Nigel Ernest James Mansell, o Leão, CBE (Upton-upon-Severn, 8 de agosto de 1953) é um ex-piloto de automobilismo, tendo sido campeão mundial na Fórmula 1 em 1992 e na Fórmula Indy em 1993.
Conhecido pelo estilo arrojado, Nigel Mansell tinha uma forma agressiva de dirigir, e notabilizou-se também pelo fato de não ter tido muita sorte na Fórmula 1, posto que, em várias ocasiões, algumas até com o título praticamente assegurado, acidentava-se. Assim, Mansell celebrou-se como um dos pilotos que mais dividiram opiniões em seu tempo: ao mesmo tempo em que havia os que o admiravam pela ousadia e ímpeto, capaz de ofertar belíssimas exibições, outros o consideravam um automobilista pouco esperto, sujeito a cometer erros homéricos.
Após a conquista em 1992, sagrou-se campeão na Fórmula Indy no ano de 1993, e primeiro piloto a conquistar o título em sua estreia na categoria. Com isso, Mansel passou a integrar o seleto grupo de quatro pilotos que encerraram suas carreiras sendo campeões da Formula Indy e da Formula 1.
Atualmente Mansell é casado com Rosanne. Mora em Jersey, juntamente com sua filha Chloe, e seus dois filhos, Leo e Greg, que também são automobilistas, e disputaram a Fórmula 3 britânica, em 2006.
Mansell disputou duas temporadas na Fórmula Ford britânica, onde obteve sucesso. Em 1976, venceu seis corridas das nove disputadas por ele na temporada. Já em 1977, ele vence 33 das 42 corridas disputadas, e se torna campeão da categoria. Em 1978, muda de categoria e vai disputar a Fórmula 3.
Em 1978, Mansell vai para a Fórmula 3, disputar sua primeira temporada. Para ir a essa categoria, foi preciso ele vender sua casa e seu carro. Nesta temporada teve como resultados expressivos uma pole position e um segundo lugar conquistado com um carro não muito competitivo. Para a temporada seguinte ele passou para a equipe Dave Price Racing. Conquistou sua primeira vitória na categoria, em Silverstone, e terminou em oitavo na classificação geral do campeonato. Nesta temporada se mostrou resultados consistentes, porém sofreu um acidente que resultou em sua hospitalização. Pelo seu desempenho, Colin Chapman contrata-o para ser piloto de testes da equipe Team Lotus na F-1, em 1980.
Mansell inicia como piloto de testes da equipe desenvolvendo a versão B do Lotus 81. Faz bons testes, conseguindo voltas muito rápidas, e resultando em sua chance de estrear num GP de Fórmula 1. Estreia em 1980 na F-1 no GP da Áustria, largando em 24° e abandonando na volta 40, por problemas de motor. Ainda viria a disputar o GP da Holanda, além de falhar na qualificação no GP da Itália. Terminou a temporada com três GPs disputados e nenhum ponto marcado. Em 1981 disputa a primeira temporada completa na F-1 ao lado do italiano Elio De Angelis. Conquista o primeiro podium da carreira - no GP da Bélgica - e marca 8 pontos terminando na 14ª colocação na classificação geral.
Na temporada de 1982 repete a posição final, desta vez com 7 pontos e um 3º lugar no GP do Brasil (em função das desclassificações de: Piquet (vencedor) e Rosberg (2º colocado)) - além de não ter disputado dois GPs por problemas de lesão. Nesse mesmo ano o seu contrato é estendido por Colin Chapman, e logo depois Chapman morre. Quem assume o comando da equipe é Peter Warr, com quem Mansell não tinha o mesmo relacionamento que tinha com Chapman.
Na temporada de 1983, a Team Lotus troca os pneus Goodyear e vai com Pirelli, e também troca o motor Cosworth aspirado pelo Renault Turbo. Porém, Mansell disputa a primeira parte da temporada com o Lotus 92 ainda com o motor aspirado, e conquista apenas um ponto com esse carro. A partir da 9ª etapa, o Grande Prêmio da Grã-Bretanha, em Silverstone - ele começa a disputar com o Lotus 94T e o motor francês turbo. Ele conquista com essa nova combinação: um terceiro, um quarto e um quinto lugar, somando 9 no total de 10 pontos e o 13º lugar no campeonato de pilotos.
Com um carro melhor que de outras temporadas, em 1984, a equipe volta a ser calçado pelo Goodyear, e Mansell conquista a primeira pole position - no GP dos EUA em Dallas (esse GP bateu o recorde de temperatura, sendo realizado à 40 °C e além disso, Mansell protagonizou um dos momentos mais fortes da temporada ao desmaiar próximo a linha de chegada, tentando empurrar o seu carro) -, além de conquistar dois pódios e pela primeira vez terminar o campeonato entre os dez primeiros no campeonato geral com 13 pontos. Esse foi o último ano do "Leão" na Lotus, sendo substituído pelo brasileiro Ayrton Senna para a próxima temporada.
