Nadia Elena Comăneci (Onești, 12 de novembro de 1961) é uma ex-ginasta romena, que disputou a modalidade artística e é ainda hoje tida como um ídolo mundial esportivo.
Uma das primeiras alunas do treinador Béla Károlyi, enquanto atleta, conquistou nove medalhas olímpicas, cinco delas de ouro, foi a primeira ginasta a receber uma nota dez — desempenho perfeito — em um evento olímpico de ginástica artística, arquiva quatro medalhas mundiais e doze medalhas europeias. Ao lado da russa Svetlana Khorkina, Nadia é detentora do tricampeonato do individual geral continental, além de bicampeã olímpica na trave de equilíbrio. Em campeonatos nacionais, é ainda pentacampeã do concurso geral.
Desde que deixou a vida de atleta profissional, Comăneci continuou envolvida com o desporto: hoje é membro de algumas associações e federações, bem como fundadora de uma instituição filantrópica e colaboradora em diversas outras tanto na Romênia quanto nos Estados Unidos, além de também colaborar para a revista International Gymnast — a publicação mais veiculada da ginástica — ao lado do marido, também ex-ginasta, Bart Conner. Por suas notas e conquistas, é considerada uma das maiores ginastas da modalidade de todos os tempos. Fugida do regime comunista da Romênia, radicou-se nos Estados Unidos e tornou-se cidadã norte-americana. Lá, teve seu primeiro e único filho, Dylan, e abriu um ginásio e uma empresa de equipamentos gímnicos, que produz uma linha de vestuários.
Como premiações, recebeu a Ordem Olímpica por duas vezes, na primeira delas, como a atleta mais jovem a atingir tal distinção; foi eleita uma das cem mulheres mais importantes do século XX; figura, desde 1993, no International Gymnastics Hall of Fame, no qual fora a segunda inserida desde a inauguração da honraria; foi eleita pelo líder comunista romeno, Nicolae Ceauşescu, uma heroína do trabalho socialista, feito este atingido como a mais jovem; também fora eleita, na Romênia, a atleta mais importante do país, em votação realizada no ano de 2006; em 2007, foi escolhida pelo público a celebridade mais confiável da nação, foi eleita a melhor atleta do século XX pelo jornal português Mundo Desportivo, e recebeu da Academia Mundial de Recordes, o título de recordista mundial em sua modalidade.
Nascida em uma cidade fabril das montanhas da Romênia, Nadia é filha de Gheorghe Comăneci e Stefania Alexandrina e irmã mais velha de Adrian. Seu prenome vem do diminutivo russo para Nadiejda e significa esperança. Segundo sua mãe, durante a gravidez ela assistia a um filme, cuja protagonista atendia por este nome e decidiu que sua filha assim se chamaria também. Com a família, a jovem viveu em um pequeno apartamento de Onești. Ativa durante a infância, adorava tanto saltar que quebrou as molas de quatro sofás em casa. Certa vez, brincando de ginasta com uma amiga no pátio da escola, foi reparada por Béla Karolyi, que, aproximando-se para falar com as meninas, ouviu o sinal tocar e as pequenas sumirem para dentro do colégio. Insatisfeito, entrou na escola e, classe por classe, foi atrás das duas garotas. Na terceira investida, as encontrou e, de, imediato as convenceu a fazerem o teste para treinar. Nadia andou sobre a trave, aparelho do qual as crianças tinham medo, saltou e cumpriu os requisitos da prova para iniciar seus treinamentos aos seis anos de idade. Na ocasião, o treinador declarou ser a menina a pupila perfeita: "Ela não conhece o medo."
Oito anos mais tarde, quando adolescente, cultivava em sua coleção cerca de duzentas bonecas, outra paixão além da ginástica. Nessa época, vieram seus primeiros grandes êxitos. Em 1976, Nadia, aos quinze anos, foi eleita a personalidade do ano dentre os componentes de sua categoria, além de escolhida a atleta feminina geral do ano e figurar nas capas das revistas Time e Sports Illustrated, devido a seus êxitos inéditos nos Jogos Olímpicos. Em setembro do mesmo ano, um canal da TV norte-americana viajou até Onești para filmar um especial de uma hora sobre a ginasta, que foi ao ar pela CBS em novembro. Dois anos após tornar-se destaque na modalidade artística, seus pais divorciaram-se, fato este que gerou boatos a respeito de seus ruins resultados, incluídos os atingidos no Mundial, terem ligação com sua vida pessoal à época e não apenas com os treinamentos. Adiante, foi eleita pelo líder comunista romeno, Nicolae Ceauşescu, uma heroína do trabalho socialista, feito este atingido como a mais jovem. Na festa de premiação, ao ser questionada sobre o próximo passo, a menina timidamente respondeu que só queria voltar para casa.
