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Mutuípe

Município do Estado da Bahia, Brasil

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Mutuípe é um município brasileiro no interior do estado da Bahia, na Região Nordeste do país. É uma das principais cidades que compõem o Vale do Jiquiriçá, e está situado a 230 quilômetros da capital estadual. De acordo com a estimativa populacional do IBGE de 2025, sua população é de 20 590 habitantes e possui uma área de 275,854 km². Foi elevado de distrito à município em 1926, quando se emancipou de Jiquiricá.

O município é o quinto mais populoso dentre os membros do Vale do Jiquiriçá, e tem sua economia marcada pelo cacau, tendo sido assim desde sua fundação, sendo de grande importância para a produção desse fruto na região, tanto que há um monumento e lixeiras com o formato da iguaria espalhados pela cidade.

De acordo com o geógrafo Teodoro Sampaio, o nome do município vem das palavras ‘’mutum’’, nome de uma fazenda importante para a criação da cidade e de uma ave local, e ‘’ipe’’, que significa ‘’forte’’ em tupi-guarani. Os mutuns são aves pequenas com capacidade limitada de voo. Eles são endêmicos das Américas, e muitas das espécies que habitam o Brasil atualmente sofrem com risco de extinção.

Na primeira metade do século XIX, a área próxima ao Rio Jiquiriçá era completamente habitada por indígenas cariris, que tiveram que, aos poucos, sair do local, devido a invasão de seus territórios. No ano de 1849, Manoel João da Rocha, junto com outras pessoas, chegou ao local onde hoje fica a sede da cidade, e adquiriu um pedaço de terra dos indígenas por uma espingarda, vísceras de um boi e 9$000 réis.

Foram construídas algumas propriedades no local, incluindo a Fazenda Mutum. Na época, a fazenda ficava localizada no município de Jiquiriçá. Por estar próxima a uma estrada que ligava o sertão do sudoeste baiano a Minas Gerais, tropeiros que passavam pela região usavam a construção como lugar de repouso e reabastecimento. Isso, junto com o fato de que o solo da região era fértil, fez com que um núcleo de agricultores e negociantes começasse a se formar próximo a fazenda, por volta de 1900. A chegada da Estrada de Ferro de Nazaré, em 1905, impulsionou ainda mais o desenvolvimento local, conectando a localidade ao porto de Nazaré. Com a Lei Estadual n° 778, aprovada em 1910, a sede do distrito de Paz do Riacho da Cruz foi transferida para o povoado. O desenvolvimento de Mutuípe foi prejudicado por duas coisas: A enchente do Rio Jiquiriçá, que ocorreu no ano de 1914, e um surto de varíola em 1919.

No ano de 1920, se iniciou um movimento de emancipação com o objetivo de elevar o local ao status de município. Com isso, em 26 de julho de 1926, foi assinada a Lei Estadual n° 1882, que criou o município de Mutuípe, instalado apenas no dia 12 de outubro do mesmo ano. Com a emancipação, veio também a primeira pessoa a administrar a cidade, o Dr. Bartolomeu Antero Chaves, que ganhou um apreço da população após ser enviado para tratar do surto de varíola de 1919 e ajudar no movimento de emancipação da localidade.

Durante o mandato de Bartolomeu, foram realizados avanços e reformas pela cidade: as ruas e as praças foram niveladas; focos de mosquitos em lagoas foram exterminados; a rede de esgoto foi ampliada; foi construída a praça Góes Calmon, que até hoje é a mais importante da localidade, onde foi construída a prefeitura municipal; entre outras modificações.

Até 1959, o ensino de Mutuípe chegava apenas até o primário (atual fundamental I). Para os que quisessem prosseguir na educação, era necessário se matricular em escola em cidades próximas, ou até na capital. Devido aos lentos meios de transporte da cidade, a melhor opção era estudar em internatos, que em sua maioria eram caros. Sabendo dessa dificuldade, o Dr. Julival Rebouças, ex-prefeito da cidade que trabalhava na época na Inspetoria Seccional de Ensino, em Salvador, solicitou a criação de um ginásio (atual fundamental II) no município. Assim, no ano seguinte, inaugurou-se o Ginásio de Mutuípe, no Grupo Escolar Ruy Barbosa, tendo como primeiro diretor o Dr. Samuel Antonio de Oliveira.

