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Natal (Rio Grande do Norte)

Município brasileiro e a capital do estado brasileiro do Rio Grande do Norte

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Natal é a capital do estado brasileiro do Rio Grande do Norte, na Região Nordeste do país. Com aproximadamente 167 km², é a segunda menor capital brasileira em área territorial e dista cerca de 2 227 quilômetros de Brasília, capital federal. Com pouco mais de 750 mil habitantes em 2022, é o município mais populoso de seu estado, o oitavo do Nordeste e o 24° do Brasil. Sua região metropolitana, formada por outros treze municípios, possui mais de 1,5 milhão de habitantes e constitui a quarta maior aglomeração urbana do Nordeste e a décima nona do Brasil.

Fundada no Natal de 1599, às margens do Rio Potengi, que separa a Zona Norte das demais, a cidade foi ocupada por holandeses entre 1633 e 1654, período no qual foi denominada de Nova Amsterdã. Seu crescimento foi lento nos três primeiros séculos de existência. A partir do século XX, Natal passou por um intenso processo de modernização e, a partir da Segunda Guerra Mundial, sua população cresceu em um ritmo mais acelerado, especialmente nas décadas de 1970 e 1980.

Sua localização próxima à "esquina da América do Sul" chamou a atenção do Departamento de Guerra dos Estados Unidos, que considerou Natal como "um dos quatro pontos mais estratégicos do mundo". Com o início das operações da primeira base de foguetes da América do Sul, no Centro de Lançamento da Barreira do Inferno, em Parnamirim, Natal se tornou a "Capital Espacial do Brasil". A construção da Via Costeira, uma rodovia entre o Oceano Atlântico e o Parque das Dunas que interliga as praias de Areia Preta e Ponta Negra, provocou um grande incremento no turismo local.

Fundado em um dia de Natal, em 25 de dezembro de 1599, o nome do município tem origem no latim natale (algo como "local de nascimento"). Algumas vezes, o nome do município dentro de frases é antecedido de artigo masculino, como acontece em "do Crato", "do Recife", "do Rio de Janeiro", entre outros. Em alguns sites e documentos oficiais, bem como no artigo 11 da constituição do Rio Grande do Norte, a cidade é referida com o artigo masculino: "A cidade do Natal é a Capital do Estado".

A história de Natal confunde-se em parte com a história do Rio Grande do Norte. A Capitania do Rio Grande teve início a partir de 1535, com a chegada de uma frota comandada por Aires da Cunha, a serviço do donatário João de Barros e do Rei de Portugal. O objetivo era colonizar as terras da região, tarefa esta dificultada pela forte resistência dos indígenas potiguaras e dos piratas franceses que traficavam pau-brasil. Iniciava-se a trajetória histórica da área situada na esquina da América do Sul.

Em 25 de dezembro de 1597, uma nova esquadra entrou na barra do que hoje é o Rio Potengi. A primeira providência adotada pelos expedicionários foi tomar precauções contra os ataques dos indígenas e dos corsários franceses. Doze dias depois, em 6 de janeiro de 1598, começou a ser erguida a Fortaleza da Barra do Rio Grande (que depois se tornou a Fortaleza dos Reis Magos), concluída no dia 24 de junho do mesmo ano.

No ano seguinte, em 25 de dezembro de 1599, com uma missa onde hoje fica a Igreja Matriz de Nossa Senhora da Apresentação, ocorreu a fundação de Natal, cujo perímetro urbano era demarcado por duas cruzes, desde a atual Praça das Mães (limite norte) até a Praça da Santa Cruz da Bica (limite sul), ambas na Cidade Alta.

Não existe um consenso entre os historiadores acerca do real fundador da cidade, pois, durante a presença holandesa no Rio Grande do Norte, os documentos históricos sobre a fundação de Natal foram destruídos. Alguns historiadores divergem entre Jerônimo de Albuquerque e Manuel de Mascarenhas Homem. Já o historiador natalense Luís da Câmara Cascudo, em seu livro "História do Rio Grande do Norte" (1955), indica João Rodrigues Colaço como fundador da cidade:

Em 1601, por alvará da Coroa Portuguesa, é criada a freguesia de Nossa Senhora da Apresentação, primeira paróquia do Rio Grande do Norte.

