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Museu de Arte Sacra de São Paulo

Museu em São Paulo, Brasil

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Museu de Arte Sacra de São Paulo é uma das principais instituições brasileiras voltadas ao estudo, conservação e exposição de objetos relacionados à arte sacra. Localiza-se na cidade de São Paulo, na ala esquerda do Mosteiro da Luz, um convento de recolhimento de monjas enclausuradas, fundado em 1774 por iniciativa de Frei Galvão (1739-1822) onde estão seus restos mortais, foi o primeiro santo brasileiro. O mosteiro é a única edificação colonial do século XVIII em São Paulo a preservar seus elementos, materiais e estrutura originais. Encontra-se inserido em meio à última chácara conventual urbana do país. Foi tombado como monumento arquitetônico de interesse nacional em 1943, pelo então SPHAN (atual IPHAN) e, posteriormente, pelo Condephaat.

Mantido por um acordo entre o Governo do Estado e a Arquidiocese de São Paulo, o museu foi fundado em 1970. Abriga um dos mais importantes acervos de arte sacra do Brasil, acumulado pela Mitra Arquidiocesana ao longo do século XX, com peças provenientes de antigas igrejas de todo o país. E também com imagens de santos feitas no Brasil e na Europa entre os séculos XVI e XX, além de pratarias e quadros. A coleção, também tombada pelo IPHAN, abarca obras brasileiras e estrangeiras produzidas a partir do século XVI, com especial ênfase na imaginária do período colonial e várias obras de artistas exponenciais como Aleijadinho, com réplicas das estátuas dos seus profetas do lado de fora do museu, Frei Agostinho da Piedade, Frei Agostinho de Jesus, Mestre Valentim, Mestre Ataíde, Almeida Júnior e Benedito Calixto.

O patrimônio que se conserva hoje no Museu de Arte Sacra de São Paulo tem sua origem em uma importante coleção, gradativamente formada desde o início do século XX, por iniciativa de dom Duarte Leopoldo e Silva, primeiro arcebispo de São Paulo. Por ocasião da demolição da antiga Sé paulistana, para a construção da atual, dom Duarte determinou a distribuição por diversas igrejas da capital das obras de arte sacra da igreja demolida, na expectativa de reuni-las novamente em uma coleção unificada. Assim, já na primeira década do século XX (provavelmente em 1907), é inaugurado o "Museu da Cúria", o primeiro dessa tipologia no Brasil.

Para constituir seu acervo, dom Duarte mandou recolher diversas imagens sacras, pinturas, móveis e objetos litúrgicos (alfaias, ostensórios, báculos, etc.) provenientes de capelas de fazendas demolidas e de igrejas, mosteiros e conventos do interior e da capital paulista. Além das peças da antiga Sé, o museu logrou reunir obras dos já demolidos Recolhimento de Santa Teresa, em São Paulo, e da Igreja de São Pedro dos Clérigos, no Rio de Janeiro, das ruínas das Missões Jesuíticas do Rio Grande do Sul, e de diversas capelas e igrejas barrocas de Minas Gerais, Bahia, Pernambuco e do Centro-Oeste brasileiro. Dom Duarte também doou ao Museu da Cúria sua importante coleção particular de numismática.

O Museu da Cúria continuou a recolher peças provenientes do interior paulista e acomodar os acervos das várias igrejas da capital demolidas ao longo da primeira metade do século XX. Até então, o acervo era mantido em uma sala na sede da Cúria, na rua Santa Teresa. Em 1969, quando Abreu Sodré era governador de São Paulo, seu Secretário da Fazenda, Luís Arrobas Martins, empenhado na criação e consolidação de uma rede de equipamentos culturais no estado, deu início às negociações junto ao cardeal Agnelo Rossi visando a criação do Museu de Arte Sacra de São Paulo, a ser constituído pela junção do acervo da Cúria e de obras do governo paulista. O convênio entre governo e a Arquidiocese foi aprovado e, após obras de restauração do Mosteiro da Luz, coordenadas pelo IPHAN, o museu foi ali instalado e aberto à visitação pública, em 29 de junho de 1970.

