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Mossoró

Município brasileiro do estado do Rio Grande do Norte

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Mossoró(ver ortografia) é um município brasileiro no interior do estado do Rio Grande do Norte. Ocupa uma área de aproximadamente 2 100 km², sendo o maior município do estado em área, estando distante 281 quilômetros da capital estadual, Natal. Com uma população de 264.577 habitantes, de acordo com o censo demográfico de 2022, é o segundo mais populoso do Rio Grande do Norte, depois da capital, o mais populoso do interior do estado e o 108° do Brasil.

Localizado entre duas capitais, Natal e Fortaleza, ambas ligadas pela BR-304, que contorna o município, Mossoró é uma das principais cidades do interior nordestino e vive um intenso crescimento econômico e de infraestrutura, sendo uma das cidades brasileiras de médio porte mais atraentes para investimentos no país. O município é um dos maiores produtores nacionais de petróleo em terra e sua economia tem como destaque a fruticultura irrigada, voltada em grande parte para a exportação.

Emancipado de Assu em 1852, o município possui sua história marcada por fatos notórios, dentre os quais a abolição da escravidão (1883), cinco anos antes da Lei Áurea, o primeiro voto feminino e a resistência histórica ao bando de Lampião (1927). Reduto cultural do Rio Grande do Norte, Mossoró se destaca também pelo turismo de negócios. As festividades realizadas na cidade anualmente atraem uma enorme quantidade de turistas, como o Mossoró Cidade Junina, um dos maiores arraiás do Brasil, e o Auto da Liberdade, o maior espetáculo brasileiro em palco ao ar livre.

Não se sabe ao certo a origem do topônimo "Mossoró", mas existem várias versões contadas a respeito desse assunto. Conta-se que o nome provém de "Monxoró", nome atribuído aos primeiros indígenas que habitavam a região. Outros dizem que o nome vem de "Mororó", árvore resistente e flexível.

De acordo com as atuais regras de ortografia da língua portuguesa, a grafia correta é Moçoró, pois prescreve-se o uso da letra "ç" para palavras de origem tupi. O nome vem do tupi e quer dizer erosão, corte, ruptura. Ao longo dos anos, a grafia foi alterada para mo-so-'roka, mossoró e finalmente para moçoró. Do mesmo vocábulo vem moçoroense, que é o natural do município.

Por volta de 1600, por meio de cartas e documentos que faziam referência às salinas existentes na região, acredita-se que, pela primeira vez, o território que hoje corresponde ao município de Mossoró teria sido povoado. De acordo com Luís da Câmara Cascudo, historiador potiguar experiente e notório, os holandeses Gedeon Morris de Jonge e Elbert Smiente extraíam o sal existente na região até meados de 1644.

Fernando Martins Mascarenhas, que era governador de Pernambuco, concedeu, em 1701, terras em Paneminha ao Convento do Carmo de Recife, com sesmarias de entrada em volta, que ainda hoje pertencem ao município de Mossoró. Do mesmo modo, foram sendo concedidas mais terras a brasileiros e portugueses. Durante o século XVIII, às margens de um rio, várias fazendas foram instaladas por proprietários vindos de outras regiões. A população desses lugares era restrita somente aos vaqueiros, criadores e procuradores da fazenda, uma vez que seus donatários moravam geralmente fora de suas propriedades, como em Natal ou em outras províncias vizinhas, como a Paraíba e o Ceará. Acredita-se que as primeiras pessoas a se instalarem de forma definitiva em suas propriedades foram as famílias Gamboa, Guilherme e Ausentes, que habitavam locais situados às margens do Rio Mossoró, e foram se espalhando para outros lugares até chegarem a Apodi.

Ainda no século XVIII, mudou-se para o mesmo lugar o sargento-mor português Antônio de Souza Machado e sua família, em meados de 1760, com anseio de povoar aquele lugar. Ele foi proprietário da fazenda Santa Luzia e mandou construir uma capela de Santa Luzia, um dos marcos fundamentais ao surgimento de Mossoró. A capela foi fundada oficialmente no dia 5 de agosto de 1772.

