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Muro de Berlim

Barreira física construída pela Alemanha Oriental, circundando toda a Berlim Ocidental

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Muro de Berlim (em alemão: Berliner Mauer) foi uma barreira de concreto vigiada que cercou Berlim Ocidental de 1961 a 1989, separando-a de Berlim Oriental e da República Democrática Alemã (RDA; Alemanha Oriental). A construção do Muro de Berlim foi iniciada pelo governo da RDA em 13 de agosto de 1961. Incluía torres de guarda colocadas ao longo de grandes muros de concreto, acompanhadas por uma ampla área que continha trincheiras anti-veículo, leitos de pregos e outras defesas. A intenção principal da construção do Muro era impedir que os cidadãos da Alemanha Oriental fugissem para o Ocidente.

A propaganda do Bloco Soviético retratou o muro como uma proteção à população de "elementos fascistas que conspiravam para impedir a vontade do povo" de construir um Estado comunista. As autoridades referiram-se oficialmente ao Muro de Berlim como Muro de Proteção Antifascista (em alemão: Antifaschistischer Schutzwall). Por outro lado, o governo da cidade de Berlim Ocidental às vezes se referia a ela como o "Muro da Vergonha", um termo cunhado pelo prefeito Willy Brandt em referência à restrição à liberdade de movimento. Juntamente com a fronteira interna alemã, separada do muro e muito mais longa, que demarcava a fronteira entre a Alemanha Oriental e Ocidental, passou a simbolizar fisicamente a Cortina de Ferro que separava o Bloco Ocidental e os Estados satélites soviéticos do Bloco Oriental durante a Guerra Fria.

Antes da construção do Muro, 3,5 milhões de alemães orientais contornaram as restrições de emigração do Bloco Oriental e desertaram da RDA, muitos cruzando a fronteira de Berlim Oriental para Berlim Ocidental; de lá, eles puderam viajar para a Alemanha Ocidental e para outros países da Europa Ocidental. Entre 1961 e 1989, uma força de segurança mortal associada ao muro impediu quase toda essa emigração. Durante este período, mais de 100 mil pessoas tentaram escapar e mais de 5 mil pessoas conseguiram escapar pelo muro, com um número estimado de mortos assassinados pelas autoridades da Alemanha Oriental variando de 136 a mais de 200 em Berlim e arredores.

Em 1989, uma série de revoluções nos países vizinhos do Bloco de Leste (Polônia e Hungria em particular) e os eventos do "Piquenique Pan-Europeu" desencadearam um desenvolvimento pacífico durante o qual a Cortina de Ferro se quebrou em grande parte, os governantes do Leste ficaram sob pressão pública para cessarem as suas políticas repressivas. Após várias semanas de agitação civil, o governo da Alemanha Oriental anunciou em 9 de novembro de 1989 que todos os cidadãos da RDA poderiam visitar a RFA e Berlim Ocidental. Multidões de alemães orientais atravessaram e escalaram o muro, juntando-se aos alemães ocidentais do outro lado e os caçadores de souvenirs foram destruindo partes do muro nas semanas seguintes. O Portão de Brandemburgo, a poucos metros do Muro de Berlim, reabriu em 22 de dezembro de 1989, com a demolição do Muro começando em 13 de junho de 1990 e terminando em 1994. A queda do Muro de Berlim abriu caminho para a reunificação alemã, que ocorreu formalmente em 3 de outubro de 1990.

Após a Segunda Guerra Mundial na Europa, o que restou da Alemanha nazista a oeste da linha Oder-Neisse foi dividido em quatro zonas de ocupação (por Acordo de Potsdam), cada um controlado por uma das quatro potências aliadas: os Estados Unidos, o Reino Unido, a França e a União Soviética. A capital, Berlim, enquanto a sede do Conselho de Controle Aliado, foi igualmente dividida em quatro sectores, apesar da cidade estar situada bem no interior da zona soviética.

Em dois anos, ocorreram divisões entre os soviéticos e as outras potências de ocupação, incluindo a recusa dos soviéticos aos planos de reconstrução para uma Alemanha pós-guerra autossuficiente e de uma contabilidade detalhada das instalações industriais e infraestrutura já removidas pelos soviéticos. Reino Unido, França, Estados Unidos e os países do Benelux se reuniram para mais tarde transformar as zonas não-soviéticas do país em zonas de reconstrução e aprovar a ampliação do Plano Marshall para a reconstrução da Europa para a Alemanha.

