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Néon

Elemento químico com número atómico 10

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O néon, em português europeu, ou neônio, em português brasileiro, é um elemento químico de símbolo Ne e número atômico 10. É o segundo gás nobre da tabela periódica. Em condições padrão, é um gás monoatômico, incolor, inodoro e inerte, com densidade de aproximadamente dois terços da densidade do ar.

O neônio foi descoberto em 1898 junto com o criptônio e o xenônio. Os três eram os gases raros inertes que ainda restavam no ar seco depois da remoção de nitrogênio, oxigênio, argônio e dióxido de carbono. Seu espectro de emissão vermelho vivo permitiu reconhecê-lo de imediato como um novo elemento. O nome neon vem da palavra grega νέον, forma neutra singular de νέος (neos), "novo". O neônio é quimicamente inerte. Embora existam espécies químicas contendo neônio, elas são em sua maior parte moléculas iônicas ou moléculas frágeis mantidas por forças de van der Waals.

A maior parte do neônio do cosmos foi formada pela fusão nuclear no interior de estrelas, a partir de oxigênio e hélio pelo processo de captura alfa. Apesar de ser abundante no Universo e no Sistema Solar, onde ocupa o quinto lugar em abundância cósmica depois de hidrogênio, hélio, oxigênio e carbono, é relativamente escasso na Terra. Corresponde a cerca de 18,2 ppm do volume da atmosfera terrestre e a uma fração menor da crosta. Sua elevada volatilidade e a incapacidade de formar compostos que o fixem a sólidos explicam sua escassez na Terra e nos planetas terrestres internos. Essa volatilidade também facilitou sua fuga dos planetesimais aquecidos pelo jovem Sol.

Entre seus usos estão lâmpadas de descarga de baixa tensão, tubos de descarga de alta tensão e letreiros luminosos, nos quais produz um brilho vermelho-alaranjado característico. A mesma linha de emissão vermelha produz a luz característica dos lasers de hélio-neônio. O elemento também é usado em tubos de plasma e como fluido refrigerante, mas seus usos comerciais são limitados. É obtido principalmente pela destilação fracionada do ar líquido e, como o ar é sua única fonte, custa consideravelmente mais que o hélio.

O neônio foi descoberto em 1898, em Londres, pelos químicos britânicos sir William Ramsay (1852–1916) e Morris William Travers (1872–1961). Ramsay resfriou uma amostra de ar até liquefazê-la, aqueceu o líquido e recolheu os gases à medida que entravam em ebulição. Nitrogênio, oxigênio e argônio já haviam sido identificados. Os gases restantes foram isolados aproximadamente por ordem de abundância ao longo de seis semanas, a partir do fim de maio de 1898. O primeiro foi o criptônio. Depois que ele foi retirado, o gás seguinte produziu luz vermelha intensa sob descarga espectroscópica. Identificado em junho, recebeu o nome "neon", o equivalente grego do latim novum, "novo", por sugestão do filho de Ramsay. A cor vermelho-alaranjada intensa emitida pelo gás quando excitado eletricamente foi percebida de imediato. Travers escreveu mais tarde: "o clarão de luz carmesim do tubo contava sua própria história e era uma visão para contemplar e jamais esquecer".

Um segundo gás foi anunciado junto com o neônio. Tinha aproximadamente a mesma densidade do argônio, mas espectro diferente, e Ramsay e Travers o chamaram de metargon. A análise espectroscópica posterior mostrou que era argônio contaminado com monóxido de carbono. Em setembro de 1898, a mesma equipe encontrou o xenônio pelo mesmo processo.

A escassez de neônio retardou seu emprego em iluminação nos moldes dos tubos de Moore, que usavam nitrogênio e começaram a ser comercializados no início do século XX. Depois de 1902, a Air Liquide, empresa de Georges Claude, passou a produzir neônio em escala industrial como subproduto da liquefação do ar. Em dezembro de 1910, Claude apresentou a iluminação moderna por neônio com um tubo selado contendo o gás. Ele tentou por pouco tempo vender esses tubos para iluminação residencial interna, devido à intensidade da luz, mas os consumidores rejeitaram sua cor. Em 1912, um associado de Claude começou a vender tubos de descarga como letreiros publicitários e encontrou um mercado muito maior. Os tubos chegaram aos Estados Unidos em 1923, quando uma concessionária Packard de Los Angeles comprou dois grandes letreiros. O brilho e a forte cor vermelha diferenciavam a publicidade em neônio de outros anúncios. A intensidade e a vivacidade da cor do neônio foram associadas à sociedade norte-americana daquele período e à ideia de um "século de progresso". Anúncios luminosos e uma "arquitetura eletrográfica" mudaram a aparência noturna das cidades.

