Movimento Democrático Brasileiro (MDB) foi um partido político brasileiro que abrigou os opositores da ditadura militar brasileira ante o poderio governista da Aliança Renovadora Nacional (ARENA). Organizado em fins de 1965 e fundado no ano seguinte, o partido se caracterizou por sua multiplicidade ideológica graças sobretudo aos embates entre os "autênticos" e "moderados" quanto aos rumos a seguir no enfrentamento ao poder militar.
Inicialmente raquítico em seu desempenho eleitoral, experimentou grande crescimento no governo de Ernesto Geisel obrigando os militares a extinguirem o bipartidarismo e assim surgiu o Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB) em 1980.
Com o fim do bipartidarismo, as inúmeras correntes que formavam o MDB fundaram legendas como o Partido dos Trabalhadores (PT) e Partido Democrático Trabalhista (PDT), e outras que vieram mais tarde desde os anos 80. Em 1988, uma cisão no PMDB deu origem ao Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), formado pela ala então social-democrata e os intelectuais do partido ligados ao ex-governador paulista Franco Montoro.
Vale notar que o símbolo do MDB é semelhante ao da Unión Cívica Radical, partido político da Argentina.
Em 31 de março de 1964, uma ação empreendida pelas Forças Armadas depôs João Goulart e entregou, então, o poder ao "Comando Supremo da Revolução" durante a figurativa passagem de Pascoal Ranieri Mazzilli pela Presidência da República. Assim, nos quinze dias seguintes os militares empreenderam ações destinadas a consolidar a nova estrutura de poder começando pela outorga do Ato Institucional Número Um que, baixado em 9 de abril pelo Ministro da Guerra Artur da Costa e Silva, pelo Ministro da Marinha Augusto Rademaker e pelo Ministro da Aeronáutica Francisco de Assis Correia de Melo, inaugurou uma era de cassações e suspensões de direitos políticos contra aqueles considerados adversários do novo governo dentre os quais os ex-presidentes Juscelino Kubitschek, Jânio Quadros e João Goulart, além de um sem-número de políticos, intelectuais, funcionários públicos, líderes sindicais e estudantis.
Com a posse do Marechal Humberto de Alencar Castelo Branco na Presidência da República, em 15 de abril de 1964, começou a disputa entre os "moderados" e a "linha dura" no meio militar quanto a condução do governo.
Apontado como integrante do primeiro grupo, Castelo Branco atendeu aos pleitos dos setores mais radicais e estendeu as penas de cassação e perda de direitos políticos à sociedade civil e rompeu relações diplomáticas com Cuba ao tempo em que encaminhava seus projetos de reforma administrativa, eleitoral, econômica e agrária de modo a reverter algumas das decisões do governo Goulart e contentar os setores sociais que prestavam apoio ao regime dos quartéis.
Durante o primeiro ano de seu governo, Castelo Branco recebeu o apoio majoritário dos partidos então existentes capitaneados pela União Democrática Nacional (UDN) e pelo Partido Social Democrático (PSD) ao passo que seus opositores provinham do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), contudo a "linha dura" do regime entendia haver complacência para com os "subversivos" que se encontravam nos partidos políticos, não obstante a cassação de três ex-presidentes da República, o exílio de nomes da esquerda como Miguel Arraes e Leonel Brizola e o isolamento de líderes civis do Golpe de 1964 como Carlos Lacerda e Adhemar de Barros: o primeiro renunciou à sua pré-candidatura presidencial e o segundo foi afastado do governo paulista em junho de 1966 quando foi substituído por Laudo Natel.
Mesmo diante de tantas baixas forçadas os setores políticos não-alinhados com os militares exibiam força como na eleição do Brigadeiro "janista" José Vicente Faria Lima para a Prefeitura de São Paulo em 22 de março de 1965. Tal fato serviu como vetor para que não se realizassem as eleições para governador em onze estados da federação em 3 de outubro, todavia Castelo Branco assegurou a realização do pleito via sufrágio popular.
