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Nicolaus Steno

Nicolaus Steno (do dinamarquês: Niels Steensen ou Niels Stensen; latinizado como Nicolaus Stenonis, por vezes referido c

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Nicolaus Steno (do dinamarquês: Niels Steensen ou Niels Stensen; latinizado como Nicolaus Stenonis, por vezes referido como Nicolas Steno; Copenhaga, 11 de janeiro de 1638 — Schwerin, 5 de dezembro de 1686) foi um cientista dinamarquês, pioneiro nos campos da anatomia e da geologia e bispo católico nos seus últimos anos de vida. Foi beatificado pelo papa João Paulo II em 1988.

Steno foi treinado nos textos clássicos da ciência; no entanto, em 1659 ele questionou seriamente o conhecimento aceito do mundo natural. Suas investigações e conclusões subsequentes sobre fósseis e formação rochosa levaram os estudiosos a considerá-lo um dos fundadores da estratigrafia moderna e da geologia moderna.

Steno nasceu em Copenhaga e foi batizado luterano. Filho de um rico ourives, frequentou a Escola Latina, na época, a escola mais prestigiosa do país, onde evidenciou grande interesse por ciências naturais e línguas estrangeiras. Dominou perfeitamente oito idiomas, incluindo o alemão.

A partir de 1656, Steno estudou medicina e anatomia em Copenhague e na renomada faculdade de medicina de Leiden. Conquistou fama devido às viagens de estudo e palestras por toda a Europa. Ele se destacou principalmente por seu pensamento revolucionário, questionando doutrinas estabelecidas. Por exemplo, publicou o livro De Musculis et Glandulis Observationum Specimen (Observações sobre Músculos e Glândulas), no qual foi o primeiro a demonstrar que o coração é um músculo responsável pela circulação sanguínea.

Recém-formado em medicina, viajou pela Itália em 1666 e finalmente chegou a Florença. Lá, tornou-se médico pessoal do Grão-Duque Fernando II de' Medici e trabalhou no Hospital de Santa Maria Novella. Graças ao apoio financeiro e moral dos Medici, Steno alcançou novas conquistas científicas. Em seus estudos anatômicos, foi o primeiro a demonstrar que as mulheres possuem um ovário como órgão sexual. Na época, a opinião predominante era de que as mulheres, assim como os homens, tinham testículos atrofiados ou subdesenvolvidos.

Em outubro de 1666, dois pescadores capturaram um enorme tubarão, próximo da cidade de Livorno e o grão-duque Fernando mandou enviar a cabeça do animal a Steno. Este dissecou-a e publicou as suas descobertas em 1667. O exame dos dentes do tubarão mostrou que estes eram muito semelhantes a certos objectos chamados glossopetrae, ou pedras língua, encontrados em algumas rochas. Os autores antigos, como Plínio, o Velho, haviam sugerido que estas pedras haviam caído do céu ou da Lua. Outros eram da opinião, também ela antiga, de que os fósseis cresciam naturalmente nas rochas. Um contemporâneo de Steno, Athanasius Kircher, por exemplo, atribuía a existência de fósseis a uma virtude lapidificante dispersa por todo o corpo do geocosmo.

Por seu lado, Steno argumentou que os glossopetrae pareciam-se com dentes de tubarão, porque eram dentes de tubarão, provenientes das bocas de antigos tubarões, que haviam sido enterrados em lodo e areia que eram agora terra seca. Existiam diferenças de composição entre os glossopetrae e os dentes dos tubarões actuais, mas Steno argumentou que os fósseis podiam ter a sua composição química alterada sem que a sua forma se alterasse, através da teoria corpuscular da matéria.