Em 1913, J. J. Thomson estudava a composição dos raios anódicos quando fez feixes de íons de neônio atravessarem campos magnético e elétrico e mediu seus desvios em uma placa fotográfica. A placa mostrou duas manchas separadas, correspondentes a duas parábolas de desvio. Thomson concluiu que alguns átomos do gás tinham massa maior que os demais. Ele não interpretou o resultado dessa maneira na época, mas o experimento constituiu a primeira descoberta de isótopos de átomos estáveis. O aparelho de Thomson era uma forma rudimentar do que passou a ser chamado de espectrômetro de massa.

O neônio tem três isótopos estáveis: 20Ne (90,48%), 21Ne (0,27%) e 22Ne (9,25%). 21Ne e 22Ne são em parte primordiais e em parte nucleogênicos, isto é, produzidos por reações nucleares de outros nuclídeos com nêutrons ou outras partículas do ambiente, e suas variações de abundância natural são bem compreendidas. O 20Ne, principal isótopo primordial produzido na nucleossíntese estelar, não tem produção nucleogênica ou radiogênica conhecida, exceto pelo decaimento do oxigênio-20, produzido em casos muito raros de decaimento por aglomerado do tório-228. As causas das variações de 20Ne na Terra foram objeto de intenso debate.

As principais reações nucleares que geram isótopos nucleogênicos de neônio começam com 24Mg e 25Mg, que produzem, respectivamente, 21Ne e 22Ne após captura neutrônica e emissão imediata de uma partícula alfa. Os nêutrons envolvidos vêm sobretudo de reações secundárias de espalação por partículas alfa, por sua vez provenientes das cadeias de decaimento do urânio. O resultado é uma tendência a razões 20Ne/22Ne menores e 21Ne/22Ne maiores em rochas ricas em urânio, como granitos.

A análise isotópica de rochas terrestres expostas também detectou produção cosmogênica de 21Ne por raios cósmicos. Esse isótopo é gerado por reações de espalação em magnésio, sódio, silício e alumínio. A análise dos três isótopos permite separar o componente cosmogênico do neônio magmático e do neônio nucleogênico. O método pode ser usado para determinar idades de exposição cósmica de rochas superficiais e meteoritos.

O neônio do vento solar contém proporção maior de 20Ne que as fontes nucleogênicas e cosmogênicas. Amostras de gases vulcânicos e diamantes também têm enriquecimento em 20Ne, compatível com uma origem primordial, possivelmente solar.

O neônio é o segundo gás nobre mais leve, depois do hélio. Assim como os outros gases nobres, é incolor e inodoro. Em um tubo de descarga a vácuo, emite luz vermelho-alaranjada. Por unidade de volume, o neônio líquido tem capacidade de refrigeração mais de 40 vezes maior que a do hélio líquido e três vezes maior que a do hidrogênio líquido. Na maioria das aplicações, é um refrigerante menos caro que o hélio. Embora o hélio tenha energia de ionização maior, cálculos teóricos apontam o neônio como o elemento quimicamente menos reativo, ainda menos reativo que o hélio. Estudos computacionais mostram que o hélio pode formar espécies químicas estáveis em condições extremas. O íon hidreto de hélio HeH+ foi observado experimentalmente, e sólidos de alta pressão como Na2He também foram confirmados. Trabalhos teóricos preveem que o fluoreto de hidreto de hélio, HHeF, um composto neutro derivado de HeH+, poderia ser estável sob pressão extrema, enquanto o composto análogo de neônio HNeF parece não formar um estado ligado e, por isso, não existiria. Nenhum composto neutro ou covalente estável de neônio é conhecido em qualquer pressão ou temperatura. Um complexo aniônico contendo neônio, [B12(CN)11Ne]−, foi previsto teoricamente, mas sua existência ainda não foi comprovada em experimento. O neônio é o único gás nobre sem compostos definitivamente confirmados.

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