Nelson Marchezan Júnior (Porto Alegre, 30 de novembro de 1971) é um advogado e político brasileiro, filiado ao PSDB. Foi prefeito de Porto Alegre e deputado federal pelo Rio Grande do Sul.
Nelson Marchezan Júnior é filho do ex-deputado federal Nelson Marchezan (1938—2002). Concluiu o ensino médio no Colégio Rosário, em Porto Alegre. Cursou Educação Física, na UFRGS, e Publicidade e Propaganda, na PUCRS, sem, no entanto, terminar os cursos. Em 1995, Marchezan Júnior se formou em Direito pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos. Depois de formado, passou um ano em viagem pela Europa. Em 1998, de volta da viagem, Marchezan abriu uma escola de idiomas junto com Rogério Belloc Ramos.
Atualmente, Marchezan Júnior é casado com a advogada Tainá Vidal, com quem começou a namorar em dezembro de 2017, e tem um filho, Benício, nascido em abril de 2019. Ele ainda é pai de duas outras crianças: Nelson Marchezan Neto, filho de Nadine Dubal, com quem foi casado, e Bernardo, nascido em 2016, mas somente reconhecido em dezembro de 2017.
Advogado, não tinha maiores pretensões na política até a morte do pai, em 2002.No mesmo ano, concorreu e foi eleito deputado federal com 60 071 votos, mas a Justiça Eleitoral impediu sua diplomação por falta de filiação partidária válida. Marchezan Júnior não foi capaz de apresentar provas que era filiado ao PSDB um ano antes das eleições, sendo cassado pelo Tribunal Superior Eleitoral. Iniciou na vida pública em 2003, como diretor de Desenvolvimento, Agronegócios e Governos do Banrisul durante o mandato do governador Germano Rigotto.
Abandonou o cargo em 2006, quando com 45 604 votos, foi eleito deputado estadual e exerceu o mandato entre 2007 a 2011 pelo Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB). Em 2010, foi eleito deputado federal com 92 394 votos.
Em dezembro de 2011, surpreendendo aos lideres do PSDB e em oposição ao protesto e pedido do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, ele assinou a CPI da Privataria, proposta por Protógenes Queiroz (PCdoB-SP).
Em 14 de junho de 2016, votou a favor da cassação do deputado Eduardo Cunha no comitê de ética da Câmara dos Deputados.
A partir de 2015, o então deputado esteve presente em quase todos os protestos favoráveis ao impeachment da presidente Dilma Rousseff, aproximando-se de grupos conservadores como Movimento Brasil Livre e o Vem Pra Rua. Ele votou favoravelmente ao impedimento da mandatária em 2016. Contudo, duas semanas depois do impeachment, ele declarou-se quase arrependido pelo seu voto em debate sobre a concessão de aumento salarial a servidores do Judiciário e do Ministério Público.
Em 2016, foi candidato a prefeito de Porto Alegre pela coligação Porto Alegre pra frente, formada pelo PSDB, PP, PMB e PTC, tendo como companheiro de chapa o advogado Gustavo Paim (PP). No segundo turno, a sua candidatura também recebeu apoios de PTB, PSC, PR, SD, PRP, PTdoB e PV. Durante a campanha, defendeu que, se ganhasse, parte dos méritos seriam de decisão do presidente nacional do seu partido, Aécio Neves, que interveio no diretório estadual em 2015, barrando o grupo de Yeda Crusius e o nomeou presidente do diretório, o que permitiu o seu lançamento a prefeito.
Foi eleito em segundo turno com 402.165 votos, o que representa 60,5% dos votos válidos, derrotando a candidatura de Sebastião Melo (PMDB). A sua campanha foi considerada de cunho liberal, tendo o apoio de grupos como o Movimento Brasil Livre e de empresários. Com a vitória, Marchezan Júnior foi o primeiro representante do PSDB a ser prefeito de Porto Alegre.
Após a eleição, anunciou que cortaria do número de órgãos municipais de 37 para 23, com diminuição de 29 para quinze secretarias e a desocupação de 340 cargos comissionados (CCs), número que cresceu ao longo dos anos, até chegar a apenas 5,5% a menos do que o número de CCs da administração anterior, em maio de 2019. Também criou um banco de dados para a seleção de cargos comissionados, tanto para servidores quanto indicados por partidos políticos, chamada de Banco de Talentos. Anunciou ainda projetos de concessões e parcerias público-privadas (PPP), com o principal sendo a da Orla de Guaíba. No entanto, ele começou a administração sem maioria na Câmara Municipal de Porto Alegre, com sua coligação majoritária elegendo apenas seis vereadores dos 36 da casa legislativa municipal.
Em janeiro de 2017, o prefeito deixou de realizar investimento público no desfile de Carnaval da cidade, como ocorria em anos anteriores. Marchezan Júnior realizou uma série de medidas de austeridade, após a posse, emitindo dez decretos que reduziam as despesas mensais da Prefeitura por meio da suspensão de novos concursos e a criação de um cômite para avaliar os gastos públicos.
O ano terminou com quinze baixas em cargos de liderança no governo, entre secretários, secretários-adjuntos, lideranças políticas e diretores de empresas públicas.
Nos primeiros dois anos de governo, sua administração foi criticada por não realizar a capina e o roçado em parques e praças, assim como diminuir a frequência da limpeza nos logradouros públicos. O prefeito se justificou pela situação fiscal do município. Por isso, mas tarde nesse ano, ele anunciou o atraso do pagamento dos servidores e apresentou um novo plano de carreira que modificava os salários, porém recuou após uma greve de quarenta dias. A Prefeitura buscou aprovar uma reforma tributária que aumentaria a arrecadação municipal com o IPTU, porém foi rejeitado por 25 votos a 10, com criticas por representar um aumento de impostos para a maioria dos imóveis.
Em 2018, começou a aplicar seus planos de parcerias público-privadas, apresentando planos para iluminação, coleta de lixo e relógios digitais. Também sancionou a Lei Geral dos Táxis. Além disso, Marchezan apresentou um novo projeto de reforma do IPTU, inicialmente em regime de urgência, porém o processo foi removido para expandir o período de discussão. Em dezembro, o MDB decidiu pela entrada na base aliada do Governo Municipal, expandido a base parlamentar de onze para dezessete vereadores.
No começo de 2019, a proposta de mudança no IPTU foi aprovada pela Câmara Municipal por 22 votos favoráveis e 14 contrários. Ao longo de 2019, a relação do prefeito com o Progressistas foi se deteriorando, culminando na exoneração de várias pessoas ligadas ao partido e na subsequente saída da base aliada do PP do governo municipal.
Em 2020, Marchezan Júnior entregou a Lei de Diretrizes Orçamentárias à Câmara Municipal com previsão de receita R$ 476 milhões maior Em agosto, a Câmara Municipal aprovou a abertura de um processo de impeachment contra o prefeito com votos de trinta e um dos trinta e seis vereadores, sob justificativa de uso indevido de R$ 3,1 milhões do Fundo Municipal de Saúde em saúde em ações de publicidade
Durante a campanha, em 2016, Marchezan Júnior negou que tivesse a intenção de privatizar a Carris, empresa pública de transporte coletivo da cidade. Contudo, em junho de 2017, o prefeito afirmou que a Carris poderia ser privatizada. No mês seguinte, ele voltou a sustentar que a empresa deveria ser privatizada ou que deveria licitar linhas. Em junho de 2018, a prefeitura contratou uma consultoria para analisar a Carris e o prefeito novamente defendeu que a privatização era uma das opções para a companhia.