O trabalho de Steno sobre os dentes de tubarão levou-o a questionar-se sobre a forma como um objecto sólido poderia ser encontrado dentro de outro objecto sólido, como rocha ou uma camada rochosa. Os "corpos sólidos dentro de sólidos" que atraíram o interesse de Steno incluíam não apenas fósseis como hoje os definimos, mas também minerais, cristais, incrustações, veios, e mesmo camadas completas de rocha ou estratos. Os seus estudos geológicos foram publicados na obra Discurso prévio a uma dissertação sobre um corpo sólido contido naturalmente num sólido em 1669. Este trabalho seria aprofundado em 1772 por Jean-Baptiste Romé de l’Isle.Steno não foi o primeiro a identificar os fósseis como sendo de organismos vivos. Os seus contemporâneos Robert Hooke e John Ray também defenderam este ponto de vista.

A Steno atribui-se definição da lei de sobreposição, e dos princípios de horizontalidade original, continuidade lateral: os três princípios básicos da estratigrafia.

Outro princípio, conhecido simplesmente por lei de Steno, diz que os ângulos entre faces correspondentes em cristais da mesma substância são os mesmos para todos os exemplares desta.

Em 1668, foi admitido na Accademia della Crusca em Florença.

O seu modo de pensar era também importante no modo como via a religião. Criado na fé luterana, ainda assim não deixou de questionar os ensinamentos que recebeu, algo que se tornou importante quando contactou o catolicismo enquanto estudava em Florença. Após estudos teológicos, decidiu que a Igreja Católica e não a Igreja Luterana era a autêntica igreja.

Uma freira que administrava a farmácia do hospital florentino foi uma figura particularmente influente em sua vida. Stensen viajou a Roma duas vezes como peregrino. Ele se converteu ao catolicismo em 7 de novembro de 1667.

A sua conversão fez com que, gradualmente, Steno pusesse de lado os seus estudos científicos. Embora alguns possam sugerir nisso uma incompatibilidade entre ciência e fé, era mais uma questão pessoal de Steno, que não conseguia se dedicar em duas coisas distintas ao mesmo tempo.

Em 1672, trabalhou brevemente como anatomista na casa real dinamarquesa, mas retornou a Florença dois anos depois devido a divergências denominacionais. No início de 1675, Steno decidiu continuar seus estudos teológicos, que havia começado antes mesmo de sua conversão, visando sua ordenação ao sacerdócio. Após apenas 4 meses, ele foi ordenado sacerdote e celebrou sua primeira missa em 13 de abril de 1675 na Basílica da Santíssima Anunciação em Florença, aos 37 anos. Kircher perguntou expressamente quais eram os motivos que o levaram a se tornar sacerdote. Steensen havia abandonado as ciências naturais para se dedicar à educação e à teologia, tornando-se uma das figuras de proa da Contrarreforma. A pedido do Duque João Frederico de Hanover, o Papa Inocêncio XI nomeou-o Vigário Apostólico para as Missões Nórdicas em 21 de agosto de 1677. Foi consagrado bispo titular de Titiópolis em 19 de setembro pelo Cardeal Gregorio Barbarigo, auxiliado pelos bispos Pier Antonio Capobianco, Emérito de Lacedonia, e François Pallu, MEP, Vigário Apostólico de Tonquim. Assim, mudou-se para o Norte Luterano.

O Vicariato Apostólico havia sido estabelecido após o declínio da maioria das dioceses católicas no norte da Alemanha e na Escandinávia, como resultado da Reforma Protestante, e consolidou seus territórios. Ele tornou-se ativo na diáspora, mediando com sucesso entre as denominações como diplomata e realizando trabalho missionário.

No ano seguinte à sua nomeação como bispo, ele provavelmente esteve envolvido na proibição de publicações de Baruch Espinoza. Lá, ele conversou com Gottfried Leibniz, o bibliotecário; os dois discutiram sobre Spinoza e sua carta a Albert Burgh, então aluno de Steno.

Após a morte de João Frederico, o Príncipe-Bispo de Paderborn, Ferdinand von Fürstenberg, nomeou-o Bispo Auxiliar de Münster (Igreja de São Liudger) em 7 de outubro de 1680, saindo assim de Hanover. Steno continuou zelosamente o trabalho de contrarreforma iniciado por Bernhard von Galen. Ele viveu uma vida estritamente ascética. Sua exigência por um estilo de vida simples o colocou cada vez mais em conflito com o alto clero, frequentemente de origem nobre.

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