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Nadir Afonso

Pintor e arquitecto português (1920-2013)

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Nadir Afonso Rodrigues GOSE (Chaves, 4 de dezembro de 1920 – Cascais, 11 de dezembro de 2013) foi um arquitecto, pintor e pensador português.

Diplomado em arquitectura, trabalhou com Le Corbusier e Oscar Niemeyer. Nadir Afonso estudou pintura em Paris e foi um dos pioneiros da arte cinética, trabalhando ao lado de Victor Vasarely, Fernand Léger, August Herbin e André Bloc. Nadir Afonso é autor de uma teoria estética, tendo publicado em vários livros onde defende que a arte é puramente objectiva e regida por leis de natureza matemática, que tratam a arte não como um acto de imaginação, mas de observação, percepção e manipulação da forma. Nadir Afonso alcançou reconhecimento internacional e está representado em vários museus. As suas obras mais famosas são a série Cidades, que sugerem lugares em todo o mundo. Com 92 anos de idade, ainda trabalhava activamente na pintura.

Nadir Afonso Rodrigues nasceu a 4 de dezembro de 1920, em Chaves, distrito de Vila Real. Era filho do professor e poeta Artur Maria Afonso (Montalegre, Montalegre, 17 de março de 1882 – Santa Maria Maior, Chaves, 2 de julho de 1961), e de Palmira Rodrigues Afonso, natural de Chaves .

Em 1938, Nadir Afonso ingressou no curso de Arquitetura na Escola Superior de Belas-Artes do Porto. Durante estes anos a pintura de Nadir evoluiu para uma progressiva abstração.

Terminados os estudos de arquitetura partiu para Paris, em 1946, onde se inscreveu na École des Beaux-Arts para estudar Pintura, e obteve, por intermédio de Portinari, uma bolsa de estudo do governo francês. Colaborou, de 1946 até 1948 e novamente em 1951, com Le Corbusier.

Foi um projecto desenvolvido sob orientação de Le Corbusier que esteve na base da tese A Arquitectura não é uma Arte, que defendeu no Porto em 1948, com o projeto da Fabrica Duval em Saint-Dié (Afonso, 1990). Paralelamente, trabalhou na pintura, servindo-se do ateliê de Fernand Léger. No ateliê de Le Corbusier trabalhou também no projecto da Unité d'Habitation. Uma perspetiva deste projeto, realizada por Nadir, foi reproduzida na revista L’Homme et l’Architecture e, depois em livros da especialidade de todo o mundo. (Afonso, 2010).

No final de 1951, parte para o Brasil, onde trabalhou, nos anos seguintes, com Oscar Niemeyer. sobretudo no projeto do IV Centenário da Cidade de São Paulo, Parque de Ibirapuera. Em finais de 1954, estava de regresso a Paris. Participou no movimento da arte cinética, expondo na galeria Denise René em 1956 e 1957 e em coletivas com Victor Vasarely, August Herbin e Richard Mortensen. Neste âmbito efetuou a série Espacillimité e na vanguarda da arte mundial que apresentou no Salon des Réalités Nouvelles de 1958 um Espacillimité animado de movimento.

Publicou a obra de reflexão estética La Sensibilité Plastique (Paris: Presses du Temps Présent, 1958) e apresentou no ano seguinte a sua primeira grande exposição antológica, na Maison des Beaux-Arts de Paris.

Em 1955, concorreu ao projeto do Monumento ao Infante D. Henrique a erigir em Sagres. Em Chaves projetou a Panificadora, uma das obras de referência da arquitetura portuguesa do século XX. (Afonso, 1990).

Representou Portugal na Bienal de São Paulo, no Brasil, em 1961 e em 1969.

A 12 de maio de 1965, casou primeira vez civilmente, no Porto, com Lucinda Pereira Pinto (Valadares, Baião, c. 1926), filha de Joaquim Pereira Monteiro de Araújo e de Maria da Silva.

A Fundação Calouste Gulbenkian dedicou-lhe uma exposição retrospectiva que foi apresentada em 1970 e outra em 1979 no Centre Culturel Portugais, em Paris, em Lisboa em 1970. Publicou Les Mécanismes de la Création Artistique (Neuchâtel: Editions du Griffon, 1970).

Em 1980, casou segunda vez com Laura da Assunção Rodrigues Esteves (c. 1959), presidente da Fundação Nadir Afonso. O casal teve dois filhos, Artur (c. 1983) e Augusto (c. 1990).

Nos anos seguintes desenvolve uma intensa actividade artística e aos poucos a sua pintura irradia pelo mundo ao mesmo tempo que continua a publicar regularmente. Aos livros referidos seguem-se: Aesthetic Synthesis, Universo e o Pensamento, O Sentido da Arte, Da intuição Artística ao Raciocínio Estético, Sobre a Vida e Sobre a Obra de Van Gogh, As Artes: Erradas Crenças e Falsas Criticas, Nadir Face a Face com Einstein, Manifesto – O Tempo não Existe.

Em 1993, foi realizado o filme Nadir, da autoria de Jorge Campos, para a Radiotelevisão Portuguesa. Artista homenageado na XII Bienal Internacional de Vila Nova de Cerveira (2003), onde apresentou uma exposição antológica, e na 2ª Feira Internacional do Estoril, onde foi atribuído o Prémio Nadir Afonso (2004).

Em Janeiro de 2009, foi apresentado em Chaves o projecto da autoria de Siza Vieira da sede da Fundação Nadir Afonso que está em construção.

Em Boticas o Centro de Artes Nadir Afonso foi inaugurado em Julho de 2013. O projecto deste equipamento foi distinguido com os prémios internacionais The International Architecture Awards (2009) e The Green Good Design Awards (2010).

Entretanto, Nadir desenvolve uma extensa obra plástica e teórica centrada na busca do Absoluto na Arte e publica diversos livros. Em 2010, foi realizada uma grande exposição da sua obra, no Museu Nacional de Soares dos Reis, Porto, e, seguidamente, no Museu Nacional de Arte Contemporânea - Museu do Chiado, Lisboa. O Museu da Presidência da República dedicou-lhe uma exposição retrospectiva. Uma grande exposição foi apresentada no Museu Carlo Bilotti- Vila Borghese em Roma (2012) e outra exposição em Veneza no Palazzo Loredan (2012).

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