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Natália Palei

Natália Pavlovna Palei (em russo: Наталья Павловна Палей), (5 de dezembro de 1905 – 27 de dezembro de 1981) foi um ícone

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Natália Pavlovna Palei (em russo: Наталья Павловна Палей), (5 de dezembro de 1905 – 27 de dezembro de 1981) foi um ícone da moda, socialite e actriz nascida em França. O seu pai era o grão-duque Paulo Alexandrovich da Rússia, filho do czar Alexandre II e tio do czar Nicolau II. Ficou mais conhecida entre o grande público pelo seu nome artístico, Natalie Paley.

Natália era descrita como o sonho dos publicitas de Hollywood. Descendente da mais rica e famosa família europeia, os Romanov, era a figura viva do "chic" francês e quase demasiado perfeita para ser real. A sua vida romântica e trágica foi algo que a ficção nunca poderia ter igualado. Viveu os últimos tempos da Rússia czarista, os anos 30 na alta sociedade parisiense e movimentou-se pelos círculos mais altos de Hollywood e Nova Iorque.

Mais conhecida pelo seu nome de palco, Natalie Palei, nasceu como condessa Natália Pavlovna von Hohenfelsen, em Paris, França.

Os pais de Natália, o grão-duque Paulo Alexandrovich e a aristocrata Olga Valeriovna Karnovich, conheceram-se em São Petersburgo por volta de 1895, durante um jantar dado pelo marido dela, Erich Gerhard von Pistohlkors, em honra do grão-duque. Erich era um oficial no regimento do grão-duque. Nesta altura, a mãe de Natália tinha já três filhos do seu casamento com Erich von Pistohlkors e o seu pai era viúvo, tendo dois filhos do seu primeiro casamento. A sua primeira esposa, a princesa Alexandra da Grécia, tinha morrido ao dar à luz o seu filho, Demétrio. Segundo Alexei Voklov, camareiro do grão-duque, a atracção foi mutua e imediata. Os dois começaram a passar cada vez mais tempo juntos, apesar de Olga ser casada, e ela chegou mesmo a viajar com o grão-duque e os seus filhos para o sul de França, onde Paulo estava a fazer curas terapêuticas, e cuidou dele quando adoeceu durante a viagem.

Em 1897, nasceu o primeiro filho do casal, o príncipe Vladimir que, devido ao facto de a sua mãe ainda estar casada com Erich von Pistohlkors, foi registado com o apelido dele. Paulo Alexandrovich pediu ao seu sobrinho, o czar Nicolau II, que concedesse o divórcio a Olga do seu marido. A princípio o czar recusou fazê-lo, tendo apenas assinado a permissão quando Paulo deu a sua palavra de que não se casaria com Olga. Desde o princípio que o grão-duque não pretendia cumprir o que tinha prometido e, assim que o processo de divórcio ficou resolvido, Paulo e Olga fugiram da Rússia. Paulo tinha já feito várias viagens ao estrangeiro à procura de um padre ortodoxo que os casasse e acabaria por encontrá-lo em Livorno, na Itália, onde Paulo e Olga se casaram a 10 de outubro de 1902. Paulo, a esposa e o filho ficaram na Itália até ao final do outono e depois mudaram-se para um hotel em Paris. A 5 de dezembro, dois anos antes do nascimento de Natália, o grão-duque recebeu uma carta do ministro da corte russa informando-o de estava impedido de regressar à Rússia e que o czar lhe tinha retirado todos os seus títulos e honras militares como castigo por se ter casado sem a sua permissão. Poucos dias depois, outra carta informou-o de que também tinha perdido a liderança do seu regimento, um golpe que foi particularmente duro para o grão-duque, já que o comando lhe tinha sido entregue pelo seu falecido pai, o czar Alexandre.

A nova situação de Paulo levou a que a família procurasse um lugar mais permanente para viver em Paris. O grão-duque escolheu uma casa em Boulogne-sur-Seine, um bairro habitado principalmente por aristocratas, que tinha pertencido à princesa Zenaide Ivanovna Narishkina, bisavó materna do príncipe Félix Yussupov. No dia 21 de dezembro de 1903 voltaram a ser pais, desta vez de uma menina a quem chamaram Irina. A 29 de outubro de 1904, o rei Oto da Baviera deu a Olga o título de condessa von Hohenfelsen, que podia ser transmitido aos seus descendentes. Depois de a casa estar restaurada e pronta a habitar, Paulo mudou-se finalmente com a família para uma residência permanente com dezasseis empregados.

