu pensamento. Seus textos partem de uma análise marxista da sociedade, enfatizando a categoria de totalidade e a luta de classes como primordiais recursos heurísticos para a pesquisa engajada no processo de transformação social.

Ao ingressar na universidade, Nildo Viana aderiu à militância no movimento estudantil e em um grupo político de tendência autogestionária. Foi membro da Executiva Nacional de Ciências Sociais e atuou em entidades de base do Movimento Estudantil.

Desde o final da década de 80 até o final dos anos 90, obteve formação acadêmica em ciências sociais, sociologia, filosofia, além de ter realizado estudos e pesquisas em áreas como psicologia e psicanálise. Neste período, escreveu vários artigos para revistas políticas e acadêmicas, bem como passou, no final dos anos 90, a exercer a prática docente. A partir do final dos anos 1990 começou a publicar seus primeiros livros, sendo que hoje estão sendo reeditados, especialmente: A Consciência da História, de 1997 e Escritos Metodológicos de Marx, de 1998.

Com mais de quarenta obras publicadas e tendo como elemento diferencial o fato de resgatar o pensamento de Marx, numa perspectiva korschiana e conselhista - além de forte influência da psicanálise e psicologia - e elaborar teses e conceitos originais. Publicou mais de 80 artigos em revistas acadêmicas e políticas e é autor de vários livros, alguns esgotados (alguns estão sendo reeditados).

Este pensador parte da discussão sobre materialismo histórico para desenvolver suas teses. Sua orientação intelectual pode ser considerada como assunto educativo "multidisciplinar", mas, no entanto, ele mesmo a qualifica de "adisciplinar", neologismo que quer dizer fora do espaço da divisão do trabalho intelectual e da especialização, tal como expresso em seu artigo: Universidade e Especialização: O Ovo da Serpente. É por isso que ele aborda as mais variadas temáticas, objetos de estudo de variadas disciplinas, e trabalha a categoria de totalidade como fundamental.

Em A Consciência da História, ele segue a linha de Lukács e Korsch, tanto na forma (são "ensaios") quanto no conteúdo (a visão crítica do marxismo ocidental e uma forte influência hegeliana). Ele discute questões como a relação entre base e superestrutura, entre materialismo histórico e dialético e realiza a crítica das interpretações leninista e social-democracia da dialética marxista. Esta obra se insere na tradição chamada "historicista", "hegeliana" e "esquerdista" do marxismo, o que demarca sua diferença em relação a outras posições consideradas marxistas, tal como o marxismo-leninismo, a social-democracia e se filia à tradição das tendências críticas e esquerdistas do marxismo (especialmente o chamado comunismo de conselhos).

Ele parte do pensamento de Marx para reconsiderar a questão do capitalismo e da exploração, realizando uma análise crítica da democracia, da cidadania e do Estado, para apresentar as possibilidades de transformação social, baseando-se no princípio da autogestão social. Ele aborda em sua obra Estado, Democracia e Cidadania, todos estes aspectos do desenvolvimento da política institucional no capitalismo de forma polêmica.

Na continuidade de suas teses, ele apresenta uma teoria dos Partidos Políticos, mostrando o caráter burocrático destas instituições, em seu livro O Que são partidos políticos. Ele apresenta uma definição rigorosa de partido político, e ultrapassa as costumeiras obras descritivas sobre este fenômeno, abordando-o de forma explicativa. Este texto é um complemento de Estado, Democracia e Cidadania, e como os demais, é uma obra polêmica e crítica.

Uma de suas teses principais reside na concepção de que a história do capitalismo pode ser analisada em termos da sucessão de "regimes de acumulação". Desenvolvendo as teses da Escola da Regulação e de Rabah Benakouche, ele discute exaustivamente a noção de regime de acumulação e embora faça uma análise dos regimes de acumulação que se sucederam na história, ele focaliza e desenvolve uma análise mais pormenorizada do regime de acumulação integral, o atual regime de acumulação do capitalismo contemporâneo. Em sua abordagem, o regime de acumulação é fundado na luta de classes, de acordo com sua visão marxista. Ele desenvolve, numa séries de artigos, uma análise da sociedade moderna, tal como a violência nas escolas, reforma universitária no Brasil, proposta de redução da idade penal no Brasil, partindo de sua concepção de acumulação integral. O que foi desenvolvido de forma mais sistemática em seu livro "O Capitalismo na era da acumulação integral" e as mudanças no interior de um mesmo regime de acumulação no artigo sobre os ciclos que se desenvolvem no interior do mesmo.