Ao acervo inicial, juntou-se um conjunto de imagens e pinturas transferidas pelo governo do estado do Museu do Ipiranga e outras peças sacras adquiridas no mercado de arte por Luís Arrobas Martins. Outras ainda seriam doadas por artistas, colecionadores particulares e empresários, nomes como os de Pietro Maria Bardi e Ciccillo Matarazzo. No final da década de 1970, o Mosteiro da Luz passou por outra grande reforma, agora empreendida pelo Condephaat, que visava recuperar sua antiga fisionomia dos Setecentos. Nessa época, assume a direção do museu o padre Antonio de Oliveira Godinho, que busca reformular o perfil museológico da instituição e estabelece critérios didáticos para a exposição das obras do acervo. Em 1979, o museu recebe a visita do pontífice João Paulo II.

Atualmente, o museu ocupa o pavimento térreo da ala esquerda do Mosteiro da Luz, além da chamada “Casa-Forte” (antigo cemitério das religiosas falecidas em clausura no mosteiro) que abriga algumas das mais preciosas peças da coleção. A instituição ainda conserva a seção denominada “Museu do Presépio”, um dos mais raros conjuntos desse gênero no mundo, exposta, durante parte da década de 1980, sob a Grande Marquise do Parque do Ibirapuera. Promove exposições temporárias e atividades educativas e culturais, presta auxílio e atendimento a pesquisadores e mantém publicações especializadas. Abriga ainda uma rica biblioteca, com publicações, documentos e obras raras datados de princípios do período colonial.

Considerado um dos mais importantes e bem conservados exemplares da arquitetura colonial brasileira do século XVIII, o Mosteiro da Luz tem suas origens na capela em homenagem a Nossa Senhora da Luz, erguida pelo colonizador Domingos Luís, dito "O Carvoeiro", na então distante região chamada de "Piranga" (o atual bairro paulistano do Ipiranga). Em 1603, Domingos Luís mudou-se para o Campo do Guaré, reconstruindo nessa localidade o pequeno templo. A capela tornou-se ponto de referência e acabou por dar seu nome ao bairro: Luz.

A ideia de construção do Mosteiro da Luz foi baseada nas visões da Irmã Helena Maria do Espírito Santo do Antigo Convento de Santa Tereza, aproximadamente em 1772. Ela afirmava ter visões de Jesus Cristo pedindo a construção de um local para recolhimento. Antonio de Santana Galvão que era o confessor da Irmã confirmou a autenticidade das visões após discutir com sacerdotes e teólogos da cidade.

Para escolher o local da construção, foram tomadas providências com o Governador do bispado, o Cônego Antônio de Toledo Lara e o Governador da Capitânia, o Capitão-General D. Luiz Antônio de Souza Botelho e Mourão conhecido como o "Morgado de Mateus". Morgado de Mateus doou um terreno para a construção do espaço de recolhimento por meio de uma Carta de Sesmaria.

Na época, uma lei do Marquês de Pombal, então Secretário de Estado do Reino, proibia a abertura de conventos ou mosteiros. Tendo em vista as restrições, Frei Galvão levou as freiras para morarem nas casas próximas à capela, não oficializando a região uma área religiosa. Apenas um local onde moravam senhoras que queriam viver sob preceitos cristãos.

As freiras passaram a morar na região em 2 de fevereiro de 1774 sob o nome de Recolhimento de Nossa Senhora da Conceição. Logo após, Frei Galvão providenciou a construção de uma nova capela porque aquela se encontrava em mal estado e as casas estavam prestes a ruir. Fez um projeto para uma nova edificação e convidou as Irmãs a participarem da construção juntamente com os escravos e tapeiros emprestados de suas famílias.

O próprio frei Galvão projetou o edifício e trabalhou como pedreiro e supervisor durante a sua construção, concluindo-o parcialmente em 1788. Nos anos seguintes, continuaria a realizar novas ampliações, incorporando a antiga Capela da Luz ao novo prédio. Após sua morte em 1822, frei Galvão foi sepultado no recolhimento, marcando o local como destino de vários peregrinos. Frei Lucas José da Purificação foi incumbido de continuar as obras do edifício, que prosseguiram até as primeiras décadas do século XIX.

Em 1929, o recolhimento foi incorporado canonicamente à Ordem da Imaculada Conceição, sendo assim elevado à categoria de mosteiro. Foi tombado em 1943 e, desde 1970, abriga o Museu de Arte Sacra de São Paulo na ala esquerda da edificação. As internas, ditas irmãs concepcionistas, vivem até hoje em regime de clausura, na parte reservada do mosteiro, sem acesso ao público. Completam o conjunto arquitetônico a igreja da Luz, a antiga capela e o cemitério das religiosas, envoltos pelo último remanescente das chácaras conventuais urbanas do país.

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