Natália nasceu no dia 5 de dezembro de 1905 quando a vida da sua família parecia finalmente estabilizar. Teve uma infância muito feliz, mas também excessivamente protegida. Tanto Natália como os seus irmãos recebiam mais atenção dos pais do que era costume na época, principalmente em famílias aristocráticas. Tal facto pode ser explicado devido às condições de vida da família. Como o grão-duque estava exilado e sofria de problemas de saúde, tinha mais tempo para dedicar aos filhos do que seria de esperar caso a família vivesse na Rússia.

Todos os dias de manhã Paulo ia passear com as suas duas filhas, um hábito que adquiriu por conselho do seu médico. Irina, que era muito parecida fisicamente com a mãe de Paulo, a imperatriz Maria Alexandrovna, e tinha uma inteligência muito precoce, era a sua filha preferida, mas Natália também o divertia com a sua espontaneidade e à-vontade, tão diferentes da sua personalidade reservada. Apesar de tudo, tentava não mostrar as suas preferências. Além da protecção dos pais, Irina e Natália eram também vigiadas pela sua governanta, Jacqueline Theureau, e pela tutora inglesa, miss White.

Apesar de não haver exigências protocolares na casa, havia regras a seguir. O grão-duque Paulo era extremamente rigoroso com horários e rotinas e exigia sempre que a sua família estivesse sempre presente a horas à mesa. Natália e os irmãos tinham aulas em casa. A mãe de Natália conhecia alguns dos mais proeminentes cidadãos de Paris que, por vezes, visitavam a família. Natália cresceu rodeada de arte, quer através das suas visitas à biblioteca do pai, que reunia todo o tipo de livros, escritos em várias línguas, quer pelas visitas que os mais conhecidos artistas e filósofos de Paris faziam à sua mãe, quer pelos recitais que se realizavam no grande salão da sua casa. Estas influências despertaram o seu interesse pela cultura. Um dos artistas mais chegados à família e quem o grão-duque Paulo patrocinava generosamente era Serguei Diaguilev.

As festas religiosas eram os momentos mais importantes na infância de Natália. No Natal fazia sempre uma peça de teatro com a irmã Irina, escrita pelo seu irmão Vladimir que ensaiava as irmãs cuidadosamente nas semanas que antecediam a festa. A Páscoa era uma altura celebrada mais pompa. A família assistia a todas as cerimónias da Semana Santa, incluindo a missa da meia-noite na madrugada de Sábado para Domingo. No dia de Páscoa, os pais de Natália davam um grande almoço na sua casa para dezenas de convidados.

Natália era muito chegada aos seus dois irmãos. Vladimir, quase nove anos mais velho do que ela, era o seu herói. Com talento para tudo relacionado com as artes, tentava incentivar as irmãs a seguirem os seus passos, mostrando-lhes textos dos seus autores preferidos, ensinando-as a tocar piano e escolhendo-as sempre para protagonistas das suas peças de teatro. Contudo, em 1913, quando Natália tinha apenas oito anos de idade, Vladimir partiu para a Rússia para começar a sua formação militar no Corps de Pages. Foi a primeira grande separação da sua vida. Com a sua irmã Irina a relação era ainda mais próxima. As duas irmãs andavam sempre juntas, mesmo quando tinham as suas lições e, quando uma não estava presente, a outra não sabia o que fazer. Numa carta escrita em 1911, a mãe de Natália fala do dia em que Irina teve de ir sozinha à igreja sem levar a irmã. Natália passou toda a manhã sentada sem saber o que fazer. A sua mãe e o irmão levaram-na a passear, mas ela esteve sempre calada a olhar para o chão. Não estamos habituadas a viver sozinhas, admitiu a condessa Olga.

Regresso à Rússia e início da Primeira Guerra Mundial

Na primavera de 1912, no espírito das comemorações do tricentenário da chegada dos Romanov ao trono, que se aproximavam, o czar Nicolau II decidiu perdoar o seu tio Paulo, nomeando-o chefe honorário do regimento de infantaria Kourinsky. Paulo decidiu imediatamente que a família ia deixar Paris e regressar à Rússia. No mesmo ano comprou um terreno em Czarskoe Selo, a cidade onde vivia o czar com a sua família, e nele mandou construir um palácio idealizado em conjunto entre ele e a sua esposa, inspirado na casa que tinham em Paris.

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