Em 1984, então aos 23 anos, após já encerrada sua carreira de ginasta, assistiu aos Jogos de Los Angeles como convidada VIP do organizador geral Peter Uberoth. No mesmo ano, recebeu a honraria mais importante cedida pelo Comitê Olímpico Internacional, a Ordem Olímpica, o que a tornou a atleta mais jovem a recebê-lo. Em novembro de 1989, poucas semanas antes da Revolução que atingiu seu país e culminou na morte do líder comunista Nicolae, Nadia refugiou-se com um grupo de outros jovens, passando por Hungria, Áustria e, finalmente, Estados Unidos. Inicialmente, sua chegada ao país norte-americano não fora bem vista, em decorrência de sua proximidade com Constantin Panait — um refugiado radicado nos Estados Unidos e desgostado pelo passado desordeiro — que a explorou e extorquiu, segundo rumores ainda ditos, pois a ex-atleta pouco fala sobre o assunto. Um ano mais tarde, com a ajuda dos amigos, ela própria distanciou-se de Panait e mudou-se para Montreal, onde morou na casa de Alexandru Stefu, treinador de rugby, e sua esposa. No ano seguinte, Stefu morreu em um acidente e, Bart Conner, que a conheceu em 1976 durante a Copa América, lhe convidou para viver e trabalhar com ele em Oklahoma, o que a fez retornar aos Estados Unidos. Durante esse período, Nadia, em meados de 1993, fora inserida no International Gymnastics Hall of Fame, tornando-se então a segunda ginasta a receber a homenagem. Anterior a ela, apenas a soviética Olga Korbut, em 1988. Posterior a esta honraria, em 12 de novembro de 1994, Conner a pediu em casamento e os dois ex-ginastas apresentaram-se ao público como noivos. Juntos a dois anos, Comăneci, ao lado do futuro esposo, voltou pela segunda vez à Romênia, desde a queda do comunismo de Ceauşescu. Em evento realizado no Palácio Presidencial, casaram-se em 27 de abril, na cidade de Bucareste, em cerimônia religiosa televisionada no país. Um dia antes, haviam se casado no civil.
Fluente em romeno, inglês e francês, Nadia em 2001, tornou-se também uma cidadã norte-americana. Três anos depois, recebeu a Ordem Olímpica mais uma vez, o que lhe rendeu uma nova marca: foi a primeira homenageada a receber a distinção por duas vezes. Quatro anos mais tarde, a ex-atleta recebeu uma nova honraria: foi a quarta colocada no "Top 20" dos mais importantes atletas dos últimos 150 anos após um estudo publicado na Forbes. Em sua vida pessoal, a 3 de junho de 2006, saudou seu primeiro e único filho, chamado Dylan Paul Conner, com o qual fala em romeno. Em agosto do mesmo ano, foi eleita a personalidade esportiva mais importante da Romênia. Um ano mais tarde, novamente eleita pelo público, dessa vez em pesquisa realizada pela revista Reader's Digest, tornou-se a personalidade mais confiável entre os romenos. Em um total de 10,00, Nadia chegou a 8,98 entre cem personalidades nacionais do mundo artístico, científico e político. Internacionalmente, durante a festa esportiva do jornal português "Mundo Desportivo", recebeu o prêmio de melhor atleta internacional do século XX. No evento, declarou esperar que um grande campeão saia do ginásio que administra com seu marido. Em meados no ano, Nadia recebeu mais uma honraria: foi eleita a mulher recordista mundial em sua modalidade, pela Academia Mundial de Recordes.
Em março de 2008, o técnico Nicolae Forminte associou o nome de Nadia com a crise da ginástica romena. Para ele, nem a ex-atleta inspirava mais as novas gerações, que contava com um número limitado de ginastas de alta capacitação, que treinavam com limitações médicas. Para o treinador, as jovens não mais sonhavam em ser a próxima Nadia Comăneci, e esse sentimento era causado também pela migração da atleta, de fisioterapeutas e técnicos da modalidade para outras nações, como os Estados Unidos. Em uma entrevista posterior, sem responder a esta específica crítica de Forminte, Nadia declarou que, ao contrário dos boatos e mal dizeres, não perdeu sua infância devido aos exigentes treinamentos de Béla Károlyi, pois sempre amou o que fazia e fazia com responsabilidade: