Louvre ou Museu do Louvre (em francês: Musée du Louvre) é o maior museu de arte do mundo e um monumento histórico em Paris, França. Um marco central da cidade, está localizado na margem direita do rio Sena, no 1º arrondissement (distrito) da cidade. Aproximadamente 38 mil objetos, da pré-história ao século XXI, são exibidos em uma área de 72 735 metros quadrados. Em 2019, o Louvre recebeu 9,6 milhões de visitantes, o que o torna o museu mais visitado do mundo.
O museu está instalado no Palácio do Louvre, originalmente construído como o Castelo do Louvre nos séculos XII e XIII durante o reinado de Filipe II. Restos da fortaleza são visíveis no porão do museu. Devido à expansão urbana, a fortaleza acabou perdendo sua função defensiva e, em 1546, Francisco I a converteu na residência principal dos reis franceses. O edifício foi ampliado várias vezes para formar o atual Palácio do Louvre. Em 1682, Luís XIV escolheu o Palácio de Versalhes como sua casa, deixando o Louvre principalmente como um local para exibir a coleção real, incluindo, a partir de 1692, uma coleção de antigas esculturas gregas e romanas.
Em 1692, o edifício foi ocupado pela Académie des Inscriptions et Belles-Lettres e pela Académie Royale de Peinture et de Sculpture, que em 1699 realizou a primeira de uma série de exposições. A Académie permaneceu no Louvre por 100 anos. Durante a Revolução Francesa, a Assembleia Nacional decretou que o Louvre deveria ser usado como museu para exibir as obras-primas do país.
O museu foi inaugurado em 10 de agosto de 1793 com uma exposição de 537 pinturas, a maioria das obras sendo propriedade real e confiscada da Igreja Católica. Devido a problemas estruturais com o edifício, o museu foi fechado em 1796 até 1801. A coleção foi ampliada sob o governo de Napoleão e o museu foi renomeado como Museu Napoleão, mas após a abdicação dele, muitas obras confiscadas por seus exércitos foram devolvidas aos seus proprietários originais. A coleção foi aumentada ainda mais durante os reinados de Luís XVIII e Carlos X e, durante o Segundo Império Francês, o museu ganhou 20 mil peças. O acervo cresceu constantemente através de doações e legados desde a Terceira República. A coleção é dividida em oito departamentos curatoriais: antiguidades egípcias; antiguidades do Oriente Próximo; antiguidades gregas, etruscas e romanas; arte islâmica; esculturas; artes decorativas; pinturas; impressões e desenhos.
Palácio medieval, renascentista e Bourbon
O Palácio do Louvre, que abriga o museu, foi iniciado como uma fortaleza por Filipe II no século XII para proteger a cidade dos soldados ingleses que estavam na Normandia. Restos deste castelo ainda são visíveis na cripta do museu. Não se sabe se esse foi o primeiro edifício naquele local; é possível que Filipe tenha modificado uma torre preexistente. Segundo a autoridade autorizada Grand Larousse encyclopédique, o nome deriva de uma associação com o esconderijo de caça ao lobo (do latim: lupus). No século VII, St. Fare, uma abadessa de Meaux, deixou parte de sua "vila chamada Luvra, situada na região de Paris", para um mosteiro, mas esse território provavelmente não correspondia exatamente ao local moderno.
O Palácio do Louvre foi alterado frequentemente durante a Idade Média. No século XIV, Carlos V converteu o edifício em residência e, em 1546, Francisco I renovou o local no estilo do renascimento francês. Francisco adquiriu o que se tornaria o núcleo do acervo do Louvre, como a obra Mona Lisa de Leonardo da Vinci. Depois de Luís XIV escolher Versalhes como sua residência em 1682, as reformas desaceleraram; no entanto, a mudança permitiu que o Louvre fosse usado como residência para artistas, sob patrocínio real.
Quatro gerações da família Boulle receberam o patrocínio real e residiram no Louvre na seguinte ordem: Pierre Boulle, Jean Boulle, André-Charles Boulle e seus quatro filhos (Jean-Philippe, Pierre-Benoît (c. 1683–1741), Charles-André (1685-1749) e Charles-Joseph (1688-1754)), depois dele. André-Charles Boulle (1642-1732) é o marceneiro francês mais famoso e o artista de destaque no campo da marchetaria também conhecido como "embutimento". Boulle foi "o mais notável de todos os marceneiros franceses".
Ele foi recomendado para Luís XIV da França, o "Rei Sol", por Jean-Baptiste Colbert (1619-1683), que o classificou como o "o artesão mais habilidoso em sua profissão". Antes que o incêndio de 1720 as destruísse, André-Charles Boulle realizou obras de arte inestimáveis no Louvre, incluindo quarenta e oito desenhos de Rafael.
Em meados do século XVIII, havia um número crescente de propostas para criar uma galeria pública, com o crítico de arte La Font de Saint-Yenne publicando, em 1747, uma convocação para a exibição da coleção real. Em 14 de outubro de 1750, Luís XV concordou e sancionou uma exibição de 96 peças da coleção real, montadas na Galerie royale de peinture do Palácio de Luxemburgo.
Um salão foi aberto pelo Le Normant de Tournehem e pelo Marquês de Marigny para exibição pública do Tableaux du Roy às quartas e sábados, e continha obras de Andrea del Sarto; Rafael; Ticiano; Veronese; Rembrandt; Poussin e Van Dyck, até seu fechamento em 1780, como resultado da doação do palácio ao Conde da Provença (o futuro rei, Luís XVIII) pelo rei em 1778. Sob o reinado de Luís XVI, a ideia do museu real tornou-se política.
O Conde d'Angiviller ampliou a coleção e, em 1776, propôs a conversão da Grande Galerie do Louvre - que continha mapas - no "Museu Francês". Muitas propostas foram oferecidas para a transformação do Louvre em um museu; no entanto, nenhuma foi acordada, o que deixou o museu permaneceu incompleto até a Revolução Francesa.
Durante a Revolução Francesa, o Louvre foi transformado em museu público. Em maio de 1791, Assembleia Nacional declarou que o Louvre seria "um lugar para reunir monumentos de todas as ciências e artes". Em 10 de agosto de 1792, Luís XVI foi preso e a coleção real no Louvre tornou-se propriedade nacional. Por medo de vandalismos ou roubos, em 19 de agosto, a Assembleia Nacional declarou como urgente a preparação do museu. Em outubro, um comitê para "preservar a memória nacional" começou a montar a coleção para exibição.
O museu foi inaugurado em 10 de agosto de 1793, o primeiro aniversário da morte da monarquia. O público recebeu acesso gratuito três dias por semana, o que foi "percebido como uma grande conquista amplamente apreciada". A coleção apresentou 537 pinturas e 184 objetos de arte. Três quartos foram extraídos das coleções reais, o restante de emigrados confiscados e propriedade da Igreja (biens nationaux). Para expandir e organizar a coleção, a República dedicou 100 mil libras por ano ao acervo. Em 1794, os exércitos revolucionários da França começaram a trazer peças do norte da Europa, aumentadas após o Tratado de Tolentino (1797) por obras do Vaticano, como Laocoonte e Seus Filhos e Apolo Belvedere, para estabelecer o Louvre como museu e como "sinal de soberania popular".
Os primeiros dias foram agitados; artistas privilegiados continuavam morando em residências e pinturas não identificadas eram penduradas "quadro a quadro, do chão ao teto". A estrutura em si foi fechada em maio de 1796 devido a deficiências estruturais. Reabriu em 14 de julho de 1801, organizada cronologicamente e com nova iluminação e colunas.
Sob Napoleão I, uma ala norte paralela à Grande Galerie foi iniciada e a coleção cresceu através de campanhas militares bem-sucedidas. Após a Campanha do Egito, entre 1798 e 1801, Napoleão nomeou o primeiro diretor do museu, Dominique Vivant Denon. Em homenagem, o museu recebeu o nome de "Museu Napoleão" em 1803 e foram feitas aquisições de obras espanholas, austríacas, holandesas e italianas, como despojos ou através de tratados, como o Tratado de Tolentino.
No final da Primeira Campanha Italiana de Napoleão, em 1797, o Tratado de Campo Formio foi assinado com o Conde Philipp von Cobenzl, da Monarquia Austríaca. Este tratado não apenas marcou a conclusão da conquista de Napoleão na Itália, mas também o fim das primeiras fases das Guerras Revolucionárias Francesas. Sob os termos desse tratado, as cidades italianas eram obrigadas a contribuir com peças de arte e patrimônio cultural que iriam ser expostas nos "desfiles de saques" de Napoleão por Paris antes de serem colocadas no Museu do Louvre. Uma das peças mais famosas tiradas durante este per foram os Cavalos de São Marcos. Os quatro cavalos de bronze antigos, que adornavam a Basílica de São Marcos em Veneza desde o saque de Constantinopla em 1204, foram levados a Paris para residir no topo do Arco do Carrossel de Napoleão, em 1797.