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Nicolas Durand de Villegagnon

Almirante francês

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Nicolas Durand de Villegagnon (Provins, 1510 – Grez-sur-Loing, 9 de janeiro de 1571) foi um cavaleiro da Ordem de Malta e diplomata que, como oficial naval, alcançou a distinção e título de vice-almirante da Bretanha. Notabilizou-se, entre outros feitos, pela fundação de um estabelecimento colonial na costa do Brasil, a França Antártica, combatida e erradicada por forças portuguesas.

O sobrenome Villegaignon, com um i antes do segundo g, figura em uma assinatura fac-similada por Arthur Heullard (1897). Embora Paul Gaffarel, o próprio Heullard e Peillard, seus principais biógrafos, tenham ignorado o i, Chermont de Brito (1985), no Brasil, optou por grafar Villegaignon.

A utilização das duas formas é correta (e corrente no Brasil), uma vez que a forma ai é antiquada - mas utilizada em George Raeders no artigo "Villegaignon, vice-amiral de Bretagne au Brésil", na obra "La Bretagne. Le Portugal. Le Brésil - echanges et rapports" publicada pelas Universidades de Haute Bretagne, de Nantes e de Bretagne Occidentale, editado para comemorar o cinquentenário do ensino do Português na Bretanha.

Nasceu em Provins em uma data desconhecida de 1510, no seio de uma família católica importante na região. Sua família foi nobilitada em 1513, de acordo com alguns de seus biógrafos, ou 1516, segundo outros.

Aos onze anos de idade, quando perdeu o pai, um magistrado, o jovem Villegagnon já exibia bons conhecimentos de latim, a lingua franca da época. Nesse momento, a mãe decidiu encaminhá-lo para Paris (1521), a fim de prosseguir os estudos. Lá, o jovem se estabeleceu no Hôtel des Auges, frequentando os colégios religiosos La Manche e Montaigne, onde foi colega do jovem Calvino. Estas instituições prepararam-no para o ingresso na Universidade de Paris, onde concluiu o curso de Direito, aos vinte anos de idade (1530).

Os seus biógrafos são acordes em descrevê-lo como um indivíduo alto, de boa aparência, simpático, bem-falante, culto, hábil no manejo das armas, sempre bem-vestido (mesmo entre os indígenas brasileiros), respeitoso com os seus superiores, determinado, profundamente religioso e conhecedor da teologia católica.

Ao concluir os seus estudos, Villegagnon tentou ser admitido como advogado pelo parlamento de Paris. Após essa tentativa, entretanto, veio a abandonar o projeto de uma carreira como advogado, tendo solicitado o seu ingresso na escola de navegação da Ordem de Malta, que naquela época se instalava na ilha de Malta, com o fim de patrulhar as águas do Mediterrâneo, à época infestadas de piratas argelinos.

Villegagnon permaneceu em treinamento entre 1531 e 1540, em terra e nas galés, aperfeiçoando-se na arte militar, de marinharia, da diplomacia e nas línguas, passando a dominar o italiano, o espanhol e o grego.

Em 1540, foi enviado a Veneza, onde fez amizade com o poeta François Rabelais. Ali, o embaixador francês outorgou-lhe a missão de correio diplomático, incumbindo-o de entregar uma missiva de Francisco I de França ao sultão otomano, Solimão, o Magnífico. No retorno, trouxe a resposta do sultão até Turim (1541), onde conheceu e fez amizade com outro poeta, Pierre de Ronsard, sendo encarregado de entregar ao soberano as plantas das principais fortalezas do Ducado de Milão.

Tendo alcançado as boas graças do soberano, Villegagnon foi incorporado pela diplomacia francesa ao grupo de quatrocentos cavaleiros de Malta que integrou o exército do imperador Carlos V que marchou sobre Argel. A sua função era a de observador de campanha, reportando-a ao soberano francês. Villegagnon destacou-se em combate, vindo a ser ferido no braço esquerdo por um golpe de lança. O próprio imperador teria confortado Villegagnon na ocasião.

No retorno, convalescendo em Roma, Villegagnon escreveu um pequeno livreto de 24 páginas, narrando a campanha: Carolus V Imperatoris Expeditio in Africam ad Argeriam, obra que alcançou edições em Veneza, Antuérpia e Nuremberga (em latim) e em Lião (em francês), tendo agradado ao imperador, à corte e ao rei da França.

A missão seguinte de Villegagnon foi a de se dirigir a Budapeste, a fim de observar a concentração das forças de Carlos V e das de seu oponente, Suleimão, em termos de situação militar, quantidade e qualidade de tropas, armamentos e fortificações, o que desempenhou em poucas semanas (1542).

De volta à Itália, destacou-se na batalha de Cérisoles, vencida pelos franceses contra as tropas de Milão. De lá passou, às pressas, para Pontestura, com a missão de fortificar aquele castelo. Nesta fase, a atuação de Villegagnon no norte da Itália estendeu-se até 1547.

Henrique II da França também confiou missões diplomáticas a Villegagnon na Itália. Em Paris, entretanto, confiou-lhe a missão de varrer os piratas ingleses da costa da Bretanha, o que Villegagnon concluiu em poucas semanas, com o afundamento de cinco galés inglesas.

Confiante neste sucesso, o soberano francês incumbiu Villegagnon de uma nova e arriscada missão: o rapto da pequena Maria Stuart da Escócia, furtando-se ao rígido esquema de vigilância da esquadra inglesa. No comando de quatro galés, entre as quais a própria galé real, com remadores especialmente escolhidos nos cárceres franceses por seu ódio à Inglaterra, mediante a promessa de libertação, Villegagnon aproveitou-se do desembarque de uma força de seis mil franceses em Leith, na Escócia, para contornar o Norte do país, subindo o rio Clyde até ao Castelo de Dumbarton, onde embarcou a sua pequena passageira. Em agosto de 1548 desembarcaram em solo francês, próximo a Brest.

No auge de sua fama, Villegagnon retornou à Escócia transportando dobrões de ouro franceses para auxiliar os nobres católicos escoceses a resistir contra os ingleses, participou da defesa de Firth, arrasou as instalações inglesas na ilha de Guernsey e atacou as embarcações inglesas que encontrou em seu caminho.

Georges Raeders em seu artigo Villegaignon, vice-amiral de Bretagne au Brésil, acima referido, afirma que em seu retorno a Brest (ou a Morlaix) em 13 de agosto de 1548, depois do êxito da perigosa missão, foi honrado pelo rei com o título de Vice-Almirante da Bretanha.

Em 1551, Villegagnon dirigiu-se à ilha de Malta, para auxiliar na sua defesa diante do cerco imposto pelos otomanos, que chegaram a ocupar a vizinha ilha de Gozo naquele ano. Vitorioso, regressava a Paris com uma carta do grão-mestre da Ordem de Malta para o rei da França, quando a sua nau foi capturada pelas naus imperiais, sendo Villegagnon aprisionado no Castelo de Cremona. Apelando a Carlos V, conseguiu a sua libertação.

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Nicolas Durand de Villegagnon | World in Stories