Em 27 de outubro de 1842, por meio da resolução provincial n° 87, é criado o distrito de Mossoró, parte do município de Assu, e a freguesia de Santa Luzia, desmembrada de Apodi, e a capela é elevada à categoria de matriz. Até a nomeação de seu primeiro vigário, o Padre Antônio Joaquim Rodrigues, em 1844, a nova paróquia foi conduzida interinamente pelo padre José Antônio Lopes da Silveira. Em 15 de março de 1852, a lei provincial 246 desmembra o distrito e o eleva Mossoró à categoria de vila, tornando-se um novo município do Rio Grande do Norte. Em 23 de março seguinte, é criado o distrito de São Sebastião, atual município de Governador Dix-Sept Rosado. Ainda naquele ano, foram realizadas as primeiras eleições para a Câmara Municipal, que foi solenemente instalada em 24 de janeiro de 1853, sob a presidência do padre Antônio Freire de Carvalho. Em 1855, o Padre Antônio Joaquim, vigário paroquial de Mossoró, cria irmandade de Santa Luzia e, a partir de 1858, a capela de Santa Luzia é demolida, sendo reconstruída nos próximos dez anos seguintes.

Pela lei provincial n° 499, de 23 de maio de 1861, é criada a Comarca de Mossoró, desmembrada da Comarca de Assu. Finalmente, em 9 de novembro de 1870, a lei provincial 620 elevou a vila de Mossoró à categoria de cidade. Em 1872, é realizado o primeiro censo demográfico do Brasil e Mossoró era, dentre os 22 municípios da província na época, o décimo-quarto em população, com exatos 8 000 habitantes, dos quais 293 eram escravos. Em 17 de outubro desse mesmo ano, o jornalista Jeremias da Rocha Nogueira funda o jornal O Mossoroense e, em 5 de dezembro, é criado o distrito de Areia Branca (correspondente hoje aos territórios de Areia Branca, Grossos e Tibau), extinto em 19 de dezembro de 1876. Já em 18 de agosto de 1873, a Câmara Municipal autoriza a construção da primeira necrópole da cidade, que hoje é o cemitério São Sebastião. No mesmo ano, é fundada a loja maçônica de Mossoró.

Em 30 de agosto de 1875, na sede do jornal O Mossoroense, cerca de trezentas mulheres, lideradas por Anna Floriano, saíram revoltadas pelas ruas da cidade em passeata e realizaram um motim protestando contra a obrigatoriedade do alistamento militar. As mulheres fizeram de refém o escrivão de paz e em praça pública rasgaram o livro e os papéis que recrutavam os homens mossoroenses a ingressarem nas forças armadas para lutarem na Guerra do Paraguai. Entre 1877 e 1879, o Nordeste foi assolado por uma grande seca, que gerou uma fuga em massa de pessoas da cidade para o litoral, incluindo a maioria dos escravos e, em 1878, é construída a cadeia pública de Mossoró.

Em 1882, tem-se início um movimento abolicionista, que tinha como objetivo acabar com o trabalho escravo em Mossoró, que levou à fundação da Sociedade Libertadora Mossoroense em 6 de janeiro de 1883. Naquele ano, restavam apenas 86 escravos, dos quais quarenta foram libertos por alforria em junho, na loja maçônica. A abolição efetiva se deu em 30 de setembro de 1883 e a cidade passaria a receber muitos escravos fugitivos de outras cidades.

Em 1 de junho de 1886, é extinto o distrito de São Sebastião, recriado em 2 de abril de 1887, ano em que também foi criada a primeira agência de correios e telégrafos. Após a queda da monarquia e Proclamação da República, em 15 de novembro de 1889, o governo do Rio Grande do Norte baixa um decreto dissolvendo a Câmara de Mossoró e criando a intendência municipal, fato que ocorreu em 18 de janeiro de 1890. Em 22 de novembro do mesmo ano, o distrito de Areia Branca é recriado por decreto, tornando-se município em 16 de fevereiro de 1892.

Após a criação da primeira escola de ensino secundário de Mossoró, em 7 de setembro de 1900, o bispo da Diocese da Paraíba, Dom Adauto Aurélio de Miranda Henriques, funda o Ginásio Santa Luzia, atual Colégio Diocesano Santa Luzia, em 2 de março de 1901, nomeando o Cônego Estevam Dantas, vigário paroquial, como seu primeiro diretor. O ginásio foi fechado pela diocese em 1908, sendo reaberto somente em 1912, quando o Rio Grande do Norte agora estava sob a jurisdição da Diocese de Natal, criada em dezembro de 1909.

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