O Bloco de Leste e o Bloqueio de Berlim

Após a Segunda Guerra Mundial, o líder soviético Joseph Stalin construiu um cinturão protector da União Soviética em nações controladas em sua fronteira ocidental, o Bloco do Leste socialista, que então incluía Polónia, Hungria e Tchecoslováquia, que ele pretendia manter a par de um enfraquecido controle soviético na Alemanha.

Já em 1945, Stalin revelou aos líderes alemães socialistas que esperava enfraquecer lentamente a posição Britânica em sua zona de ocupação, que os Estados Unidos iriam retirar sua ocupação dentro de um ano ou dois e que, em seguida, nada ficaria no caminho de uma Alemanha unificada sob controle socialista dentro da órbita soviética.

A grande tarefa do Partido Comunista no poder na zona Soviética alemã foi abafar as ordens soviéticas através do aparelho administrativo e fingir para as outras zonas de ocupação que se tratavam de iniciativas próprias. Nesse período, a propriedade e a indústria foram nacionalizadas na zona de ocupação Soviética.

Em 1948, após desentendimentos sobre a reconstrução e uma nova moeda alemã, Stálin instituiu o Bloqueio de Berlim, impedindo que alimentos, materiais e suprimentos pudessem chegar a Berlim Ocidental. Os Estados Unidos, Reino Unido, França, Canadá, Austrália, Nova Zelândia e vários outros países começaram uma enorme "ponte aérea de Berlim", fornecendo alimentos e outros suprimentos à Berlim Ocidental. Os soviéticos montaram uma campanha de relações públicas contra a mudança da política Ocidental e socialistas tentaram perturbar as eleições de 1948, enquanto 300 mil berlinenses pediam para que o transporte aéreo internacional continuasse. Em maio de 1949, Stalin acabou com o bloqueio, permitindo a retomada dos embarques do Ocidente para Berlim.

A República Democrática Alemã (Alemanha Oriental) foi declarada em 7 de outubro de 1949, onde o Ministério de Negócios Estrangeiros Soviético concedeu autoridade administrativa a Alemanha Oriental, mas não sua autonomia, onde os soviéticos possuíam ilimitada penetração no regime de ocupação e nas estruturas de administração e de polícia militar e secreta. A Alemanha Oriental diferia da Alemanha Ocidental (República Federal da Alemanha), que se desenvolveu como um país Ocidental capitalista com uma economia social de mercado ("Soziale Marktwirtschaft" em alemão) e um governo de democracia parlamentar. O crescimento económico contínuo a partir de 1950 da Alemanha Ocidental alimentou um "milagre económico" de 20 anos ("Wirtschaftswunder"). Enquanto a economia da Alemanha Ocidental cresceu e seu padrão de vida melhorou continuamente, muitos alemães orientais tentavam ir para a Alemanha Ocidental.

Depois da ocupação soviética da Europa Oriental no final da Segunda Guerra Mundial, a maioria das pessoas que viviam nas áreas recém-adquiridas do Bloco Oriental aspiravam à independência e queriam que os soviéticos saíssem. Aproveitando-se da zona de fronteira entre as zonas ocupadas na Alemanha, o número de cidadãos da RDA que se deslocam para a Alemanha Ocidental totalizou 197 mil em 1950, 165 mil em 1951, 182 mil em 1952 e 331 mil em 1953. Uma das razões para o aumento acentuado em 1953 foi o medo de Sovietização mais intensa com as ações cada vez mais paranóicas de Joseph Stalin em 1952 e no início de 1953. 226 mil pessoas fugiram apenas nos primeiros seis meses de 1953.

Os planos da construção do muro eram um segredo do governo da Alemanha Socialista. Poucas semanas antes da construção, Walter Ulbricht, líder da RDA na época, respondeu assim à pergunta de uma jornalista da Alemanha Ocidental:

Vou interpretar a sua pergunta da maneira que na Alemanha Ocidental existem pessoas que desejam que nós mobilizemos os trabalhadores da capital da RDA para construir um muro. Eu não sei nada sobre tais planos, sei que os trabalhadores na capital estão ocupados principalmente com a construção de apartamentos e que suas capacidades são inteiramente utilizadas. Ninguém tem a intenção de construir um muro!

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