Considerados estados-chave para a consolidação política do novo regime, Minas Gerais e Guanabara manifestavam predileção por nomes avessos ao poder federal por suas ligações com figuras recém-defenestradas da vida pública: em Minas Sebastião Paes de Almeida era visto com reservas por ter sido Ministro da Fazenda do governo Kubitschek e na Guanabara Hélio de Almeida tinha contra si o fato de ter ocupado o Ministério de Viação e Obras Públicas nas fases parlamentarista e presidencialista de João Goulart. O duplo impasse foi solucionado mediante a apresentação de Israel Pinheiro da Silva e Francisco Negrão de Lima como postulantes aos governos mineiro e carioca, respectivamente. Ao final do processo os dois foram eleitos e cumpriram seus mandatos apesar do evidente desconforto por parte das autoridades de Brasília.
Nos demais estados as eleições transcorreram sem sobressaltos para o poder central sendo que em cinco deles houve uma atuação mais incisiva do governo federal em favor de seus candidatos: no Maranhão a vitória coube a José Sarney, no Paraná a Paulo Pimentel, em Goiás a Otávio Lage, no Pará a Alacid Nunes e na Paraíba o vitorioso foi João Agripino.
Nos estados de Mato Grosso, Rio Grande do Norte e Santa Catarina venceram Pedro Pedrossian, Valfredo Gurgel e Ivo Silveira, respectivamente. Quanto a Alagoas o desfecho foi diferente, pois como nenhum candidato alcançou a maioria absoluta de votos (como preconizava a legislação vigente) foi nomeado um interventor e somente em agosto de 1966 foi escolhido por via indireta o nome de Antônio Simeão de Lamenha Filho.
Mesmo diante de um cenário que lhe era favorável em grande parte, a "linha dura" do governo militar não parecia disposto a relevar os resultados havidos em Minas Gerais e na Guanabara e assim foi editado, em 27 de outubro de 1965, o Ato Institucional Número Dois que concentrou mais poderes nas mãos do Executivo, estabeleceu eleições indiretas para Presidente da República e para os governos estaduais a partir do ano seguinte e por fim decretou a extinção dos partidos políticos no país e a criação de um sistema bipartidário onde o governo seria representado pela Aliança Renovadora Nacional (ARENA) e a oposição caberia ao Movimento Democrático Brasileiro (MDB).
Conforme os dispositivos do Ato Institucional Número Dois e ainda do Ato Complementar Número Quatro, de 24 de novembro de 1965, criar um partido político só seria possível se a nova agremiação contasse com pelo menos 20 senadores e 120 deputados federais no ato de sua fundação e assim foram surgiram duas novas siglas ao invés das treze então existentes: a ARENA (Aliança Renovadora Nacional) e o MDB (Movimento Democrático Brasileiro) que congregariam as forças situacionistas e as de oposição ao governo. As adesões ao partido oficial excederam os prognósticos ao passo que no MDB foi preciso um empenho maior para cumprir o número mínimo de filiações de modo a evitar a caracterização do Regime Militar de 1964 como uma ditadura de partido único.
A primeira reunião para tratar da criação de um partido oposicionista se deu em 4 de dezembro de 1965 e nela os participantes decidiram adotar o termo "movimento" ao invés de "ação", desse modo chegou-se ao "Movimento Democrático Brasileiro" cuja sigla foi alterada de "MODEBRA" para "MDB". Em 24 de março de 1966, foi lavrado o registro oficial do novo partido.
Formado basicamente por egressos do Partido Trabalhista Brasileiro o MDB (apelidado de "manda brasa" por seus filiados e simpatizantes) recebeu também dissidentes partidários que não cerraram fileiras com o governo, dentre os quais dois importantes líderes do Partido Social Democrático: Tancredo Neves e Ulysses Guimarães. Correntes socialistas e comunistas e correntes democráticas não-socialistas também optaram pela legenda oposicionista, daí a multiplicidade ideológica intrínseca aos emedebistas. Cerceado por uma legislação feita sob medida para favorecer a ARENA, o MDB elegeu sete senadores (de vinte e três vagas em disputa) e cento e trinta e dois deputados federais (havia quatrocentas e nove vagas em jogo).