A sua concepção política aponta para um "marxismo autogestionário", inspirado, fundamentalmente, em Karl Marx, Anton Pannekoek e Karl Korsch, realizando uma crítica da social-democracia e do bolchevismo, e apontando a autogestão social via conselhos operários como o meio de libertação humana. Para ele, o marxismo não está em crise, mas tão-somente o pseudomarxismo expresso na social-democracia e no bolchevismo, pois o verdadeiro marxismo, libertário, radical, sempre foi marginal. Ele compartilha com Pannekoek e outros pensadores, a tese de que a Rússia não instituiu um socialismo e sim um "capitalismo de Estado". Em textos como A Crise do Pseudomarxismo e O Capitalismo de Estado da URSS, ele desenvolve tais teses e no artigo O Marxismo Libertário de Anton Pannekoek e em O que é Autogestão, entre outros textos, apresenta sua concepção de emancipação humana. A sua tese é a de que a emancipação da classe operária é obra da própria classe operária e é assim que se descobre o movimento real de transformação social e o processo de constituição da sociedade autogerida. A tese exposta neste artigo ganha sistematicidade e aprofundamento em seu livro Manifesto Autogestionário, cuja primeira edição foi publicada em 2008.

Partindo desta perspectiva, ele desenvolve uma análise sobre as mais variadas temáticas, abordando a filosofia, a sociologia, os super-heróis dos quadrinhos, a violência, o marxismo, os valores, entre vários outros, sendo fiel a sua crítica da divisão do trabalho intelectual e da especialização. Ele apresenta, em A Filosofia e Sua Sombra, uma definição precisa de filosofia e discute seus temas fundamentais, apresenta a tese polêmica do "fim da filosofia", fundamentando-se em Marx e Herbert Marcuse, após apontar o "lado sombrio da filosofia". Em seu livro sobre heróis e super-heróis no universo dos quadrinhos, apresenta uma análise sociológica e psicanalítica desses personagens, relacionando-os à axiologia e ao conceito de inconsciente coletivo. A obra também examina o processo histórico de formação dessas figuras, contribuindo para a sociologia das histórias em quadrinhos. No livro Os valores na sociedade moderna, aborda teoricamente o conceito de valores e busca distinguir entre “valores axiológicos” e “valores axionômicos”. Uma de suas últimas teses é a polêmica ideia do fim do marxismo, segundo a qual o marxismo não estaria em crise e sim aproximando-se do seu fim. Para ele, o que está em crise é o pseudomarxismo expresso no bolchevismo, na social-democracia e no "marxismo acadêmico" e não o marxismo autêntico. Este sempre teria sido marginal na sociedade capitalista e, portanto, o abandono desta concepção na contemporaneidade nada mais é que o abandono de suas deformações. O marxismo autêntico, ao contrário, tende a se fortalecer com a ascensão das lutas operárias e se realizar, chegando, portanto, ao seu fim. Ele desenvolve também uma teoria das representações cotidianas, um substituto marxista da noção de "senso comum" e do termo "representações sociais", criticados por ele, na qual estabelece uma teoria marxista das representações a partir da contribuição de Marx, Korsch, Bloch, Bertrand, entre outros. Também desenvolve, partindo das contribuições de Marx, Weber e Bourdieu, uma teoria das esferas sociais, na qual apresenta o processo de divisão do trabalho intelectual, o processo de competição internas nas várias esferas sociais, entre outros processos, mostrando sua inserção na totalidade da sociedade capitalista. Desenvolve uma análise da teoria do valor-trabalho de Marx, apontando a existência também de um valor-mercado e um valor-cultura, que são as determinações do valor das mercancias, ou seja, dos bens culturais e coletivos produzidos no âmbito das relações de distribuição e "formas sociais" (superestrutura). Em Os movimentos sociais desenvolve uma teoria marxista dos movimentos sociais, que se desdobrará em vários artigos. e no livro Marx e os Movimentos Sociais.

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