Nos anos 60, Mutuípe passava por dificuldades. Serviços como energia elétrica, comunicações, saúde, entre outros, não estavam em boas condições. Além disso, a estrada de ferro que conectava a cidade ao resto do país estava se degradando, e próxima do seu fim. A deterioração de linha férrea afetou a cidade, pois quase não havia outros caminhos para sair do local, e os que existiam eram tortuosos e precários, quase inutilizáveis para qualquer meio de transporte que não fossem animais.

Assim, Alberto Xavier, vereador e agricultor local, tomou iniciativa para construir uma estrada para Laje, uma cidade vizinha. Com pouco apoio do poder público, ele juntou diversas pessoas para planejar a obra. Com ajuda de doações e colaboradores, locais, foi possível comprar o equipamento. Depois de muito tempo, trabalhando nas matas e lutando contra o terreno da região, foi finalizada uma simples estrada, que serviu como a melhor forma de sair e entrar na cidade.

Após isso, começou a construção de outra estrada, dessa vez em direção a Amargosa. na década de 50, já havia uma pequena estrada que levava até o Rio Ribeirão, que foi usada como base para o novo projeto. O relevo dificultava o processo, mas uma topografia feita a pedido da prefeitura permitiu que a obra fosse realizada. Em poucos anos, já estava pronta. Com o tempo, sofreu reformas, e veio a se tornar a BA-540.

Foi em 1964 que a estrada de ferro, que já estava deteriorada, foi finalmente desligada, por causa de uma enchente do rio que danificou sua estrutura. No final da década de 60, o município começou a se recuperar da crise. Foi instaurada uma linha de ônibus para a capital do estado, estradas foram construídas para a zona rural, além de investimentos em áreas como saúde e educação. Na década seguinte, o serviço telefônico chegou ao local através da Telebahia. Por fim, houve um desenvolvimento da produção do cacau. Esses eventos ajudaram na recuperação de Mutuípe.

Na manhã do dia 30 de agosto de 2020, Mutuípe foi surpreendida por um terremoto de magnitude 4,6 na escala Richter, se tornando o epicentro na região. Não houve grandes danos, apenas rachaduras em algumas casas. O tremor foi sentido em outras cidades do Recôncavo e até em Salvador. Esse acontecimento não foi uma novidade na cidade, já que outros tremores foram registrados no local em outros anos, como em 2010 e em 2019.

Mutuípe está localizado na mesorregião do Centro-Sul baiano e na microrregião de Jequié, e faz parte da região intermediária e da imediata de Santo Antônio de Jesus. Além disso, o município faz parte do Território de Identidade Vale do Jiquiriçá. A área total do município é de 275,854 km², sendo o 365° maior em área dentre as 417 cidades do estado. Ele está a 230 km da capital do estado, Salvador, e é atravessado pela BR-420 e pela BA-540. A elevação da cidade é de 271 metros em relação ao nível do mar. Mutuípe faz limite com 5 municípios: Jiquiriçá, a oeste, Laje, ao norte, Valença, a leste, Presidente Tancredo Neves, ao sul e sudeste e Teolândia, ao sul.

O município está localizado na bacia hidrográfica do Rio Jiquiriçá, que ocupa uma área de 6 900 km². Esta, por sua vez, é a maior sub-bacia da bacia do Recôncavo Sul, com 17 400 km². Em relação ao clima, ele é classificado como tropical de monção (Am) na classificação climática de Köppen-Geiger. A temperatura local média é de 23,8 °C, e a pluviosidade média anual é de 1347,8 mm.

O relevo de Mutuípe é muito acidentado, sendo descrito como ondulado e com muitos morros. Algumas serras conhecidas são as do Fojo, Preta, e do Argolô. Os tipos de solo predominantes são o latossolos vermelho-amarelo e o podzólico vermelho amarelo distrófico. A vegetação local é classificado como uma floresta latifoliada de formação vegetal ombrófila densa, e o bioma predominante na região é a Mata Atlântica.

De acordo com o censo do IBGE de 2022, a população de Mutuípe é de 20 037 pessoas, fazendo-o o 160° município mais populoso do estado, e tem uma densidade demográfica de 72,64 habitantes por km² , o que o faz ficar em 55° dentre os municípios da Bahia nesse quesito. Segundo este mesmo censo, a cidade teve uma alteração de -6,6% em sua população em relação ao censo de 2010. De acordo com o último censo citado, 50,4% (10 852) da população de Mutuípe é do sexo feminino e 49,6% (10 597) é do sexo masculino. Por fim, os dados de 2010 indicavam que 9.659 pessoas viviam na área urbana do município, enquanto 11.782 viviam na área rural. O IDH da cidade, medido também em 2010, é de 0,601, considerado médio.

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