Em 1985, Mansell assina com a equipe de Frank Williams para ser companheiro de equipe do campeão de 1982, o finlandês Keke Rosberg. Em sua primeira temporada, o inglês obteve duas vitórias nos GPs: da Europa e da África do Sul, onde também conquistou a primeira pole position na equipe e a segunda vitória na sua carreira. Relativamente ele fez uma boa temporada, terminando com 31 pontos e o 6º lugar no campeonato de pilotos. Este ano também, foi o primeiro em que o "Leão" usou o mítico "Red 5", a numeração do carro naquela temporada.
No campeonato de 1986, a Williams contrata o brasileiro Nelson Piquet para o lugar de Rosberg, que se transferiu para a McLaren. Durante o ano, Mansell e Piquet disputaram bastante, dando início a uma das grandes rivalidades da Fórmula 1 moderna, sendo que naquela época a Williams tinha os melhores carros, o chassi FW11, equipado pelo potente motor Honda Turbo. Com 70 pontos, tudo parecia levar Mansell ao seu primeiro título mundial, pois chegou ao último GP na Austrália à frente de seus concorrentes que eram: Prost com 64 e Piquet com 63 pontos. Para melhorar, ainda largava na pole, e podendo até chegar em 3º para ser campeão, independente da vitória do francês ou do brasileiro. Na prova, tudo ia dando certo para o inglês, até que na volta 63, o pneu traseiro esquerdo de seu carro estoura danificando a suspensão, fazendo com que Mansell abandonasse a prova. Nesse momento só restava torcer para que um de seus concorrentes não vencesse, mas Prost conseguiu e tornando-se bicampeão, numa das maiores zebras da Fórmula 1. Ao "Leão", restou se contentar com o vice-campeonato mundial.
Também naquele ano, aconteceu uma das mais acirradas chegadas da categoria, com Mansell chegando a 0,014 segundos de diferença quando atrás de Senna, no GP da Espanha (essa foi a menor diferença até 2002, quando Rubens Barrichello chegou a 0,011 segundos à frente de Schumacher, porém esse foi um jogo de equipe).
Em 1987, a dupla de pilotos é mantida, e com a versão B do FW11. No campeonato, mais uma vez Mansell e Piquet disputam o título de pilotos que ambos deixaram escapar na última prova do ano anterior. E seria uma disputa particular, porque a vantagem do equipamento da equipe Williams é superior em relação aos seus principais adversários que também disputaram a última temporada: Alain Prost com McLaren-TAG-Porsche e Ayrton Senna, agora com o novo patrocinador na Team Lotus, o Camel, e equipado com o mesmo motor japonês da equipe de Frank Williams, o desejado Honda Turbo.
Uma grande vitória de Nigel Mansell aconteceu no Grande Prêmio da Grã-Bretanha em Silverstone. Piquet obtém a primeira pole no ano; larga bem e passa na frente na primeira volta com Mansell colado. Aos poucos, Piquet estabelece uma vantagem de dois ou três segundos e parecia absolutamente incapaz de ampliá-la da mesma forma que Mansell parecia incapaz de reduzi-la. Os dois pilotos pisaram ao máximo, sem cuidados ou reservas, vigiando um ao outro. Na volta 12, Mansell comunica à equipe que tem problemas numa das rodas e que sofria de vibrações no carro; isso continuou até a volta 35, quando o piloto vai aos boxes colocar novo jogo de pneus. Na troca, Mansell demorou 9,2 segundos, mas quando voltou, o “Leão” tinha 28 segundos de atraso, e 29 voltas para alcançar Piquet. Nessa altura, o piloto brasileiro do Williams número 6 tinha acatado a sugestão da Goodyear para fazer a corrida com o mesmo jogo de pneus, e geria o seu avanço. Quando o pneu atingiu a temperatura ideal, Mansell inicia uma irresistível recuperação, diminuindo a diferença para ele a razão de 1,5 segundo por volta. Era uma aposta arriscada, porque no ritmo que estava, a gasolina do Williams número 5 acabaria antes do final da corrida; contudo, quando faltavam 12 voltas para o final, o desgaste dos pneus fazia-se sentir e a diferença estava agora em 11,6 segundos de desvantagem. Corajoso, o piloto inglês ia se aproximando cada vez mais do brasileiro, e fazendo voltas mais rápidas. Faltando duas voltas para o término, no início da reta Hangar, Mansell colou em Piquet; no meio da reta ele prepara a ultrapassagem, enquanto Piquet torcia a cabeça para vigiá-lo pelo retrovisor, Mansell joga o seu carro para a esquerda, buscando o lado de fora da pista; Piquet o bloqueia, mas Mansell volta para a direita, retardando o ponto de freada e chegando ao ponto de tangência da curva Stowe por dentro. Uma manobra plasticamente bela e inteligente levando ao delírio os milhares de compatriotas que tinham assistido de forma empolgada a sua recuperação e a brilhante ultrapassagem. O inglês vence, mas não conseguiria terminar a sua volta da consagração. O combustível acabou. Uma multidão invadiu a pista e cercou o Williams. Foi um grande dia para Mansell.[carece de fontes?]