Em 1631, uma frota de quatorze navios partiu do Recife e desembarcou em Ponta Negra com o objetivo de conquistar a capitania do Rio Grande, tentativa que, porém, fracassou. Somente em dezembro de 1633 é que de fato teve início a ocupação holandesa, quando os holandeses, ao chegarem a Natal, feriram o capitão-mor do Rio Grande, Pero Mendes Gouveia, e tomaram a Fortaleza da Barra do Rio Grande, que passou a se chamar Castelo de Keulen. O forte, que antes era de taipa, passaria a ser de alvenaria e Natal virou Nova Amsterdã, em referência à capital holandesa.

A ocupação teve fim apenas em 1654, quando os holandeses foram expulsos pelos portugueses e Nova Amsterdã voltou a se chamar Natal. Somente em 1661, a Holanda reconheceu definitivamente a soberania portuguesa sobre o território do atual Nordeste brasileiro, por meio do Tratado de Haia. Após o fim da ocupação, os portugueses retomaram a posse do território, expandindo-se em direção ao interior da colônia. Porém, tal retomada não ocorreu de forma pacífica e muitos dos povos indígenas que habitavam a região foram perseguidos e dizimados. A estabilidade na capitania do Rio Grande só viria no final do século XVII, quando Bernardo Vieira de Melo assumiu o governo.

No início do século XVIII, teve início a construção da Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, concluída em 1714. Foi na margem direita do Rio Potengi, em frente a essa igreja que, em 21 de novembro de 1753, um grupo de pescadores encontrou um caixote de madeira encalhado em algumas rochas, onde hoje se localiza a Pedra do Rosário. Dentro dele, havia uma imagem de Nossa Senhora do Rosário e uma mensagem afirmando que nenhuma desgraça aconteceria onde a imagem parasse.

Os pescadores comunicaram a descoberta da imagem ao pároco da paróquia, Padre Manoel Correia Gomes, que se dirigiu ao local e reconheceu que se tratava de uma imagem de Nossa Senhora do Rosário. A santa foi declarada padroeira de Natal e batizada como Nossa Senhora da Apresentação, pois em 21 de novembro a Igreja Católica celebra o episódio da Apresentação de Maria ao Templo de Jerusalém. Ainda na segunda metade do século XVIII, foi erguida a Igreja de Santo Antônio, o terceiro templo católico de Natal, que ficou conhecida por "Igreja do Galo".

Em 1817, aconteceu a Insurreição Pernambucana e, no Rio Grande do Norte (na época parte da Paraíba, emancipada de Pernambuco em 1799), o movimento conseguiu a adesão do proprietário de um grande engenho de açúcar, André de Albuquerque Maranhão. Em 29 de março, Albuquerque tomou o poder na cidade e formou uma junta governativa que, porém, não obteve apoio popular. Com a derrota dos revolucionários em Pernambuco, o movimento perdeu força e André, incapaz de resistir, acabou por ser deposto e ferido no dia 25 de abril e preso na Fortaleza dos Reis Magos, onde morreu no dia seguinte. Por alvará-régio de 18 de março de 1818, é criada a comarca de Natal, desmembrando-se da comarca da Paraíba.

Em 7 de setembro de 1822, é proclamada a Independência do Brasil do Reino de Portugal em São Paulo, porém, devido à distância, a notícia demorou para chegar ao Rio Grande do Norte, que se tornou uma província do Império do Brasil. Em comemoração ao fato histórico, Natal, que tinha cerca de 700 habitantes na época, festejou a independência em 22 de janeiro de 1823.

Em 1856, Natal ganhou o Cemitério do Alecrim, o primeiro da cidade. Em 1862 é concluída a construção da torre da Igreja Matriz de Nossa Senhora da Apresentação. Em 4 de agosto de 1878, foi inaugurado o serviço telegráfico. Em 28 de setembro de 1881, foi inaugurada a Estação da Ribeira, a estação ferroviária mais antiga do Rio Grande do Norte, hoje administrada pela Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU). Em 1888, a Câmara Municipal de Natal rebatizou a Praça da Matriz para Praça André de Albuquerque, onde fica o marco zero de fundação da cidade, em torno do qual estão importantes prédios históricos. Por fim, em 15 de novembro de 1889, com a queda do regime monárquico e a consequente Proclamação da República, o Rio Grande do Norte se transforma em um estado, permanecendo Natal como sua capital. A segunda metade do século XIX foi marcada pelo desenvolvimento da cidade a partir do ciclo do algodão, às margens do rio Potengi, na região onde hoje está localizado o Porto de Natal.

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